jorginho

Jorginho fora

Não concordo. Mas é óbvio que entre a avaliação que faço daqui e o que eles tem de entendimento ali dentro há uma distância. Nós jornalistas estamos sempre avaliando uma obra com 40% da informação.  O bastidor relevante só nos chega quando vira história, nunca quando é pauta.

Mas pelo campo, ou seja, pelo que parte da torcida cobrava, discordo.

Jorginho não teve resultados ainda, mas o time do Vasco evoluiu uma barbaridade do primeiro semestre pra cá. Joga outro futebol, não passa vergonha, encara todo mundo e tem problemas ofensivos até pela falta de jogadores no setor. Mas num geral, o time melhorou muito.

Esteve a detalhes de fazer 2 viradas heróicas que hoje dariam a ele status de ídolo e não a condição de demitido. Então porque aquela bola passou 2 cm pra lá o trabalho é ruim? Não acho.

Raros foram os jogos que o Vasco não teve a competitividade necessárias ou a chance de vencer. Mas é também uma dose de covardia esquecer o time que ele tem nas mãos e o que esse mesmo time fazia antes dele. Era um festival de goleadas humilhantes. Hoje, um time que tem uma proposta e ainda perde, mas perde com dignidade.

“Ah mas o Vasco não é time pra ficar caindo de pé! É time pra vencer”.

Concordo. Mas dê a ele então um time condizente com a camisa que ele representa. Não é o caso.

Achei precipitada a demissão.

abs,
RicaPerrone

Vasco, o basicão

Existem mil formas de se fazer a mesma coisa. Você pode cumprir seu horário de trabalho com uma vontade enorme de fazer o que está fazendo, com mil metas a sua frente, ou apenas cumprir pra chegar as 17h e ir pra casa.  Você pode empurrar seu casamento com a barriga ou ser apaixonado pela sua esposa.  Você pode reagir a mesma situação de diversas formas diferentes.

Eu tenho comigo a idéia de que o estádio vazio causa mais efeito ao jogo do que o contrário. Imagino um ator entrando no teatro e vendo ele cheio de lugar vazio. Ele vai atuar, talvez até muito bem, mas não vai tirar dele o melhor possível.  Simplesmente porque aquele cenário não comporta o seu melhor.

O Vasco montou um time pra tentar um milagre e quase conseguiu. Fez dele o time que “ganha do Flamengo” e isso num ano “morto” de série B, vale a pena. Mas agora, vendo que não precisa fazer nada além do mínimo pra conseguir subir, vendo o futebol sumir e a liderança permanecer, sem recorde pra buscar e com a Copa do Brasil bem complicada… como se tira algo a mais desses caras?

Porque se tiraria? São vencedores, jogadores veteranos em sua maioria.  Não adianta o papo de “tá lá tem que trabalhar”.  Eles trabalham, como você.  Entram, cumprem horário, saem… mas e o brilho no olhar? Ou talvez o sangue nos olhos, se preferir.  Esse não vem com salário. Vem com desafio.

Qual o desafio do time titular do Vasco, veterano e consagrado, em disputar uma série B?

É o parente saindo da cadeia. Nem dá pra fazer muita festa.  Você fica feliz, faz um churrasco mas nem chama muita gente.

Esse momento do ano era pro Vasco ou estar buscando um recorde (perdeu), a Copa do Brasil (ficou dificil) ou ter um time montado pensando em 2017 cheio de garotos mesclando um ou dois veteranos para sonhar com um conjunto forte ano que vem.

Ele não tem nenhum dos 3 cenários.

A insatisfação do vascaíno não tem a ver com a série B. O Vasco é líder, vai subir. Pouco importa.

Ele não está é vendo o Vasco preparar algo que evite uma nova queda em breve. E aí, infelizmente, não há torcedor que vá, nem jogador que dê algo mais.

O basicão ta alí.  Mas desde quando o Vasco aceita ser o mínimo possível?

abs,
RicaPerrone

Estrela?

A mídia esportiva no Brasil odeia futebol.  Eu tenho muita certeza disso toda vez que acaba um jogo como o do Vasco e discute-se primeiro onde errou para depois se exaltar a história escrita.

Faltam 15 minutos. O time invicto do país perde em casa para um time pequeno e há ali uma história sendo escrita. É a virgem que se guardou para todos os namorados e acabou nas mãos de um bêbado.

E então Jorginho, que é brasileiro, “inho”, e portanto não pode ser gênio, tira um atacante e coloca um zagueiro.

Não há na mídia um sujeito que tenha tido o bom senso de enxergar o que ele fez. Não foi recuar. Foi renovar o folego, a forma de agredir e dar uma nova alternativa pouco previsível aos zagueiros do CRB. Ele usou o momento, a confiança, o chute de fora, enfim, o que acreditava ser melhor.

Para nós, analistas, é “tirou atacante botou zagueiro”.  E então após 3 jogadas onde ele participa efetivamente no ataque, numa delas ela sobra e ele faz o gol salvador. Aos 46, épico, salvando a virgindade vascaína.

O juiz apita, a torcida em êxtase, o jogo comum virando memorável e o decreto nos microfones: “Teve estrela”.

Estrela?

O cara faz tudo o que acredita e  que ninguém teria coragem de fazer. Funciona, e não apenas num lance, mas nos minutos em que esteve em campo. A bola entra, o time se mantém há 2o e poucos jogos “com estrela”.

Estrela?

O zagueiro entra, assume a responsabilidade, dribla, cria, vai pra cima, não sente a pressão e resolve o semestre.  É estrela?

Jorginho, fosse “Mourinho”, seria gênio.  Sendo “Jorginho”, tem estrela. Vaz, fosse Pique, seria polivalente, moderno. Sendo Vaz, tem estrela.

Patria amada, Brasil.

abs,
RicaPerrone

Jogo é jogo, clássico é clássico

Nos últimos 10 anos o futebol brasileiro faz esforço para rasgar sua identidade.  Faz-se tudo para que os jogos sejam todos uma questão de pontos na tabela, torcidas com “mandante e visitante”  mesmo em clássicos, menores campos, ingressos caros, arenas de mármore e entradas em campo toscas em casalzinho como se fossem padrinhos do juiz, o noivo.

E no vestiário antes de um clássico muito do jogo se decide pelo que se diz.  Não porque devemos acreditar que uma bravata bem colocada seja melhor do que treinamento. Não é isso! Longe disso! Mas o treinamento é para ganhar jogos, não para ganhar clássicos.

Nessa hora você acrescenta tudo que puder e então torna o jogo diferente. Por ser diferente, equilibrado e imprevisível. E por ser tão especial, você não tem o direito de entrar nele com a mesma atitude do dia-a-dia.

O Vasco entrou pra eliminar o Flamengo com ódio. O Flamengo entrou pra jogar mais uma partida e “se deus quiser, com ajuda dos companheiros….”.

Adivinha quem ganha os clássicos desde a volta do Eurico?

Porque o Eurico é bom pro Vasco? Porra nenhuma! Mas porque nesse dia, onde o futebol ainda teima em resistir aos modernos números e métodos, o que ele acredita faz diferença.

Não é o que determina o resultado. Mas ajuda, faz parte do jogo.  Eurico eleva um Flamengo x Vasco ao patamar que merece. Muricy e o Flamengo/empresa o desmerecem a 3 pontos.

Já são alguns jogos desde que essas duas filosofias se confrontam. Os resultados são bem claros. Falta ao Vasco o pragmatismo financeiro do Flamengo atual.  E ao Flamengo, pasmem, falta a gana vascaína em enxergar um clássico como o que ele realmente representa.

Se a final tivesse que escolher um dos lados, pediria o Vasco. Porque ele a queria muito mais que o Flamengo. E não “encontrou”.  A conquistou. É diferente.

abs,
RicaPerrone

Jorginho não é a solução, mas pode ser parte dela

aoivksctyqgnskof975hsfutbEm 2014 o Vasco tinha que subir. Montou um time no papel muito mais forte do que se poderia imaginar até, mas deu de cara com a falta de perspectiva dos caras.

E eu vou me arriscar a ser mal compreendido, embora tente ser claro. O Vasco, hoje, é um fim de carreira melancólico pra um monte de gente.

Calma. Entenda.  Eu adoraria jogar no Vasco se fosse jogador, como todo jogador deve pensar quando começa. Mas quando COMEÇA.

Se você olhar pro time do Vasco verá um elenco de barriga cheia, absolutamente entupido de taças, conquistas e dinheiro. Eles todos vem de clubes mais bem estruturados, brigando por títulos e com menos idade, obviamente.

Se encontram em São Januário sob a motivação de não rebaixar um time no fim de sua carreira. É uma queda.  É um degrau abaixo. E pior: Tem sequencia? Não.

Os caras estão encerrando no Vasco e não preparando um time para ano que vem. Eles não tem ambição de ganhar nada com o Vasco. Apenas dinheiro.  O Vasco, por sua vez, não pode oferecer a eles nada que eles não tenham tido melhor nos últimos anos.

E a relação é muito pior pro clube do que pro jogador, que recebe o dele e foda-se.

Eu não quero nem sugerir corpo mole, juro! É mera falta de perspectiva. E ninguém no mundo produz nada sem perspectiva.

Este Vasco que sonha com um milagre deveria saber que os milagres acontecem quando o beneficiado é um cara de fé inabalável e que busca aquilo até o fim.  Você acha que Rodrigo, Guinazu, Nene, Dagoberto, Marcinho, Andrezinho, Herrera estão mesmo afim de buscar loucamente uma não queda pra serem dispensados em janeiro?  Ou para tentar fazer valer a pena, após tudo que conquistaram, ser o épico jogador que “salvou o Vasco”?

Na real, se esses caras fossem se motivar por algo é  mais fácil agora que virou milagre do que em maio quando a bola rolou. E times com fome comem muito mais grama.  Cada reforço do Vasco coloca o time ainda mais pra trás.

É Eurico, Roth, jogadores em fim de carreira…. Esse Vasco vai jogar o Brasileirão 2015 ou a Copa João Havelange 2000?

Jorginho é um cara que ainda busca espaço.  Logo, está no perfil que entendo ideal para tentar reverter. Mas a base do time é um equívoco, e os reforços só pioram essa situação semana após semana.

O Vasco ainda não caiu. Mas honestamente, com um elenco em fim de carreira, Eurico no poder e nas condições estruturais que o clube tem hoje em relação a maioria dos rivais pelo país, a queda pra série B é o menor dos problemas.

Só que ainda dá.

E se for pra morrer, morra atirando e não correndo.

abs,
RicaPerrone

Não acho graça

Eu odeio, juro, ter que olhar o lado ruim após uma vitória. Tento e acho que em 99% dos casos consigo priorizar as coisas boas do futebol no que escrevo. Mas hoje vou ter que ir pra estatística do 1%.

O Flamengo venceu por 3×0 porque teve um adversário bem expulso e também porque jogou muito diferente do que vinha jogando.

Eu jamais condenaria alguém por achar seu chefe um bosta. Já tive alguns. É mesmo duro trabalhar com quem não se respeita ou admira.

Mas daí a não entregar o seu trabalho para que possam notar a “ruindade” dele, acho um pouco contestável.

Não vou ser polêmico de dizer aqui que esses ou aqueles “derrubaram” o treinador. Odeio acusações sem prova, nunca as fiz, não farei agora.

Mas como você, torcedor, reage vendo seu time passar a acertar tudo que não acertava 2 dias atrás de repente?

Jura que passa pela cabeça ser meramente um novo grito de ” vamo lá” no vestiário que fez tudo isso?

Minha inteligencia fica ofendida quando acontece isso. E acontece o tempo todo.

Talvez seja legal acreditar que em 2 dias o time se acertou tecnicamente e taticamente. Ou que tenha feito 3 gols porque entrou um beque novo.  Cada um acredita no que quiser.

Eu não acredito.

E gostaria muito de ver um grupo de jogadores ir até a diretoria através de seu “capitão” dizer a eles que é melhor tirar o cara do que ter que prejudicar o clube para que saibam disso.

Enquanto isso não acontece, vamos nos acostumando a descobrir que “trabalhar com quem prefere” melhora passe de 3 metros.

abs,
RicaPerrone

Cornetada muda

Avaliação de trabalho de treinador eu faço de forma simples.  Eu observo, tento entender o que ele pretende com suas atitudes e discursos, e depois digo que estou ou não de acordo.

Não gosto do que faz o Muricy, não implica em dizer que não funciona. Gosto do que faz o Cuca, mas não necessariamente resulta em títulos. Até porque, mesmo que tenhamos esquecido, é bom lembrar que quem marca gols é atacante, quem defende é beque e quem arma é meia, não treinador de prancheta.

Assim sendo, tento entender cada treinador em questão de 2 ou 3 jogos. É bem fácil, eles usam uma linha muito parecida, com pouca alternativa. Jorginho é novo, não tem um perfil traçado, o que dificulta um pouco. Mas na sua estréia entendi que Adryan interessava, que Elias e Ibson vindos de trás era bom e que os 3 atacante sem ter sequer 2 de qualidade não era mais tendência.

Gostei.

Na semana seguinte alguns titulares não foram nem pro jogo. Na outra, voltaram a ser titulares. Neste meio tempo o time trocou de formação e escalação todo santo dia, sem critério algum anunciado.

Pode estar fazendo testes e “andando” pra Taça Rio? Pode. Acredito nisso? Não.

O que o Jorginho está tentando fazer, afinal?  Não é claro, e duvido que você tenha conseguido decifrar. Os titulares são não relacionados e em 5 dias voltam a ser indispensáveis. Meninos que servem somem, e os que estavam sumidos entram pra armar o time.

Entre novos encostados e antigos encostos, o Flamengo não tem hoje um time titular. Também não tem um banco, porque ninguém sabe quem de fato é titular, menos ainda, reserva. Ou pior, sequer relacionado.

Tendência tática até tem. Mas não se sabe em que direção.

Custo a crer que Jorginho seja um imbecil e todos nós gênios. Também não acho que ele seja um gênio e todos nós imbecis.

Mas não vou escrever neste blog que acho seu trabalho ruim porque simplesmente não entendi sequer o que ele está fazendo, quanto mais se está fazendo bem ou mal.

Mais umas semanas, talvez uma sequência com o mesmo time e, enfim, teremos palpites sobre o que ele está enxergando.

Porque de fora, nós, mortais, não estamos vendo nada.

abs,
RicaPerrone

Vem aí um novo Flamengo

Não sei se meu otimismo em relação ao que vi hoje chega a atingir 1% da torcida, que vaiou com razão no final da partida. Sei que não me apeguei ao jogo, ao placar, mas sim ao que Jorginho estava vendo do time que tem em mãos.

Assim, tentando entender sua cabeça, entenderei mais rápido suas mudanças no time. E vi, com alguma dose de boa vontade, uma idéia que me agrada sobre o novo Flamengo.

Em campo, hoje, era isso.

E antes que você fale em desfalques, em problemas de passes de 2 metros e etc, note o que de fato mudou no Mengão. O conceito de 3 atacantes não tendo 3 jogadores de ataque parece ter virado segundo plano. Menos mal.

Cleber Santana, meia hoje por falta de opção, não era “o dez” que entra na área. Interessante porque ele ficava no centro, articulava e quem entrava vindo de trás eram Ibson e Elias, nunca o Cleber.

Concordo com isso. Os dois volantes do Flamengo citados são ótimos de frente pro gol.

Sem aquele trio de ataque inexistente do Dorival Leo e João Paulo voltaram a linha de fundo. E é óbvio, pois quando tem 3 caras na frente (2 abertos) a bola vai e volta rápido, não dá tempo de aproximar lateral com alguém já aberto a sua frente.

Não se joga com 3 atacantes sem ter sequer dois de qualidade.  Amaral dá ao Ibson e Elias a opção de sair pro jogo sem medo, o que deve fazer o futebol dos dois crescer muito.

A questão é bem simples. Na frente o Flamengo tem um centroavante ruim, que tem feito gols, mas é ruim. Um garoto que corre pra cacete mas que já colocaram num patamar que não é real e nenhum meia que de fato faça a bola rolar com improviso.

Adryan é claramente o melhor meia armador do Flamengo. Não vinha sequer entrando, hoje entrou no fim. Indica, ao menos, que o Jorginho olhou pra ele.

Já é um indício.

Se a idéia dele for o time que começou jogando com o Adryan no meio (ou até o Rodolfo), acho que vai melhorar bastante do que vinha sendo feito. O que não dá é pra esperar que da prancheta de um treinador venha a solução para a falta de qualidade técnica do time.

O time é bem comum. Não espere nada além disso.

No segundo tempo o Flamengo voltou aos 3 atacantes, e piorou o que já não era bom.

Entre o mau futebol apresentado, o resultado que não foi nada bom e as idéias do Jorginho diante do que tem nas mãos, vou conseguir sair achando que tive mais boas impressões do que ruins.

Até porque, vamos ser honestos, grandes merdas o estadual e o placar do jogo. O relevante de fato é preparar o time pra Copa do Brasil e Brasileirão. E isso deve ser feito com testes exatamente contra times pequenos no estadual.

Sem pânico. “Deu ruim” de novo, mas a idéia já mudou.

abs,
RicaPerrone

O risco dos grandes

Nem Mano, nem Autuori, nem uma loucura qualquer. Jorginho, aquele que nunca trabalhou num grande clube como técnico principal, auxliar de Dunga e de qualidade ainda sob suspeita.

O que pode ser mais adequado ao “novo Flamengo” do que um “velho flamenguista” cheio de vontade de provar na “nova profissão”?

Jorginho fez bom trabalho no Figueirense.  Honestamente, pouco importa. Se destacar entre mediocres é uma coisa, se firmar entre os grandes é outra.

Luxemburgo veio pro Palmeiras com a Parmalat, lembra? Não era consagrado, e lá se consagrou. Jorginho precisa ser testado, e é um bom momento para assumir um time que precisa de idéias novas.

Não sei se vai dar certo, e comentarista não é pago pra adivinhar nada, sim pra tentar entender o que aconteceu, não o que irá acontecer.

Entre o dúvida do sucesso e a certeza da mediocridade, fique com a dúvida.

Jorginho é o que não sabemos ainda. E basta para ser melhor escolha do que tantos que sabemos quem são e até onde podem ir.

abs,
RicaPerrone