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Conca, Fred e as “escolhas”

Vou opinar antes de qualquer uma das partes se manifestar pra que não pareça um “lado”.  A diferença entre Conca, Fred, a relação FlaxFlu e os julgamentos são grandes.

Os dois jogadores são idolos do Flu. Ou “era”, pro argentino inteligente que foi ganhar um trocado a mais e ficar encostado no rival.  O Fred ainda é.  Especialmente porque qualquer pessoa razoavelmente próxima ao clube sabe que Peter fez de tudo para empurra-lo pra fora e não por vontade do jogador.

Conca, por sua vez, fez de tudo pra ir pro rival, inclusive quando o Flu ainda o queria e ele vestia a camisa do clube. Na saída da Unimed, negociou e se ofereceu para o Flamengo ainda jogador do Tricolor.

Nada errado. Apenas burro.  Conca tem suas escolhas claras: grana, grana, grana e foda-se.

Fred nunca tentou sair do Fluminense. Ao contrário, foi “vendido” contra sua vontade.  Isso dá ao Fred um “direito” que honestamente eu nem queria que ele fizesse uso.  Acho importantíssimo pra um jogador terminar a carreira ídolo de um clube. E o Fred tem muito a perder, embora em 2 anos possa se tornar também ídolo do Fla tal qual o Renato foi do Flu um dia.

Mas é um risco. E esse risco se divide entre jogadores que se oferecem e jogadores que são rejeitados. O Fluminense deu ao Flamengo a possibilidade do Fred. O Conca foi buscar no Flamengo essa oportunidade enquanto o Flu o queria.

São situações muito diferentes embora pessoas de má fé tentarão mistura-las pra vender na mesma sacola.

O Flamengo está apenas buscando o melhor centroavante do país. E o Flu, pensando pequeno, sem entender a importância de um ícone na relação torcida/clube, especialmente com crianças, deu ao Flamengo a oportunidade de negociar com esse ídolo e o alvará para que ele aceite sem ser “mercenário”, já que a dispensa partiu do clube.

abs,
RicaPerrone

Nem no banco?

Fosse 10% simples como “especialistas” e torcedores acham, o futebol teria todos os seus jogos empatados, todos os clubes ricos, toda contratação seria bem feita e ninguém ia gostar dessa cachaça chamada futebol.

Não é. Passa longe, muito longe, do que nós conseguimos diagnosticar de fora. E então as vezes é preciso tentar entender.

“Porque o Conca não vai pro banco se ele está liberado? Ele é pior que os que tem lá?”

Não, fofo. Não é isso.

Existem duas formas de você usar o Conca.  Hoje, voltando de meses parado, ele dificilmente irá resolver jogos, entrar arrebentando. Assim sendo, tê-lo no banco só serve pra uma coisa: inflamar a torcida contra o titular e pressiona-lo.

Não tem outra serventia no momento. Após treinos, jogo treino, algum ritmo, legal. Ele entra contra o Mandioquinha FC quando tiver 4×0 e tudo bem. Ou começa jogando daqui 2 ou 3 semanas.  Tanto faz.

O que não pode é fazer do Conca algo ruim pro desempenho do time. E ele, hoje, longe da forma ideal, sem ritmo, com poucos treinos (fez 1 jogo treino hoje pela primeira vez), só gera insegurança e pressão em quem estiver em campo.

A torcida pedirá Conca. Foda-se como ele está. Acham até que entrará o cara de 2010, que ele não fez aniversários e ainda pode voar.  Torcedor é isso. E é muito mais fácil tirar do torcedor a arma para pressionar quem pode resolver o jogo do que enche-lo de munição a troco de nada.

Toda vez que algo lhe parecer muito absurdo, pergunte-se os motivos. Talvez seja mais fácil do que achar que de fora é todo mundo gênio, quem tá dentro é retardado.

abs,
RicaPerrone

Conca versão Flamengo

Minha versão para o lado do Conca você já conhece e. se for rubro-negro, fatalmente discorda dela neste momento. Mas para o clube, para a torcida, um presente que até outro dia era pouco provável.

Não porque o Flamengo não esteja acostumado a fazer “loucuras”, mas exatamente por ter um jogador como esses e não estar fazendo qualquer “loucura” por isso.

As opções Diego e Conca pro meio, com Guerrero na frente e a possível vinda do Rômulo dão ao Flamengo o status de “timaço”, levam público ao estádio, certificam o ótimo trabalho administrativo dessa diretoria e mostram ao futebol brasileiro que, se a gestão vier de fora pra dentro, sem vícios, com paciência, funciona.

Dívidas encolhem, receitas multiplicam, o time chega forte, só melhora e o mercado responde. O Flamengo vai cometer erros no futebol sempre, porque o futebol não é uma ciência. Mas se comete-los nessa direção, não estão “criando um PSG” no Brasil. Ele está se criando sozinho e por méritos. E também por incompetencia da maioria.

Ao campo

É um problema ter Conca e Diego? Não. Claro que não. Mas daí a achar que simplesmente coloca os dois ali e o time voa, outros 500.

O Flamengo tem uma dificuldade terrível de sair do esquema de 2 caras abertos e um meia mais centralizado. Toda vez que tentou, se deu mal. E essa dependência tática que o brasileiro tem hoje de replicar o Barcelona a todo custo pode dificultar a vida do Conca.

Na minha cabeça, hoje, até por vir de grave contusão, ter 34 anos e só ficar até dezembro, ele é reserva do Diego. Se for pra jogar os dois, em junho talvez, eu tenho enorme dificuldade em acreditar que até lá o Flamengo já não tenha um esquema de jogo que obrigue ou o Conca a jogar aberto ou a ficar no banco do Diego.

Mesmo assim, achando que essa adaptação tática dos dois não será nem imediata e talvez nem aconteça, é muito melhor você ter um Conca a disposição do que não ter nem um titular do nivel dele.

Acho também um desconhecimento de causa quem diz que não podem jogar juntos porque ninguém volta pra marcar. Quem assiste o Flamengo sabe que o Diego volta, recompõe, se aplica e faz a linha de 4 defensiva com enorme facilidade.

Aplausos

É o que devemos a diretoria do Flamengo quando vemos 2017 começar sem perder a base anterior, com tudo em dia, patrocinios altos com o país em crise, estrutura sendo lançada, jogadores de alto nível contratados.  Se há uma responsabilidade pouco executada no Brasil é a do aplauso a quem merece. Então, fique com os meus, Bandeira e cia.

abs,
RicaPerrone

Conca: bom pra todos

O Fluminense “ganhou” o Conca tendo que pagar a ele 250 mil por mes. A Unimed pagaria o restante, e o jogador, com 31 anos, não fazia planos de deixar o clube e o Rio de Janeiro.

Ao final de 1 ano, o Flu lhe devia cerca de 600 mil em direitos de imagem. A Unimed parava de pagar pra forçar a barra covardemente nos bastidores, e o jogador já negociava salário com outros clubes brasileiros, todos abaixo do que ganhava no Flu/Unimed.

O clube disse “não”. Avisou o jogador que não o venderia pra um rival e o lembrou que teria o poder de ficar lhe pagando 250 mil e mantê-lo até  final de seu contrato.

Fato, a decisão era do Fluminense. Nem Unimed, nem Conca podiam resolver o caso.

Até que uma proposta da China fez o jogador reconsiderar a idéia de continuar no Brasil, especificamente no Rio, onde tem negócios e acaba de comprar uma casa.  Só que agora falávamos em 2 milhões por mes, e Conca estava negociando 600 no máximo pra ficar aqui.

Mudou tudo.

O Fluminense teria direito a míseros 16% da venda. Os chineses ofereceram cerca de 10 milhões de reais.

Com o poder de decisão nas mãos, o Flu disse que aceitaria vendê-lo caso ele e a Unimed deixassem os 9 milhões limpos pro clube.  A Unimed topou, Conca não.

Ele quis os 50% dele e não aceitou abrir mão. Na negociação, com o jogador forçando pra sair do clube por óbvios e incríveis 20 milhões de dólares em 2 anos, conseguiram mais uma fatia. Mas não o total.

No final das contas o Fluminense levou 5 milhões de reais. Valor que se dissolvido no ano que pagou Conca, paga o jogador e ainda sobra 2.

Conca jogou no Flu em 2014 e deu ao clube um lucro de 2 milhões de reais. A Unimed não teve a grana de volta e apenas se livrou de continuar pagando o jogador.

E os chineses levaram um jogador de 31 anos gastando 9 milhões de reais e mais 20 milhões de dólares para ter Conca por 2 anos.

Dos negócios possíveis, o mais equilibrado. E pro Fluminense, um bom acordo. Não diria que o melhor deles, pois se o clube batesse o pé e pedisse os 100% da venda, Conca aceitaria. Ou perderia 20 milhões de dólares por causa de 4 milhões de reais?

abs,
RicaPerrone

A lenda de Conca

O Fluminense virou o “time mais odiado do país” quando a mídia irresponsavelmente e sem provas decretou ter sido uma jogada de bastidores do clube o não rebaixamento de 2013.

Desde então vê-lo se f… é uma vontade pouco disfarçada de torcedores e até jornalistas, que a troco de um achismo começam a propagar lendas como verdades absolutas.

A Unimed não tem 85% do Conca.  Ela não pode simplesmente “deixar de paga-lo”.  O Fluminense não perderá todos os jogadores que a patrocinadora mantinha. E não, a parte mais “prejudicada” com o fim da parceria não foi o Flu, mas sim a Unimed.

Quem não tem como “usar” o jogador é ela. O Flu tem como usa-los em campo. Logo, com esse ativo “perdido” no meio do racha, só o Fluminense usa. A Unimed só paga e tenta se livrar, sem sucesso, dos que o Flu deseja manter.

E o fato da grana nunca ter ido pra mão do clube e sim diretamente da Unimed pros contratados, hoje, é uma benção nas laranjeiras.

Celso não pode continuar no Flu pelo problema da Unimed Rio. E ao ter que abandonar o clube, perdeu o poder sobre ele. Hoje, paga uma boa grana a alguns jogadores e não pode rescindir com eles. O Flu, ao contrário, poderia.

Dizem que Conca pode ir pra Flamengo, Corinthians, São Paulo, sem o “ok” do Fluminense. E isso é de uma brutal ignorância, já que seu direito federativo, único que importa para o futebol, é do clube. E mais: Os salários dele estão com o Flu, pagos, sem nenhuma possibilidade legal de se romper o acordo.

Não existe essa do “Celso parar de pagar”. Pois se parar, ainda assim, o problema é entre contratado (jogador) e contratante (Unimed).  O Fluminense não tem nada com isso e conforme contrato assinado paga 250 mil ao Conca nos próximos 2 anos e só vende se quiser, ou se alguém pagar a multa.

Conca, que não abre a boca, sabe de tudo isso. Das propostas, da tentativa do Celso em vendê-lo e da do Flu em mantê-lo.  Fato é que ele tem que se apresentar e jogar, mesmo que prefira que falem por ele, junto ao elenco em Miami.

Sua postura é bastante contestável sabendo que uma só palavra dele encerra 90% do “disse me disse” criado em cima de rumores sem qualquer base legal. Ele pode dizer: “fico”.  Ou trazer uma proposta da China pra que seja vendido e, ainda assim, o Fluminense ganharia dinheiro.

O conceito que muita gente faz da parceria Unimed e Fluminense vem a tona agora. E é bem menos confortável pra patrocinadora do que parecia.

Afinal, o Celso Barros não pode vendê-los. Nem deixar de pagá-los.  Muito menos usá-los na recepção de um de seus hospitais.

abs,
RicaPerrone

Luganos, Concas e Valdívias

Diego Lugano, Dario Conca e Valdívia tem algo em comum.  Talvez ninguém  note pois a parte técnica e a aparência física dos 3 não tem absolutamente nenhuma semelhança. Mas os três representam quase a mesma coisa para seus clubes.

Lugano é um “dios” no São Paulo. Um jogador idolatrado pela sua raça, postura e carisma. Fora do clube, é um zagueiro de algum respeito, hoje desempregado, muito longe de ser o zagueiro dos sonhos de qualquer grande clube. Mas, para o sãopaulino, nada pode ser mais perfeito que Lugano naquela defesa.

Valdivia é um jogador de bom nível técnico, reserva da sua seleção, nada cobiçado por clubes grandes da europa e que não tem, fora do Palmeiras, o papel de craque ou “soluçào”. Aos palmeirenses, no entanto, Valdívia representa muito mais do que um meia chileno de valor médio no futebol. Foi vestindo verde que ele debochou do rival São Paulo e conquistou um Paulistão que, na época, aliviava o sofrimento do torcedor palmeirense.

Dario Conca é o melhor jogador dos 3 que citei. Mas talvez o menos reconhecido internacionalmente, já que a referência de um jogador mundo a fora é sempre a seleção, lugar onde Conca não chegou.  Mas no Flu, aquele do Fred, existe antes de tudo o “Flu do Conca”. Para eles, internamente, Conca é o grande representante do Fluminense vencedor da geração recente. Para fora, este cara é o Fred.

E se você tentar discutir o valor destes jogadores com um destes torcedores vai se deparar com um abismo. Para tricolores, Lugano é um zagueiro fantástico que resolveria os problemas do São Paulo.

Na verdade ele é um jogador esforçado, de grande identificação com o clube, porém lento, violento e que fora do esquema de 3 zagueiros não rende metade do que rendeu no São Paulo. Ainda assim, um bom jogador.

Valdívia é um jogador de mercado restrito, tido como eterno machucado, jogador de pouca decisão e de muito mais polêmica do que futebol. Lá dentro, a esperança de gols e lances geniais.  Valdívia não é sequer destaque da seleção do Chile.

Conca foi pra China, ganhou muito dinheiro, não é sequer cotado para seleção e clubes maiores da Europa. No entanto, com mais um ou dois anos disputaria fácil o cargo de maior jogador da história do Fluminense, talvez. Fora dele, um meia argentino que ninguém compraria pra revender, mas sim pela entrega e regularidade.

Destes, 2 jogam novamente em seus “ex-clubes”. Um negocia para voltar.

Apenas Conca conseguiu manter o conceito que a torcida fazia dele. Valdívia perde este espaço toda quarta e domingo há mais de 2 anos. Lugano, aos 33, sem clube, fatalmente seria também menos jogador do que imagina o sãopaulino quando sonha com o mundial de 2005.

Vale a pena arriscar perder o “dios” Lugano para um zagueiro contestável?  Valeu o “mago” Valdívia virar o “chinelinho” para tantos ex-apaixonados?

Quando Romário, Ronaldo, Zico, sabemos buscar de volta um ídolo e um jogador absolutamente fora de série. Quando nos citados, há um risco.

Vale a pena correr este risco?

abs,
RicaPerrone

Flu brinca carnaval

Se para a maioria de nós, foliões, o carnaval está chegando ao fim, o time do Flu parece não concordar.  Em pleno Maracanã, na triste quarta-feira de cinzas, resolveu fazer um baile por conta própria.

E que baile!

Não apenas pelos gols, lances, chances criadas, mas também pela liberdade dada ao adversário proporcionando um espetáculo incomum no futebol moderno.

Os 5×1 sugerem um jogo chato, fácil. Nada disso. O Flu jogou uma grande partida desde o primeiro minuto, e com tudo resolvido, continuou querendo o gol e se divertindo em campo.

O grande problema do futebol atual é ver time grande jogando como pequeno para diminuir ainda mais as chances de ser surpreendido. O maldito medo de perder, a eterna vontade de fazer o mínimo possível.

Pois bem.  Jogando aberto, um pequeno contra um grande, a chance do pequeno achar um gol é maior. A do grande golear, idem.

 

E o Fluzão, afim de se divertir, foi pra cima.  Fez virar número no placar a diferença brutal entre os dois elencos.

abs,
RicaPerrone