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O creme de avelã raiz

Veja você que loucura. O Cristiano sacaneou o Atlético, Simeone fez um gesto “obsceno” e o melhor do mundo o repetiu em campo após atuação de gala. Lá, foi “rivalidade”. Aqui, seria 2 horas num mesa redonda qualquer de debate sobre o limite do entusiasmo após um gol.

O futebol é tão lindo quando tratado como futebol.

Comemorações como essas não são pra entender, são pra você guardar. Mais estúpido ainda se você tentar discuti-la do alto do seu estúdio como se tivesse idéia do que se sente quando o mundo é jogado aos seus pés pelo seu esforço.

Não, não estou comparando com Felipe Bastos ou com Diego Souza imitando arma na eleição.  Menos ainda com o escândalo que se faz quando o Felipe Mello diz uma palavra. Me refiro apenas ao quanto isso “incomoda” quando se quer criticar e o quanto passa batido quando se quer exaltar.

Eu adorei o que fez o Simeone, mais ainda a resposta do Cristiano. Mas se o Felipão ganha do Corinthians e faz aquele gesto, está morto. Se na semana seguinte após condenado por toda bancada moralista brazuca o Romero vira e responde, seria duplamente massacrado.

Ignorariam o clássico. Fariam dele apenas argumento pra explorar o mimimi. Lá, no entanto, ficou a bela imagem do show de Cristiano.

Na real o que brigo nem é pra que se trate mal o futebol europeu. Apenas para que se dê o mesmo critério do que pode ou não lá e cá.

Em 2019 o Viola não imitaria o Porco. O Edmundo não rebolaria e, se fosse brasileiro jogando no Cruzeiro por exemplo, o Cristiano apontaria pro céu e dedicaria o gol pra Jesus.

Se for aprender com eles, aprendam também que show é show. E futebol não passa de um espetáculo.

RicaPerrone

Mais do que um jogador

Eu fico realmente preocupado quando vejo pessoas do futebol discutindo o valor do Cristiano Ronaldo atrelado a sua idade e capacidade técnica de se acertar no time da Juventus. Eu tenho a impressão de que ainda acreditam que clube de futebol é um ideal e não uma empresa onde pessoas trabalham.

Cristiano tem 33 anos e está em queda. É ÓBVIO. Físico. Normal. Esperado. Fosse o contrário mandem o sujeito pra ser estudado pela NASA.

“Vale?!”

Você realmente acha que essa discussão se limita ao atacante? A Juventus está comprando por um valor surreal um ícone, uma idéia, uma expectativa, um acréscimo de mídia, alguns milhões de jovens torcedores de jogador e não de clube, dezenas de acordos comerciais paralelos e, também, um atacante.

Se eu pagaria 100 milhões no CR7 com 33 anos? Mole. Sou capaz de apostar que esse dinheiro volta cedo.

A mistura de “bom moço” com carisma e resultados que Cristiano transformou sua imagem após anos sendo contestado por molecagem, prepotencia e “viadagem”. O telão passou a olhar mais pra ele do que ele pro telão. E aos 33 anos temos um homem maduro e referência mundial de desempenho.

Vende camisa, shampoo, camisinha, lacinho de menina e até batom se quiser. Cristiano é uma marca não um atacante.

Talvez vocês estejam presos demais ao jogador quando pensam nesse mega “negócio”. E não se trata apenas de futebol.

abs,
RicaPerrone

Injusto é não gostar de futebol

Todo grande jogo termina com alguma polêmica e toda polêmica tem a ver com arbitragem. A diferença entre um grande jogo e uma grande vitória é bem fácil explicar: ontem a Roma teve uma grande vitória. Hoje tivemos um grande jogo.

Os grandes jogos são em sua maioria decisivos e portanto nos preparamos para eles.  Discute-se investimento como argumento base de resultados em campo, o que mostra enorme desconhecimento do tema por quem pratica.

O futebol é mera história pra contar.

Não há vitória sonsa mais interessante do que ter estado lá numa grande derrota. As brigas fazem dos jogos mais épicos, porque falamos deles eternamente. Os erros de arbitragem fazem deles épicos e revoltantes.  São coisas diferentes.

O erro aos 47 muda tudo. E nem estou entrando no mérito se houve erro hoje.  Mas ele PRECISA ser corrigido. Não só porque é justo, mas porque o sentimento de tristeza por uma derrota é infinitamente mais interessante pra nossa paixão do que o de revolta.

O VAR é necessário. Hoje ele não resolveria nada, mas ainda assim é necessário.  Na tv com 300 replays estamos discutindo se foi. O VAR hoje seria colocado em dúvida. Dividiria o papel de vilão com o juiz e nada mais.

A justiça está na cotovelada que ele não viu. Não no penalti que ele achou que foi. A justiça está no campeão decidir seu titulo contra o vice, nunca num time de férias desinteressado enquanto o concorrente joga contra alguém disputando vaga.

A justiça que o futebol precisa é para com seus principios e valores. É também a tristeza que dá olhar um jogo como o de hoje jogado para 76 mil pessoas que não se dignavam a levantar de suas poltronas caríssimas enquanto faziam selfies.

Justo é que seja sempre o nosso maior assunto de lazer, que nos faça maiores e menores sem distinção de cor, raça ou condição social. E que se considere o ideal a busca pela competição e não pelo baile.

Hoje o futebol busca o que o torcedor não quer, mas o que os fãs adoram. E quanto mais fãs, mais dinheiro. Quanto mais dinheiro, menos competição, quanto menos competição, mais ídolos impartíveis, e quanto mais impartível mais os fãs compram.

O torcedor não precisa vencer pra se apaixonar.

Injusto é não amar o futebol, não entender seu papel, sua importância e os seus valores.

O penalti foi, ou não, só mais um penalti…

abs,
RicaPerrone

Isso é futebol

Galvão, meu ídolo, sabe o que é futebol pra mim?

É o jogo que quando acaba eu fico maluco e não sei o que fazer.

É chorar abraçado a quem nem sei quem é, porque sei que o que gritei ali foi parte da conquista.

É jogar lá, segurar, voltar e decidir em casa.

É aguentar a torcida dos caras e ser empurrado pela nossa. É ver aquela multidão que ali esteve o ano todo se consagrando e não um bando de turistas que foram tirar foto na decisão.

É ver meu time sair correndo desgovernadamente quando acaba o jogo porque eles compartilham da mesma alegria que eu.

É meu time estar perdendo uma decisão e passar os minutos finais inconsequentemente na área adversária jogando bola pra ver o que dá.

É estar ali.  É ter estado durante todo o processo. Do ano anterior, da quase queda ao time montado para chegar naquela final.

É o “melhor dia das nossas vidas”.

É guardar na memória os momentos onde eu estive com os meus assistindo o nosso nos representar.

É o abraço que dou no meu pai dentro do estádio que ele cresceu com meu avô, e em instantes faço da nossa relação conturbada a melhor do mundo.

Futebol é elo entre pessoas. É relação de pai e filho. É DNA que se escolhe levar ou não dos pais.

Futebol é o perrengue na porta do estádio. Aquela fila pelo ingresso, o pernil lá fora e a bebedeira do fim.

Futebol é não dormir quando se perde, menos ainda quando se ganha.

Isso é futebol, Galvão.

E se pra você, maior defensor do nosso, futebol virou assistir uma derrota sem pressão, acabar o jogo e dar tapinhas nas costas comemorando num campo neutro cheio de turista…  Acho que você precisa ir ao Maracanã lotado ver seu Flamengo mais do que a Mônaco ver uma corrida.

Isso que você queria exaltar é “organização de evento”.  Nada tem a ver com futebol.  Esse, embora nossa mídia e nossos dirigentes de terno façam esforço para que ele agonize sem alma, é outra coisa.

abs,
RicaPerrone

Não tem alma

Não, não! Não é o que você está pensando. Eu não vou ser o “palhação” do twitter e dizer que é um Paraná com grife.  Quero falar outra coisa.

Sabe quando eu digo que não mexe comigo? Nem eu exatamente sei explicar porque. Mas acho que hoje encontrei.

O cenário é:  Um time ultra poderoso e rico que matou uma liga inteira pra ter o que tem contra um time bem menos rico de uma liga que se recupera de um escandalo de corrupção.

Um time joga pro mundo. O outro pra Turim. Um deles compra espermatozoides talentosos e o outro espera crescer pra ter certeza.

Um é o “novo rico”, o outro o velho socialite.

Os dois times tem em seus maiores ídolos 70% de jogadores que não são de seus países, suas seleções.  Uma das torcidas é feita de “fãs”, a outra de torcedores.

O Barcelona é muito superior. Mas é futebol, e portanto temos um jogo.

Lá se vão 40 do segundo tempo, está 2×1 pro Barcelona. A Juventus, time de “torcida”, está a 5 minutos do fim do sonho profissional de todos os seus jogadores.

E eles assistem ao final do jogo.

Ninguém perde a calma, o controle, a posição. Não tem abafa, não tem pressão. Ninguém se joga pro ataque irresponsavelmente. Todos eles parecem olhar aquilo como “uma digna derrota por 2×1”.

Eu respeito pessoas assim. Mas no meu planeta, aos 40 do segundo tempo, perdendo o jogo da minha vida eu rasgo a cara na trave pra tentar empatar. Eu chuto a cabeça do adversário numa dividida, eu sou expulso, perco a razão, o jogo, mas eu tento.

A impressão que eu tinha era que ali tinha um espetáculo na casa de ninguém, com turistas ricos que foram lá ver o jogo, uma renda fodida, dois times de executivos profissionais do futebol e um consenso.

Encontrei.

É isso que não mexe comigo.  E eu não estou falando de organização, blá blá blá.  Eu me refiro ao detalhe que me tira o tesão.

Não é uma decisão. É um evento.  E mesmo sendo do caralho… Eu gosto de decisões.

O que eu posso fazer se prefiro um estádio cheio sem banheiros a uma arena com 15 mil turistas e mármore na pia?

abs,
RicaPerrone

Nem todo menino é um Rei

Vencer.  O significado dessa palavra muda de pessoa para pessoa. Alguns, acho que a maioria, atrela isso a dinheiro.  Outros a forma física, outros tantos a “ser invejado”.  Ter poder é vitória para muita gente. No esporte “vencer” é simples. É do jogo.

Algumas pessoas nascem com o objetivo de fazer parte da história, outros de fazer história.

A vida é como um grande jogo de futebol. Dentro daquele estádio tem 80 mil pessoas, das quais 98% torcem e dão palpite, 1% trabalha em silêncio e 1% joga para fazer aquilo existir.

Deste 1% todos convivem com vitórias e derrotas, é do esporte. Alguns ousam um pouco mais, outros se contentam com menos.

É um prazer ser a surpresa da família. Uma tortura conviver com a idéia de não ser a frustração dela desde os 10 anos de idade.

Garotos crescem fazendo bobagens e a maioria delas não tem como corrigir.  Assim a vida vai nos levando para caminhos certos ou errados, vitórias ou derrotas.

Ainda que meninos, somos julgados como adultos, por adultos, invariavelmente invejosos por enxergar na gente uma segunda chance de tudo que eles não fizeram.

Os 99% que não jogam são muito cruéis. Nós, parte deles, seres mortais, nunca entenderemos o que eles vivem. Mas invejaremos até o último minuto da última partida de futebol o sujeito que ganha muito dinheiro não pra fazer o que gosta, mas pra fazer o que todos gostam.

Uns crescem, outros não. A maioria fica pelo caminho.

“Todo menino é um Rei….”. Não é não.

Neymar é.

abs,
RicaPerrone