eduardo batista

Jogai por nós

Pela nossa honra, dignidade e tradição. Pelo verde que ostenta e pelo amarelo hoje representado sem uniforme. O Palmeiras moralizou o futebol brasileiro em diversas categorias numa só partida. E daqui, deste blog, saem apenas os aplausos.

Se quiser uma dose de ar condicionado, hipocrisia e o conceito de que a vida é uma rede social, passeie por elas. Está cheio de gente julgando Felipe Melo, dizendo que ele não deveria dar o soco, ou que o treinador não pode falar assim com a imprensa.

Ora, meus caros. Olha nos olhos de quem vos fala. É o Palmeiras, não um qualquer. Um time que acabara de virar um 2×0 do Penarol lá! Que teve o mesmo final previsivel de quase toda vitória brasileira nos países vizinhos: pancadaria e intimidação.

E então surge Felipe Melo, que é o vilão mais heróico do mundo, e senta a porrada na cara do poodle que corria em sua direção.  O coitado do rapaz estava só correndo porque tinha um time atrás dele. Sozinho, óbvio, não faria. E quando se aproximou, não bateu. Levou.

Quando eu tinha 12 anos meu pai me ensinou que “se a briga fosse inevitável, desse a primeira”. Eu não ousaria imaginar que essa cambada de retardado de rede social que acha que pode pautar o mundo por ali possa entender, até porque para essa gente quando se briga é só dar block.  Mas na vida real é diferente.

Felipe Melo fez o que eu faria. Diante de iminente agressão, se defendeu.  Aliás, só um covarde não faria o que ele fez. E tá cheio.

Covardes como os meus colegas que mentem sob o uso da “preservação da fonte”. A lei mais estúpida das leis, que permite um sujeito denegrir outro sob o argumento de ter uma fonte sem ter que revela-la.  Ou seja, é casa da mãe Joana.

Quero que se dane se foi Juca, alguém da Sportv ou da Globo. Não faz diferença. Assim como generalizamos todos os dias há décadas “o jogador brasileiro”, “o treinador brasileiro”, “o dirigente brasileiro”, eles também podem.  “A imprensa esportiva” é uma merda.  Sim, é.

E a noite palmeirense foi tão memorável, hiponotizante e contagiante que eu diria que há alvinegros e tricolores hoje indo dormir de verde.

Pois eles jogaram pelos 3 pontos deles. Mas brigaram por muito mais do que isso depois. A causa é nossa, o futebol brasileiro é vítima desses dois terroristas: o descaso da Conmebol com nossos times fora de casa e a imprensa que cria problemas e destrói pessoas para sobreviver.

O Palmeiras ganhou as 3 batalhas numa só noite. E com esse volante, essa torcida engajada, esse treinador com sangue nos olhos e os incríveis jogos da primeira fase… quem dirá que não dá pra ganhar a guerra no fim?

abs,
RicaPerrone

Insubstituível

O Palmeiras monta mais uma vez um grande elenco. Deu certo em 2016 e pouco temos de argumentos para achar que não dará certo em 2017.  A idéia “muito jogador bom dá errado” é parecida com o “2×0 é um resultado perigoso”.  Basta querer olhar o lado ruim.

Guerra, Michel Bastos, possível vinda de Felipe Mello, com todo respeito ao clubismo que movimenta esse mercado, é de deixar qualquer um com inveja. O atual campeão se reforça, isso significa que ele não deitou no resultado.

Mas de todas as peças do quebra-cabeças palmeirense a mais importante não é Gabriel Jesus e nem tem como repor. A perda de Cuca é irreparável.

O Eduardo pode fazer um bom trabalho e até acho que fará. Mas entre Tite, Cuca e o resto, há uma distância ainda. Os dois sobram na turma e nos que prometem chegar nesse nível não está Eduardo ainda.

A parcela que se dá a um treinador é muito grande no Brasil. Mas ainda que se reduza muito, o Cuca tem um fator incrível na motivação do time, na capacidade de tirar o máximo do jogador e de trazer a torcida pra perto.  Eduardo é muito mais frio, mais tático que pessoal, quase o extremo oposto.

Esse choque pode fazer com que, daqui alguns meses, diga-se que “contratou errado o elenco”. E não. Não contratou.

O time era bom, o elenco forte, hoje é fortíssimo e pode melhorar ainda mais. Não há um time de estrelas pra dar show, mas há uma capacidade de reposição e mudança de jogo única no país.  Michel e Felipe eram titulares de Copa do Mundo em 2010. Guerra o melhor da América em 2016.

Futebol não tem receita. Se tivesse todo mundo seguia e ninguém acabava na série B. Mas de todas as escolhas do Palmeiras para 2017, o treinador me parece bem mais vulnerável que o elenco.

abs,
RicaPerrone

Nunca seremos!

Sabe quando eu digo que o futebol brasileiro jamais será o que esperamos meramente por ter um sistema que impede isso? É do que estou falando quando o presidente do Fluminense decide, em fevereiro, com um time todo contratado para a temporada, desmontar o comando do futebol.

Porque?

Porque tem eleição, porque é de fato um puta argumento. Mas e o Simone? Porque não funcionou? De fato, embora eu entenda diversas decisões tomadas pela dupla, o resultado não é bom.

Mas então, meu santo Deus, demita em dezembro e comece o ano preparando algo pra temporada.

“Ha algum tempo tenho essa idéia de tirar o Mário”.  Porra, Peter! O cara que contrata, que escolhe jogador, que demite treinador você afasta em dezembro, não no segundo mes do ano.

Porque?

Porque tem eleição. E se não tivesse, talvez Mário e Peter estivessem falando a mesma lingua em busca de prioridades que não fosse um time urgente para ser campeão.

Os treinadores testados deram errado. Se eu escolher 3 ou 4 gerentes pro meu setor e nenhum der jeito, o diretor que cai.  O afastamento do Simone e do Mário, por questões técnicas, não é absurdo. É uma escolha.

Mas em fevereiro, Peter?

Errados estão todos.  Mário em realmente ser o responsável pelo futebol em ano de eleição. Há conflito de interesses e, sim, faz sentido o argumento do Peter.

Simone porque como dirigente do futebol está apresentando resultados ruins em cima de apostas que eles ousaram e que a grande maioria não respondeu.

E o Peter em fazer tudo isso em fevereiro com o trabalho em andamento e não em dezembro quando poderia, de fato, mudar os rumos com calma e sem tantos feridos.

Essa zorra chama-se Clube de futebol sem dono, como são todos os times brasileiros em pleno 2016 onde o futebol é um negócio globalizado e pra nós ainda uma simples paixão.

Não tem saída. Estatutariamente, somos uma bagunça.

abs,
RicaPerrone

Se vira, Eduardo!

Eduardo Batista está com problemas claros na formação do Fluminense. Cheio de peças e com um elenco impossível de reclamar, ele não consegue dar padrão ao time e nem encontrar uma formação tática que encaixe.

Fiz 5 alternativas para o elenco atual do Fluminense.
formacao1
formacao2

time3
time5

time6

E você qual prefere? Qual resolve o problema do Flu?

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abs,
RicaPerrone

2×1 foi pouco

Usarei aquela frase irritante sobre os “7×1” para o clássico deste domingo. Não porque tenha acontecido um baile ou qualquer coisa do tipo, mas porque a soma dos méritos pela vitória e do quanto o Flu mereceu perder me fazem chegar a essa conclusão.

Se havia uma coisa que deixaria o jogo do jeito que o Flamengo queria era sair na frente.  Seu esquema é formado para tiros rápidos e não pra chegar em bloco tabelando. O adversário tendo que se adiantar é o paraíso pro time do Muricy. E foi.

O primeiro tempo não terminou com o jogo resolvido porque o Flamengo não conseguia fazer o último passe sem transforma-lo numa tentativa apressada de encontrar o finalizador.  Fosse mais calmo, trabalhasse a bola melhor, resolveria ali mesmo.

O inexistente Fluminense  dos primeiros 45 minutos voltou cheio de idéias. Mas, de novo, um gol fez tudo ir pelos ares.  O Flamengo então recuou, sentou no resultado e não abriu mão dos 3 homens de frente.

Você pode – e deve – se perguntar porque saiu Mancuello e não Emerson.  Mas na cabeça do Muricy o fato de ter 3 jogadores na frente, sendo 2 abertos, é uma forma dos laterais do Flu apoiarem menos e portanto cruzarem menos bolas pro Fred.

O jogo estava nas mãos, e o Mancuello era uma arma para criar e fazer mais gols. Não era prioridade.

O Fluminense pesado, parado, previsível e sem nenhuma inspiração assistiu a derrota como poucas vezes num Fla-Flu.  Até que Scarpa achou um gol de falta e deu ao final do jogo uma dramatização que não cabia.

Foi pouco.

O Flamengo até jogou para ganhar por 2×1. Mas o Fluminense, pra perder de bem mais do que isso.

abs,
RicaPerrone