estatísticas

Jogar bem, melhor e bonito

Quando um time joga bem? O que é jogar bem? Qual a diferença entre bem e bonito? Sem o tatiquês midiático que dificulta o entendimento é difícil resumir. Mas tentarei.

Os números do jogo mostram o que? Muita coisa. Não mostram o resultado no placar, mas o que aconteceu em campo eles ajudam a mostrar sim.

Eu costumo dizer que dá pra resumir a 3 dados pra saber se o time jogou bem ou quem jogou melhor. Posse, chances criadas e chances do adversário.

Você tem por objetivo fazer gols e portanto criar chances. E para vencer, evitar que o adversário crie chances contra você. A posse de bola indica controle. Só que não se usa “chances de gol criadas” e sim finalizações. Isso quebra o valor estatístico do jogo.

Posse de bola:

Sem a bola você quer retoma-la. Com ela não quer perde-la. Logo, ter a bola é um indicativo de sucesso. Não determinante, mas indica sucesso na primeira coisa que você faz num campo. Procurar a bola pra você. Com ela, no mínimo, o ritmo você dita.

Finalizações: 

Não determina, porque chute do meio da rua é finalização. Um lance pode ter 3 rebotes e somar 4 finalizações. Mas ajuda a entender. Um time com 20 finalizações e posse de bola dificilmente jogou muito mal. Dos três objetivos ele atingiu dois.

Finalizações contra:

Essa estatística poucos olham mas é o que tem pra se avaliar a parte defensiva. Não ser muito ameaçado.

Portanto, se um time tiver mais posse, tiver criado algumas chances de gol e sofrido consideravelmente menos oportunidades de gol, jogou no mínimo melhor que o adversário. Bem ou mal, depende do nível técnico do jogo.

Os objetivos do jogo são simples. A gente é que complica. E a maior complicação que tem é usar o placar do jogo para analisar desempenho.  O 7×1 tem números melhores pro Brasil do que pra Alemanha. O que isso significa? Que há circunstancias.

Com 3×0, a posse tende a ser do rival. Mas já está 3×0.  Logo, a melhor estatística é tida quando o jogo está empatado. Após a vantagem pra um dos lados muda o panorama do jogo e algumas estatísticas perdem valor.

Mas num jogo normal, ao final de 90 minutos disputados com alguma igualdade, posse de bola, chances a favor e contra podem determinar o que chamamos de jogar bem ou mal. Ou, na pior das hipóteses, jogar “melhor” ou “pior” que o adversário.

RicaPerrone

Entenda o porque do “escanteio curto”

Talvez  você não tenha notado, mas o futebol moderno tem algumas características que mesmo não gostando devemos nos perguntar os motivos.  O escanteio curto é uma delas.

Gera gozação, a gente brinca e vai contra. Também acho “chato”. Mas ele é estatisticamente a melhor escolha, sabia?

Um cruzamento na área, hoje, é uma perda de tempo. O futebol se aproximou do “passe” e entendeu que é melhor lançar 3 com direção do que 20 pra ver o que acontece. E nessa, os números mataram o escanteio.

Você sabia que é preciso 45 escanteios para que um seja gol, em média?

A leitura disso é bastante complexa, mas dá pra simplificar:

Se eu valorizo a posse de bola, ao bater um escanteio estou dando a bola pro adversário em condição de contra ataque muito mais vezes do que estou gerando uma chance de gol pra mim.  Meu time se mobilizou pra ir até lá, desestruturou taticamente e a chance disso gerar algo é mínima, quase a mesma de um chute do meio da rua. Só que o chute de longe não cansa o time, não abre a zaga e nem devolve a bola pro zagueiro.

Devolve em tiro de meta.

A cada 6 escanteios, um termina em finalização.  Os outros todos são da zaga e o que termina em finalização não necessariamente entra. Ao contrário, mais de 80% das vezes não vira gol.

É uma aberração estatística o escanteio. Para nós, antigos torcedores, ele é uma arma. Para os fatos ele é a devolução da bola pro adversário mais provável da partida.

Então, meus caros, quando forem reclamar do escanteio curto, entendam que ele não é bem uma chance perdida, mas sim a troca por uma jogada trabalhada com muito maior chance de sucesso do que um chute para o meio de 10 zagueiros e um cara que pode sair com as mãos.

abs,
RicaPerrone

Sim, faz sentido

Ouvi muito essa semana a questão do Diego Souza não estar na seleção do Brasileiro e o Diego do Flamengo estar. A princípio se faz logo a polêmica de quem foi melhor e de quem foi mais decisivo. É claro que o Diego Souza, no Sport, sobra mais que o Diego num Flamengo.

Embora a discussão seja eterna, eu tenho alguns números da Opta pra ajuda-los a entender que, se não concordam, pelo menos não podemos chamar de absurda a escolha.

A esquerda, Diego. A direita, Diego Souza.


abs,
RicaPerrone