formula 1

Enfim, estamos prontos?

O Brasil é o país da contradição. Um dos povos que mais tolera “qualquer coisa” na vida não suporta e aceita nada que não seja extraordinário no esporte.

Acostumamos mal, é verdade. Mas seja como for passou da hora de superar. Não haverá outro Ayrton Senna. Nem aqui, nem na Alemanha, nem na Indonésia. Simplesmente não haverá.

Mas entendo. Talvez o brasileiro esteja mais esperando uma postura de Ayrton do que o piloto. E aí vamos ter ainda mais dificuldade porque a F-1 de hoje nem permite aquelas cenas heroicas do passado.

Bortoleto não está bem. Está bem pra cacete! É o destaque dos novatos na F-1, está mantido pra 2026, numa equipe nova, porém rica. Não, ele não pode ganhar corridas com esse carro. E não, ele não depende apenas do seu talento.

Na F-1 você vive uma mistura de talentos, escolhas e oportunidades. O melhor piloto na equipe errada vira estatística. O médio na certa vira Villeneuve, Hill, Sainz, Perez, Berger…

Tenho tentado evitar a euforia porque isso vai ser custoso pra ele. Mas não posso negar a alegria de vê-lo na pista guiando com tanta perfeição numa corrida difícil como a Hungria.

O garoto é diferente.

Diferente quanto? Não sei. Talvez ninguém saiba exatamente. Mas ele tem traços de quem vai nos vencer antes mesmo de vencer na F-1.

É educado, simpático, calmo, parece ter conexão com o Brasil. Nós gostamos disso. E espero que ele saiba que, no esporte, mostrar conexão com o Brasil é positivo globalmente.

O Brasil é um dos países mais simpáticos ao mundo. Quase ninguém, em lugar nenhum, tem algo contra o Brasil. Ao contrário, todos abrem um sorriso quando se fala “Brasil”.

Somos o café com leite. Não fazemos mal pra ninguém, mas a gente é feliz, conta piada, ri a toa, joga bola, não entramos em guerra então todo mundo gosta da gente.

Se deixarem esse garoto em paz e não esperarem um novo alguém, podemos ter um caminho. Ele é bem relacionado, bom piloto, tem passado com a McLaren, empresário forte, talentoso…

Temos?

Cedo. Ainda não nasceu. Mas o ultra-som tá bonito pra caralho…

RicaPerrone

Vocês nunca vão entender

Estou terminando de ver a série do meu super herói. Obviamente emocionante, muito bem feita e focada na carreira de Ayrton mais do que na vida, o que acho sensacional porque a vida de ninguém deveria ser problema do público.

Mas enquanto assisto eu vejo algumas pessoas mais novas que estão próximas a mim e eles ficam impressionados com o que ele fazia. O quão bom ele era, o quanto o Brasil se mobilizava por ele e ao final buscam naturalmente uma comparação atual pra entender o que foi tudo aquilo.

Meus caros “jovens”, com todo respeito, vocês nunca vão entender. Nem passarão perto disso simplesmente porque o mundo de hoje não comporta um Ayrton Senna e nem permitiria que ele fosse o que foi.

Ayrton não era um esportista que nós admiramos. Isso é o Messi, o CR7, o Neymar. Ayrton era a nossa única alegria. Vocês não tem noção do que é ir no mercado de manha porque a noite é mais caro. Nosso entretenimento era coletivo, único, chamava-se futebol. Todos viam o mesmo jogo, discutiam o mesmo tema e acompanhavam todos os clubes. Era um planeta que você nem conheceu, talvez.

Senna não era nosso piloto. Era nosso único motivo de orgulho. A gente se sentia o lixo do mundo sendo brasileiro. Nossos políticos eram ridiculos (nada mudou), a gente não tinha acesso a nada, um telefone valia mais que um carro, nossa seleção não era campeã desde 1970. A gente tinha muito mais motivos do que hoje pra exercer nosso complexo de vira-latas.

Imagine que não tem internet, netflix, série, rede social, filme só o da Globo as segundas-feiras, futebol só aos domingos e o seu meio era restrito geograficamente. A gente só convivia com quem morava perto. Eram os vizinhos, os amigos reais, próximos. Outro planeta.

Por anos nossa alegria foi acordar domingo e antes do almoço em família, que era algo sagrado, comemorar abraçado aos nossos pais a vitória do nosso único brasileiro no mundo que dava certo.

Esse cara fez o domingo em família de milhões de brasileiros ser mais feliz por anos e anos. Ele tirava lágrimas de alegria de um pai que não sabia como seria a semana e se teria como aguentar a inflação pra fazer mercado. Ele fez a gente acreditar que ser brasileiro não era um problema. A Marvel cria super poderes de mentira e nem assim inventou algo tão impressionante.

As melhores memórias das nossas vidas estão num domingo em casa com a família e não na internet ou num computador. Nosso mundo era 100% analogico, humano, real. Ayrton era nosso Batman entrando em Gotan pra salvar nossos dias. As pessoas que o avaliam como um piloto de corridas não tem a menor idéia do que estamos falando.

Enfim, vocês não vão entender. Porque mesmo numa série o foco é o quanto ele era foda pilotando. Mas a melhor das séries seria mostrar uma família miserável, em crise e sem perspectiva se abraçar e comemorar como se nada de ruim existisse por algumas horas.

Ayrton foi o que nós brasileiros sonhamos ser: exemplo. Só que ele fez por onde, a gente é um país de acomodados que aceita o absurdo na nossa cara e ainda briga por ele. Senna era tudo que o Brasil não podia ser. Senna era o filho que a gente queria ter, o marido que elas queriam, o herói que as crianças esperavam e o alívio de uma vida filha da puta que todo pai de família tinha nesse país.

Curtam a série. Pra maioria dos jovens será uma “Casa de Papel” qualquer. Mas saiba, garoto, que você está assistindo talvez a história criada por um cara para que seu pai tivesse aguentado a semana toda esperando por ve-lo domingo.

Saiba que esse cara é responsável pelos abraços mais fortes que muito pai e filho ja deram na vida. E saiba que a gente entende que seja impossível pra você dimensionar, assim como é pra nós resumir Senna num texto, num filme ou até mesmo numa série.

Nosso super herój usava capacete, tinha super poderes, não nos decepcionava e tem um extra que anula qualquer chance dele se repetir: ele era real.

Rica Perrone

Aqui é Francisco, FIA!

O pau que bate em Chico deveria ser o mesmo que bate em Francisco. Nunca foi, e por mais que o mundo moderno clame por hipocrisia, nunca será.

A punição ao Vettel no Canadá mostrou que Francisco pode apanhar também. Embora não tenha merecido.

A da Áustria mostrou que Francisco está sem moral com o pai.

Outro Chico, outra dúvida, a mesma decisão. Ambas contra Francisco.

Preocupa a quantidade de decisões fora da pista. Todas elas poderiam ter seguido sem interferência externa, são lances de corrida. Mas a partir do momento que Francisco apanhou há 15 dias por um motivo, é justo imaginar que ele verá Chico apanhar também agora.

Não viu.

E na mais completa inversão de papéis que o ditado sugere, Chico leva vantagem e Francisco prejuízo.

Uma hora alguém terá que lembrar que além de injusto e desnecessário, uma coisa é errar contra Chico, outra contra Francisco.

Chico tem um monte. Franciscos, nem tanto.

RicaPerrone

Esse cara não é você

O problema e também uma parte do charme da F-1 é exatamente a dificuldade que temos em dar ou tirar méritos dos vencedores.

Quem dirá que Vettel, tetracampeão, chega aos pés de Alonso, bicampeão? Os números nunca dirão. E então surge a discussão do carro, da condição, e ela é absolutamente relevante. Ninguém ganha nada na F-1 sem carro.

E hoje em dia, ou há algumas décadas, ninguém chega na F-1 sem dinheiro. O que já transforma a briga em algo um tanto quanto contestável.

A mídia italiana, ferrarista apaixonada, está detonando Vettel. Pudera. Eu também estou fazendo isso na frente da TV como torcedor que também sou da escuderia. Um tetracampeão não tem as mesmas expectativas de garotos estreantes ou até de bons pilotos no grid. Ele tem que brilhar. Ser bem acima da média.

E não é.

Um Damon Hill, um Villeneuve, talvez um Button. Mas um bom piloto que consagrou seu nome exageradamente em cima de uma condição.  Não deixa de ser notável, mas não condiz com o absurdo número de 4 títulos mundiais.

Leclerc pode ser genio. Mas independente dele ser ou não, Vettel erra sozinho há tempos. Tem muito menos capacidade do que Hamilton e por mais que isso pareça distante a quem acompanha de longe a F-1, a Ferrari não é uma equipe. As outras são.

O mundo assiste F-1. As pessoas amam a Ferrari, não uma marca de energético ou de algum outro carro menos lendário e sem comoção popular em seu país de origem. A Ferrari é um Flamengo, um Corinthians. Só que nesse campeonato não existem sequer Palmeiras, Cruzeiros, Grêmios.

A paixão está toda numa só. O resto é conforme o piloto, não conforme o time.

Para ser o número 1 da Ferrari você precisa ser mais do que tetracampeão. Você tem que ser “o cara”. E “o cara” hoje guia na Mercedes, o outro cara acabou de se aposentar da F-1 e então esperamos pelo “carinha”.  Porque “O cara”, definitivamente, o Vettel não é.

RicaPerrone

Um dos melhores que eu vi

Acompanho F-1 hoje como um torcedor normal. Já fui apaixonado. Já trabalhei com isso, pra quem não sabe tive site grande de automobilismo por muitos anos.

Parei pra fazer futebol que é o que mais amo. Mas nunca perco uma corrida, torço pra Ferrari e tenho coisas de F-1 pela casa toda.

Dos que vi, Senna foi o maior. Dos que admirei, muitos passarem pela Ferrari. E dos que eu lamentei a saída da equipe, ninguém tanto quanto esse sujeito que hoje deixa a F-1.

Marrento, escroto, difícil. Foda-se. Talentoso como poucos. E se tivesse escolhido melhor o carro pra onde ir, teria títulos como Hamilton tem.

Não vou condenar seu perfil pelos carros que guiou. Outros tantos foram fofos e guiaram carroças a vida toda. Alonso foi um dos melhores que eu vi. E digo sem a menor dúvida: Se ele tem o carro do Vettel, o Hamilton não tem a facilidade que tem.

A F-1 fica com apenas um gênio no grid para 2019.

RicaPerrone

Preto no branco

Talvez a manchete lhe pareça um pouco forte se você pensar na cor de pele do vencedor e do autor da cagada do dia. Mas que seja, tanto faz. Lewis é o melhor piloto do grid hoje, desde que Alonso foi guiar uma carroça.

O Vettel busca seu quinto título porque está no carro certo na hora certa. É bom piloto, muito bom. Mas deveria ser impossível um piloto como ele ter o número de títulos do Prost, do Senna, do próprio Hamilton.

A fórmula 1 hoje deixou muita coisa clara.

  • Quase sempre que o Vettel vence a corrida a Ferrari está melhor que a Mercedes. Nem sempre quando a Mercedes vence o carro é melhor que o da Ferrari.
  • Jogo de equipe é comum, faz parte, sempre fez, e carinha de espanto com isso em 2018 é desconhecimento do esporte.
  • É comum que torçam por equipes como times de futebol e não por pilotos fora do Brasil. Não se espantem com a torcida alemã ter comemorado a batida do piloto alemão.

A Fórmula 1 está emocionante, com 6 carros brigando por vitória e em tese vive um grande campeonato. O que eles que organizam não entenderam ainda é que não nos importa exatamente que 10 carros possam ganhar. Basta que o piloto faça diferença e então teremos ídolos e portanto audiencia.

Esporte é movido a ídolo. O ser humano assiste esporte pela curiosidade e admiração em ver um outro humano fazer algo que em tese ele também pode e não conseguirá.  Ao tirar isso da F-1, tira-se também a nossa vontade de assistir.

Saudades do Alonso. Embora o Vettel seja também muito bom.

abs,
RicaPerrone

Relaxa, negão!

Caro Lewis Hamilton e demais membros da equipe Mercedes;

Como brasileiro, lamento. Como jornalista, faço cara de surpreso. Como conselho, lhes peço que relaxem.

Assalto aqui é normal. O alarde é porque é com vocês e a gente morre de vergonha de quando um gringo descobre a merda que vivemos todo santo dia. A dona Maria, que lava roupa pra fora, é assaltada toda hora por homens armados e ninguém se importa.

Negão, a gente se amarra em você. Por isso também ficamos incomodados com o assalto. Mas essa parada de “arma na cara” que vocês estão aterrorizados, numa boa, nem é pra tanto.  A gente tem aplicativo pra desviar de arrastão, irmão.  Deixa de ser Nutella.

O máximo que ele ia fazer é dar um tiro e mandar um pai de familia ingles pro cemitério. Nada além disso. Uma mãe inglesa ia chorar, umas crianças em Manchester, mas só. Não vamos fazer alarde a toa né?

Afinal, não sei se você sabe, mas esses caras tiveram uma infância fodida. E você, responsável por isso, devia entende-los e não desejar mal a quem te ameaça com uma arma.

Aproveito pra perguntar se vocês os ofenderam. Espero que tenham entregado tudo com educação e respeito, até porque eles não tem obrigação de ouvir desaforo de trabalhador honesto.

Negão, se liga. Não briga com os caras, não fala mal deles. Aqui agora é maneirão ser bandido, do caralho ser pedófilo, e cult desejar adota-los.

Eu sou parte dos ignorantes estúpidos que não pensa assim.  Não sou artista, não tenho essa capacidade ímpar de entender as questões sociais do bandido entre um baseado e outro.  Eu trabalho, não dá tempo.

Mas se liga! O importante é vocês estarem bem e, principalmente, eles também.

Sei que estão soltos e em casa. O que já nos alivia. Já pensou que tragédia se um de vocês dá um tiro e machuca um dos meninos de fuzil? Porra… não quero nem pensar.

Boa corrida pra vocês!  E cuidado na volta! Ouvi falar que vocês tem problemas com terrorismo lá …  Eu hein?

abs,
RicaPerrone

A hora certa

Nem tudo na vida tem uma hora certa pra acontecer, mas quase tudo tem um momento em que não pode ser.  E se tem algo que não pode acontecer nesta semana é avaliar Felipe Massa enquanto piloto de F-1.

Eu contesto muito o bom senso de quem usa um momento de ternura para discursar sua amargura.  Tenho enorme pé atrás quanto a pessoas que puxam os outros pra baixo para tentar se sentir no mesmo nível delas.

Uma vez, me lembro bem, briguei com um puxa saco da Globo.com enquanto Carlinhos Brown concorria ao Oscar. Ele debochava do cara  pelo twitter durante o evento que o consagraria. Eu contestei, disse que não era o momento, que não fazia sentido. Que quem era ele pra estar “debochando” de quem está ganhando um Oscar?  E assim acabou nossa relação.

É como ir num casamento e computar os ex da noiva durante a cerimonia. Não faz sentido, é constrangedor, tosco, pequeno.  E pessoas que nascem pra ser pequenas não tem cura. Mas as que ainda tem, podem reavaliar a semana de Felipe Massa.

Eu não vou dar uma linha de opinião sobre o que acho dele como piloto. Eu me recuso. Simplesmente porque este sujeito está encerrando um ciclo de mais de uma década, cheio de amigos, aplausos, cenas comoventes como a dos boxes em interlagos, abraçado a sua linda família e indo pra casa rico descansar.

Honestissimamente, é meu papel julga-lo como esportista durante sua carreira. E também meu papel como ser humano aplaudi-lo ao final dela. Naquele momento não avaliava-se Felipe Massa. Apenas nos despedíamos dele e permitiamos que um sujeito que guiou uma Ferrari na F-1 pudesse abraçar sua família e se emocionar.

É como Carol e Renato no gramado da Arena. Querer julgar, avaliar ou dimensionar aquilo não é ser crítico, mas sim ser um imbecil. Como quem tenta fazer chacota de um brasileiro que foi indicado ao Oscar no momento da entrega do prêmio?

Tem disso. A vida é feita de meia dúzia que fazem história, uma dúzia que a conta, e todo o resto que vaia ou aplaude, sem maiores funções.

Tenha você o papel que for, o faça com mais sentimentos e menos pragmatismo.  A vida faz sentido porque Felipe parou os boxes das equipes para abraça-lo, porque Carol e Renato se abraçaram em campo, e não porque você acha que “está na regra e tem que punir”.

A regra existe para sobrepor a falta de bom senso. Quando há bom senso, a regra é mera formalidade.

Parabéns, Felipe! Eu queria ter sido você naqueles 20 minutos após o abandono do GP Brasil.  Talvez não tenha conquistado títulos, mas uma família, o respeito e a amizade de todos os colegas e aplausos de um autodromo cheio devem ter um valor semelhante. Domingo você foi campeão.

abs,
RicaPerrone

F-1 2016 – Review

A versão 2015 me pareceu um “coloca correndo o que der”. A  2016 veio bem completa! O modo carreira, os níveis de ajuste e dificuldade, tal qual a qualidade na imagem.  O jogo é incrível e mesmo a F-1 não vivendo seu melhor momento, vale a pena comprar.

Nem preciso falar que tem todas as pistas, modo multiplayer, campeonato completo e tal. O que acho bacana falar:

  • Gráficos incríveis! Parece filme
  • Tela de jogo melhorou com mais informações ao piloto
  • Achei mais real o desgaste de pneus com a diferença que isso faz na pista
  • Sistema de largada novo, bem interessante
  • A diferença entre os carros é razoável. Não é tão real até porque teriam que atualizar toda semana. Mas daria hein?
  • Adorei escolher meu capacete na carreira
  • O processo de entrar numa corrida ou retomar a carreira ficaram mais rápidos

É o melhor jogo de F-1 já criado até hoje.

Joguei todos, desde o primeiro até o 2015. E me refiro a toda evolução desde o “Enduro”.  Cada um dentro das suas perspectivas da época, eu nunca vi algo tão completo e bem feito. Tão preenchedor de tudo que os fãs podem esperar de um game de F-1 quanto esse.

Dá pra se divertir rapidinho, levando horas, num modo bem difícil ou num intermediario. A quantidade de níveis de dificuldade deixou a coisa interessante. Você tem mais precisão pra acertar seu nível.  Eu ganhei corrida de Renault, fui mexendo, até brigar em décimo segundo.

A única coisa que não gosto muito é a data de lançamento. Acho que devia ser um game feito pra lançar em março, com a temporada. E updates corrida a corrida ajustando as performances.  Seria mais empolgante, talvez.

Mas eu não tenho medo algum em recomendar: Pode comprar! O jogo é incrível!

abs,
RicaPerrone

Não mexe em nada não…

Não me lembro se um dos meus avôs ou se meu pai que falou isso algumas vezes. Mas quando eu chegava numa casa organizadinha, tudo limpinho, a primeira coisa que ouvia era: “Não mexe em nada não…”.

Pra que o risco de estragar se está tudo certo? A F-1 não entendeu nada.  Viu heróis ganharem corridas de ponta a ponta, viu equipes disputarem campeonatos internos e nada disso fez dela uma categoria pior. Ao contrário, raros foram os anos onde o campeão tinha uma adversário de outra equipe com carro semelhante.

Também gostaria que fosse mais equilibrado. Mas esse equilibrio não precisa e nem pode ser forçado.

Foram tantas mudanças de 2000 pra cá que acho que a própria evolução da categoria foi prejudicada.  Um festival pra impedir as Mc Laren, outro pra impedir Schumacher, outro pra tentar parar as Brawn, depois as Red Bull, agora as Mercedes.  Nenhum efeito prático que não a descaracterização do que já era um sucesso.

Não vou mentir que acho a idéia do ibope cair no Brasil preocupante. Brasileiro não gosta de esporte, gosta de torcer. Com o que tem lá hoje não dá pra torcer muito, então, não assistem.

A idéia do treino não é ruim. Mas na prática foi.

As vezes todos os nossos discursos do que fazer não funcionam na prática. A diferença é que a F-1 tem como saber se funciona, nós não.

Agora eles sabem.  Mas vão criar uma fórmula e mante-la por anos? Não. Vão remediar a falta de disputa da Mercedes. E amanhã, quando a Ferrari passar, eles mudam de novo.

Até que morram abraçados num dos melhores produtos esportivos do mundo.

abs,
RicaPerrone