Costa do Marfim

Festival de 1×1 na África

Tá rolando a Copa Africana de nações.  A “Copa América” deles.  Entre zebras e resultados previsíveis, algo inusitado aconteceu.

São 4 grupos, 24 jogos, dois de cada passam pras quartas de final. Até aí, ok!

Captura de Tela 2015-01-29 às 12.04.42Só que dos 24 jogos, 9 terminaram 1×1. Até aí, também dá pra achar normal.  Mas num grupo em especial, o D, aconteceram 5 empates em 1×1 em 6 jogos.

Captura de Tela 2015-01-29 às 12.04.18Imagine você que a vitória da Costa do Marfim na última rodada eliminou Camarões, e com o empate no outro jogo deixou Guiné e Mali exatamente iguais na tabela.

Resultado: Haverá um sorteio para saber quem passa de fase.

O vencedor, sortudo em tese, enfrenta Gana. O que não é tanta sorte assim, convenhamos.

As outras quartas de final serão entre Congo x Republica do Congo, Costa do Marfim x Argélia e Tunísia e Guiné Equatorial.

abs,
RicaPerrone

O time de Drogba (Costa do Marfim 1×2 Grécia)

Um dia, assistindo a um jogo de Drogba em 2005, alguém me disse que ele era “de algum lugar na África” e que não estaria na Copa por ser “tipo o Weah”.

Pra quem não sabe Weah foi jogador do Milan, um tremendo centroavante só que nasceu na Libéria e não quis se naturalizar. Nunca jogou uma Copa, pro azar da Copa.

Voltando ao centroavante em questão, fui pesquisar na web e vi que ele era da tal de “Costa do Marfim”.  Eu nunca tinha ouvido falar deste país.  Talvez por mera ignorancia, talvez por serem novos (1960) e não terem grande representatividade em nada internacionalmente.  Seja como for, era um país que eu ignorava a existência.

Tenho considerável facilidade em gostar de africanos. Me remetem a um Brasil não tão distante e que eu de alguma forma gostava. Pelo futebol, ainda mais. São irresponsáveis, divertidos, alegres. Um pouco de tudo aquilo que deixamos de ser.

As cores me deixaram curioso. Comecei a ler e vi uma história interessante de franceses, uma independencia recente, um país muito parecido com o nosso em clima e vegetação. E como tudo que brota do futebol me apaixona, simpatizei fácil.

Até ouvir dizer que dependiam de uma partida para conseguirem sua primeira vaga em Copas, e que Drogba seria o cara a levar esta seleção ao topo. Assim como colocar o país no mapa.

Se não por esporte apenas, o futebol tem uma função educacional incrível. Através dele conheço cidades, estados, países e capitais. Sei nome de bairros, tipos de gente e de clima pelo mundo todo.  Através dele hoje conheço a Bósnia, como um dia através de Milla ouvi falar de Camarões.

E eis que pelo futebol cheguei a Costa do Marfim.

Quando soube que estavam classificados tive uma reação involuntária de alegria sem conseguir imaginar o que representa pra um país ser apresentado ao mundo.  E quando saiu o sorteio da Copa, eles estreariam contra a Argentina.

O que era simpatia virou quase amor. E roubados numa partida heróica e melhores do que os argentinos nos 90 minutos, entraram na Copa com o pé na porta, como bons africanos que são.

Me encantei. Morri de dó dos caras terem a Holanda no mesmo grupo e sabia que não passariam. Mas foi uma grande estréia em Copas. Uma grande entrada no mapa mundi.

Em 2010 no grupo do Brasil. Vencemos e a Coréia entregou a rapadura pra Portugal os eliminando da Copa sem muita chance. Esperei 2014 para vê-los de perto e jurava que os encontraria no Maracanã no próximo sábado.  Comprei ingressos, os únicos que tinha pra Copa até então, diga-se.

Infelizmente o Itália x Costa do Marfim que planejei não vai acontecer. Como ver Drogba numa Copa também não mais.  Por um pênalti imbecil, consequência de um contra-ataque de 4 contra 2 que conseguiram não transformar em gol. Digno do futebol africano.

Há 3 Copas eles estão lá. Hoje, em qualquer lugar do mundo, conhecemos a Costa do Marfim.  Hoje, no Ceará, o nome de Drogba foi cantado pela torcida como se fosse um dos nossos. E Gervinho, apaixonado pelo Brasil e nosso futebol, aplaudido em pé por nós.

A Costa do Marfim é o meu “xodó” em Copas desde 2006, e hoje me deixou chateado com o duro golpe no fim.

Não porque perdeu. Mas porque eu a perdi e não poderei vê-la pessoalmente.

Quem sabe na Russia?

Valeu, CIV!

abs,
RicaPerrone

5 minutos do Rei (Costa do Marfim 2×1 Japão)

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Sabri Lamouchi.  Este francês de 42 anos e nenhuma representatividade no que faz, estreante em Copas, e ainda em seu primeiro emprego como treinador, se aproximou das trevas neste sábado a noite.

Ao escalar a Costa do Marfim sem Drogba, foi autor do primeiro atentado terrorista em terras brasileiras. Foi além de todas as aceitáveis possibilidades táticas que o futebol já criou para barrar não apenas o melhor jogador do time e da história do seu país, como também o dono do time.

Drogba é uma lenda.

O sujeito que deu volta olímpica antes de classificar o time pra Copa, perdeu o jogo, saiu prometendo que voltaria com a vaga do jogo impossível contra Camarões lá e o fez.

Ele não é o Pelé da Costa do Marfim. É muito mais do que isso.

Se Sabri desconfiou que poderia comandar a seleção dos Elefantes, se enganou. Entendeu por mal que só quem pode conduzir a manada é seu líder Drogba.

Ele não fez os gols. Mas entrou e em 5 minutos o time virou o jogo. Porque se movimenta, lidera, passa confiança e marra. Algo fundamental a qualquer grupo vencedor.

O Japão promete um futebol mais competitivo desde 1994. Cansei de ouvir, é sempre a mesma coisa. Tem 2 ou 3 acima da média e um time disciplinado ao ponto de ser acéfalo.  Treinados para não errar, mas que não ousam para acertar.

Tinha que dar Costa do Marfim. Mas tinha que ser com Drogba.

abs,
RicaPerrone