Centenario

105 anos, Vô!

Oi Vô! Tudo bem aí em cima?  Saudades de você.

Mas te escrevo hoje não pra falar de nós mas sim pra te mandar notícias. Talvez você perca a noção de tempo ai onde estiver, mas hoje, dia 26 de agosto, o seu Palestra faz 105 anos.

Eu adoraria que você estivesse vivo por diversos motivos, mas pra ver o Verdão chegar nessa data forte, rico, com um grande estádio e ganhando títulos é um deles.

Quando você se foi eu sonhava em ser jornalista esportivo. Eu consegui, Vô.  Vivo de futebol, como sempre quis. Acompanho tudo de perto, não tenho mais o mesmo clubismo pelo meu São Paulo, mas em troca disso aprendi a ver o que há de mais especial em outros  grandes clubes.

Eu tô morando no Rio, Vô. Mas tenho ido muito a Sao Paulo ainda.

As coisas não ficaram muito calmas por aqui nos últimos anos. Se eu te contar que caiu pra série B e tudo você acredita?  Nem eu, as vezes. Mas aconteceu. E duas vezes.

Caramba, Vô! Você morreu na noite de um domingo onde o meu São Paulo ganhou do seu Palmeiras de virada. No dia seguinte ao ter “apostado” um guaraná comigo que daria “Palestra”, como você sempre tratou seu time.

Eu te liguei domingo a noite e ninguém atendeu. Eu queria falar do jogo, mas nunca falamos dele.

Aliás, Vô! Fui te homenagear e usar “Perrone” quase me quebrei. Tem um tal de Ricardo Perrone aqui que a torcida do Palmeiras odeia. E eu já até mudei pra “Rica”  pra diferenciar. Mas olha, o que tem de nego que confunde…

Ah! Vocês ganharam a Libertadores! Nos pênaltis, mas foi legal. O Felipão, lembra? Do Grêmio.  Então, era ele o treinador. Ainda é, até.

O Mundial, não. Perderam na final pro Manchester, 1×0.  Falha do Marcão, que é um dos maiores nomes do clube e você não conheceu.  Ia gostar dele, meio caipira, simples, careca. Até parecido com você.

Mas ele já aposentou também.

Ganharam brasileiros, unificaram com os da sua época. Copa do Brasil. A coisa tá boa pra vocês.

Faz tempo né, Vô?

Mas era isso. Eu queria te lembrar da data, dizer que vou tomar um vinho por você e brindar “ao Palestra!”  como você faria. Sem hipocrisia, prometo! Desde que você se foi é muito difícil não olhar pra aquele time de verde e lhe desejar sorte.

Você tinha que ver o estádio novo, Vô. É muito bonito. Acho, e que ninguém nos ouça, que é o mais bonito de São Paulo.  Ah! Quase esqueci! O Corinthians fez um também! Juro!

Sério, pô! Acredita em mim.  Mas é uma longa história.

Teve até Copa aqui, Vô. Eu fui, mas perdemos. Não vou entrar em detalhes pra você não morrer de novo, mas acho que agora entendo o que vocês sentiram em 50.

Tenho que ir agora. Muito trabalho e preciso publicar coisas sobre o seu Palestra no blog. Blog é, diria eu, uma “coluna de jornal” do meu tempo.

Fica com Deus aí, Vô.  Tô com saudades.  Assim que o Palmeiras for campeão de novo eu te mando notícias.

Até já!

abs,
RicaPerrone

Nossos meninos de novo

Quando eu era moleque meu pai discutia a seleção de 82 com meus tios e falava dos jogadores como se fossem patrimonios nacionais. Havia respeito, carinho e admiração. A cobrança era parte do processo, mas nunca ofuscou o olhar que brilhava por eles.

Acho que passei a maior parte da minha vida ouvindo a imprensa dizer, copa sim copa não, que a seleção brasileira “não é mais aquilo”, que “o futebol não é mais aquele”, que “nunca mais vamos…”.  E, de fato, raramente temos no futebol o que tivemos um dia.

Mas desde Romário e Ronaldo eu não via o brasileiro olhar pra seleção com euforia. Repare, não falei em alegria. Nós sempre olhamos pra seleção com alegria porque ela invariavelmente vence. Mas com euforia, é raro.

Nós esperamos mais que o gol. Nós queremos vê-los e torcemos por eles. Nem mesmo o patético mimimi dos que acham que torcer contra a seleção é combater corrupção na CBF está mais se sustentando. São irresistíveis.

4×1, lá?! Pelo amor de Deus…  não chega a ser novidade, aconteceu em 2009. Mas pra quem outro dia era colocado como “dúvida” na próxima Copa? Você são malucos. Nunca duvidem dessa camisa. Também não coloquem nela o peso de ser a “única alegria do brasileiro”.  Toda vez que aconteceu, deu merda.

Eles são garotos, moram longe, mas pela primeira vez vejo uma geração de jogadores não identificados com clubes brasileiros serem “nossos”.

A gente sorri quando vocês fazem o gol. A gente xinga o Marcelo quando ele erra mas sem o “eu avisei”.  É só raiva de torcedor.  Nós temos orgulho do Neymar. Nós adoramos o Jesus, e isso se aplica a corintianos e saopaulinos.

É um momento raro. Comandado pelo Tite, o cara que explicou com trabalho como é rápido devolver a coroa a quem nasceu rei. A bola nos ama. E quando a gente sorri jogando futebol, quando temos na seleção “nosso time”, tudo está no lugar.

O futebol precisa da seleção brasileira. E nós, mais ainda.

abs,
RicaPerrone

Nunca haverá “favorito”

Eu entendo que o termo “favorito” não indique um vencedor. Apenas um time que esteja naquele momento melhor para o jogo. O que nunca significou muita coisa, em clássicos, vai a “nada”.

Eu não assisti nem dez Palmeiras x Corinthians onde o “favorito” deita e rola.  É mais raro do que o não favorito vencer, aposto.

E a semana toda foram colocando o Corinthians na melhor condição do mundo:  a de “franco atirador”.  E isso não foi feito pelo Palmeiras, que fique claro. A montagem do cenário é criada sempre pela mídia. E toda vez que ela tenta enxergar um time jogar um clássico nessa condição, ela muda o clássico.

O Corinthians, em casa, é favorito contra qualquer time do mundo. Tal qual o Palmeiras no estádio dele, tal qual qualquer clube grande do futebol mundial. Em casa, ele é o protagonista.

O arbitro cometeu um erro grotesco, daqueles que nos faz aceitar a interferencia externa. Mas ele tirou só o Gabriel. Não foi má intenção, foi erro mesmo.

Fosse má intenção ele teria tirado a camisa do Corinthians, não um jogador.  Aí sim, teríamos um favorito.

abs,
RicaPerrone

Precisamos falar de Copa América…

Com o perigo cada vez mais iminente de uma tragédia, é preciso reavaliar cenários. A Copa América 2016, embora de muito bom nível e bastante interessante, é um torneio amistoso.

E se não for, passa a ser agora.

Porque quem estará na Copa das Confederações ano que vem? O Chile, campeão da Copa América. Logo, essa é uma “edição deluxe”? Não, é uma edição festiva, amistosa, divertida, que foge do regulamento básico do torneio de ter times SULAMERICANOS e portanto, não vale.

Que registre-se em nosso regulamento:
– Não há fim de fila em caso de títulos de torneio amistoso e/ou olímpico sub 23.

Pergunto a você, torcedor: Alguma vez ganhar Tereza Herrera ou Ramon de Carranza tirou time de fila?

Assim sendo, fico mais tranquilo pelo restante da competição.

abs,
RicaPerrone