jornalismo

Humilhar pode. Aplaudir, não.

O debate sobre os aplausos jornalísticos a Jorge Jesus após Flamengo x Gremio é interessantíssimo.  Pode a imprensa aplaudir alguém? E a isenção? Quando sai o jornalista e entra o torcedor?

Primeira etapa desse debate é entender que os “influenciadores” – termo escroto usado pra não rotular um profissional que está ali fazendo o nicho que a imprensa não tem capacidade de atingir – tem o direito de fazer isso e mais: o dever. Eles representam torcidas. A imprensa, não.

Mas aqui vai uma breve reflexão.

Porque vocês não se revoltam com os colegas que mentem? Porque não se rebelam contra as perseguições constantes e abertas de jornalistas e treinadores e jogadores por algo pessoal?

Porque nunca incomodou que treinadores fossem menosprezados e humilhados por colegas de vocês?

Porque é permitido ofender, humilhar e não aplaudir?

Onde está vossa isenção quando ideologicamente seu jornal/emissora manipula os fatos pra brigar veladamente contra quem discorda dela?

Onde está sua raiva com o jornalista que agride meio mundo por indireta e quando respondido processa pra se fazer de vítima?

Onde está vossa indignação quando plantam notícias, quando colegas são comprados por diretorias e entidades pra defender posições de interesses de terceiros?

Tudo isso é dia a dia. Ninguém liga.

Mas os aplausos a um profissional que acaba de brilhar os ofende?

Entenderia fosse sua índole a isenção. Não sendo, fazendo parte do mais escroto e corporativista câncer deste país chamado “imprensa”, quem és tu pra se indignar com aplausos?

Há um mantra jornalístico que diz que “jornalismo é oposição”. E é tão absurdo que oposição determina lado, e portanto não é isento.

Se amanhã Jesus perder 3 jogos diversos jornalistas farão deboche, campanha pra derrubar, discursos clubistas pessoais contra o treinador até destruir a reputação do sujeito. Mas não, isso não revolta.

Aplausos, sim. Isso deixa a imprensa “puta”.

Ou será só raivinha por ter que dividir sala de imprensa com jornalistas nichados em clube?

RicaPerrone

Um suicídio homeopático

Uma das mais irritantes características do ser humano é a falta de objetividade. Quando um problema lateja a nossa frente, ao invés de ir direto nele, nós damos 20 voltas para não irmos direto onde “dói”.  E aí, no final, dói mais ainda.

Toda hora uma emissora, um jornal ou uma revista quebra, manda 200 embora e gera comoção entre os coleguinhas. Você abre a rede social e lá estão outros milhares contando histórias da época que trabalharam lá, dizendo ter sido uma escola, blá, blá, blá.

E quantos de nós, jornalistas, de fato combatem o mau jornalismo para evitar seu fim? Quantos tem coragem de parar de falar no corredor e dizer abertamente o que estamos fazendo de errado pra justificar tamanha descredibilização e, por consequência, a falência?

Vocês acham normal que no meio de um cenário onde o ministro da economia alerta sobre o caos financeiro, onde deputados covardes dizem que não podem aprovar a reforma pra não reeleger fulano, onde o país faz uma estúpida guerra entre lados contra a própria pátria que a porra do namoro do Lula seja a capa dos sites, jornais e tema relevante em noticiarios?

Espero que não. Mas é.

A irrelevância midiática é reflexo da irrelevância do que ela escolhe como pauta. É o Caetano atravessando a rua, é a Carla Peres na praia e, porque não, na página de política, a namorada nova do Lula.

Lula que, lembrando, não é um político qualquer. É um dos líderes da quadrilha que deixou o Brasil na situação que se encontra. Ou seja, deveria ser tratado como um inimigo não como celebridade. Muito menos sua vida íntima nos dizer respeito.

Você assiste a tudo isso em meio a um claro complô orquestrado da mídia e amanhã se pergunta porque não está mais dando certo. Porque as poderosas emissoras não tem mais dinheiro nem influenciam como antes.  Ora, porque você acha?

O povo é burro? Muito. Vai consumir. Mas na medida em que outras formas de conteúdo surgem, e a internet é a mãe disso tudo, fica evidente que o conteúdo é ruim, direcionado pro povo mais burro possível exatamente para tentar manter parte do rebanho.

Mas amanhã, quando essas emissoras mandarem 400 embora, você verá um show de lamentações dos colegas nas redes sociais. Quando era mais fácil tentar evitar o fim do que restou da credibilidade jornalistica no Brasil. Se é que ainda há alguma.

RicaPerrone

A idiotização do conteúdo


A enorme massa ativa em comentários, engajamento, likes, inscrição e redes sociais é jovem. Por motivos óbvios, as pessoas até 20 anos tem  uma necessidade absurda de se manifestar e a web é o lugar ideal pra isso. Essa é a idade onde você além de querer gritar o que você pensa, pensa tudo errado. E mesmo com 100% dos casos lhe indicando que você se arrependerá de quase tudo que pensa até os 20, ainda assim você quer registrar por escrito e eternizar tudo isso na web.

Pudera. Com menos de 20 você não tem maturidade pra perceber isso. Aliás, como medida de auto-proteção, eu “proibiria” pessoas com menos de 20 anos de dar opinião sobre algo que não seja de baixa relevância. Evitando assim constrangimentos documentados para a fase adulta onde fatalmente você morrerá de vergonha do que você achava nessa época.

Dentro de um cenário simples e bastante óbvio explica-se os números assustadores para todo conteúdo infantil/adolescente e idiotizado por linguagem seletiva.

Só que a busca por esses números está legitimando a idiotice.

Quando você tenta fazer um conteúdo para pessoas de 40 anos, formadas, de vida estabelecida e pouca vontade de ser o “misterbabaluoficial” na internet, você está atingindo um público infinitamente menor do que o adolescente/jovem. E portanto você não pode esperar ter engajamento sequer semelhante.

Mas querem.

E ao querer cometem o erro de igualar a idiotice em busca do número e perdem o público realmente importante, que é o cara conquistado pela credibilidade e não pela identificação da idade. Especialmente quando essa idade vai te fazer odiar aquilo em questão de poucos anos.

Você já consegue notar uma dose insuportável de programas e pessoas na tv tentando fazer youtube, lendo superficialmente números de views e não compreendendo que são públicos completamente diferentes e que apenas um deles anula o outro.

Exemplo: o Globo Reporter não vai fazer com que adolescentes não assistam o programa se mantiver uma linha solta porém informativa.  O conteúdo de um canal teen no youtube, se exibido na tv, exclui milhões de pessoas.

O quadro do Fantástico do que a Globo não mostra vai fazer meu pai trocar de canal. Porque pra um garoto de 16 é divertido, compreensível, pro meu pai é ridículo. Aliás, no caso, pra mim com 40 já é meio ridículo. Ainda mais em meio a um contexto de conteúdo altamente relevante e interessante. É um alien no programa.

Mas algum diretor disse “temos que ganhar o público do youtube”. E pronto, fez algo fora do youtube para pessoas que não são o público do youtube trocarem de canal. Porque o conteúdo do Fantástico não exclui a molecada. Apenas não é feito pra eles. O conteúdo feito pra eles exclui o restante.

Logo, cabe ao bom senso dessa tentativa desesperada de retomada de público.

Idiotizaram os conteúdos. Pessoas adultas tentando se conectar com jovens falando como se tivesse 14 anos na rede social em busca de números e mil patrocinadores nas mãos de agências que também não estão fazendo esforço em entender o cenário e passam 1 mes planejando, 1 executando e 2 tentando entender e explicar o resultado que não foi bem o esperado.

É mole vender chiclete pra adolescente. Mas e pra vender carro numa emissora que falava com o cara de 40 e agora tem em sua programação uma tentativa desesperada de falar com o de 15 que nem dirige? Na era do “nicho”, muita gente de comando em emissoras entendeu “lixo”.

Durante a Copa eu recebi DOZE convites de agencias para fazer “live” pré jogo do Brasil. Porque? Porque “live” era a onda do momento. E num raciocinio simples e lógico: “vamos fazer live!”.

Não, porra. Uma “live” 1 hora antes do jogo do Brasil onde todos estão nas ruas indo pra casa ou em frente a churrasqueira bebados vendo as 35 cameras ao vivo da Globo não faz O MENOR SENTIDO. Ainda assim, foi a oferta que mais recebi de campanha publicitária na Copa.

A internet é fácil de entender. E a primeira coisa que deve ser entendida é que o público do instagram não reage igual ao do youtube, que quer algo diferente do twitter, que por sua vez está navegando no facebook por outro motivo. Idem pro cara que tem uma tv na sua frente na sala. Ou pra quem está ouvindo rádio no carro.

Trata-los como “internauta” apenas é o que levou a tv a seu estado de falência olhando todos como “gado” e colocando no mesmo cercado. Foram décadas levando todos os destaques do rádio pra TV. A cada 10, um dava certo.

Há mais gente consumidora disponível para algo bom do que se adaptando a idiotização de ter que voltar aos 15 anos pra poder entender o que está sendo ofertado a ele.

Mas… aí dá trabalho. E trabalho a gente não gosta. O que a gente gosta no Brasil é de emprego. Não de trabalho.

RicaPerrone (pioneiro em jornalismo esportivo online, o cara que transformou coluna em blog, o primeiro jornalista a ter aplicativo na app store, um dos primeiros a fazer um podcast esportivo, dono do maior site de automobilismo do país com 21 anos, criador da primeira mídia jornalística independente de um clube só, o único que fez a carreira sem ser contratado por NENHUMA emissora e o criador de um mercado que hoje centenas de jornalistas usam e vivem detonando o cara que abriu essa porta.)

Essa aspas foi só pra você saber a diferença entre a Bettina e eu. #paz

E o “burro” era ele…

Outro dia o Felipão foi massacrado pela imprensa brasileira porque perdemos de 7×1. Merecido ser criticado, é parte disso, cometeu erros. Mas entre a critica e o massacre está o ponto que destoa a audiência. Quanto mais babaca você for no ar, mais gente para pra ver.

Gritos, piadas idiotas e radicalismo na opinião fazem pessoas idiotas se interessarem em ver o circo pegar fogo. Mas eu sempre digo que você pode ser o que for, ter o lado que quiser, e só terá respeito de fato se o mantiver ao longo dos anos.

Coerência vale mais do que audiência imediata. E humilhar ou desmerecer o Felipão não é uma opinião, é mera burrice e vontade de ser povão na hora da dor.

O “ultrapassado” voltou, engoliu a mídia, os times todos, está chegando nas decisões e jogando um bom futebol.

O mesmo Felipão que começou um processo no Grêmio que hoje todos reconhecem, mas que na época mais e mais gente com ejaculação precoce desmereceu.

Tem gente que contestamos. Tem gente que o tempo nos ensinou a calar a boca e respeitar. Isso não isenta ninguém de críticas, mas dá a certas pessoas um tratamento diferente pelo que representa, o que fez e o pouco que cabe se duvidar dela.

Agora é um festival de argumentos esdrúxulos tentando dar uma volta enorme pra chegar  no óbvio: Quem conhece futebol é o Felipão, não jornalista.

Ele pode não ser campeão brasileiro e nem da Libertadores. Não é esse o ponto. O ponto é que um país sem respeito por quem chegou lá, sem memória por quem já fez por nós e sem vergonha na síndrome de tentar sempre diminuir os vencedores e não busca-los, não pode dar certo.

Felipão é um ícone no que faz. E ponto final.

A não ser que você queira passar mais vergonha…

abs,
RicaPerrone

Entendeu, Juninho?

A pergunta que eu mais respondo na vida é porque escolhi ser independente do que seguir a carreira tradicional de imprensa numa emissora.  As vezes, até pelo alcance que tenho, é meio estranho não querer estar numa emissora, que é o sonho antigo do jornalista.

Mas óbvio que já estive, óbvio que recebi convites e sondagens de diversas emissoras. E não porque eu sou foda, mas porque tem muita gente ruim e eu carrego algo que eles adoram: patrocinadores.

Eu nunca trabalhei pra Globo.com como hoje também não sou funcionário da BandNews. Eu faço parcerias comerciais no CNPJ e eu que levei 100% dos anunciantes onde estive até hoje.  Logo, se você tem em mente que eu sou alguém que discursa uma coisa e faço outra por ter tido um blog na Globo e uma coluna na BandNews, retire.

Juninho é um sujeito do bem. Eu o conheci, nunca falei com ele sobre política e talvez por isso tenhamos nos dado bem. Nesse processo dele virar comentarista achei absolutamente detestável sua postura e a maioria de suas opiniões.  Todas elas muito políticas, ligadas a uma cabeça esquerdista da qual discordo totalmente.

Mas, mesmo achando uma burrice enorme estragar uma imagem de simpatia de 100% das torcidas pela rejeição até mesmo dos vascaínos, entendi tudo melhor quando conheci a avaliação de quem o cerca.  Infelizmente Juninho não teve alguém muito inteligente pra orienta-lo nessa transição. Ao contrário do Roger, odiado por muitos enquanto jogador, hoje pra mim o melhor do Sportv.

O que há de fantástico nessa história toda é a mística.

Juninho fez comentários absurdos sobre o Flamengo e sua torcida, e lá permaneceu. A Flapress tão aclamada não o censurou. Mas bastou mexer nos coleguinhas …. aí fudeu.

Quando ele disse o que disse sobre setoristas, ele pode até ter errado em generalizar embora eu entenda que a generalização seja um mal necessário para o poder de síntese de qualquer teoria.  Mas ele não mentiu.

Existem, e não são poucos, jornalistas filhos da puta que perseguem pessoas pelo mero prazer de destrui-las. E sim, do lado de cá, afirmo: O fato de estudar e ganhar 1% do que o “analfabeto” do outro lado do microfone ganha muitas vezes gera uma raiva e frustração que é sim descontada com o poder do microfone.

Eu nunca quis fazer parte e sai cedo quando vi exatamente por entender que ali havia o meu ponto de discórdia. O clube, o jogador, o dirigente, nada disso é meu inimigo. Eles são a parte que me sustenta, não a que eu devo ter como alvo.

Jornalista ganha mal porque nenhuma aula explica pra ele na faculdade que quando se tem lados no entretenimento você não faz jornalismo. E se fizer, burramente, vai ser inimigo da galinha dos ovos de ouro. Morrerá pobre.  Ou, com sorte, de vida razoável e sem amigos.

Os mais espertos entendem rápido que trata-se de entretenimento e portanto qualquer perseguição, porrada forte, cara fechada e tratar um jogo como uma crise no governo é de extrema burrice, não serve pra ninguém e piora sua condição no mercado.

Repare que quase todo jornalista que se presta ao ridículo de ser sensacionalista e prejudicar clubes/jogadores tem dificuldade pra encontrar espaço após a terceira demissão quando a emissora/jornal entram em óbvia crise.

Juninho não mentiu. Pela primeira vez ele fez um comentário forte, justo, mas no alvo que ele não podia dar.

No Mundo existem diversos poderes. Nada se compara ao dado a pessoas com 4 anos de faculdade e um microfone na mão. Tanto não que o próprio Juninho fez uso dessa “magoa” ou seja lá o que for pra condenar uma zoeira de uma comemoração sendo que ele já fez gesto obsceno pra torcida.  E em seguida chamou uma torcida de preconceituosa por um jogador que não tem jogado nada ser nordestino.

Ou seja, Juninho tem tanta razão que ele mesmo fez o que condenava. Só que dessa vez bateu na única coisa que determina a relação dentro da imprensa:  o tapinha nas costas.

Ninguém liga se o torcedor gosta. Quem tem que gostar é o editor que babou ovo até chegar onde ele está. E se ele não gostar, você vai parar por ali.

Eles nunca vão brigar com o colega que vai na noite atrás do jogador pra causar problemas na vida pessoal do cara a troco de um clique. Mas pra cima de você quando revela o mistério da emboscada jornalística a um jogador que fulano não gostava, sim.

Olhe a quantidade de prêmios de jornalismo dados a pessoas que você nunca ouviu falar. Eles fazem o mesmo que outras dezenas que você sempre ouve falar. Mas fazem pro chefe, não pra falar com você, torcedor.

Essa relação está falida. Se você duvida, olha pro Desimpedidos que não opina sobre quase nada, não informa nada, apenas leva entretenimento e está ganhando espaço e tubos de dinheiro.  Ok, patrocinado! Mas qual emissora não é patrocinadora dos próprios programas?

Juninho, meu caro, você foi um péssimo comentarista. Um craque de bola. Mas sua passagem pela mídia pode ter servido pra muita gente ver algo que se negam e que é tabu dizer:  desagrade a quem for. Ninguém liga. Mas não mexe com a “turma”.

abs,
RicaPerrone

Jornalistas não são especialistas

Você deve estar se deparando pela web com desabafos de jornalistas “revoltados” com os vários convidados especiais para comentar Olimpíadas enquanto o desemprego toma as redações.  É previsível no país onde o taxista agride o motorista de Uber que a reação seja essa. Mas… peraí.

Eu fiz faculdade de jornalismo. Em 4 anos nenhuma vez, em nenhuma aula, alguém me ensinou algo sobre futebol, por exemplo. Eu aprendi a colocar virgulas (não muito), talvez a me comunicar, a levar informação, a como tratar uma apuração, mas em momento algum me tornei especialista em NADA.

A função de comentarista, me parece claro, é para alguém preparado a opinar sobre um assunto. Logo, deve ter conhecimento sobre este assunto. E nenhum jornalista sai da faculdade credenciado a comentar futebol, por exemplo. Você sai dali pra levar informação. A sua opinião não tem qualquer motivo para ser mais ou menos respeitada que a de alguém que assiste jogos toda semana como você.

Os convidados a comentar são especialistas seja por ter praticado ou por terem estudado aquilo. Mas não tem absolutamente nada a ver com “jornalismo”.  Absurdo seria coloca-los para fazer reportagem.  Não é o caso.  Talvez tão absurdo a eles seja ver alguém que aprendeu ontem a escrever se achar no direito de opinar nacionalmente sobre um esporte que nunca teve contato.

O cargo de comentarista nunca foi, e nem deveria ser, um privilegio jornalístico.

Na faculdade você aprende a usar virgulas. O que vai ser colocado entre elas são outros 500.

abs,
RicaPerrone

“Mortos”

“Depois da chegada da internet…”, pára! Já tá errado. Internet é meio de transmissão, não uma forma de mídia. Mídia é impressa, video, áudio. A forma com que isso é transmitida às pessoas é outra coisa. Logo, não foi a internet que “fudeu tudo”.  Foi a falta de leitura do cenário.

Quando o Flamengo diz a um reporter que “você não”, logo vem os intelectuais falar em censura, blá, blá, blá.  Mas acontece, meus caros, que a mídia em geral não entendeu ainda que ninguém precisa mais dela pra porra nenhuma. E que se ainda a usam é por mera opção.

Diferente de quanto éramos reféns de emissoras e jornais, hoje temos ligação com a fonte, canais oficiais, mil “opiniões” e “informações” que, tal qual a imprensa tradicional faz, podem ou não ser verdade.

Duvida? Olha eu aqui! Chegou aqui por que emissora?

Olha quem são os maiores influenciadores do país.  Vê se foi a Globo que fez ou se eles se fizeram sozinhos.

Ninguém mais precisa da Globo. Ninguém mais é 100% direcionado pelo que diz o cara do jornal da noite. O ator da novela não é mais o galã do país. Esse cara está fazendo video no youtube e postando prato fitness no instagram.

Se você quer continuar dando furo em 2017, meu amigo, você ultrapassa a burrice. Não há qualquer importância em “furo” quando uma informação se propaga em 30 segundos pelo planeta. Ninguém sabe “quem deu”, porque quando sair “todos já deram”.

Então dê direito. Porque aí sim, quem sabe, você ainda faça alguma diferença.

Clubes, empresas, ídolos. Eles não dependem mais da imprensa para falar com os fãs. Logo, o refém agora é você, veiculo de comunicação disputando pauta com a rede social oficial do cara.

E se mentir, fizer merda, vai ficar pra fora do treino sim. Porque?

Porque você não tem DIREITO algum a estar ali. É uma permissão que o clube te dava por necessidade, hoje te dá ou não por opção.

O ídolo não precisa mais te aturar. Ele pode te destruir. Os fãs dele estão reunidos nas mãos dele, não mais na nossa. Toda notícia mentirosa será bem pior pro jornal/jornalista do que pra vítima. É uma tendência natural porque hoje nós não somos a única via.

Pior. Diria que sequer somos a principal.

O jornal Extra faz um jornalismo de merda, um sensacionalismo tosco e usa um método de 1980 tentando impactar em 2017. É óbvio que vai ladeira abaixo. Só que agora ele não tem mais a única coisa que o mantinha em pé: importância.

Ninguém liga pro jornal, pra emissora, pro jornalista famoso. Todos tem o que querem quando querem, basta querer chegar a informação que você terá. Nós somos os caras que dão de mão beijada e superficialmente, e portanto atingimos os menos interessados e/ou capacitados.

O mercado sabe ler melhor que a imprensa. Todo mundo já percebeu. Quem quer algo mais sobre política não lê o Globo de manhã. Ele vai nos mais conceituados sites de política do mundo e se informa lá.

“Nichou”.  A cobertura palmeirense é feita por torcedores do Palmeiras, não mais por nós. Modéstia a parte notei isso em 2005 quando fiz um site que cobriria o SPFC, não que replicaria notícia alheia apenas.

Hoje todo time tem 5 sites e eles todos são mais influentes em suas torcidas do que os jornais, rádios e revistas que insistem em arrotar caviar quando não comem nem mais a mortadela.

Acabou, gente. Nós não disputamos espaço mais entre nós. É contra “todos”. E a “censura” que você chora hoje por corporativismo se chama “direito”. O seu de a vida toda falar o que quer, o deles em hoje poder dizer que “Você, não”.

Eu apóio. Do lado de cá, ainda que não pratique o “jornalismo”, eu apoio.

Enquanto vocês estão preocupados em transitar bem entre colegas, tem gente que transita bem no futebol.

E é aí que a sua conta não fecha e você “morre”.  Todo mundo sabe que jornalista não tem NENHUMA especialização em futebol que o credencie a avaliar porra nenhuma.

Tem coisas que não se ensina em faculdade. Futebol é uma delas. Economia, política, culinária, também.  Ou seja, ser “jornalista”não te faz especialista em nada.  Acabou o caô. Fomos descobertos.

Descanse em paz.

abs,
RicaPerrone

Não há jornalismo esportivo

Pode parecer uma forma impactante de manchetar o post, mas não. Na real é o que penso, o que sempre defendi e o que me fez tomar os caminhos que tomei na vida.

O conceito base de jornalismo é a isenção. Você só pode fazer boa apuração e se comprometer com a verdade caso não tenha um lado na história. Infelizmente o jornalista é criado para ser polícia, juiz, médico, advogado, treinador, tudo! Menos ter o bom senso de se colocar em seu devido lugar.

Você não pode fazer “jornalismo” sobre um tema cujo seu chefe é parceiro comercial dele.  Simplesmente não há uma forma de se fazer isso. E por mais que eu acredite na boa fé dos colegas, eu não acredito que qualquer princípio ético fique acima do dinheiro em 2017.

Sou prático, quase cético com isso. Se você é um comunista, não trabalhe na Fox ou na ESPN. Ou todo dia ao ir trabalhar você levará um soco na cara da realidade provando que você não tem razão, ideal e nem coerência.

Se você acredita em jornalismo esportivo isento, procure alguém da Globo pedindo o fim do monopólio nas transmissões.  Não encontrará e não porque o jornalista é ruim. Mas porque é funcionário de uma emissora que COMPRA um evento de entretenimento.

Ninguém faz dossiê de filme porque cinema é entretenimento. E esporte, para os mais evoluídos mercados do mundo, idem. Logo, não faz qualquer sentido eu contratar pessoas para emitir opiniões ou expor situações que joguem CONTRA o produto que eu comprei.  É uma questão lógica, de mercado, de dinheiro.

O Esporte Interativo vai falar livremente do problema ontem no Paraná. Porque pode falar. É não apenas “livre” quando ao tema como interessado na quebra desse sistema. Logo, seus funcionários podem opinar. Isso não quer dizer, em momento algum, que eles estejam sendo manipulados. Apenas que estão autorizados.

Nenhum deles, óbvio, diria isso na Globo. Simplesmente porque todos tem família e conta pra pagar amanhã cedo. E essa lógica tão lógica é escondida em meio a discursos hipócritas sobre ideal, jornalismo, verdade, etc, etc, etc.

Não há.

E se houver, é burrice. Vendemos um sonho, ponto. Toda vez que tentarmos acordar as pessoas dele, perdemos dinheiro. E com isso o mercado vai sempre impor limitações irrefutáveis ao chamado “jornalismo”.

Somos apresentadores de um show. Um elo entre você e sua paixão. Mas não somos e nem  podemos ser isentos sendo funcionários de um parceiro comercial do que apuramos.

E, no melhor dos casos, somos dependentes do que cobrimos para termos sucesso. Logo, se cubro futebol no Rio, o defendo. E não é papel de jornalista “defender” nada.

O jornalismo esportivo não existe. E é por acreditar nisso que nunca fiz parte dele.

As vezes, como ontem no twitter, as pessoas acham que estou falando “mal de alguém”  por isso. Mas não. Eu apenas consigo identificar cenários fáceis de expor o que penso como o de ontem, onde claramente os funcionários do EI podiam tocar no assunto e os da Globo não.

Isso não faz com que eu concorde com um ou outro. Aliás, todo mundo sabe que concordo com o pessoal do EI, o fim do monopólio, os acordos individuais respeitados, etc. Mas o fato de terem lados estabelecidos por vinculo empregatício determina que não ha isenção. E se não há isenção, não há jornalismo.

Sabe porque os blogs, sites de torcedores e mídia especializadas formadas por não jornalistas estão tomando a audiencia da imprensa? Porque eles não são profissionais mas nem se colocam dessa forma. É, pelo menos, mais honesto.

Aceitemos. Vendemos um show. Nada mais. E vende-lo menosprezando-o é de uma burrice ímpar.

abs,
RicaPerrone

O suicídio diário ao vivo e a cores

Basta acordar e entrar na web para ver que dezenas de jornalistas perdem seus empregos todos os dias. Basta um pouco de bom senso pra notar uma crise sem precedentes no mercado e que as coisas mudaram radicalmente na forma de se levar esporte ao torcedor.

Em pleno 2017, com mil redes sociais e as notícias sem fonte se espalhando desesperadamente em segundos tem gente que ainda quer “cravar” um furo de reportagem achando que isso lhe dará algum fruto. Não mais.

A diferença brutal entre “fechou” e “só falta assinar” é absolutamente ignorada e a cada dia surge mais um não jornalista numa rede qualquer fazendo sem diploma o que nós jurávamos sermos capazes de fazer por termos estudado.

A web mostrou que se faz tv, rádio e conteúdos diversos sem diploma. A web engoliu as teses sobre influenciadores, emissoras, “culpa do editor”, etc.  Ali, é você, o clube e o torcedor. E ele é doente mas não é burro.

Jadson não fechou com o Corinthians ainda. Se tivesse fechado estava no clube treinando.  Drogba em momento algum passou boletins de como estava sua cabeça pra jornalista brasileiro nenhum, que saiu cravando o cenário com uma convicção irritante.

As aspas, quando faltam, são criadas em entrelinhas. E aí mora a maior burrice que estamos presenciando na história da mídia brasileira.

Enquanto norte-americano enche o rabo de dinheiro porque valoriza o seu, vende entretenimento como entretenimento e minimiza problemas para dar ao consumidor o que ele quer: lazer;  o brasileiro menospreza o produto, expoe todos os problemas, não indica solução pra nenhum deles, vende o peixe do vizinho e no fim do mes reclama que foi demitido.

Senhores, idealistas ou não, sejam ao menos inteligentes. És um negócio e se não fosse, não seria dele que sairia seu sustento. Se é por ideal, faça uma ONG, não um curso de jornalismo.  Como bom negócio, tem que ser bom pra todos. E se no conceito jornalistico ainda é inteligente “destruir”, “menosprezar”, “fazer chacota”, “dar aula do que nunca fez”  e rir quando dá errado, entendam que a crise e as demissões no mercado são como o 7×1 pra alguns de vocês:  foi pouco.

Jornalista escreve pra editor. Ele quer sempre agradar o chefe, ganhar tapinha nas costas no CT e prêmio no fim do ano. A web colocou o jornalista de frente pro torcedor e não mais pro editor. A maioria ainda não entendeu. E por não entender toma muita chuva em busca de um “3 pontos positivos se Deus quiser” toda semana e sai dali puto com o salário.

Não é preciso ser bom ou mau jornalista pra olhar em volta. Temos um produto, vivemos de carrega-lo da fonte ao consumidor final. É simples.

Já gerenciamos um clube? Um departamento de marketing? Um elenco? Temos experiência tática? Alguém nos ensinou como proceder numa negociação envolvendo um jogador internacional?  Não.

Então, com todo respeito, vai se reciclar na Europa e não enche o saco do Renato Portaluppi.

O torcedor nos odeia, os clubes nos odeiam. Os jogadores fogem da gente. E nós não conseguimos mais ampliar o mercado, pelo contrário, só fecham portas.

Será possível que seja tão difícil assim perceber que tem alguma coisa errada?

abs,
RicaPerrone

A descoberta

Acho que há alguns anos tenho uma guerra contra “meus colegas” sobre o que penso de esporte e como ele deve ser tratado. Pelo fato de não ter como exemplificar, sempre tive dificuldade em explicar pro “não jornalista” qual era meu ideal. Agora conseguirei.

Quando você vê o comentarista chorando, o narrador perdendo a voz, o repórter se perdendo diante de um ídolo, você está vendo transmissão esportiva.

Todo o resto, inclusive o que se julga “jornalismo”,  não passa de uma grande mentira a partir do momento que emissoras e profissionais de imprensa estão envolvidos com as compras ou não de direitos de transmissão. Não há imparcialidade. E se não há, não há jornalismo.

E sendo esporte um lazer de quem assiste, o entretenimento deve estar acima do jornalismo sim. Pois é disso que se trata esporte: entretenimento.

Quando os profissionais do Sportv ou da Foxsports perdem o irritante terno e gravata pra chorar feito criança diante de um momento esportivo, estão mostrando que são sexólogos que ainda gozam. Quando com futebol, especialmente o nosso, se mostram frígidos.

Não há qualquer possibilidade de um dia eu aceitar que um dos vários colegas jornalistas que estavam na abertura da Copa, e não se levantou no gol do Neymar contra a Croácia, tenha seu emprego no outro dia.  Parece exagero, mas se eu sou editor de um site, de um canal, de qualquer coisa, ao ver um jornalista esportivo não reagir emocionalmente ao que está levando pro torcedor, ele está demitido.

Simplesmente não se leva paixão sendo uma pessoa frustrada, fria, realista e pragmática.  A função de transmitir paixão, seja ela fazendo um circo, sendo carnavalesco de uma escola ou meramente narrando jogos de futebol, cabe apenas a pessoas cujos olhos ainda brilham.

A maioria não brilha. E hoje, nessa olimpíada deliciosa que chuta longe a postura azedinha da maioria, vemos o quanto se tem paixão ali dentro encubada por valores editoriais toscos de 1930, formados por intelectuais dinossauros do esporte que hoje se arrastam no ar em troca de favor dos ex colegas.

Jornalismo se faz na guerra. Jornalismo se faz em dopping. Jornalismo se faz quando necessário no esporte. O dia a dia, a transmissão do evento e a paixão que fomentamos em você se faz como estamos fazendo nas olimpíadas. Sem “poréns”.

Um colega um dia chorou no ar por ver o fim da geração espanhola. Este mesmo colega é incapaz de chorar com seu time campeão. Porque nem assumir o time dele, ele consegue.  E uso esse exemplo não porque não gosto do cara, sequer o conheço, mas porque aquele momento me deu a exata dimensão do quanto somos ingratos ao esporte que é a razão das nossas vidas.

Mais paixão, menos razão. É disso que se trata o esporte e, porque não, a vida.

abs,
RicaPerrone