douglas

O criador

O Brasileirão 2015 está muito bom. E uma das “novidades” no campeonato em relação aos anos anteriores é a volta dos meias que armam o jogo.  Destes, Jadson é destaque absoluto.

Uma das estatísticas mais interessantes da Opta Sports é o “Oportunidades criadas”. Consideram chances de gol que um jogador criou através de um passe, lançamento ou jogada individual.

O ranking coloca Jadson no topo, com Lucas Lima em segundo. O Grêmio tem dois jogadores entre os  10 primeiros, Douglas e Giuliano. Veja!

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Alguém que você esperava ficou de fora da lista?

abs,
RicaPerrone

Protagonistas do ótimo Brasileirão

Há de se respeitar  um time que vence o Galo no Mineirão lotado.

Se existe uma missão muito difícil hoje no futebol brasileiro é peitar o Galo no que chamamos de “jogo decisivo”. E por mais que em pontos corridos não tenha esse jogo, nós identificamos os jogos mais importantes.  Hoje era um deles, e o Grêmio não deixou discussão.

Se havia alguma dúvida sobre onde este Grêmio quer chegar, acabou hoje. Isso é vitória de quem busca título e, melhor ainda, sabe o que está fazendo para busca-lo.

O Grêmio conseguiu parar o Atlético na casa deles sem abrir mão de uma forma de sair pro jogo quando com a bola.  Deu aula de contra-ataque no primeiro gol e no segundo.  Time consistente, bem armado, bem treinado.

Não há “chutão” de lado algum. Galo e Grêmio sabem o que fazer com a bola. Tanto que, empolgados pela fase, os torcedores do Galo aplaudiram o time no fim.  Porque tem dia que a bola não entra.

Num jogo de quase mil passes trocados, o de Douglas no primeiro gol é quase pornográfico. Ele troca de perna pra dar na corrida e receber pra fazer o gol.  Fosse Douglas um inglês e o azul de Chelsea na camisa, falariam em “aula de contra-ataque”.  Porque foi isso.

Mais uma casa cheia, mais dois jogando futebol em alto nível, mais um na briga pelo título.

Bom te ver de novo, futebol brasileiro! Vê se fica dessa vez.

abs,
RicaPerrone

Desculpa, São Januário

Tenho comigo que o grande problema do futebol no Brasil é que não aceitamos o capitalismo no esporte.  Se um dia uma empresa vier aqui e “comprar” o Brasileirão, ou criar uma liga onde os clubes sigam suas leis e recebam por isso, teremos a NBA do futebol.

Nesse dia, uma das mais básicas decisões será de que ele determina os locais dos jogos, não os clubes.  Para torcedores e dirigentes, que nada mais são que torcedores de gravata, importa vencer, tirar vantagem e ponto final.

Alguém precisa estar acima disso e pensar no espetáculo.  O Vasco da Gama é um time do tamanho do Maracanã. E hoje, com os estádios todos “padrão copa”, São Januário infelizmente não condiz mais com um grande clube.

Adoro o estádio, me sinto meio que em 1980 lá. Mas o futebol precisa estar em 2014 para que todos sobrevivam. O Vasco hoje, jogando em São Januário, é aquele que oferece a pior condição a seu torcedor. Disparado, sem nem conseguir enxergar o segundo colocado.

O Maracanã assusta, cabe mais gente, oferece mais condições e devolve ao time mandante uma condição que as vezes a técnica não consegue.

O Vasco de hoje jogou mal, venceu mal, mas num ambiente grandioso e condizente com o que sonham os torcedores para as eleições do dia 11.

Mais Maracanã ao Vasco. Menos “passado glorioso” e mais futuro vencedor.

Por mais que o passado seja brilhante, é pra frente que se olha.  E devidamente encaminhado de volta a série A, preocupação agora é totalmente interna, onde no próximo dia 11 escolhem se preferem olhar pra trás ou pra frente nos próximos anos.

Boa sorte, Vasco!

abs,
RicaPerrone

Religiões

Por Deus! Como é embaraçoso escrever este post após a final do carioca 2014.  Tudo que prego é que num momento de alegria se fomente a paixão e ignore a derrota para, amanhã mais calmo, tocar na ferida sem que machuque tanto.

Faria, hoje, um texto exaltando o Flamengo e seu incrível poder de reagir e frustrar quando ninguém espera. Mas já fiz uns 20 desses, seria “mais um”. Seria também injusto com o vascaíno que não se conforma escrever linhas ignorando o fato de ter sido irregular o gol que mudou a história.

E que história.

De um Vasco melhor em dois jogos, a 2 minutos de colocar o rival em crise “sem nada” e sair de um buraco fundo mesmo que por algumas semanas apenas.

O campeonato carioca não valeu nada durante meses. Até os 30 minutos do segundo tempo deste jogo, não valia nada.

Douglas fez o gol num raro pênalti incontestável para um Flamengo x Vasco.  Não há pênalti incontestável em Flamengo x Vasco. Mas até isso teve hoje.

E então, aos 30 do segundo tempo, o vascaíno passou a entender aquele título como a coisa mais importante da década. E o rubro-negro, vendo sua piadinha do “vice” acabar e crise se instalar na Gávea novamente, passou a comer unhas como quem sai de uma Libertadores.

44, acabou!

Zagueiro no chão, escanteio. Não pode ser cera. Se for, demita-o!  Bola na área, lance complicado, bate na trave, volta, dois empurram, gol do Flamengo.

O bandeira diz que não viu nada. O arbitro nem poderia. Está feito.

O Flamengo é mais uma vez o clube do imponderável, do inacreditável, da vocação cinematográfica incomum para grandes jogos. E o Vasco, “vice”, olha e nem nota que havia impedimento.

Pela tv, segundos depois, são informados que o gol que lhes tirou o até então merecidíssimo título carioca não era legal. Enquanto começavam a se lamentar, o Rio de Janeiro era tomado por gritos e camisas rubro-negras que até ontem não se importavam com o estadual.

Hoje se importam. Óbvio, por um momento assistindo ao jogo até eu achei que valia.

Vascaínos não podem ignorar o erro que, hoje, lhes determinou um resultado negativo sem chances para recuperação. Nem podem os rubro-negros fingirem não achar graça da desgraça alheia.

Se fosse rubro-negro, agradeceria a todos os santos e orixás pelo imponderável que o acompanha.

Se fosse vascaíno, com absoluta certeza não acreditaria em qualquer força oculta vinda de nenhum ser inexplicável para “nos ajudar” quando muito precisamos.

Todo vascaíno tem o direito de ser ateu. É compreensível, quase lógico.

Eu seria.

abs,
RicaPerrone