flamengo campeão

… de novo?!

Quando o Flamengo escalou o time reservas hoje não esperava tamanha dificuldade em conseguir o empate. Mas sabia estar lidando com um time de psicológico assustadoramente frágil.

Talvez por isso eu tenha dito aqui na semana passada que era melhor pro Vasco o Flamengo titular. Tiraria dele a pressão e a “obrigação”, pois poucos times ao longo da vida eu presenciei terem tanto pânico de resolver jogos como esse Vasco.

Deve ser a quarta partida consecutiva que repito isso. Diversos contra-ataques, campo aberto, vantagem numérica e o gol que resolve a partida não vem. Todos eles por erros individuais idiotas. Por mais que caiba a Valentim algo, é inadmissível que com 4×3 num contra-ataque você não consiga concluir ou chegar até a área.

É inaceitável lances como o do Rossi, que impedido correu a frente de um companheiro em condição legal anulando o contra-ataque.

O Flamengo estava a passeio. Não porque não queria vencer, é óbvio que queria. Mas porque escalou reservas minimizando a importância do jogo e especialmente porque o campeonato é tão absurdo e idiota que pra ele perder significava uma semifinal em tese mais fácil.

Não fosse o Vasco, o fato de ser um clássico, diria até que era melhor pro Flamengo ter perdido.

O gol do Arrascaeta empatou um jogo equilibrado. E portanto justo. Nos pênaltis se tornou previsível em cada semblante o que vinha pela frente. Um Vasco com ar derrotado e um Flamengo que virava um cenário.

A vitória do Flamengo ao menos dignifica a estupidez do Carioca 2019. Pois o Vasco poderia ganhar os 2 turnos e perder o campeonato. Agora não pode mais. Ainda assim o Fluminense e o Bangu podem conseguir essa proeza.

Mas também, convenhamos, nessa aberração só existem cúmplices. Todos assinaram.

Segue o baile. Agora pra valer. Ainda que tentem destruir, a rivalidade entre os clubes segue salvando os estaduais do óbvio fim.

RicaPerrone

Isso sim é Flamengo

Não foi uma grande exibição, mas isso pouco tem a ver com a “grande conquista” desta quinta-feira.  O Flamengo mais Flamengo é aquele que não é obrigado a ganhar e ganha. Mais ainda só aquele que é favorito a vencer, e perde.  Hoje, a obrigação não existia.

No Brasileirão, das 5 vezes que chegou nas semifinais do Brasileirão, foi campeão em todas. Na Copinha, das 4 finais que disputou, venceu as 4.  Na Copa do Brasil não vence sempre, mas chega quase sempre pelo menos nas semifinais. É um time de chegada em mata-mata.

Curiosamente sua diretoria prefere hoje os pontos corridos. Também não chega a ser curioso considerando a diferença entre o Flamengo de 100 anos e o que a diretoria atual projeta.

Mas o antigo e o novo tem algo em comum: fazem em casa. Infelizmente a lenda de fabricar craques foi virando piada quando alguns dos seus eram trocados ou perdidos por centavos e iam brilhar fora. Flamengo faz craque… pros outros.

E mais uma vez a vida lhe oferece a chance de usar suas crias. De parar de olhar pro mercado e “monitorar” o próprio berço.  Se ali não tem um Neymar, eu garanto que tem muita gente melhor que Gabriel, Mancuello, Vaz, Cuellar, entre outros do time principal.

Esses meninos jogaram uma final irritante.  Pra mim, saopaulino, especialmente.  Sabiam fazer cera, prender a bola, truncar o jogo e como disse mais um Silva, “final não se joga. Se ganha”.

Eu não sou maluco de discordar desse moleque.  Por mais que eu ame futebol bem jogado, a final é a final. E dali se quer a taça, nada mais.

O São Paulo ficou com os aplausos, o bom futebol, a imagem de que “não merecia perder”, mas… a taça ficou na Gávea. Acho que todo saopaulino trocaria o bom futebol por ela. Entao Silva tem razão.

Flamengo marrento, folgado, decisivo e vencedor. Coletivo, esforçado, surpreendente e promissor. Flamengo que canta o hino no vestiário antes do jogo, que corre pra nação no final, que chama ela quando o jogo aperta.

Flamengo mais Flamengo que isso, pode “monitorar” o mercado do mundo todo. Não haverá.

Abs,
RicaPerrone

Rei do Rio

Há uma lenda nacional sobre “a torcida do Flamengo”.  Dizem que são terríveis, que fazem diferença, que cantam muito alto, que empurram o time, etc, etc, etc.

Os rivais dizem que é tudo mentira. Mas eu adoro uma lenda.

Sou capaz de apostar que o Saci Pererê era um neguinho manco e que o transformaram naquilo tudo.  Que o Pé Grande era só um urso com pé inchado, e que os mais incríveis milagres dos mais aclamados santos não foram “bem assim”.

Mas eu adoro que sejam. Porque se nós contarmos as histórias da vida exatamente como elas são, que graça teria viver e porque diabos faríamos tanta questão em contar?

Eu vou ao Maracanã e fico olhando pra torcida do Flamengo até me lembrar de tudo que ouvi sobre ela. Então eu me concentro em viver o que queria estar vivendo, estejam eles no mesmo clima que eu ou não.  É como se eu procurasse um Zico, uma geral e tentasse ver a minha volta tudo que meu pai me contou a vida toda.

A tal da magia, a tal da energia, o tal do Maracanã e a porra da “nação” que tanto falam. Era um Fla-Flu, meu jogo favorito.  Eu queria ter tido mais gente do outro lado para mentalizar uma mentira bem contada e guardar comigo o meu “maior Fla-Flu”. Mas, não consegui me enganar com tanta gente vestindo a mesma roupa.

Era um jogo do Flamengo.

E como todo jogo do Flamengo, a torcida deles toma conta do estádio. E quase como sempre eles encontram uma maneira de transformar um jogo numa grande história. Seja uma tragédia ou uma glória, as histórias escritas pelo Flamengo raramente são previsíveis.

Tinha que ser aos 40 do segundo tempo. E tinha que ser uma vitória, por isso haveria mais um no final. Para que nem houvesse apito, para que a festa fosse determinada pelo gol e não pelo árbitro.

Para que fosse marcante até mesmo quando subvalorizado.

“Ninguém liga pro estadual”. É verdade, eles estão falidos, desmoralizados, estuprados por federações estúpidas e regras absurdas. Mas o Fla-Flu decisivo transcende o estadual.  Não era pela taça, era pela glória.

Em duas decisões o Flamengo se fez favorito, tomou iniciativa, buscou o gol, fez do estádio a sua casa e das arquibancadas suas cores.  Invicto, vencedor das duas finais, pouco deixou para ser discutido.

E embora ainda discutam, a lenda continua. O Flamengo é o Rei do Rio.

abs,
RicaPerrone

 

Pais e filhos

Era terça-feira, 26 de novembro de 2013.  Muito nublado, o Rio de Janeiro vivia um dia pouco carioca.

– Pai? ….    Pai!? ……  Preciso falar com o senhor!
– Oi, meu filho.
– Preciso falar com o senhor em particular.
– Por isso as nuvens?
– Sim, nublei tudo.
– Então diga, filho. O que tanto te aflige?
– Na verdade eu queria pedir uma coisa pro senhor que….(interrompido)
– Pára! Eu já imagino o que seja.  Não começa…
– Pai, o senhor não entende. Eles precisam, não custa nada…
– Filho, não posso fazer milagres o tempo todo no mesmo lugar e menos ainda pro mesmo beneficiado! Vai ficar muito na cara…
– Mas Pai, o senhor mesmo me ensinou a amar o próximo…
– Ah, e o outro lado não é “próximo”?
– É, mas eu moro aqui, então esse é mais “próximo”. Pegou?
– Como fala bobagem…  Ainda bem que não se mexe.
– Antes aqui com essa vista do que pregado numa cruz.
– Senso de humor ….  sinal de inteligência.
– Pai, não muda de assunto.
– Filho, minha resposta é não.  Pediu Olimpíada, Copa… chega!
– Mas, pai…
– Você está me saindo um tremendo garoto mimado!
– Pai. Me ouve.
– Vai…
– Eles se empenharam tanto, meu pai.  Eles acreditaram, deram lição de fé pra humanidade que tanto precisa.
– Não apela…
– Ok, mas pai….  O povo merece!
– Hum…O povo?
– É pai! O povão! Aquele que ama o senhor, rala muito e paga um pedaço do que ganha achando que é pra você.  Gente de fé! Gente de bem, pai!  Não os deixe na mão.
– E quem vem mais de baixo não é gente de bem?
– É, também! Mas é que aqui eles são especiais…
– São todos filhos do senhor! Amo todos igualmente.
– Eu sei, pai. Mas o senhor me ama mais do que a esse monte de filho adotivo que tem por aí no mundo, certo?
– Sim, de certa forma…
– Então, pai…
– Garoto. Desde pequeno você pede por eles, eu vou lá e faço o milagre pra você.
– É que eu gosto deles…
– Notei. Bastante, né?
– É, bastante. Mais do que devia.
– Tá bom filho. Eu faço de novo.  Mas este é seu presente de Natal! Não me peça mais nada este ano!
– Jura?! Obrigado pai! Poxa, que você se abençoe! Muito obrigado mesmo.
– Agora tira esse monte de nuvem horrível e deixa o sol entrar de novo.
– Pode deixar.  Ah, Pai! Mais uma coisinha…
– Fala.
– Posso gritar gol?
– Acho melhor não. Eles não estão preparados pra saber sequer que você fala, quanto mais pra quem você torce…

abs,
RicaPerrone

– Dedico este post ao amigo Dirceu e seu filho, que ontem fizeram a mais bela imagem do Maracanã ao chorarem abraçados eternizando o que há de mais importante no futebol.   Obrigado.