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Gol do Flamengo

Se Deus soubesse como fazer todos os seus filhos felizes de uma só vez, o faria.  Ele não sabe.

Ninguém, desde a criação da Terra, conseguiu inventar algo que consiga deixar tanta gente feliz ao mesmo tempo quanto um gol do Flamengo.

Gols de seleções são menores, causam menos euforia e são apenas a nosso favor. Entenda: gols são marcados para misturar minha alegria em faze-lo e outra em te ver sofre-lo.

Portanto, assim sendo, nada no mundo pode fazer mais gente feliz ao mesmo tempo do que um gol do Flamengo.

Essa energia carioca que se espalha pelo país aos berros em janelas, becos, coberturas e vielas, intercalando o “Mengoooo!”, “Flamengo!” e “Framengo!”.

Sim, “Framengo!”. E não há nada de errado nisso, a não ser sua pouca inteligência em saber interpretar tal forma de expressar o nome de seu clube em “favelês”. Se tu não fala essa língua, ignorante é você.

Querido, odiado, perseguido, ajudado. Pouco importa. Não há um só domingo em que haja uma comoção maior de pessoas voltadas para algo que não um gol do Flamengo.

As vezes ele acontece, as vezes não. Graças a Deus na maioria das vezes sim, mantendo o equilíbrio da bolsa de valores, o bom humor característico da cidade e também o “bom dia” de tanta gente em Manaus, Brasília, Rondonia, Bahia, Amapá, Acre e Santa Catarina na segunda-feira.

Quantos domingos em 123 anos foram salvos por um gol do Flamengo? Quantas famílias terminaram o domingo sorrindo por um bendito gol do Flamengo?

Quantos filhos não ganharam um afago antes de dormir porque houve gol do Flamengo?

Quantos pais e filhos não mantém num gol do Flamengo o seu abraço mais sincero e apertado?

Qual a manifestação cultural de menor discriminação social no mundo do que um gol do Flamengo?

Quanta gente não depende deste gol para explodir tudo que está engasgado?

Quanto os psicólogos deixaram de ganhar ao terem terceirizado involuntariamente uma terapia aos gols do Flamengo?

Hoje é 15 de novembro de 2018. São 17h29…
É gol do Flamengo.

Dourado. E nem é mais pelo título. Mas o que importa?

Não há nada maior do que um gol do Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Chatos pra caralho…

De todas as coisas boas e ruins que a internet nos deu, uma das que não contribuem é a velocidade com que se cobra uma opinião de alguém.  Você tem um lance, 5 segundos pra pegar o celular, 5 pra escrever e postar. Nem o replay se foi, mas você já acha coisa pra caralho.

E depois de achado, agredido, confrontado e devolvido, você vai morrer achando aquilo. Não porque acha, mas porque já entrou na briga. Talvez eu nem odeie algumas das pessoas que eu mais “odeie”. Mas eu aposto que tive que brigar com muita gente pra ir contra essas pessoas, logo, passei a odia-las.

O problema raramente é a banda. O difícil de aturar é o fã clube.

O jogo foi bom. Não concordo com a situação em que o torcedor do Flu se coloca comodamente quando não vence de dizer que “torcida menor”, “menos dinheiro”, “menos time”, e portanto surpreendemos. Porque se você acha isso, você acha que o clássico é de um time maior contra um menor. E não, você não acha isso. Então não enche o saco.

Também não concordo com o rubronegrismo de achar que é pra ir pra cima e engolir o Fluminense, clube do qual o Flamengo tem historicamente dificuldade de vencer. Logo, falta de noção de realidade, tambem conhecida como megalomania, não é algo pra se colocar em pauta na hora de avaliar.

O Zé Ricardo é culpado de todos os problemas do país. Talvez do Mercosul.  Eu nem concordo com as últimas escolhas dele, mas calma lá! Tem muito nego ai jogando bem menos do que pode.  E nas mãos dele, nos últimos meses, muito jogador nota 5 jogou nota 7.  Se o time vocês chamam de “frouxo” é porque vocês botam tudo na bunda de um só. Então, que responsabilidade esperam deles se o culpado é o lado mais fraco como sempre?

Aí vem o gordo e convida a mulher que ele está afim pra ir na praia.  É o torcedor do Fluminense após os clássicos com o Flamengo.

Gordo, porra! Tu sabe que praia não te ajuda. Leva no bar! Não se boicota.  O que tem de constrangedor no Flu nos clássicos recentes? A torcida. O que ele quer se vangloriar?  Da torcida.  Jesus! Tua barriga é grande, gordo! Vai no cinema! Não fala em dieta nesse encontro. Tu ta pedindo pra notarem seu ponto fraco.

É o Botafogo fazendo campanha na tv com o Seedorf dizendo que veio “pela magia da torcida”, o São Paulo tentando encher estádio na crise segunda a noite, o Flu querendo falar de torcida com 5 mil pessoas num clássico e 10 numa final.  Daqui a pouco vem o Flamengo e faz campanha dizendo que é vergonhoso pra um clube ter um de seus membros presos.  Me ajuda a te ajudar!

Olha, eu amo futebol. Amo a magia que envolve. Mas o Cristiano Ronaldo não tem caspa, o Seedorf nunca saiu do Milan falando: “To louco pra pegar aquele Engenhao lotado”.

A Globo não é consultada pra ajudar o Flamengo. O Fluminense não faz tapetão porque cai todo ano, nem o Palmeiras é um clube corrupto por ter hoje mais dinheiro que o seu. Se o Corinthians tivesse “roubado o povo” pra ter estádio, ele não estaria fodido de dívida pagando o estádio e ainda sendo lesado com possível super faturamento e não ajudado.

Não vamos chamar o próximo Brasileirão de Taça Jean Willys, vamos?

abs,
RicaPerrone

Bandeira branca

Já fiz 200 elogios ao Bandeira aqui, sinto-me a vontade para critica-lo desta vez.  Sua decisão de não ir a Copa América é corretíssima, não fosse tomada na última hora por pressão interna e não por convicções.

Quando pediu pra adiar, Bandeira achou o que? Que ganhando do Grêmio lá se resolveria o caos futebolistico do clube? Basta um gol e tudo bem por 1 mes?

Não. Esse não é o modelo de gestão sugerido por ele, nem pra vencendo, nem pra quando está em crise.  O presidente tem que saber as suas prioridades e, com educação e respeito, comunicar a CBF que infelizmente terá que mudar o combinado por motivos de força maior.

Simples, com espaço para ambos e com postura direta e firme.

Bandeira ouve demais, ou de menos. Mas demora uma vida pra tomar decisões que cabem a um líder serem tomadas.

A decisão anunciada hoje foi resultado da pressão da noite de ontem na Gávea. Não do que pensa o Bandeira sobre o Flamengo, a crise, ele 30 dias fora.  Por ele, iria.  E deixou isso claro dia após dia nas últimas semanas.

Ora, presidente.  Você pode ser um bom gestor, um homem de bem.  Mas o controle do futebol do seu clube, que é a razão de ser do Flamengo, é ruim. E talvez esse tipo de decisão aos 44 pressionado e discordando dela, seja reflexo do que o Flamengo vive em seu dia a dia.

Falta de convicção sobre o que está sendo feito. Hierarquia clara, meritocracia não só no discurso e um olhar mais pra clube do que pra saldo na conta.  Balancete é do caralho, mas ninguém faz poster de diretoria pra por na parede.

abs,
RicaPerrone

O Fla, o Guerrero, o Galo… a Liga!

Achei que não chegaria nunca mas finalmente a bola voltou a rolar. Já estava cansado de ver jogos que não me dizem respeito.

Cansado estava Guerreiro, meses sem marcar. Cansado de ouvir, de esperar, de saber que uma hora ela entraria. Entrou.

Os atleticanos, cansados de ver o time reagir a situações inacreditáveis, hoje, não puderam nem acreditar. O time cansou.  Um segundo tempo onde o Flamengo jogava em outro ritmo, outro nível.

Muricy começa a montar um Flamengo fácil de entender. Se Wallace e Juan são lentos e não podem ficar num contra-ataque, então o Flamengo tentará não ser contra-atacado.

Já cansei de dizer que não gosto do futebol do Muricy, mas ele trabalhou perto de mim tanto tempo que aprendi a entender a lógica que ele aplica nos times de futebol.

O Flamengo terá um ou dois jogadores rápidos puxando contra-ataque, não terá a bola o tempo todo, e nem vai pra cima expondo a defesa.  Será um time que se posta atrás e sai rápido, não um time que avança em bloco tocando bola.

E mesmo tendo jogado muito mais no segundo tempo, os lances principais são exatamente de retomadas rápidas de bola.  É isso que o rubro-negro deve esperar.

O Galo, cansado, não voltou do intervalo.  Só posso acreditar numa questão de ordem física para a apresentação do segundo tempo.

Mas por mais que eu tente dizer o que vi da partida, analisar os dois times e ponderar atuações, nada é mais prazeiroso na noite de hoje do que ver 30 mil pessoas recebendo a estréia de dois times grandes que organizaram seu campeonato sem recuar.

Nesta noite o CAP venceu, o Flamengo venceu, o Inter empatou, mas na real… tanto faz. Ganhamos todos!

Eu não sei o que vai dar, eu nem acredito que tenha sido bem organizada, mas é o único movimento de fato para algo novo. Entre mil manifestações e uma ação, fico com a ação sempre.

Parabéns aos clubes pela Liga! Nós merecemos.

abs,
RicaPerrone

Flamengo cobra e está fora do FM 2016

A nova filosofia da diretoria do Flamengo em relação a uso da marca parece cada dia mais clara no mercado: ou paga ou não tem Flamengo.

Depois do FIFA ficar sem o clube na sua versão 2016, o Mengão é o primeiro clube brasileiro que foi cobrar do famoso Football Manager os direitos pelo uso do nome.

A SEGA fez o simples e apenas modificou o nome para Flemish.

A verdade é que não faz grande diferença para o usuário já que qualquer um pode ir lá e mudar o nome do clube novamente. A medida apenas reforça a postura do Flamengo de que dinheiro é mais relevante do que a exposição da marca para os jovens viciados em games no mundo todo.

A outra grande verdade é que a falta de uma LIGA responsável pela comercialização coletiva de tudo isso dificulta a entrada do Brasil no mercado internacional para qualquer ação e licenciamento.

abs,
RicaPerrone

500 vezes Léo

Em 2003, numa conversa informal entre dirigentes e sócios do clube no São Paulo, alguém me disse: “Esse Leonardo não vai dar em nada. Muito tímido, não se enturma, vive na dele. Esquece!”.

Eu não entendi exatamente o quanto sua timidez determinava aquela avaliação, mas perdi as esperanças no lateral do meu time.  Ele saiu, rodou, rodou e lá pra 2005 confesso que já dava razão ao dirigente. O tal do Leonardo não vai dar em nada mesmo.

Aí ele foi pro Flamengo, onde a pressão é muito maior, onde não dá pra ser “na dele”, e onde seria engolido no primeiro passe errado.  Não havia prognóstico muito favorável. Leonardo era só mais um lateral que trocava de clubes e não se identificava com nenhum.

Como que num passe de mágica, de vermelho e preto, passou a se impor. Ia pra cima, pedia a bola, “rabiscava” a lateral, como ele gosta de dizer.  Virou titular, referência, campeão da Copa do Brasil.

Xodó. Um dos mais regulares, o garçom do time. Um torcedor do Flamengo em campo.

Não há nada no mundo que o rubro-negro goste mais do que ver um dos seus no gramado. Ele identifica a kilometros de distancia quando o sujeito joga no Flamengo, está no Flamengo ou quando o cara “é Flamengo”.

Leonardo foi campeão brasileiro, copa do Brasil, estadual, chegou a seleção. Sempre titular, referência, e não corro risco de errar ao afirmar que nos últimos 10 anos ele tem sido o melhor lateral que atua no país.

De tímido a carismático, virou polêmico contra um treinador ou outro. Virou símbolo de uma conquista ao cair de joelhos chorando. Leonardo ficou íntimo à nação e então virou Léo.

Quando se fala em Flamengo, há quase 10 anos, imagina-se aquele ser magrelo atrasando o passo na entrada da área pela direita, com uma mão pra cima a outra pro lado, o pé direito alto, gingando lentamente como quem diz: “Eu vou passar! Adivinha o lado!”.  E passa.

As vezes mal, as vezes bem. Mas há 500 jogos sendo uma referência que há muito o clube não tinha.

Adriano, Pet e tantos outros já foram “o cara” no Flamengo.

Léo Moura conseguiu ser “a cara” do Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Sobrou São Paulo

Não há termo melhor para descrever o Flamengo deste domingo do que “um bando”.  Eram 11 jogadores correndo na direção da bola como se não houvesse tática, posicionamento e muito menos alguma noção do que estavam fazendo.

Uma partida em que o SPFC de Muricy queria sair na frente e poder jogar como prefere. Pois saiu, deixou o já perdido time do Flamengo também desequilibrado. E então, só não fez um placar mais elástico porque time do Muricy não joga pra fazer gols mas sim pra fazer o mínimo necessário.

E hoje, convenhamos, andar em campo já seria o suficiente.

Com Ganso, que quando quer é o 10 que o futebol brasileiro gosta de ter, parecia um time acéfalo contra um time de apenas uma cabeça. Mas uma já pensa mais do que nenhuma, logo, só deu ele.

Entrou Elano, que voltou de contusão. Parecia que voltava do coma.

Uma insistente esticada de bola dos volantes aos atacantes que não eram capazes de trocar de posição em momento algum se repetiu até que o trocaram por cruzamentos. Então, notaram que erravam os cruzamentos.

O São Paulo abriu mão de matar o jogo por boa parte dele, ainda assim, teve nas mãos mais duas chances claras de resolve-lo.

Tal qual no Fla-Flu, quando o Flamengo partiu pro tudo ou nada… nada!

Ganso de novo. Fim de papo.

A pior atuação do Flamengo que já assisti pessoalmente no estádio. E um São Paulo dentro do que se permite fazer: Ser fatal.

Ele não vai dar show, tentar os gols, ir pra cima. Vai se fechar e encontrar gols quando puder. Hoje, sobrou espaço.

Sobrou São Paulo no Maracanã. Faltou Flamengo.

abs,
RicaPerrone