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Ninguém pára

O time do Flamengo está longe de ser um primor técnico. Esperava-se, porém, uma vitória diante do Goiás, mesmo que o jogo tenha sido “em casa” só pro borderô da cbf.

O Flamengo é um time acelerado por natureza. Note que todos os jogadores do time pegam a bola e saem correndo com ela.  Mugni, que era o sujeito a parar e pensar o jogo, também corre com a bola.

Elano, um meia que jamais foi o “camisa 10”, criador de lances geniais, não consegue sequência. Paulinho e Everton… correm com a bola.

Léo Moura quando avança, corre com ela. E nessa tentativa previsível de ser imprevisível individualizando toda jogada de ataque vai minando a confiança de todo elenco.

É natural. Ninguém erra 2 lances e vai com a mesma confiança buscar o terceiro. E toda bola que passa pela intermediária do Flamengo alguém tenta dar o “último passe”.

Não precisa.  Pode ser o primeiro de uma série. Talvez uma virada de jogo. Alguém disse pro time do Flamengo que bola no pé é pra tentar enfiar pra alguém na cara do gol ou ir driblando até lá. A maioria deles acreditou nisso.

Matheus não me parece o cara pra cadenciar este jogo. Adryan um dia pareceu que seria. Hoje, não vejo ninguém capaz de parar uma bola e ao invés de devolver pro adversário numa tentativa alucinante de que um passe de 3 dedos de 70 metros resolva o jogo, pense, recue e espere a hora certa.

Na mesma intensidade que se busca o gol se perde a bola. E quanto menos qualificado seu time, mais se perde a bola e menos se encontra o gol.

O Flamengo começa bem, erra, perde algumas chances e depois disso vai só piorando. É um roteiro simples.

Duro é imaginar algo muito diferente disso com as peças de criação disponíveis.

abs,
RicaPerrone

Quase lá! Quase…

E o Flamengo em crise, candidato a rebaixamento, dos técnicos demitidos e do “time meia boca” é quase finalista da Copa do Brasil.

Quem diria? Qualquer um, ué. Basta conhecer o Flamengo.

Mas por conhece-lo, diremos que “quase”.

Não é pelo futebol, pela camisa do Goiás, por nada disso. É pelo flamenguismo nato que tira forças de onde não tem e a economiza quando sobra.

Flamengo é Flamengo quando colocado em dúvida. E chegar a final não deixa de ser uma dúvida.

Perder pro Goiás em casa é tudo que o Flamengo não pode fazer. Por isso, é capaz que faça.

Não vai fazer. O que tá feito, tá feito. O Flamengo vai a final.

Mas…. Vai que….

Enfim.

Time que joga em casa a ida e a  volta tem considerável favoritismo.

Dizem que “deixou chegar… Fodeu”.

E deixaram.

Fodeu!

abs,
RicaPerrone

[ca_audio url_mp3=”https://ricaperrone.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Som-do-Grilo-ORIGINAL.mp3″ url_ogg=”” width=”20″ height=”10″ autoplay=”true” skin=”regular” align=”none”]

– Homenagem ao Grilo comentarista cruelmente assassinado hoje no Serra Dourado. 

Enfim, tudo normal

Andei assustado. Há alguns dias ouço pessoas dizendo na mídia que o Goiás é favorito, o Vasco zebra.

Que seria uma surpresa o Vasco, com reservas ou titulares, passar de fase. Custei a acreditar no que lia, pois eu não imagino a manchete: “Vasco surpreende e bate Goiás no Maracanã”  nem no mais delirante sonho.  Ou pesadelo, sei lá.

O Vasco, em casa, com seus mais de 35 mil torcedores não será zebra ou surpresa diante do Goiás nem se colocar 11 cones de rodinhas no gramado. E isso não sou eu quem está dizendo, mas sim os últimos relevantes 100 anos do futebol.

Há mais que uma fase, campanhas e jogadores em uma partida de futebol. Cada clube carrega o peso que acumulou durante sua trajetória. E com todo respeito ao Goiás, que passou de fase e faz ótimo ano de 2013, ele não pode ser favorito contra o Vasco nem no playstation, imagine no Maracanã.

E após a bola rolar, o garotão fazer 2, o Vasco deixar claro quem era quem e ser prejudicado pelo arbitro num gol legal, passou o Goiás.

Mas não importa. Até acho normal, um mata-mata é legal porque deixa a surpresa muito mais fácil.  E aí sim, surpreendentemente, o Vasco foi eliminado pelo Goiás.

Acho que do Maracanã desta noite tiramos Thalles, honra, fé e um último olhar de paixão antes de uma grande crise na relação. Torcida e Vasco se viram do mesmo lado e, juntos, entenderam ser mais fortes.

Eram reservas em várias posições. Mas não importa. Repito: Podem ser cones. Ainda será o Vasco.

Dá pra escapar. Com vocês, ainda mais fácil. Sem vocês, quase impossível.

O Vasco tem 3 jogos decisivos pela frente. Dois em casa.

E você, vascaíno? Vai jogar ou vai pipocar?

abs,
RicaPerrone

Walter e as lendas

walterflaDiz a lenda que o futebol não permite mais que jogadores pesados, velhos ou que não suportem correr 90 minutos feito malucos de um lado pra outro, tenham espaço.

Diz outra lenda que o futebol brasileiro é mais técnico que o europeu, e por isso os veteranos vão mais longe aqui.

Diz também uma lenda local que o nível é tão baixo que até um gordo joga bola no campeonato brasileiro.

A verdade é que a diferença de jogo é brutal, especialmente na parte técnica. Enquanto o europeu se preocupa demais com todos os fundamentos e por isso “erra pouco”, o brasileiro ainda busca aquele lance decisivo através da técnica e por isso “erra muito”.

São estilos. Pouco compreendidos pela onda de puxar saco gringo, é claro. Mas são estilos.

O Alecsandro, se europeu, tocaria de lado e tentaria se posicionar pra cabecear. Aqui, ele tem o “direito” de tentar e as vezes fazer um golaço de bicicleta.

Deveria tentar mais do quer fazer o prático? Não sei.

Mas funciona assim.

Outro dia um renomado treinador me dizia em off que a diferença é simples. O jogador brasileiro tenta toda vez que pega na bola uma jogada que decida o jogo. Mesmo os que não sabem decidir.

Walter, Seedorf, Alex, Juninho.  O que eles nos ensinam?

Acho prático tirar como conclusão disso que “o nível é baixo” ou que “os caras são genios”.

Na real pode haver algo mais pra se notar. Em um futebol mais lento e cadenciado, há possibilidade da técnica ser mais importante ainda que o físico, desde que a técnica seja muito alta, é claro.

Porque Djalminha não está jogando, por exemplo?

Walter não é um gordo de sorte. É um garoto que foi considerado pelo Inter sua maior jóia por anos e anos, titular da 9 nas seleções de base do Brasil e vendido para o Porto.

Lá, se deu mal. Mas fez seus gols.

Os problemas com peso vieram e no Cruzeiro, emprestado, quase nem jogou. Até que o Goiás acreditou e o colocou mesmo acima do peso. Walter não é um atleta profissional, mas é craque.

E craque é craque.

Talvez não lá, mas aqui, onde a tentativa de um lance resolver tudo ainda é maior do que a paciência de tentar o “comum”, ele é notável.

Se emagrecer, é claro que temos uma jóia nas mãos. Mas fatalmente já devem ter notado que o problema do garoto é mais do que “preguiça”. Nem internado num clube ele perdeu peso.

Gordinho, seria destaque pela cena as vezes meio ridícula. Mas não. Consegue ser destaque por fazer a bola rolar, não por correr igual um maluco atrás dela.

Walter não mostra o fim dos tempos no Brasil, nem que o Goiás será campeão do mundo, menos ainda que viramos amadores.

Mostra que quem tem que correr muito ainda é a bola. Não o craque.

Mas só sabe fazer isso quem é craque. Não atleta.

abs,
RicaPerrone

Tudo igual

Tirei o dia pra ver futebol. Da partida da seleção ao jogo do Grêmio, último que terminou, vi quase a mesma coisa. Mudaram as cores, os estádios, mas a cara de amistoso era a mesma.

Eu odeio pontos corridos. Você já sabe. E se não sabia, acostume-se. Bato nessa tecla o tempo todo.

Tenho a nítida impressão de ver dois times entrando em campo em busca de “algo que se não rolar depois ajeitamos” até a rodada 25. Quando então resolvem jogar porque não tem mais jeito e fica claro o que está em jogo pra cada um.

Os bons jogos do Brasileirão até lá são quase sempre os de casa cheia com algum apelo extra-tabela. Estréia de alguém, promoção de torcida, clássico, enfim.

O Santos e o Vasco pareciam rezar pro jogo acabar. Flamengo e Goiás disputaram, mas é uma coisa tão “sem fim”, perdida em meio a 38 jogos, não sei explicar.

Vem aí a Copa do Brasil e os mesmos times que ontem e hoje achamos mediocres jogarão grandes partidas. É óbvio, pois serão cobrados por um objetivo a curto/médio prazo na cara deles.

Se cultural, técnico ou mental, tanto faz. Sei que no Brasil time joga bola quando precisa ou quando tem casa cheia.

Se os ingressos quase proíbem casa cheia, esperamos os jogos que decidam. E estes, só daqui umas 15 rodadas.

Nossa quarta-feira vai virar domingo, e vice-versa.

O dia do futebol, com a Copa do Brasil e a Libertadores, é quarta-feira.

Domingo, cumprimos tabela.

abs,
RicaPerrone