Carlos Alberto

Por Zagallo, Dunga, Ronaldo…

É tanta gente, nem da pra listar.  No país do futebol o grande herói corria de carros, e morreu.  E se não estivesse morto fatalmente estaria sendo menosprezado de alguma maneira por um povo que tolera tudo, menos o sucesso.

Capita faleceu nesta manhã e mais uma vez nos salta aos olhos o quanto esperamos para prestar as devidas homenagens que ele não poderá receber. E então imediatamente lamentamos por isso quando na verdade podemos tirar de lição e olharmos para o lado.

Ainda conosco estão tantos heróis do esporte. Tanta gente que nos fez mais felizes e orgulhosos desse chão.  E no entanto, esperamos. Quando não restar mais dúvidas que ele não fará nada que nos desagrade, quando não der mais para ele cometer erros, enfim, aplaudimos.

Capita, Capita…. eu nem pude conversar com você. Só apertei sua mão um dia num evento por aí.  Mas sinto um vazio hoje porque sou do futebol, vivo e consumo essa “droga”  em doses cavalares e não há como rejeitar que nos tiraram um pedaço.

Eu nem gostava de você comentando, como não gosto do Dunga treinando, talvez não concorde com o Ronaldo em algumas coisas. Não acho maneiro ver o Romário político, nem o Dinamite presidente.  Mas toda vez que eu olho pra um deles, enxergo apenas o ídolo.

Pra mim, e gostaria que fosse pra todos, vocês não estão mais correndo riscos. Eternizaram seus nomes de tal maneira que nada do que façam possa ofuscar o que já foi feito em campo.

Por isso, por um dia não ter que me lamentar por não ter dito tudo isso ao Capita em vida, por não ter pedido pra tirar uma foto, por não ter tietado o quanto gostaria diversos deles quando encontrei, hoje eu me sinto parte culpado.  Eu nunca escrevi sobre o Capita, e esperei ele morrer pra fazer isso.

Eu e a maioria de nós, brasileiros.

Será que não tá na hora de tratarmos Dunga, Ricardo Rocha, Ronaldo, Pelé, Romário, entre tantos e tantos outros com um pouco mais de carinho?

“Ah mas eles só jogaram futebol!”.

E você fez o que?  Deu alegria pra quantas pessoas? Criou uma história entre pai e filho com que chute seu numa bola?

Aos heróis, as medalhas. Em vida.

Adeus, Capita! E me desculpe a demora.

abs,
RicaPerrone

Botafogo contrata um desfalque

É duro de acreditar. Em qualquer coisa.

Na contratação, no resultado dela, no final feliz.

Carlos Alberto, que tem 29 anos e mais clubes, polêmicas e promessas que Paulo Baier, é o “novo” desfalque do Botafogo.

Sim, a tendência é essa. Todo domingo o Fogão terá mais um nome na lista dos jogadores que não podem atuar por algum motivo.  E, talvez, nas terças-feiras, o clube tenha também a capa da Globo.com com uma notícia bombástica de algum desgaste entre jogador e clube.

Eu não sei qualé a do Carlos Alberto. Jogar futebol não me parece ser.

A do Botafogo, menos ainda.

Mas se é pra olhar o lado bom, se ele existir, a última vez que trouxeram de volta um jogador com passado de dívidas no clube foi o Pet em 2009.  Mal comparando, por favor.

E se formos ainda mais otimistas, podemos enxergar que neste time o Fogão já tem 2 “malocas”, o que ajuda o time a sair daquela insuportável zona de conforto de quem se acostumou a perder.

Mas sendo realista, bem prático, o Fogão tende a ter feito uma tremenda cagada.

Aguardemos.

abs,
RicaPerrone

Perdoai, senhor!

O cara lá em cima capricha pra alguns, economiza em outros. É parte da diversidade humana tanto o gênio quanto o burro, afinal, sem os burros, ninguém seria gênio. No futebol ele não faz miséria.

Economiza cérebro pra muitos, dota de um talento sobrenatural a outros tantos. Raramente dá a um mesmo jogador cabeça e talento. Quando dá, surge o que chamamos de “fora de série”, que no latim quer dizer: “Joga pra caralho e não faz merda”.

“Craque”, pra mim, é um termo que não se encaixa ao Kaká e se encaixa no Roger, do Cruzeiro. E você dirá: “Perrone, seu imbecil! Tá dizendo que o Roger joga mais que o Kaka?!”.

Não, seu anormal. Não estou.

A palavra “craque” é interpretativa. Você pode achar que diz respeito a rendimento, eu a talento. Pra mim “craque” é apenas sinonimo de um técnica incomum com a bola. Ponto.

Raí era inteligente, com isso “virou craque”. Mas não era.  Roger é craque, mas não quer ser, logo, virou um “chinelinho”.

Zidane era craque e inteligente. Virou um mito. Pelé era um mito inteligente e craque, virou Rei.

Em tempos de tanto bla-bla-bla com relação a desperdícios, acho relevante o futebol contabilizar os seus.  Rapidamente, sem pensar mais do que 3 minutos, cheguei a Roger, Diego Souza, Carlos Alberto e Djalminha.

Craques, todos eles.

Alguns por indisciplina, outros por má vontade, outros por muita vontade de ter dor até na perninha do óculos em dia de decisão, não viraram o que poderiam ter virado. Ainda assim, ricos, famosos e “consagrados”, são bons filmes de muita mídia.

Aquele que é bom, mas falam tanto, fazem tanta propaganda que por melhor que seja você nunca sairá do cinema achando “que era tudo isso”.

Diego e Carlos Alberto, aos 27, ainda podem.  Roger e Djalminha, não mais.

Talvez eu não tenha visto de perto ninguém tão talentoso quanto Djalminha ao longo da minha carreira. Talvez não tenha encontrado em toda minha vida mais do que 5 jogadores com características de um meia clássico como encontrei no Roger.

Mas é certo que também não vi nestes anos todos dois casos de tamanho  desperdício.

Djalminha, se quisesse, teria sido Zidane, ou maior. Roger, se focado e menos machucado, usaria a 10 que foi do Kaká por longos anos, já que Deus foi muito mais bonzinho com o carioca do que com o “bom menino de Madrid”.  A diferença é que um melhorou demais o que já tinha, o outro foi piorando tudo que tinha.

Diego Souza não pode ser Zidane, nem Zico, nem nada parecido. Mas poderia ser um Raí, talvez. Alto, técnico, inteligente em campo, mas que prefere viver de apagões e surtos do que numa linha crescente natural.  Hoje,  pode destruir um jogo ou estar, em 3 semanas, sendo afastado do time titular.

Não dá pra confiar em Diego Souza.  Que é uma versão menos temperamental do Carlos Alberto, outro fenômeno do futebol moderno.

Gênio aos 19, contratado como “mega investimento” aos 21 para voltar ao Brasil, desde então teve míseras oportunidades em 6 dos maiores clubes das Américas. Não adianta, não vai.

Mas como a sorte ajuda, toda vez que se apresenta pensamos: “Mas e se….?”. E não, não estamos errados. Pois, de fato, “e se ele quiser jogar, desta vez”, é uma contratação maravilhosa. Mas alguns deles nunca querem.

Outros, por culpa deles e também nossa, se perdem em meio a idéia de já terem conquistado tudo. Aos 22, dono do mundo, rico, bonito, saudavel… Quero mais o que?

Sei que, só com o talento que Deus deu, eu jogo e consigo me manter em time grande ganhando alto até os 33. Pra que vou me matar de treinar junto com os limitados que precisam repetir 20 vezes para acertar o que faço olhando pro outro lado?

Não, não fala em Adriano, não. Nem Ronaldinho. Estes, um dia, atingiram seu topo. Os que citei jamais foram perto de onde poderiam ter ido.

Roger parou, mesmo fim de Djalminha, que mesmo tendo ficado anos no “mais ou menos” La Coruña, não foi sombra do que seu talento poderia ter atingido.

Em 5 minutos, foram os 4 maiores desperdícios recentes que lembrei. E você? Enquanto lia, lembrou de quem mais?

abs,
RicaPerrone

Esse cara é você!

Em 2002, quando surgia com algum destaque no Flu, o cara era o Roger. No Porto, onde foi tentar a sorte, outros caras eram “os caras”.

No Corinthians, a peso de ouro, era o terceiro ou quarto “cara” do time de Tevez e Nilmar.  No Sào Paulo de Adriano, no próprio Vasco de Juninho, Carlos Alberto nunca foi “o cara”.

Bola pra isso já ensaiou mostrar diversas vezes e, em 2009, na série B, foi “o cara” do Vasco. Ali, se disse feliz, e pra lá voltou.

Ao ver o clube “perder” todas as suas estrelas de 2011/2012, sobrou pingando a chance de ser protagonista mais uma vez.

Aos 28 anos, com uma camisa pesada, sendo enfim o “grande nome” do time, Carlos Alberto joga mais do que um estadual, mas a sua afirmação como jogador de alto nível.

Eu não me arriscaria a apostar no Carlos Alberto. Nem seria maluco de apostar que “não”.

Sempre na condição de “um dos caras”, foi destaque por polêmicas, não por futebol.

Agora é diferente. “Os caras” se foram. E esse cara, agora, é você.

Tem gente que tem uma oportunidade na vida, outros tem 20. Deve ser a décima nona.

Tá na hora de aproveitar.

abs,
RicaPerrone