Jorge

Até filme de terror tem final feliz

Era impossível. Mas aconteceu. E como em diversas vezes na história do futebol o inacreditável nos fez relembrar porque amamos tanto esse negócio.

O Vasco fez tudo pra ter uma das piores noites da sua vida. E por 90 minutos até teve. Era um misto de impotência com constrangimento, levando o pequeno Jorge a um patamar de Vasco e vice-versa.

Quando vieram os pênaltis a tendência era piorar. Times brasileiros tem dificuldade em bater no gol na altitude. Ela sobe demais. E não é que o Vasco conseguiu impedir uma história fabulosa que sua própria incompetência havia rascunhado?

São Martin.

É óbvio que há nisso um mérito absurdo nos bolivianos. Mas é impossível não notar a partida sonolenta, ridícula e os gols quase de pelada que o Vasco sofreu.

Era pra ser uma noite histórica. Mas até nisso a bola tem seus preferidos.

O Vasco consegue sair quase herói de um fiasco. E se obviamente preocupa o que foi apresentado, empolga a caminhada até aqui. Dos 4 jogos, fez 3 viraram baile. Um virou história.

Mas história dele, não do Jorge.

abs,
RicaPerrone

Vendas e vendas

Veja a diferença entre vender um jogador e vender um jogador.  Ops, mas é a mesma coisa? Não.

O São Paulo vendeu uma promessa que sequer é titular por 15 milhões de euros + % numa próxima venda. Não é uma negociação, é uma intimação a venda. Você não tem muito o que argumentar, mesmo que este jogador possa parecer um novo Neymar (que não é o caso), a venda precoce é uma garantia considerável em dinheiro.

O Flamengo vendeu Jorge, titular, seleção, por 8.  É aceitável? Sim. Mas ainda torna-se discutível.

As vendas são atreladas ao valor. Todo jogador, pra não dizer tudo na vida, tem um preço.  O São Paulo vende muito bem porque tem o case Kaká recente, a idéia de formação, o Caio, enfim, aquela cara de clube “europeu” no Brasil que ainda ajuda muito.

Exemplo disso foi quando o Alex Silva voltou pro São Paulo. Ele tinha tudo acertado no Flamengo, quando o clube alemão viu as duas propostas, mandou ele pro São Paulo por causa da estrutura, da seriedade, etc.  Hoje não é mais bem assim.  Mas ainda que não seja, leva tempo pra mudar e pesa.

O Neres vale 15? Ok. Então o Jorge não vale só 8.  Ou se o Jorge vale 8, o Neres não vale 15.

Alguém poderia ter segurado a venda. Eu voto no Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Ave, César!

Neste domingo eu tinha uma torcida especial.  Talvez na avaliação de muita gente o ocorrido no feriado com o zagueiro César tenha sido mais um “fato lamentável” entre tantos protagonizados por marginais desocupados no futebol.  Mas eu enxerguei ali uma dose cavalar do que precisa o Flamengo.

César joga, é vaiado. César é demitido, “graças a Deus!”.  César é chamado de volta. Não faz biquinho, se apresenta e treina. Após o treino, vai prestigiar o clube que defende indo com a família assistir ao basquete.

E eu pergunto: Quantos voltariam? Quantos fariam de boa fé? Quantos peitariam as vaias de véspera? Quantos diriam: “Eu? Nessa puta crise? Pra ser Cristo de novo? Tô fora!”?

Ele voltou.

Foi agredido covardemente por um bando de marginais de merda que não respeitam nem uma criança no carro.  Chorou? Não.

Foi na rede social, disse que foi “organizada”, meteu o dedo na cara dos culpados, e ainda com a faca e o queijo nas mãos para ir de vilão a vítima, se negou.

“Não tem essa de me recusar a jogar. Estou a disposição”.

É por esse cara que eu sequer conheço que torci no jogo de hoje. Porque César pode não ser o zagueiro dos sonhos, pode não se firmar como titular e até mesmo ser demitido daqui semanas novamente.

Mas foi homem, honrou a camisa que vestiu, bancou sua posição e o Flamengo ganhou o jogo.

Ave, César! Que semana!

abs,
RicaPerrone

Aha, uhu, o Maraca é rosa!

Senhores, haja viadagem.

E não preciso explicar que a “viadagem” é um termo que remete a frescuras, firulas, não a orientação sexual. Preciso?  Não. E se precisar, foda-se.

A “guerra” estimula violência.  O “matador” é um termo ruim pro atacante. A comemoração zoando a torcida adversária gera punição. Abraçando a sua, também.

Bandeiras não pode. Cerveja, nem pensar.  O menino que sobe da base e provoca é “arrogante”.  O que fala em Deus a cada 2 palavras e não tem opinião sobre porra nenhuma é “exemplo de atleta”.

Na folga, não pode beber.  Beijar uma garota no transito sendo solteirão é “polêmico”.

Eles querem um futebol moderno e rico num país fodido.  Querem o fim da violência no futebol dentro de um país violento. E querem que nosso futebol se renove, evolua, pare de repetir o que fazia em 1985!  Isso dito numa mesa redonda com 6 senhores de cabelos brancos discutindo “o futebol ser caixinha de surpresas” é, no mínimo, tosco.

De todos os problemas do futebol brasileiro, o maior, disparado, é a imprensa esportiva.  Generalizo por não poder separar todos eles e por entender que sim, a maioria é ruim.

Temos jogos épicos nessa semana, estádios cheios, clássicos e decisões. É quarta-feira, 14h, dia dos jogos. E só se falou em apito amigo, “mata mata” como promoção de violência e o “absurdo” que é um jovem ver uma “guerra” num Flamengo x Vasco como termo para citar a importância da partida.

Partiu Maracanã.  Vou de soldado, colete a prova de balas, porque o garoto causou uma guerra! Ui, Gazelas!

abs,
RicaPerrone