Edmundo

O í”cone” da injustiça

Não convém fazer de Fred um jogador do tamanho que ele merece.  Talvez porque não seja de um dos times mais populares do país, talvez porque parte da mídia tenha vergonha de reconhecer o exagero no massacre de 2014.

Seja pelo motivo que for, Fred coleciona títulos, artilharias, números e argumentos que só mesmo um desequilibrado pode contestar.  Mas esses não faltam. E ontem Fred escreveu mais um capítulo na história do futebol brasileiro que será citado com menos entusiasmo que um gol de Benzema em Madrid.

Passou Zico, encostou em Edmundo e Romário. O artilheiro do Galo deve encerrar a carreira perdendo, talvez, só para o Dinamite, artilheiro maior da competição.

E quando ultrapassar Romário usarão uma nova mentira para menosprezar o melhor 9 que tivemos desde a curta carreira de Adriano.

Gostemos ou não, Frederico não tem culpa de não estar na linhagem Careca, Romário e Ronaldo. O que não faz dele menor, apenas não lhe dá a condição de gênio.

Sabe aquele filme muito bom mas que você sai frustrado do cinema porque você criou uma expectativa sobre ele ainda maior? Então. A culpa normalmente não é do filme.

Pelé teve média de 0,57 gols por jogo no Brasileiro.  Zico de 0,54. Edmundo 0,48. Fred tem 0.53.  Longe de ousar compara-los, mas será possível que a gente vá passar a carreira toda desse cara contestando e colocando “poréns” ao invés de curtir a história sendo escrita e poder dizer, em alguns anos, “Eu vi o Fred jogar”?

abs,
RicaPerrone

Porque levar seu filho ao estádio

O garoto no colo do Edmundo é filho de um torcedor, e o garotinho se chama Edmundo…

 

Eu insisto nesse pedido aos pais e ouço as mais absurdas desculpas para a recusa. As vezes quase desisto, entrego pro Chelsea os nossos garotos e que se foda. Mas aí a vida me dá uma injeção e eu volto a entender o porque da “briga”.

Sábado houve um evento muito legal no Rota 66 da Tijuca. Mais de 100 torcedores do Vasco pagaram para passar uma tarde com o ídolo Edmundo.  Por mais de uma hora eu comandei um talk show com ele interagindo com os torcedores e em seguida ele abraçou, tirou fotos e conversou com um por um.

Achei que iria pra um evento onde pessoas como as das redes sociais fariam perguntas e mais perguntas sobre as coisas que ouvimos todo santo dia. Que ele as responderia, sairia pra casa dele e que se dane. Idem pra mim.

Mas aí abro as perguntas para os torcedores e o primeiro pega o microfone e diz: “Edmundo, em 97 você disse que se pudesse abraçaria cada torcedor do Vasco ao final do jogo do título.  Eu sou de Minas e vim até aqui hoje receber esse abraço. Posso?”.

Pronto. Edmundo chorando, eu já estava desmontado, o ambiente era familiar e a partir dali ninguém mais sabia exatamente o que perguntar.

Veio um homem mais velho que o primeiro rapaz e disse: “Não quero te perguntar nada. Eu cresci vendo futebol com meu pai, hoje ele não pode vir porque a saúde não permite.  Mas eu vim te agradecer porque as maiores alegrias que passei com meu pai foram pelos seus pés”.

Ao lado dele um garotinho, seu filho. Devidamente fardado de vascaíno e não de um mongoloide torcedor de playstation que acha que sabe o que é futebol vestido de Manchester.  Ali tínhamos uma história que fez o futebol valer a pena, e entendemos porque tanto dessa nova geração não terá esse futebol.

Um outro rapaz pediu o microfone e entregou um desenho que ele mesmo fez do Edmundo. Dizendo que seu avô o adorava, e que por isso ele foi lá agradecer e dizer que o amava.

Eu vi o Edmundo jogar. Vi o Edmundo falar merda em mesa de restaurante, já vi o Edmundo correndo atrás da filha, enfim. Eu nunca tinha visto o Edmundo tão desarmado. Ele chorava a cada 15 minutos olhando pra idolatria daquelas pessoas e sabendo o que ele representou na vida delas apenas por jogar futebol.

Eram pais e filhos, famílias unidas pelo Vasco e portanto, por ele também.

Você realmente pode achar que gostar de futebol trata-se de ver um jogo pela tv. É um direito seu limitar-se a olhar pela janela e achar que conhece o bairro.  Mas não proíba seu filho de descer pra rua.

É no estádio que a gente ama futebol. É através dele que aprendemos a perder e ganhar, que sabemos sacanear e ser sacaneados, que colecionamos amigos, aumentamos o elo com nossos pais e avôs e, porque não, somos mais felizes.

Não tirem o nosso futebol dos nossos garotos. Todo mundo merece conhecer seu “Edmundo” um dia e poder chorar feito uma criança.  Não pelos gols que ele fez, mas pelos abraços que você deu no seu pai através deles.

É disso que se trata. Não é um esporte. É futebol.

Obrigado aos vascaínos que estiveram lá sábado. Me fizeram reviver muita coisa que trabalhar no meio vai tirando de  você.

abs,
RicaPerrone

Renato ou Edmundo?

Dois craques. Duas personalidades fortes. Dois grandes vencedores.  Ambos sem sucesso pela seleção.  No final das contas, com os dois aposentados, dá pra cravar?  Quem foi melhor?