juan
O maior dos títulos

Juan deixa o futebol como passou por ele: discreto, vencedor, correto, aplaudido e exemplar.
Um ótimo zagueiro, bom sujeito, de poucas falas, muita bola, poucos clubes, alguns títulos, nenhum muito grande como ele merecia. Mas sábado ele levantou a taça do maior deles.
Alguns jogadores, como Conca, abrem mão da única coisa que levarão da carreira por miseráveis dólares a mais. Outros tem a exata noção do que fazem, o que carregam dali e pra onde vão.
Neste caso se trata de onde veio e não apenas pra onde vai. Juan é cria, é história, orgulho de um clube.
Ele sabe que a partir desta semana não será mais um zagueiro. E pra conviver com isso é preciso carregar um título. Não, não me refiro a Libertadores, Champions ou Brasileirão. Esses títulos muita gente ganha.
Juan é quieto, não vai reivindicar nada. E nem vai precisar.
Ainda não é hora, pois quando se fala em Juan o mundo do futebol vai direto na figura dele. Mas quando um dia surgir, e fatalmente outro Juan existirá, ele poderá ostentar o título que o diferencia.
“Juan do Flamengo”.
O mesmo de quando jogava. Só que agora ninguém pode tirar dele.
Quando você imagina um ídolo no futebol ele está sempre vestindo alguma camisa. Não há ídolo sem clube.
RicaPerrone
Sempre foi o soldado

O Grêmio é um especialista em batalhas. Dos Aflitos, das centenas do Olímpico, de Lanus, de Tóquio, de tantas e tantas outras pela América do Sul. Na maioria, vencedor. Em outras raras oportunidades um bom perdedor.
Nas recentes batalhas da guerra já vencida o Grêmio teve que desconstruir o poder das armas pouco a pouco até poder provar ser ele o herói.
Foram Edilson, Wallace, Arthur, Pedro Rocha, Fernandinho, Barrios, Douglas (muito tempo fora) e as vitórias sempre continuaram. As armas são fundamentais, mas o soldado é mais quem as sustenta, nunca o contrário.
Arma não atira sozinha. Sem armas o soldado fica vulnerável mas não morto.
Depende muito do soldado.
Vai sem Léo, Everton, Ramiro e possivelmente sem Luan, ainda que esteja no vôo. Perde inegavelmente as suas melhores armas para o combate. Mas ainda assim, lá está um grande soldado.
Talvez nesta terça-feira sua missão não seja matar. Mas voltar vivo. E se vivo estiver, na próxima batalha, ainda que não possa contar com todas as suas armas, poderá contar com a mais tradicional e importante delas: seu batalhão.
Vá, lute e não morra. Volte ferido se preciso mas volte vivo. As vezes a vida parece covarde por nos tirar as armas para uma batalha, mas as vezes é apenas pra valorizar o soldado.
Nós não precisamos saber escalar o Boca para pensar que “fudeu” quando ele é o próximo adversário. Eles também não.
Ninguém respeita arma. O medo é sempre de quem atira. E esse está em perfeitas condições.
À luta!
abs,
RicaPerrone