Classico

Nunca haverá “favorito”

Eu entendo que o termo “favorito” não indique um vencedor. Apenas um time que esteja naquele momento melhor para o jogo. O que nunca significou muita coisa, em clássicos, vai a “nada”.

Eu não assisti nem dez Palmeiras x Corinthians onde o “favorito” deita e rola.  É mais raro do que o não favorito vencer, aposto.

E a semana toda foram colocando o Corinthians na melhor condição do mundo:  a de “franco atirador”.  E isso não foi feito pelo Palmeiras, que fique claro. A montagem do cenário é criada sempre pela mídia. E toda vez que ela tenta enxergar um time jogar um clássico nessa condição, ela muda o clássico.

O Corinthians, em casa, é favorito contra qualquer time do mundo. Tal qual o Palmeiras no estádio dele, tal qual qualquer clube grande do futebol mundial. Em casa, ele é o protagonista.

O arbitro cometeu um erro grotesco, daqueles que nos faz aceitar a interferencia externa. Mas ele tirou só o Gabriel. Não foi má intenção, foi erro mesmo.

Fosse má intenção ele teria tirado a camisa do Corinthians, não um jogador.  Aí sim, teríamos um favorito.

abs,
RicaPerrone

Alguém vai ter que fazer

Eu não sei se é claro pra vocês quanto é pra mim que o futebol brasileiro começa a pedir união, profissionalismo e liberdade.  Sei que o que CAP e Coxa fizeram ontem foi um passo importante, mas que não me convence pela estrutura.

Explico.

Coxa e CAP são rivais. E a Federação, a tv, seja lá mais quem for, sabe que em algum momento seus dirigentes vão soltar as mãos e rachar. Simplesmente porque os dois lados tem torcedores apaixonados comandando seus clubes, não gestores isentos de paixão.

A Liga prova isso quando em 86 foi criada em 2007 renegada por um de seus criadores (meu time) pela taça escrota de bolinhas. E em 2015 mais uma vez, quando o Flamengo fez tudo que fez pela Primera Liga e entrou com time reserva na semifinal dela pra priorizar o estadual.

Ou seja, todos tem um indício de revolução, mas esbarram no clubismo.  Ontem eles foram “fortes” e não jogaram. Mas se amanhã a tv der 200 pro CAP e 180 pro Coxa, o CAP deixa de jogar por achar que os dois merecem o mesmo? Sabemos que não. E sabendo disso a TV e as federações deitam e rolam nas nossas costas.

A única saída possível é a venda dos clubes. Simplesmente porque onde se privatiza algo o dono zela pelo NEGÓCIO dele e não pela vontade de ser campeão apenas.  Não há profissionalismo com paixão acima da razão. E estatutariamente o futebol brasileiro impede o profissionalismo.

Quem tinha que fazer o que Coxa e Cap fizeram ontem era Flamengo, Corinthians, Galo… os que ganham muito mais. Os que “podem”  dizer “foda-se” e bancar isso. Óbvio que CAP e Coxa não podem e nem tem mídia pra segurar isso muito tempo, o que aumenta a dignidade da postura e da coragem de ambos.

Mas tem que ser todo mundo.

Enquanto um fizer e os outros assistirem, nada muda. A TV e a Federação sabem que tem vocês nas mãos no momento em que vocês apertam um calendário de um ano pra jogar um torneio falido como o estadual de 20 datas.  Eles sabem que pagando vocês aceitam tudo e que o máximo que farão é mentir pra torcedor reclamando em novembro do calendário que você assinou em janeiro.

Só os clubes podem mudar isso. Não tem CBF, Federação e Globo. Apenas os clubes grandes do Brasil pode sentar numa mesa e dizer: “agora é assim”.

Mas não vai acontecer. Porque eles morrem brigando por uma fatia maior de um bolo pequeno, ao invés de brigarem pelo aumento do bolo todo.

abs,
RicaPerrone

Como tem que ser

Se você me pedir a fórmula de um grande clássico eu citaria boa parte do jogo desta noite como “receita”.

Do empurra empurra a polêmica não expulsão. Da burra cotovelada ao beliscão nos mamilos.  Dos gols perdidos, dos gols marcados e por quem foram marcados.

Clássico que é clássico não tem mandante.

Clássico que é clássico tem empurra-empurra e pontapés. Porque se não tem é porque ninguém está perdendo o controle. E sob controle não é clássico.

Tem juiz na pauta. Porque se ele não errar nada, o que será da segunda-feira?  O perdedor, que hoje nem existiu, precisa de um erro do juiz para libertar sua alma no dia seguinte.

Treinadores exaltados, gols de reservas salvadores, goleiros fazendo milagres e um final onde o coração já superava qualquer roteiro tático pré-estipulado.

Flamengo e Vasco tem que ser assim. Faltou torcida, faltou Maracanã.

Faltou bom senso, porque ingresso a 100 paus o mais barato é inaceitável.  Mas sobrou emoção. E quando sobra vontade de bater no peito quando seu time está em campo, valeu a pena.

Um Flamengo e Vasco pra deixar qualquer pessoa que “não liga muito pra futebol” constrangido.

abs,
RicaPerrone

Quando a regra não é clara

Eu não quero levar a partida para a arbitragem, se é isso que o título lhe sugere.  Sobre os pênaltis, discutíveis, eu não daria nenhum deles. Mas a regra que realmente quero discutir é outra.

Gabriel tem 19 anos.  Esse menino joga sua primeira grande decisão como protagonista titular de um grande clube ao vivo para todo país. Aos 5 minutos de jogo o Santos tem um pênalti, ele pega a bola e vai cobrar.

O gol do Gabriel poderia abrir caminho para a tal vitória fácil que previam do Santos sobre o Palmeiras. Mas ele perde. A trave o leva do céu ao inferno e, candidato a herói, no momento, é o grande vilão em caso de derrota.

Esse menino joga o restante da partida tendo que absorver tudo isso e tentar compensar de alguma forma seu erro. Já no fim do jogo ele marca um golaço e dá ao seu time a vitória que encaminha para um título ainda indefinido.

Gabriel então perde a razão, o controle e tira a camisa.  Ele grita, se bate, olha pra torcida, pro céu, agradece, não sabe nem pra que lado correr.  E ao final deste memorável momento que faz do futebol a nossa estranha loucura, ele é punido.

Eu sei. Vai ter alguém que dirá que “o patrocinador, blá blá blá…”.  Mas é realmente passível de punição por regra que o descontrole emocional após ser o autor de um gol decisivo seja um erro?

Você realmente gostaria de futebol tanto quanto gosta se o garoto fosse até a grade e desse um soquinho no ar já caminhando pro meio campo?  O quanto você se identificou com a perda de controle dele, a euforia e a vontade de correr pra todos os lados ao mesmo tempo?

Em 2006 Tinga foi expulso porque tirou a camisa quando fez o gol mais importante da história do clube.  Como prêmio ele viu o jogo terminar fora do gramado.

Eu não contesto os argumentos sobre patrocinadores e conduta.  Contesto o real significado do futebol e de se realmente o patrocinador prefere ficar na pele de um profissional frio e calculista do que voar das mãos  de um herói de título.

Eu ia querer voar.

abs,
RicaPerrone

Aha, uhu, o Maraca é rosa!

Senhores, haja viadagem.

E não preciso explicar que a “viadagem” é um termo que remete a frescuras, firulas, não a orientação sexual. Preciso?  Não. E se precisar, foda-se.

A “guerra” estimula violência.  O “matador” é um termo ruim pro atacante. A comemoração zoando a torcida adversária gera punição. Abraçando a sua, também.

Bandeiras não pode. Cerveja, nem pensar.  O menino que sobe da base e provoca é “arrogante”.  O que fala em Deus a cada 2 palavras e não tem opinião sobre porra nenhuma é “exemplo de atleta”.

Na folga, não pode beber.  Beijar uma garota no transito sendo solteirão é “polêmico”.

Eles querem um futebol moderno e rico num país fodido.  Querem o fim da violência no futebol dentro de um país violento. E querem que nosso futebol se renove, evolua, pare de repetir o que fazia em 1985!  Isso dito numa mesa redonda com 6 senhores de cabelos brancos discutindo “o futebol ser caixinha de surpresas” é, no mínimo, tosco.

De todos os problemas do futebol brasileiro, o maior, disparado, é a imprensa esportiva.  Generalizo por não poder separar todos eles e por entender que sim, a maioria é ruim.

Temos jogos épicos nessa semana, estádios cheios, clássicos e decisões. É quarta-feira, 14h, dia dos jogos. E só se falou em apito amigo, “mata mata” como promoção de violência e o “absurdo” que é um jovem ver uma “guerra” num Flamengo x Vasco como termo para citar a importância da partida.

Partiu Maracanã.  Vou de soldado, colete a prova de balas, porque o garoto causou uma guerra! Ui, Gazelas!

abs,
RicaPerrone

Irretocável

Um Grenal me parece sempre algo que não posso compreender por completo. Algo que diz respeito apenas aos envolvidos e que qualquer tentativa externa de dimensioná-lo é em vão.

Pois eu diria que se um tricolor pudesse escolher como seria o Grenal de hoje não teria feito tão bem quanto os fatos.

Caiu um tabu, devolveram a goleada, tiraram o rival do G4, entraram nele, deram chapéu no craque rival, tiraram o sujeito do sério e tudo isso numa reta final de campeonato.

O time que não fazia gols fez 4. O “técnico ultrapassado” está em terceiro, dirigindo um time que os mesmos especialistas que o sacrificaram rotularam de “comum” pra baixo.

No final do jogo me diverti com um narrador dizendo que era “uma pena” a troca de empurrões e o clima quente. Ora, meu caro!  Você está muito enganado! Grenal sem empurra-empurra tinha que ser anulado por fraude!

Dos estonteantes 90 minutos onde o Grêmio jogou o que sabia, o que não sabia e  o que o Inter não imaginou enfrentar ao último sopro do árbitro, não há Grenal amistoso. E se houver, foi ruim.

Felipão comemorou aniversário vendo um time seu tendo uma das maiores atuações que me recordo. O Grêmio não errou nada! Ao contrário, acertou tudo que tentou e teve o absoluto controle do jogo desde o primeiro minuto.

Um 4×1 não profetizado nem pelo mais apaixonado tricolor, menos ainda pelo mais depressivo colorado.

Um jogo pro Inter tentar esquecer. E pra gremista  não deixar que esqueçam.

abs,
RicaPerrone