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Jefferson: Seu maior título foi não conquista-los

Hoje o ídolo do Botafogo se despediu de sua gente. Talvez lhe pareça curioso um ídolo de tantos anos e que carregue esse rótulo sem tantas taças para se equivaler a seu talento.

Mas é fácil.

O Botafogo é um time pra quem aguenta sofrer. O mérito em ser botafoguense é exatamente não atrelar sua paixão a condição do time. E Jefferson representa isso pra eles.

Nenhum torcedor do Botafogo sai discutindo futebol ostentando os títulos recentes. Eles não aconteceram. Mas ostenta exatamente ter estado ali o tempo todo mesmo sem isso.

Jefferson é o goleiro de seleção que ficou no Botafogo, que jogou a série B, que disse não a propostas de rivais do Rio por considerar sua história ali.

Título? Ele queria. Claro que queria. Mas há título maior do que representar sua gente?

Talvez sim. Pra ele, não. E pra um torcedor que não atrela sua paixão a taças, Jefferson foi sua representação fiel.

Um goleiro que não tem os títulos que os outros de seu nível tem. Mas que teve e terá pra sempre um título que escolheu pra carregar: “Idolo do Botafogo”.

Esse título você não conquista em 38 jogos.

RicaPerrone

Dunga e o grupo

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Dunga é gaúcho, um sujeito duro, firme em suas convicções e gostem dele ou não, sua filosofia é essa. Se querem mudar o conceito, mudem o treinador, não tentem mudar o Dunga.

Dentro de suas certezas está e sempre esteve o grupo. Dunga não convoca jogadores que podem causar desconforto ao vestiário porque ele acredita que isso seja enorme parte do sucesso.

A lista é bem coerente com as anteriores. As polêmicas são também previsíveis.

Marcelo: Tá machucado.

Thiago Silva: Não satisfeito em jogar bola pra cacete, não consegue ficar 2 semanas sem dar uma entrevista que o coloque em situação desconfortável com o grupo da seleção.  Ele se boicota. Eu também não chamaria até que ele parasse de expor o grupo da seleção da forma que tem feito.  Acho o melhor zagueiro do mundo, mas…  Ele não pode contestar a tarja de capitão de um grupo pra imprensa e não internamente, por exemplo.

Jefferson:  Apesar de um grande goleiro e incontestável no que faz, Jefferson também tem personalidade forte e não é um cara tão fácil assim de lidar. Ele não é unanime nem no grupo do Botafogo como todo capitão de personalidade não é.  Logo, não é um absurdo imaginar que ele tenha feito algo que gerou um desgaste de relacionamento. Sua não convocação não é técnica.

As pessoas que acham que “não ser unanime” significa ser odiado pelo grupo precisam aprender a ler. Não ser unanime é não ser 100% bem aceito por todos.  O que a maioria das pessoas com um pingo de personalidade não são.  Pra se ter idéia, no meu programa “Cara a Tapa” eu editei a pedido do entrevistado uma nota “2” pro Jefferson.  O que não me faz achar nada sobre ele, mas apenas constatar que é um sujeito de posição firme e que isso pode cair bem ou mal. Acho sua não convocação resultado dele ter reclamado da sua saida do time titular na mídia.

Mas só acho.

Jonas: Não acompanho campeonato portugues. Não posso opinar! #SomosTodosGloriaPires

Kaká: Não entendo bem a convocação dele. Deve ser o mesmo critério de Thiago e Jefferson: o grupo.  Bola ele não joga pra isso há algum tempo, embora tenha tido um bom momento no SPFC antes de ir pro Orlando City, onde perde-se a referencia.

Hulk: Está jogando muito.  Mas é o Hulk, logo, no primeiro gol perdido, levará toda a porrada sozinho.  É uma convocação ousada.

R. Oliveira: Esse tem que ir se estiver num momento muito especial. Pela idade e falta de perspectiva, só se for fundamental. Hoje, não é. Mas tem outro?

abs,
RicaPerrone

 

Os teus ídolos são tantos…

Canta orgulhosa a torcida do Fogão que tem no coração uma estrela cheia de história e grandes ídolos. Cada clube se vangloria de uma característica em especial, e o Botafogo é um dos que mais fala em “ídolos”.

Não a toa, “teus ídolos são tantos”, Didi, Garrincha, Nilton Santos. Tulio, Zagallo, Heleno, Caju. Jairzinho, Amarildo e Quarentinha.

Citei 10. Talvez os 10 mais notáveis nomes da história do clube. Pra um time, falta um.

O número 1. O goleiro. O cara que ao contrário da vocação dos notáveis evita o tento.

Acredito em “amor ao clube”, até mesmo quando ele fica em segundo plano. Jefferson teve diversas oportunidades pra sair do Botafogo e jogar num clube que lhe permita ganhar os títulos que o goleiro titular da seleção brasileira merece.

Mas não. Ele ficou mais uma vez. E me diga que foi por qualquer motivo, menos por dinheiro, afinal, ficou onde sequer andam lhe pagando.

Trocando o protagonismo de quem hoje disputa grandes títulos por ser a estrela solitária de um Botafogo que agoniza em busca de dias melhores. De um clube sufocado pelos recentes fracassos, cansado pela insistência nos erros mas ainda gigante por vocação.

Jefferson é hoje, mais do que nunca, a estrela solitária do Botafogo. Sob todo e qualquer aspecto que você queira interpretar.

abs,
RicaPerrone

Um grande jogo

Um grande jogo de futebol não tem necessariamente muitos gols, nem um equilíbrio técnico que nos leve a dúvida do favorito.  Tem um roteiro previamente determinado capaz de ser jogado no lixo num simples lance.

Quando este lance não muda o roteiro, porém, é ainda mais difícil esperar um grande jogo. Os dois sabem o que esperar, não serão surpreendidos e portanto dificilmente farão algo especial.

Mas é especial um time que não recebe salário há 5 meses conseguir parar o líder do Brasileirão.  Como é absolutamente gratificante assistir o futebol jogado pelo Cruzeiro mesmo num dia não tão inspirado.

Era previsível a tentativa de contra-atacar do Fogão e de pressionar do Cruzeiro. Um palpite fácil até.

A bola teimosa que não quis entrar no gol de Jefferson entrou fácil pro gol de Edílson, onde dizem que um escorregão é falha.  Eu não entendo assim, já que um escorregão num campo molhado é imponderável, não uma falta de qualidade do goleiro.

Era o Botafogo tentando transformar suor em pontos e o Cruzeiro fazendo o mesmo via futebol bem jogado.  Tem dos dois, por mais que um mereça mais que outro.

O que importa?

As vezes é tão digno e merecedor o esforço de quem nem tem motivos pra estar ali do que o ótimo futebol de quem faz o ingresso valer a pena.

O Cruzeiro merecia vencer. Até deveria.

Mas o Botafogo não podia perder.  Hoje não.

É óbvio que amanhã o Cruzeiro volta a vencer, e bem.  Só não é mais tão óbvio que o Botafogo volte a perder, e muito mal.

abs,
RicaPerrone

O melhor goleiro do Brasil

A pesquisa foi longa e divertida. Mais de 80 mil votos foram decidindo “duelo a duelo” o melhor goleiro do Brasil.  A pesquisa ia bem, equilibrada com votos de toda parte e sem picos, até que a torcida do Cruzeiro resolveu que Fábio seria melhor que Victor custe o que custar.

Fizeram então uma mobilização virtual para que votassem em seu goleiro, partindo de comunidades no orkut, facebook e twitter, conseguindo uma vantagem enorme desde o principio em todas as votações.

Assim, mobilizados pela causa, não teve pra ninguém e o goleirão do Cruzeiro faturou com facilidade a enquete de melhor goleiro do Brasil.

O que pra qualquer um é um registro simples e comprovado de uma distorção na opinião popular em virtude de uma campanha, para alguns deles pareceu “ofensa”.

Mas não é. Fábio foi eleito dentro da enquete com as regras colocadas no começo. Só registrei para o espanto de todos os não cruzeirenses que estes números sairam de picos de acesso orquestrados por lideres de torcida em redes sociais e comunidades de torcedores do Cruzeiro.

Nenhum problema com isso. Apenas uma explicação aos que não entenderam o resultado e muito menos a facilidade com que as vitórias aconteceram.

Parabéns ao Fábio, a torcida do Cruzeiro e ao Julio Cesar, ao Jefferson e a o Victor pela convocação pra seleção.

abs,

RicaPerrone