bruno

Destino

Imagine ser filho de um treinador conhecido, consagrado mas muito ruim na avaliação da enorme maioria. Inclusive na minha.

Imagine que você carregará esse sobrenome com o asterisco da Copa de 90 pra sempre no meio do futebol.

Um dia te chamam pra tapar um buraco por uns dias num grande clube. Um jogo.

Contra o Goiás, líder do returno, em casa, pressionado, e diante de um protesto do elenco quanto a saída do ex treinador.

Se Bruno Lazaroni não “vive um drama”,  não sei quem vive.

Boa sorte!

RicaPerrone

Não adianta homeopatizar a queda

Todo saopaulino que encontro puxa o mesmo assunto: o possível rebaixamento. Diante de um rival bancamos firmes e valentes que “nem fudendo”. Entre nós, como toda torcida, a conversa é outra.

Saopaulino é o cara que menos quer cair no mundo. Ele passou a vida jurando que “ele não”. E quando alguém sugeria a idéia de um dia, talvez, quem sabe, a brincadeira virava arrogancia e de fato era tratado como “impossível”.

Não é. Nunca foi. Hoje menos ainda.

E na medida em que as rodadas passam a gente tenta blindar nosso próprio coração do impacto da dor da queda. Então, mesmo mentindo, porque vamos acreditar até o último ponto possível, a gente finge que está se adaptando à queda.

Não adianta homeopatizar. Vai doer se acontecer, e vai ser só no dia que de fato acontecer.

Aos poucos, aceitando devagar, tentando racionalizar paixão, perda de tempo. Você pode até estar esperando, mas a sua dor não será menor.

E será nova, se for. Por isso mesmo você não saberá como tratá-la.

Com incentivo, Morumbi cheio, fé, a única chance. O Titanic afundou tocando violino, não adianta fazer de conta que está tudo bem, porque quem tocou violino também se afogou.

É hora do panico.

“Ah, veja bem…”.  Veja bem é o caralho. O time apanha em casa de Coritiba, empata com lanterna, com a Ponte, toma goleada do Palmeiras… não tem “veja bem” mais.

Troca o técnico, compra jogador e faz dívida.

Se é pra ser rebaixado “como os outros”, tenha a humildade de se nivelar e tentar o que muitos deles tentaram e escaparam quando nessa situação.

Diretoria, faça uma “besteira”! Não será maior dos que as que vocês planejam. Prometo.

abs,
RicaPerrone

Podcast: Bruno e a pena de morte

– Bruno está solto. Ele merece segunda chance?
– Atenção a pergunta. Não é se merece estar solto.
– Você é a favor da pena de morte?

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Há ou não uma segunda chance?

Embora haja muito clubismo nessa discussão, a contratação do goleiro Bruno não devia ser um debate esportivo.  Estamos diante de um dilema bem delicado e que qualquer julgamento radical será injusto.

É papel da sociedade rejeitar pra sempre alguém condenado pela justiça e solto também por ela? Ou a tal segunda chance que pregamos aos domingos de manhã enquanto nos fazemos de santo não cabe se não gostarmos do criminoso?

Bruno está envolvido num crime sério, mas cheio de problemas legais desde 2010. Qualquer advogado na época alertava que isso não seria tão simples e claro porque não havia corpo. Eu não sou advogado, 99% de vocês também não, então não vamos perder tempo na discussão se devia estar solto ou preso.

Meu ponto é o julgamento contra o Boa Esporte, clube que o anunciou hoje.

Vamos chegar a um acordo. Ou temos pena de morte em vida, que seria o caso, ou temos o direito a uma chance. As duas coisas não dá.  O Bruno solto, sob a justiça, tem o direito de trabalhar e recomeçar. Porque um clube não deve contrata-lo sendo ele um grande goleiro?

Porque ele é bandido! Tá, mas se ele foi solto e está apto a trabalhar, é papel do clube julgar isso? Ou pior ainda, é nosso papel determinar quem merece ou não uma chance?  É nessa linha? Se for nosso parente, chance. Se for famoso, talvez. Se for jogador do outro time, pena de morte?

Eu não quero sugerir sequer uma discussão sobre a culpa ou não do Bruno. Eu tenho a minha opinião e dá até preguiça expor aqui pela ignorancia usada no debate. Mas se ele está solto, porque é um “absurdo” que alguém lhe dê uma chance?

Nós preferimos que ele fique livre marginalizado ou que se recupere e se torne um cidadão melhor?

Não há terceira opção. Ele está solto e é sua opinião ou a minha que vai mudar isso. Diante disso, não é melhor tê-lo trabalhando honestamente do que marginalizado piorando a cabeça já não muito boa?

abs,
RicaPerrone

Precisamos falar do Botafogo

Não há nada mais constrangedor a um comentarista do que os fatos. Eles tornam toda discussão indiscutível, todo prognóstico vazio e quando os confirmam não faz mais do que obrigação.

O Botafogo 2016 é o assunto que ninguém quer tocar.

Façamos esse papel e vamos assumir que erramos bizarramente nos prognósticos.  Porque não conhecíamos o treinador que chegaria? Porque não imaginávamos que sairia o Ricardo Gomes? Porque? Por vários motivos. Mas no final das contas, erramos.

O fraco elenco montado para não cair, não caiu. O embalo e o bom futebol dentro de suas limitações técnicas apresentado o credenciou, até, veja você, a brigar por Libertadores.

Ah mas é G6… acostume-se. É G6 e assim será. Tendo até G8 qualquer dia desses. Os classificados continuam sendo os primeiros colocados, logo, um time taxado por nós, inclusive por mim, como altamente rebaixável, não deveria estar ali.

Está. E tem que haver explicação acima do nosso ego de dizer que “futebol é foda”.

É foda. Mas tem trabalho, conscientização coletiva, plano tático e a decência de se enxergar em campo.  Nenhum Pimpão se acha Michel Bastos no Botafogo, enquanto muito Michel Bastos se acha Neymar.

Eis um diferencial.

O Botafogo não caiu. E “pior”, passou longe.  Caiam os queixos, porque não dava pra esperar tamanha evolução em tão pouco tempo e com tão limitados recursos técnicos.  Parabéns aos envolvidos.

Futebol é foda.

abs,
RicaPerrone

Os novos laterais do São Paulo

Ambos do Fluminense, ofensivos, experientes, vencedores e sugeridos pelo Muricy.  Um deles, Carlinhos, o treinador já conhece. O outro, Bruno, ainda não.

Desconfio, e não é muito difícil, que nenhum deles fica de titular no time do Muricy a curto prazo.

Carlinhos é bom jogador, mas é ofensivo. Marca o suficiente mas quando apoia faz bem melhor que marca. O problema é que ele nunca sabe se pode ou não ir até a linha de fundo. Isso as vezes irrita.  Mas é bom jogador.  No entanto, será reserva do Alvaro, imagino eu.

Bruno chega sem concorrência. O SPFC procura um lateral direito desde o Cafu e toda vez que tem algum o Muricy improvisa um volante lá.  Bruno é talentoso, marca mal, não vai a linha de fundo e tenta um chapéu por jogo.

Não acho que seja o perfil de lateral que atue com o Muricy. Mas é um jogador que, com 3 zagueiros, pode funcionar pra cacete.

Bons reforços, especialmente por chegarem a preço de banana. Carlinhos melhor que o Bruno.

O que eles tem em comum com o jeito de jogar do treinador novo é que não vão até a linha de fundo. Preferem cruzar do bico da grande área. Muricy adora cruzadores “a la Jorge Wagner”.  O ruim é que gostam de uma firula e um drible a mais, o que costuma sair caro com o técnico que mais odeia futebol no país.

Traria o Carlinhos se fosse dirigente, até pela peda do Alvaro em breve e porque Muricy o conhece. Acho que o Bruno não.

abs,
RicaPerrone