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Essa tal liberdade

Queria ser o Alexandre Pires pra não saber o que fazer com essa tal liberdade. Mas não sou. Sou um alvo fácil, um cara sem emissora e que jamais será defendido pelos colegas por obviedade, embora contrário ao discurso deles.

Foram 4 contas banidas do instagram onde ganhei todos os processos na justiça mostrando terem sido injustas. Nunca me devolveram nenhuma e parece que a lei do Brasil não se importa em ser ignorada.

Eu nunca escrevi uma fake news, nunca respondi um processo na vida pelo meus 25 anos de trabalho. Jamais eu cometi alguma covardia, usei do meu espaço conquistado para mentir sobre alguém ou apoiar algo errado.

Os rótulos que me dão vem da imprensa, que não por acaso odeia ter em mim um critico com argumentos. Precisamos cala-lo pois discutir com ele nos deixa em situação ruim. Caso não fosse verdade o que digo, colecionaria processos.

Agora o Youtube, onde nunca tive problemas, me suspende por 7 dias porque eu… anunciei uma casa de apostas????

Calma aí, Youtube, meu querido, como assim? Quem não anuncia casa de apostas em vossa plataforma?

O Rica não pode. Os outros milhares, podem. Ele vai ser punido e em mais 2 punições, banido, conforme dito no aviso que recebi.

Contestei, e a resposta foi essa bizarrice acima. Não pode link? Então vamos banir todos os canais de esporte ué? Inclusive dos clubes. Aliás, proibam que falem do Brasileirão, porque é Brasileirão Betano.

Tem dois clubes na série A com o mesmo patrocinador que o meu. Eu tenho 2 mil videos fazendo a mesma coisa e nunca aconteceu nada, simplesmente porque fiz apenas o que todos fazem e que fica implicito estar dentro das regras.

Seguimos o baile. Processos ganhos, multas aliviadas pela justiça, outras menores pagas, todas esperando que os réus cumpram suas punições e misteriosamente nada acontece.

Talvez eu devesse ser um desses personagens que gritam, esperneiam e podem continuar.

Vocês tem idéia do quanto eu teria no instagram hoje se ha 4 anos eu fui excluido com 700 mil seguidores ANTES do Cara a Tapa explodir? Ou seja, seriam 2, 3, 4 milhões. E 4 anos de 3 milhões de seguidores são alguns milhões de reais perdidos.

Mas que se dane. O Rica é democrático, abre espaço pra todos, ouve todos, não inventa fake news, não apoia nada radical, mas faz piada as vezes com gordo. Então, cadeia!

Acho que minha vida teria sido mais fácil se eu tivesse feito parte de algum esquema de corrupção e estivesse lá num cargo público mamando nas tetas do seu imposto. Porque esses podem tudo. Quem tenta fazer o certo, paga.

E você pode me odiar. Mas você pode ser o próximo e vai lembrar que faz 4 anos que estou dizendo que algo está acontecendo.

Segue assistindo.

RicaPerrone

Você precisa entender isso pra não enlouquecer

O que é uma rede social? Um ambiente virtual onde pessoas interagem entre si sentadas na sua sala de casa. Ostentam, buscam atenção, divulgam trabalho, reencontram amigos, se informam, mas especialmente, encontram nichos.

Se você é fã do Sorriso Maroto e vota no Lula, a rede vai identificar isso e te dar insistentemente dois conteúdos:

1 – Elogios ao Lula e ao Sorriso Maroto pra sua satisfação em estar ali

2- Críticas a ambos pra você reagir a elas e passar horas interagindo naquele post

A lógica é a seguinte: Você não vai ao supermercado, faz sua compra e volta pra casa postando “Tudo normal hoje no carrefour”. Mas se te venderem um presunto vencido você corre na rede social pra dizer “que o carrefour é uma vergonha e você nunca mais pisa lá”.

Porque? Porque o ímpeto do registro é sempre negativo. Ninguém noticia “tá tudo bem”. E você não posta que “nada de errado aconteceu”. Seu ímpeto é discordar, falar quando incomodado ou afrontado. A rede social vive disso.

Te joga numa bolha onde você passa 90% do tempo vendo o que concorda e te agrada. Sua percepção de outros pontos de vista desaparece, e então você fica mais radical e menos bem informado.

Quando você atinge esse nível ela te dá um contraponto. E nesse contraponto você agride, reage, interage e gera um problema pra você, uma polêmica vazia pra terceiros e muito clique pra rede social.

Ela vende publicidade. Você triplica a publicidade dela quando discorda de algo. Quando gosta, só deixa um like e segue o dia.

Enquanto você se impressionar com reações negativas em rede social você vai se torturar por uma mentira. Num post de 2 milhões de views existem 10 mil comentários, 800 mil likes. Entre os 10 mil comentários existem 200 contra você.

A idéia que você tem ao olhar aquilo é de rejeição. Mas note, são 2 milhões das quais apenas 10 mil tiveram necessidade de comentar. Significa que apenas 0,5% das pessoas quiseram reagir ao que você disse além de um “like”, que é a reação positiva de 800 mil pessoas, portanto, 40%.

Os primeiros posts que vão aparecer são contrários a você. Porque o algoritimo quer o debate, e pra isso você diz “foi penalti” e obviamente quem acha penalti dá like no seu post. Quem não acha dá no primeiro comentário que discorda. E então dos 10 mil comentários os 50 primeiros estão contra você.

Impressão errada. 99% das pessoas que foram atingidas ou não se importaram ou reagiram positivamente. A clara imagem que você tem ao olhar pro post é de rejeição.

O “Dilema das redes” do Nextflix explica isso com clareza. Mas nem todos conseguem ter essa percepção estatística proporcional. Seus olhos são atraidos pela ofensa. Pela crítica. Quando na verdade você está olhando uma multidão te aplaudindo e se importando com 5 pessoas que estão vaiando.

Você responde. Gera polêmica, vira notícia, cria debate, a rede social ganha mais dinheiro e você perde sua saúde.

É um ciclo infininito. Te dou tudo que você quer ver, e você dá like e fica na tela. Quando você está diminuindo eu te dou um soco com o que você não suporta ver, e você fica, reage, multiplica seu engajamento.

É uma leitura simples. Passei os últimos anos rindo de campanhas publicitárias polêmicas com esse perfil. 3 milhões de views, 1 milhão de likes, 20 mil comentários, 500 negativos, e a percepção midiática de que aquilo “ofendeu” a maioria.

Mentira.

Aprenda a entender o porque das reações, a estatística delas e então você vai notar que além da internet ser um grande meio de unir pessoas em torno de uma idéia e fazer com que elas briguem em bando contra quem discorda, é também uma forma de te fazer imaginar que você precisa reagir, pois estão te atacando em massa.

A rua te explica o oposto todo santo dia. Os mais agredidos da web não podem sair nas ruas que as pessoas os abraçam. Os maiores atiradores de pedra mal saem de casa, porque sabem que não estão “seguros” fora do seu bondinho virtual.

Se você puder, saia das redes sociais. Se não puder, como eu, entenda-as. Antes que elas destruam seu psicologico por um trocadinho a mais.

RicaPerrone

Um encontro “real”


Encontrei um amigo ontem na praia. Não nos vamos há meses, sequer conversávamos. Mas foi uma experiência incrível.

-” Como você tá irmão?”, perguntei.
– Não como você que tá em angra direto né!
– Que isso. Só um descanso.
– Mas porra, teu cachorro morreu né cara? Que merda.
– Morreu. Foda.
– O veterinário dele cuidou do cachorro da minha prima. Mundo pequeno né?
– Poxa, que maneiro.
– E a peladinha de segunda?
– Nem to indo, to meio machucado.
– Ah mas tá malhando todo dia pô. To gostando de ver.
– Pois é, tem que se cuidar né?
– Chegou nos 40 né irmão? Alias, festão hein? Curti!
– Porque tu não foi, viado?
– Eu não sabia que ia ter tanta gente famosa. Se não eu tinha ido porra!
– Oi?
– Porra, tirou onda postando com “famoso y”, “famoso H”, só fera!
– Entendi…
– Mas aí, tem visto o fulano?
– Não. Só em rede social mesmo. E você?
– Nada. Mas o cara tá rico né. Tu viu as viagens? A loira que ele tá comendo? E o carro? Se fudê! O cara tá voando.
– Sério? Mas o que ele faz?
– Sei lá. Mas ta rico pra caralho.
– Que bom.
– Cara, vou te deixar ir porque sei que hoje é quarta e tu tem jogo pra fazer né?
– É, vou ver uns jogos hoje…
– Demoro! Irmão, posta mais cara! Tem muito texto e pouca coisa sua. Quero saber mais de você.
– Valeu. Mas me liga. A gente toma uma.
– Demoro! Te mando direct! Vamos tirar aquela fotinho?
– Vamos. Tira aí.
– “Ae galera… Rica Perrone na área! Melhor blogueiro do Brasil! Esse é irmão!”.
– Postou?
– Claro!
– Valeu craque.
– Aê! Tem como me chamar quando tiver na resenha lá com o “famoso x”?
– … Pra que?
– Tira foto com ele e tal. Porra, dá pra comer muita gente só de postar essas resenhas. Fala aí!
– Eu não acho que alguém me dê por isso, mas ok! Eu te chamo quando der.
– Valeu! Tamo junto! Me marca hein?
– Podeixa.

Não vou marcar, é claro. Mas vocês percebem onde fomos parar?

E não, ele não é um idiota. Ele só está vivendo como nós. Sem saudades, porque acha que me viu mesmo que por foto. Sem assunto, porque sabe tudo da minha vida, e eu sem o que contar, porque já postei.

Que bosta.

RicaPerrone

“Espera aí, vó!”

Era 23h59 minutos quando olhei em volta e vi um mar de celulares apontados pro horizonte.  Via também famílias, amigos, pessoas que pagaram uma nota para estarem lá, pela roupa que usavam e especialmente pelo celular que carregavam.

A primeira coisa do ano é registrar pros outros o que eu “vivi” com os meus.

E quando a contagem regressiva começa os celulares nas mãos aumentam ao invés de diminuir esperand0 o abraço.

Quatro, três, dois, um….

“Genteeee! Olha que lindo!”
“Feliz ano novo, Brasil!”

Brasil? E a sua mãe? Seu amigo?

Ah, também estavam filmando o céu ao invés de te abraçar. E então restou aquela senhora com seus 70 anos, sem nenhuma certeza de passar outro ano novo com os seus olhando para lá e pra cá esperando um abraço e, pasmem, recebendo filmagens dos amigos e parentes “olha a vovó!!!”, e ela de braços abertos constrangida sem recebe-lo.

Aos poucos os 15 segundos dos stories acabaram e os abraços começaram junto das selfies.  O que se dizia no ouvido de alguém a meia noite virou público. Falamos abraçados olhando pra camera.

Não sei se o que ouvi era pra mim mesmo ou pra mostrar. Que pena. No meu ouvido há alguns anos era certeza que era só pra mim e que era real.

Feliz ano novo, Brasil! Pra senhora especialmente, vó.  Não a minha, que se foi. Mas essa que em breve irá e que teve seu ano novo atrasado em alguns segundos porque as pessoas precisavam mostrar pros outros que estavam se divertindo antes de dizer a ela o quanto a amavam.

RicaPerrone

Precisamos falar sobre o Instagram

Ele não tem culpa. Aliás, é extremamente competente na arte de nos jogar na cara o que negamos por um século: “sim, a opinião alheia importa. E pra caralho!”.

“Mas eu não posto pros outros…”, não fode. Então bota no mural de casa a foto.

O entendimento de que ali é uma ferramenta para se contar vitórias é que nos falta.  Ninguém posta boleto, foto com dor de barriga no banheiro, nem o risoto queimado.

Ninguém posta foto dividindo conta no restaurante. Não se escreve na legenda: “esse famoso nem me conhece mas eu pedi a foto ele nem me olhou e tirou, e eu to aqui fingindo que somos parça”.

A vida que queremos mostrar não é a vida que temos. É a vida que eu quero que você saiba. Por ego, vaidade, ostentação, mera estratégia de marketing pessoal. Tanto faz. Eu nunca postei o quanto tenho de parcelas pra pagar do carro ainda. Nem vou.

O problema é quando as pessoas começam a se sentir inferiores por não ter a vida que eles assistem no Instagram.  Mesmo sabendo que ela não é real.

E então vem surgindo uma geração de pessoas malucas por um objetivo impossível, que é a vida perfeita.  Se em 30 segundos a Doriana enganou o Brasil com aquela família de lençóis brancos, imagina o que acontece na cabeça das pessoas vendo isso a cada 30 segundos, não mais por 30 segundos.

É mentira. É quase tudo mentira.

Sua foto é a sua melhor foto. Aquela que deu certo no angulo, a luz, o tapinha no photoshop. E por mais que a gente queira dar uma de diferentão e dizer que “nem se importa”,  o fato de estarmos na rede social implica em nos importarmos.

Gente, eu preciso dizer pra vocês algumas duras verdades.

Atriz gostosa tem diarréia. Maridos de terno fofos que postam a semana toda quanto amam a mulher, também traem.  Ator galã fica sem contrato e mantém a pose pegando até o último centavo de empréstimo no banco pra pagar o aluguel.

Dirigente torce contra o time pela força política e lá ta de camisa “juntão” com a massa que tá chateada pela crise.

Aquele jantar caro é permuta. As roupas que você não pode pagar são merchan.  E existe um aplicativo que clareia os dentes nas fotos.

Cachorro vomitando na sala ninguém posta.  Mas eles vomitam no sofá.

Ontem desejaram o corpo de uma menina que tem cancer no estomago. E pessoas chegando a dizer que “preferem ter a doença se for pra ter aquela barriguinha”.

Caras, é quase tudo mentira. Se espelhe no seu pai, no seu avô, não no seu youtuber favorito.  Até porque você jamais saberá de fato quem é o seu youtuber favorito.

E se souber… deixa pra lá.

abs,
RicaPerrone

Seja gostosa

Bunda durinha, coxa de quero-quero, barriga negativa, zero carbo, saúde perfeita e o instagram bombando. Parece que encontramos a tal receita da felicidade tão buscada há séculos, não?

Não.

Encontramos a receita de como parecer felizes. Ninguém é feliz sendo refém do corpo, do estética, do que vão falar da sua bunda. Não é possível que em 2017 a celulite seja mais prejudicial a uma mulher do que o seu caráter. E também não posso acreditar que realmente existam pessoas dispostas a malhar de segunda a sábado para não poder comer uma pizza no domingo.

Meu bem, tu não tá gostosa. Tá chata.

Gostosa é a mulher que sorri, toma cerveja se quiser, malha pra ficar legal e pra poder comer pizza na sexta.  Gostosas tem celulite. Gostosas tem pequenas imperfeições e ficam muito mais felizes com o nosso desejo ao vivo do que likes na internet.

Mulheres gostosas sorriem quando você leva um doce pra elas que elas “não podem comer”, e comem. As mais deliciosas mulheres do mundo acham que “estão enormes”.

Gostamos de vocês de biquini na praia fazendo pose de ladinho. Mas adoramos vocês de cabelo molhado, só de camiseta, sem nenhuma maquiagem ou pose saindo do banho.

Não, nós não temos a capacidade de ver estrias. É uma linha na pele que só vocês, mulheres, conseguem enxergar. Aliás, toda mulher que não tem nenhum defeito no corpo causa estranheza. Que diabos tu faz da vida pra ser tão perfeita?  Que horas você trabalha?

Gostamos de marquinha de biquini. Muito. Mas não deixe-as muito pequenas, porque nos tira o delicioso fator da descoberta.

Parem de achar que é “machismo” dizermos como gostamos de vocês.  É um pedido informal para que nos ouçam, tal qual as centenas de brincadeiras que ouvimos sobre a cerveja, a barriga, as datas, etc. No fundo, sabemos, é um “toque”.

Me conte o que você fez hoje, quem você conheceu, o que você descobriu. Não exatamente o que comeu, quanto correu e quanto mediu.

Eu não ligo pro seu percentual de gordura. Ficaria feliz se existisse um medidor semelhante para “conteúdo”, “leveza”, “bom humor”.

Muitos de nós, homens, também já estão nessa de viver em função da aparência sob o argumento da saúde.  Saúde é uma coisa, buscar a perfeição para cliques é outra. Nunca um prato de arroz, feijão e bife matará alguém. As pessoas mais felizes que conheço esperam a sobremesa com a mesma ansiedade que você espera seu endocrinologista.

O que nos mantém saudáveis é a felicidade, não os gominhos na barriga.

Ser igual a todo mundo não é sinal de personalidade, auto estima ou saúde. Ninguém tem muito apreço por um biscoito num pacote com 20 iguais a ele. Mas por uma boa fatia de torta de chocolate… quem sabe?

Tá chato. Exagerado. Não tira foto não, meu bem! Segura minha mão.  Assiste o filme comigo, come pipoca, suja essa mão e dá risada.  Pede sobremesa. Ri alto. Bebe um pouquinho comigo.  Ganha 1 kilo no fim de semana, você terá 5 dias pra perde-lo.

Não fale em dieta no jantar.  Não me culpe por te desejar assim, “tão gorda”.  Manda nudes, não seu cardápio da dieta. Não faz textão.

Pô, mozão… confia em mim. A gente não liga tanto assim.

abs,
RicaPerrone

Redes sociais

Fulano diz em sua rede social que amarelo é melhor que azul. Dos seus 1 milhão de seguidores, 4 mil curtem, outros 200 comentam.

Dos comentários todos o primeiro deles será, por força do sistema do facebook, um que faça uma piada contra, que discorde radicalmente ou que menospreze o autor/marca.

Porque?

Porque o mecanismo do Face é para gerar discussão. E você gera discussão colocando a rejeição imediatamente após o post. Assim, se você for no site da FIAT, terá um comentário muito curtido dizendo que “Carro de merda”. Se você for a fan page do PT, o comentário inicial mais curtido será detonando o partido. E assim por diante.

O que significa, em números simples, que as redes sociais promovem o conflito para gerar mais page views. E que, por consequência, causam uma sensação equivocada de “maioria”.

Exemplo: Em pesquisa recente, entre as 3 celebridades de maior aceitação popular no país estava Luciano Hulk. Não a toa ele é um dos mais fortes garotos propagandas do país.

Basta 2 horas no facebook para você jurar que Luciano é um sujeito odiado pelo povo brasileiro.

Toda atriz muito gostosa tem seguidores. E quando ela posta uma foto de biquini, haverá uma paulada de gente curtindo e uma gorda recalcada pra dizer no instagram do namorado: “Já foi melhor. Tá magra e pelancuda”.

A capa do site será: “Fulana posta foto e recebe criticas”.

Tal qual a campanha do Boticário. Você conhece alguma pessoa que te disse que ia boicotar a marca?

Não, não conhece.

Você ouviu falar que haveria um movimento pra isso. E então, repudiou. Mas se você abrir as redes sociais e tentar enxergar o que de fato aconteceu verá 200 postagens de apoio a marca e nenhuma pregando o suposto boicote.

Conclusão: Meia dúzia de pessoas falaram o que não deviam e 40 milhões discutiram com elas por uma semana. Todas elas sem resposta, porque simplesmente essas pessoas não estavam ali. Talvez nem existam.

O Boticário fez o maior marketing de sua história através de uma “possível” rebeldia de uma dúzia de pessoas contra uma campanha de causa popular. Pronto. Tá feito.

O ibope diz que a maioria das pessoas assistem e preferem os programas de tv que as redes sociais dizem ser horríveis. Os que as redes sociais tratam como febre não dão tanta audiência assim.

Porque?

Porque toda pessoa que assiste, por exemplo, Futebol Americano tem um twitter. O que não significa que isso esteja gerando uma grande audiência à TV.

Resultado na rede social é diferente de resultado em tv, rádio, até mesmo na web! Veja você: Minha fan page é enorme. E os page views do blog dizem que cada um dos meus “seguidores” entram lá 5 vezes por mes.

Eu vendo por 10 vezes o valor de um merchan na rede social um merchan no blog.

Adivinha porque?

Porque as redes sociais não retratam “o povo”, sequer uma boa parte dele. Retratam pessoas sedentas por ter onde expor sua opinião, causa ou recalque.

Ninguém corre pro twitter pra dizer que adorou o último quadro do CQC. Mas corre pra xingar cada integrante do programa se discordar dele.

O preocupante não é como funciona mas sim a leitura que pessoas e mídia fazem. Basta eu entrar no perfil da Paolla Oliveira e dizer: “Engordou” e sou capa da Globo.

As redes sociais são muito bacanas, úteis e importantes. Mas estão muito longe de representar a opinião popular sobre qualquer assunto.

A verdade ainda está na rua. Mesmo que tirando fotos para postar numa rede social qualquer.

abs,
RicaPerrone