Flamengp

O Maraca é… nosso?

São três assuntos numa só canetada.

O Maracanã volta pro Governo num “me dá aqui!” e foda-se? É tão fácil assim contratualmente se romper algo que está acordado e em vigor?

Se sim, e parece que sim, quem vai gerenciar é o governo. Porque a gente acha que justo o governo fará algo melhor que uma empresa privada, embora seja ela uma das mais sujas deste país?

E os clubes, por sua vez, continuarão pagando o alto preço de um estádio desnecessário. Pode colocar o Bill Gates pra administrar o Maracanã, ele ainda será caro.

Parem de repetir os erros do passado. O Maracanã do povo não existe mais. Isso é um ginásio gigante, caro, apenas construído sobre as ruinas do nosso Maraca.

Esse negócio não vai dar a clube nenhum do Rio o dinheiro que deveria.  Assim sendo, ele é uma morte anunciada.

Para 4 anos e uma reeleição talvez dê. Mas para 10, 15, não vai dar. Uma hora os clubes vão ter a certeza absoluta de que o Maracanã não poderá jamais render a um clube o que as arenas de Grêmio, Inter, Palmeiras e Corinthians rendem ou renderão em breve.

Porque?

Porque ele é um meio de sustento a terceiros. Não presta serviço ao futebol, mas sim é usado pelo futebol para que diversos setores ganhem dinheiro sobre sua operação.

O Maracanã vai mudar de culpado. Não vai parar de ser uma merda pros clubes.

RicaPerrone

O fator Flamengo

Eu fiquei com pena do Bandeira.  Pelas ameaças, pela postura do torcedor em não saber pensar nem por um minuto antes de tratar o presidente da forma que ele merece, pelo emocional abalado, pelos lances polêmicos que criou em sua cabeça pra explicar um resultado normal.

Não houve “roubo” algum.  Se você quiser achar um pênalti ali, ok. Daí pra ter de fato um pênalti ou pra ser um erro do juiz há uma distância.

Empatar com o Palmeiras tendo perdido um penalti. Qual a anormalidade disso?

O Flamengo é quarto colocado. Perdeu 5 jogos no ano, e você pode até não gostar do futebol apresentado, mas daí a elevar o protesto pra esse nível, acho de um exagero absurdo. Mas entendo. E até imaginei que aconteceria.

O rubro-negro tem a megalomania mais divertida do mundo e isso faz do Flamengo um clube único. Deve ser o único torcedor que todo ano faz uma Libertadores ruim e entra se considerando favorito no ano seguinte.

Deve ser o único que espera título se entrar com os reservas em campeonato. E mesmo sabendo que não virá, protesta quando não ganha.

O único que ostenta uma faixa dizendo que um dos três campeonatos mais dificeis do mundo é “obrigação”.

Esse céu e inferno, essa velocidade em variar do bom pra crise é marca do clube. A diretoria do Flamengo se diferencia se tiver convicção do que esta fazendo, não se toda vez que um torcedor levantar e gritar ela mudar o rumo.

Não, eu não demitiria o Zé. Um treinador quarto colocado, com 5  derrotas no ano, após a campanha de 2017, com o Flamengo controlando quase todos os jogos que fez, não. De jeito nenhum.  Se ele se chamasse Cuca, Tite ou até Luxemburgo ninguém faria esse terrorismo em cima do cara.

Mas entendo. É previsível. Até domingo o Flamengo está em crise porque não perde, está em quarto, contratando, crescendo, se estruturando e fazendo a coisa certa.  Sábado, as 21h, após vencer o Coxa, Dubai volta a ser realidade, Bandeira mito, Diego homão da porra, e segue o baile.

Os exageros são parte do Flamengo. Não adianta discuti-los, basta aprender a conviver com eles.

Né? “Rica cuzão fica passando pano pra essa diretoria de merda e esse treinador Fdp! Seu Tricolor enrustido!”

Opa! Previsível.

abs,
RicaPerrone

500 vezes Léo

Em 2003, numa conversa informal entre dirigentes e sócios do clube no São Paulo, alguém me disse: “Esse Leonardo não vai dar em nada. Muito tímido, não se enturma, vive na dele. Esquece!”.

Eu não entendi exatamente o quanto sua timidez determinava aquela avaliação, mas perdi as esperanças no lateral do meu time.  Ele saiu, rodou, rodou e lá pra 2005 confesso que já dava razão ao dirigente. O tal do Leonardo não vai dar em nada mesmo.

Aí ele foi pro Flamengo, onde a pressão é muito maior, onde não dá pra ser “na dele”, e onde seria engolido no primeiro passe errado.  Não havia prognóstico muito favorável. Leonardo era só mais um lateral que trocava de clubes e não se identificava com nenhum.

Como que num passe de mágica, de vermelho e preto, passou a se impor. Ia pra cima, pedia a bola, “rabiscava” a lateral, como ele gosta de dizer.  Virou titular, referência, campeão da Copa do Brasil.

Xodó. Um dos mais regulares, o garçom do time. Um torcedor do Flamengo em campo.

Não há nada no mundo que o rubro-negro goste mais do que ver um dos seus no gramado. Ele identifica a kilometros de distancia quando o sujeito joga no Flamengo, está no Flamengo ou quando o cara “é Flamengo”.

Leonardo foi campeão brasileiro, copa do Brasil, estadual, chegou a seleção. Sempre titular, referência, e não corro risco de errar ao afirmar que nos últimos 10 anos ele tem sido o melhor lateral que atua no país.

De tímido a carismático, virou polêmico contra um treinador ou outro. Virou símbolo de uma conquista ao cair de joelhos chorando. Leonardo ficou íntimo à nação e então virou Léo.

Quando se fala em Flamengo, há quase 10 anos, imagina-se aquele ser magrelo atrasando o passo na entrada da área pela direita, com uma mão pra cima a outra pro lado, o pé direito alto, gingando lentamente como quem diz: “Eu vou passar! Adivinha o lado!”.  E passa.

As vezes mal, as vezes bem. Mas há 500 jogos sendo uma referência que há muito o clube não tinha.

Adriano, Pet e tantos outros já foram “o cara” no Flamengo.

Léo Moura conseguiu ser “a cara” do Flamengo.

abs,
RicaPerrone