carioca 2018

Roteiro de campeão

Eu tenho uma mania de procurar uma história foda pra contar em um jogo, imagine num título. Pra mim time campeão tem sempre algo a mais. Nem que seja uma história bizarra, mas ele tem algo que os outros não tinham.

Significa dizer que o vice não tenha nada pra contar? Não. Apenas me refiro a quem vencer. E ainda faltando um jogo, ou seja, podendo haver em 90 minutos o roteiro mais incrível de todos, temos até aqui duas histórias para contar e uma delas é disparado a mais cinematográfica.

O Botafogo fez um bom campeonato, passou por uma troca de treinador, uma eliminação absurda na Copa do Brasil e altera bons jogos com jogos ruins. Não tem acontecido nada de muito anormal, embora ser campeão sendo considero o time mais fraco dos 4 no papel é algo bem bacana de registrar.

O Vasco começou o ano com eleições e tirou o Eurico, embora ele tenha saído vencedor da eleição.  Sem planejamento, sem presidente, o time entrou na Libertadores com um misto de goleada e humilhação. Mas entrou.  No estadual não venceu turnos, mas é o time que ganha jogos pra lá do Deus me livre. No mínimo o mais emocionante de assistir.

Elimina o Flu aos 49, ganha a primeira final ais 48.  O primeiro título sem Eurico. Não há dúvida que essa história está pronta para ser  contada, especialmente do tal ” time da virada”.

Domingo que vem talvez o Botafogo faça 90 minutos que mereçam mais do que os diversos momentos improváveis do Vasco no campeonato. Mas se não o fizer, a história estará em boas mãos.

abs,
RicaPerrone

Quer casar com eles?

 

Não, eu não acho que demitir o Carpegiani e o Rodrigo seja um erro. Acho que alguma coisa tem que acontecer, pois o time do Flamengo parece cumprir horário, bater cartão e ir pra casa.

Acho que o Flamengo virou uma empresa. E acho que isso não é idéia do treinador, do elenco, nem do Rodrigo. É uma medida de cima pra baixo. Uma gestão muito boa mas que acredita que futebol se gerencia como empresa.

Vai apanhar até o último dia do mandato enquanto acreditar nisso. Não há faculdade pra futebol. Esquece.

O Flamengo coxinha não deu certo, nem errado. Ficou ali no patamar de Grande Rio no carnaval. Não ganha, mas passa bem. Cheio de celebridades, todo mundo fala “esse ano vai” e … não vai.

A diretoria do Fla adaptou o clube a ela e não o contrário. Tem que estourar em alguém, e é natural que estoure no comando do futebol.  Talvez um treinador de resultados imediatos funcione, já que o planejamento de 2018 foi pro buraco enquanto a diretoria se negou a dispensar o Rueda para ter  Renato Gaucho por causa de alguns mil dolares de multa.

O Flamengo vê dinheiro em primeiro lugar porque jura ter virado uma empresa.

Ninguém torce pra empresa, se apaixona por ela e comemora lucro mais do que gols e títulos. A ideia geral, abalizada pela imprensa, de que novos gestores de fora do futebol salvarão o nosso futebol é uma bobagem sem fim.

Salvarão as finanças dele. O resto, salva quem conhece do assunto.

Carpegiani é um erro fácil. Todo mundo sabia que ia dar errado. Mas também nunca foi a escolha. Foi o tampão.

Demitir dois muda e dá impacto. Não resolve. O time é bom, mas é “pra casar”. E time pra casar, casa. Não faz história.

abs,
RicaPerrone

Roda gigante

Algumas coisas no futebol acontecem para manter a ordem. Algumas partidas parecem ser jogadas como que num roteiro para que não se quebre a escrita, a tradição e as mentiras bem contadas que movem o futebol.

É claro que o Flamengo empolgado pela Libertadores seria o ideal pro Fluminense. Que auto-afirmação haveria em bater no rival cambaleando? Eles gostam assim.

Do centenário, favorito, em maioria. Se há uma receita para o Fluminense vencer o Flamengo é a inferiorização de véspera. E não, ela não pariu do rubro-negro. Partiu dos fatos. E contra eles, azar deles.

Só há um clube no mundo que faz a megalomania rubro-negra desaparecer. Está no hino, no ar, na cidade inteira. O Flamengo ostenta uma marra deliciosa de assistir. Ela está presente contra o Barcelona no Camp Nou. Mas nunca está presente no Fla-Flu.

É o dia do ano que rubro-negro olha de frente e não pra baixo. Seja quem for do outro lado, se com aquele uniforme, eles respeitam. É uma das relações mais bonitas do futebol mundial. E toda vez que o Fluminense ameaça se apequenar, é diante do Flamengo que ele se reafirma.

Pois se és tão grande, poderoso e independependente, porque tanto lhe incomodo? E incomoda. É fato. Nem mesmo Zico recusa.

Há no Fla-Flu um ingrediente sobrenatural. E ele com certeza veste 3 cores.

Se ser o Fluminense do Flamengo não é um sinal de grandeza infinito, não sei o que pode ser.  E sim, pro Flamengo só há um Fluminense. O resto ele esnoba, com ou sem razão.

abs,
RicaPerrone