
Quando São Paulo e Corinthians decidem nós conhecemos o final provável. Muda-se a forma, o herói, o minuto do gol e até os estádios. Mas a história se repete e o Corinthians acaba eliminando o São Paulo.
Há no futebol doses cavalares e inexplicáveis do sobrenatural que costumam não apenas se repetir no evento como pro mesmo lado.
O Corinthians é mais seguro contra o São Paulo. Começa a ganhar na véspera, tem uma dose de “fé” misturada com fatos que o leva à confirmação de ambos.
Aos 41 o goleiro do São Paulo se jogou porque queria pênaltis. O Corinthians, que nada vem jogando, tentava ainda ganhar o jogo. Sem pressão, mas ainda não havia optado pela cera.
E então, neste caso, o futebol premiou o lado certo.
São meninos no Morumbi. Carregando nas costas anos e anos sem títulos e tendo que enfrentar justo o maior dos fantasmas. Não dá pra culpa-los, condena-los ou cobrar-los.
Dá pra fazer o que o Carille fez após o jogo, que é algo raro: ao invés de meter que “é contra tudo e todos!”, “cade o time que joga mal?”, ele foi calmo, parabenizou, disse que tem méritos (e tem!) e que o time está muito abaixo do que pode.
Não precisou nem tapar sol com a peneira e nem se fazer de gênio. No ponto.
O Corinthians não joga bem, não convence nem a seu treinador. Mas um tricampeão tem que ter algo que os outros não tenham. Hoje, no caso, foi apenas mais vontade de ganhar e mais maturidade.
Ano passado foi com raiva. No outro, futebol. E assim, ano após ano, mudam-se os “porquês”, só não muda o campeão.
RicaPerrone
As pessoas pedem mais educação. Pedem informação, uma nova era. Exigem mil comportamentos que não tem, se fazem de paladinos da moral e reagem como traficantes perigosos.
O Paulistão chegou às semifinais com um cenário encantador. Embora o campeonato em si seja ruim como todo estadual, a reta de chegada criou dois jogos muito interessantes.
As vezes nós esquecemos que estamos discutindo futebol e nos tornamos insensíveis chatos que só enxergam números na frente. 442? 352? É centroavante? É o goleiro? Onde está o problema?
Eu tenho alguma dificuldade em gostar de vitórias independente da forma. Não sei separar o placar do jogo e por isso não haverá aqui uma exaltação a vitória do Corinthians que, embora grandiosa na casa do rival e em má fase, não me causa vontade de aplaudir.
Feliz daquele que viu os mundiais entre clubes sulamericanos e europeus em igualdade de condições. Seja num jogo de ida e volta, seja no Japão. Feliz de quem venceu e até de quem perdeu, pois naquele época o jogo não se tratava de uma tentativa de zebra mas sim de um duelo de forças.
O Corinthians limitado e guerreiro, o SPFC optando pela covardia e andando no campo. Um resultado que não é ruim para ninguém considerando a posição na tabela, o fator clássico, mas que ao mesmo tempo irrita ambos.