demissao

Sem saída

Acho que nos esquecemos de um detalhe. Quando Rogério assumiu o Cruzeiro todos nós discutimos as questões técnicas da troca e não uma possibilidade que poderia – e complicou – o processo.

Rogério era adversário desses caras há muito pouco tempo. E dos chatos.

É diferente.

Talvez seja um cenário ignorado pela maioria, até por ele talvez, que tenha sido muito mais determinante do que parece. Uma coisa é um treinador que não gosto. Outra é um ex-rival que eu não quero.

Ali tá cheio de jogador vencedor, já consagrado e sem compromisso com nada.

Porque? Porque não recebe. Como você conduz um time que não recebe? Como você tira do elenco o poder de rebeldia quando não se tem o salário que é a base da hierarquia nessa relação?

Rogério é vítima de uma carreira recente e de uma dose de falta de respeito de alguns jogadores do Cruzeiro. Não deram qualquer tempo pro treinador, foi um “não” imediato.

O Cruzeiro tem um time incaível. Mas que briga dia após dia pra torna-lo uma surpresa.

Rogério não errou ao trocar Fortaleza por Cruzeiro. Talvez tenha errado, como quase todos nós, ao não considerar esse fator.

Lado bom pro clube: os jogadores vão ter que bancar a “rebeldia” e reverter sem ele agora.

Aliás, a essa diretoria é só o que resta mesmo. Apostar num acaso interno que resulte em combustível. Porque fora isso, depender dela, a série B é mais que merecida.

RicaPerrone

Suicídio

Oswaldo acaba de ir na coletiva, se manter no cargo, agir com tranquilidade e conta que foi ao Ganso e deu um abraço no jogador. Está tudo resolvido, segundo ele.

Discordo. Duvido. Torço, mas não acredito.

O Ganso orientou o time na cara dele. Desafiou. Foi além da ofensa. Ficou no  banco peitando o treinador.

E quem tomou a iniciativa de abraçar foi ele?

Errado. Não é hora de ser paizão. Ou é. Saberemos em alguns jogos. Mas duvido.

Pra mim hoje era dia de “ele ou eu”. Nunca de tentar fingir que “faz parte”. Porque não faz.

Fizesse, não estaríamos todos olhando pra cena e discutindo-a.

Era dia de pular fora do barco. Não de tentar juntar a tripulação após tamanho desrespeito.

Cabe a diretoria tirá-lo do cargo insustentável. Já que ele não o fez sozinho.

RicaPerrone

Cuca é diferenciado. O SPFC não mais.

Em 2004 o Cuca chamou o presidente e disse que não tiraria mais nada daquele time.  Que era pra trocar.

Com a base que ele montou o SPFC conquistou o mundo.

Foi rodar por aí, ganhou Libertadores, fez história. Voltou pra ver se dava jeito e não deu. Embora o problema da apatia tenha sido, no mínimo, melhorado.

Foi à direção e disse que não tiraria mais nada dali. Que era pra trocar.

Cuca é diferente. Sempre foi.

O SPFC idem. Não é mais.

As trocas constantes e os bons times fracassando são sintomas de uma diretoria perdida, de um clube viciado e de um cenário não tão simples quando parece.

Trocar o Leco? Não resolve. Eu nasci lá. Sou sócio há 40 anos. O Leco é um representante de uma diretoria cansada, viciada e que não alterna poder há muito tempo.

Desde 2003 o clube tem as mesmas pessoas no poder e, sabemos, isso costuma não dar muito certo.

Alternar poder é importante mas é preciso notar quando ele se alterna de fato. Trocar um diretor por outro da gestão anterior na presidência é a manutenção do poder.

Leco é um grande tricolor. O conheço desde moleque, discordo, concordo, mas não duvido em nada do seu amor pelo SPFC.  O Cuca passou, outro virá, se a bola entrar, Leco será o melhor.

Futebol é assim.

O que eu faria? Manteria o Mancini até o fim do ano perdido – o time vinha bem na transição com ele – ou buscaria uma peça nova. Zago, por exemplo. Alguém que andou estudando, tentando algo diferente.

Entre um cansado e um novato, sempre o novato. No mínimo vontade garantimos.

Boa sorte, Cuca. Você nem vai precisar. E ao SPFC idem. Esse precisa de muita.

RicaPerrone

Palmeiras ao menos tem foco

Não quero me alongar sobre a demissão. Acho compreensível, embora curiosa. O Palmeiras opta por treinadores que ganham jogando pouco. A conversa imediata com o Mano Menezes é a prova disso.

Então a gente tem um cenário claro onde se nos pênaltis contra o Inter passa e se uma das bolas na trave contra o Grêmio entra, o Felipão é gênio e fica.

Onde quero chegar? Na análise de desempenho.

Não há. É resultado e só. E assim sendo, faz sentido demiti-lo, tal qual ir buscar um treinador que não se importa com o futebol apresentado desde que faça meio a zero e vença.

Linha há. O Palmeiras não se importa com desempenho. Só quer vencer os jogos e se pra isso precisar jogar na defesa sem usar o alto investimento que fez para superar tecnicamente o adversário, que seja.

Gosto? Não. Mas é uma linha.

Num momento onde os clubes vão de Luxemburgo a Mano e terminam no Diniz na mesma semana de negociações, perder o Felipão e ligar pro Mano é no mínimo coerente.

RicaPerrone

 

Um suicídio ao vivo e a cores

Eu gosto absurdamente do Tite. E por ser fã, por considera-lo um profissional brilhante e um ser humano acima da média, não consigo achar normal o que ele está fazendo desde o dia que a seleção se apresentou para a Copa em 2018.

Já faz quase 1 ano. E desde então o “ídolo” virou um cara contestado e que já nem chega a ser o preferido da maioria. Só que desta vez, não exatamente pelo resultado em campo, o treinador da seleção está causando isso sozinho.

Não vai dar pra, desta vez, dizer que a imprensa persegue o técnico. É um raro caso onde a imprensa escolheu o treinador junto de todo país, logo, todos queriam que desse certo e, até certo ponto, deu.

Mas Tite trai o Tite. E então não sabemos mais em quem confiar.

O Tite sensato desfalca jogadores de clubes na semifinal de um torneio nacional para um amistoso sem sentido. Apanha, não recua, gera rejeição a troco de nada. E não, não vem com conversa de teste. Eles seriam testados numa decisão e não jogando contra El Salvador.

Desde a Copa onde a coerência foi se perdendo dia após dia, da saida do Marquinhos sem a menor explicação até a entrada do Coutinho no meio, cedendo a pressão de torcedor e abrindo mão de um sistema equilibrado.

O paizão foi virando o vovô que o neto engana. As decisões são confusas, os critérios meio absurdos. Os jogadores altamente cotados somem de repente da lista e outros que atuam em alto nível perdem espaço pra quem outro dia fez alguns bons jogos.

Tite nos encantava pela coerência, e de fato houve até o dia da convocação. Dali pra frente Tite desmentiu tudo que pregava, tudo que acreditava e nos deu a sensação de um engano.

Não tem a ver com o Panamá. Na verdade eu até gosto como bom supersticioso que o Brasil chegue contestado na Copa América. Assim a gente ganha.

Mas o “plano de vôo” não é claro.  Embora pilotos, aeronave, cia aérea e tripulação sejam muito bons.

RicaPerrone

Aguirre é fraco

Existe uma fórmula mágica de aceitação nacional: ser gringo.

Se tem algo que o brasileiro aprova é alguém que não veio daqui ou algum produto vindo de fora. Não a toa devemos ser o único lugar do mundo onde “importado” é elogio.

Aguirre é mais do mesmo. Fraco, medroso, retranqueiro e que tem como seu principal mérito fazer times mediocres acharem bolas e ganhar como der.

Não é o caso.

Trata-se do São Paulo, que embora tenha por regra desde 2006 com a chegada do Muricy ignorar o futebol bem jogado, ainda assim não pode se permitir jogar por contra-ataque em casa.

Recuou toda vez que ganhava. E quando o campeonato apertou e perdeu peças ofensivas, não ousou repor. Foi trazendo o time para trás até se conformar com a briga pela Libertadores jogando um futebol ridículo.

O que havia dele era alma. Acabou.

Tática, inovação e conceito nunca teve no seu trabalho no SPFC. A demissão é justa. Seu time anda em campo e dá nítidos sinais de rejeição ao treinador. Errado foi contrata-lo.

abs,
RicaPerrone

Compreensível última cartada

O trabalho do Barbieri não era ruim. Ainda mais se você considerar que a sindrome da pica sonsa que hoje é o maior problema do Flamengo já passou por diversos treinadores e nenhum reverteu o cenário.

Eu não sei se é justo, sei que é compreensível sua demissão. São 12 jogos, um período onde não é incomum um novo treinador seja ele quem for dar um gás novo ao time.

São 3 pontos. Não tem nada que diga ao Flamengo que o ano acabou. Ao contrário, ele é o único dos líderes considerado “favorito” de véspera e que saiu das competições de mata-mata.

Dorival? Não seria meu nome pra um time em formação.  Para 12 jogos, honestamente, “tanto faz”.  O que o Flamengo quer é o fato novo, não o conceito do treinador.

Eu compreendo a tentativa. E não acho que ela é um erro. É apenas um último chute comum de se dar para tentar o gol já aos 45. As vezes a bola entra. Porque não?

Sem chutar eu nunca vi gol.

abs,
RicaPerrone

Jorginho fora

Não concordo. Mas é óbvio que entre a avaliação que faço daqui e o que eles tem de entendimento ali dentro há uma distância. Nós jornalistas estamos sempre avaliando uma obra com 40% da informação.  O bastidor relevante só nos chega quando vira história, nunca quando é pauta.

Mas pelo campo, ou seja, pelo que parte da torcida cobrava, discordo.

Jorginho não teve resultados ainda, mas o time do Vasco evoluiu uma barbaridade do primeiro semestre pra cá. Joga outro futebol, não passa vergonha, encara todo mundo e tem problemas ofensivos até pela falta de jogadores no setor. Mas num geral, o time melhorou muito.

Esteve a detalhes de fazer 2 viradas heróicas que hoje dariam a ele status de ídolo e não a condição de demitido. Então porque aquela bola passou 2 cm pra lá o trabalho é ruim? Não acho.

Raros foram os jogos que o Vasco não teve a competitividade necessárias ou a chance de vencer. Mas é também uma dose de covardia esquecer o time que ele tem nas mãos e o que esse mesmo time fazia antes dele. Era um festival de goleadas humilhantes. Hoje, um time que tem uma proposta e ainda perde, mas perde com dignidade.

“Ah mas o Vasco não é time pra ficar caindo de pé! É time pra vencer”.

Concordo. Mas dê a ele então um time condizente com a camisa que ele representa. Não é o caso.

Achei precipitada a demissão.

abs,
RicaPerrone

A natural saída de Zé Ricardo

Por mais que o clichê seja dizer que não, a saída do treinador é a medida que melhor funciona a curto prazo num time de futebol.  Na impossibilidade de se demitir um elenco, se comprar outro ou mudar a diretoria, o último nível de comando cai e cria-se a expectativa de uma reação no time.

As vezes ela acontece.  As vezes não. Mas em todos os casos, tenta-se.

O Zé passa longe de ser o maior culpado da bola de neve. Mas é um deles, é claro. E quando ele nota que não consegue mais reverter o cenário, o melhor a fazer é sair.

A bola de neve funciona pros dois lados. Quando se ganha, a bola entra, se confia, os lances saem, a coisa anda. Quando se perde em sequência nada mais dá certo. E aí é ladeira abaixo. Infelizmente o Vasco não achou aquele jogo libertador que vira a chave.

O começo do ano muito bom, e do jogo de 4×0 na altitude em diante, um festival de insegurança, fracassos, desfalques e tudo que era possível dar errado.

O que fazer para que em uma semana algo possa mudar? Troca o treinador. É natural, simples. Previsível.

Ao contrário dos teóricos, não acho um absurdo, nem vejo na manutenção do treinador um trunfo tão absurdo assim. Treinador é a mais vulnerável das condições do futebol.

Você sabe que o problema da violência é educação. Mas leva 100 anos pra educar. Enquanto isso, melhora-se a polícia.  O Vasco é administrado pelas piores pessoas possíveis há décadas. Não espere que isso se resolva em meses, sequer poucos anos.

Então, troca-se o treinador. Quem sabe?

abs,
RicaPerrone

Entendeu, Juninho?

A pergunta que eu mais respondo na vida é porque escolhi ser independente do que seguir a carreira tradicional de imprensa numa emissora.  As vezes, até pelo alcance que tenho, é meio estranho não querer estar numa emissora, que é o sonho antigo do jornalista.

Mas óbvio que já estive, óbvio que recebi convites e sondagens de diversas emissoras. E não porque eu sou foda, mas porque tem muita gente ruim e eu carrego algo que eles adoram: patrocinadores.

Eu nunca trabalhei pra Globo.com como hoje também não sou funcionário da BandNews. Eu faço parcerias comerciais no CNPJ e eu que levei 100% dos anunciantes onde estive até hoje.  Logo, se você tem em mente que eu sou alguém que discursa uma coisa e faço outra por ter tido um blog na Globo e uma coluna na BandNews, retire.

Juninho é um sujeito do bem. Eu o conheci, nunca falei com ele sobre política e talvez por isso tenhamos nos dado bem. Nesse processo dele virar comentarista achei absolutamente detestável sua postura e a maioria de suas opiniões.  Todas elas muito políticas, ligadas a uma cabeça esquerdista da qual discordo totalmente.

Mas, mesmo achando uma burrice enorme estragar uma imagem de simpatia de 100% das torcidas pela rejeição até mesmo dos vascaínos, entendi tudo melhor quando conheci a avaliação de quem o cerca.  Infelizmente Juninho não teve alguém muito inteligente pra orienta-lo nessa transição. Ao contrário do Roger, odiado por muitos enquanto jogador, hoje pra mim o melhor do Sportv.

O que há de fantástico nessa história toda é a mística.

Juninho fez comentários absurdos sobre o Flamengo e sua torcida, e lá permaneceu. A Flapress tão aclamada não o censurou. Mas bastou mexer nos coleguinhas …. aí fudeu.

Quando ele disse o que disse sobre setoristas, ele pode até ter errado em generalizar embora eu entenda que a generalização seja um mal necessário para o poder de síntese de qualquer teoria.  Mas ele não mentiu.

Existem, e não são poucos, jornalistas filhos da puta que perseguem pessoas pelo mero prazer de destrui-las. E sim, do lado de cá, afirmo: O fato de estudar e ganhar 1% do que o “analfabeto” do outro lado do microfone ganha muitas vezes gera uma raiva e frustração que é sim descontada com o poder do microfone.

Eu nunca quis fazer parte e sai cedo quando vi exatamente por entender que ali havia o meu ponto de discórdia. O clube, o jogador, o dirigente, nada disso é meu inimigo. Eles são a parte que me sustenta, não a que eu devo ter como alvo.

Jornalista ganha mal porque nenhuma aula explica pra ele na faculdade que quando se tem lados no entretenimento você não faz jornalismo. E se fizer, burramente, vai ser inimigo da galinha dos ovos de ouro. Morrerá pobre.  Ou, com sorte, de vida razoável e sem amigos.

Os mais espertos entendem rápido que trata-se de entretenimento e portanto qualquer perseguição, porrada forte, cara fechada e tratar um jogo como uma crise no governo é de extrema burrice, não serve pra ninguém e piora sua condição no mercado.

Repare que quase todo jornalista que se presta ao ridículo de ser sensacionalista e prejudicar clubes/jogadores tem dificuldade pra encontrar espaço após a terceira demissão quando a emissora/jornal entram em óbvia crise.

Juninho não mentiu. Pela primeira vez ele fez um comentário forte, justo, mas no alvo que ele não podia dar.

No Mundo existem diversos poderes. Nada se compara ao dado a pessoas com 4 anos de faculdade e um microfone na mão. Tanto não que o próprio Juninho fez uso dessa “magoa” ou seja lá o que for pra condenar uma zoeira de uma comemoração sendo que ele já fez gesto obsceno pra torcida.  E em seguida chamou uma torcida de preconceituosa por um jogador que não tem jogado nada ser nordestino.

Ou seja, Juninho tem tanta razão que ele mesmo fez o que condenava. Só que dessa vez bateu na única coisa que determina a relação dentro da imprensa:  o tapinha nas costas.

Ninguém liga se o torcedor gosta. Quem tem que gostar é o editor que babou ovo até chegar onde ele está. E se ele não gostar, você vai parar por ali.

Eles nunca vão brigar com o colega que vai na noite atrás do jogador pra causar problemas na vida pessoal do cara a troco de um clique. Mas pra cima de você quando revela o mistério da emboscada jornalística a um jogador que fulano não gostava, sim.

Olhe a quantidade de prêmios de jornalismo dados a pessoas que você nunca ouviu falar. Eles fazem o mesmo que outras dezenas que você sempre ouve falar. Mas fazem pro chefe, não pra falar com você, torcedor.

Essa relação está falida. Se você duvida, olha pro Desimpedidos que não opina sobre quase nada, não informa nada, apenas leva entretenimento e está ganhando espaço e tubos de dinheiro.  Ok, patrocinado! Mas qual emissora não é patrocinadora dos próprios programas?

Juninho, meu caro, você foi um péssimo comentarista. Um craque de bola. Mas sua passagem pela mídia pode ter servido pra muita gente ver algo que se negam e que é tabu dizer:  desagrade a quem for. Ninguém liga. Mas não mexe com a “turma”.

abs,
RicaPerrone