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O inadmissível “normal”

Espera-se do Flamengo o mínimo. O mínimo é passar da primeira fase. Tal qual em 2017, o “vexame” torna-se possível e ao mesmo tempo injusto. O Flamengo ficou num grupo onde não passar é possível mesmo fazendo a “obrigação”.

A derrota pro Penarol, mesmo que se trate de um time enorme, não estava nos planos. Mas talvez vencer naquela altitude na estréia também não. A questão é que com 3 vitória normalmente você passa de fase. O Flamengo fez isso em 2017, enfrentou 3 times duríssimos de bater fora, perdeu e ficou fora.

Em 2019 se repete o cenário. É normal perder os 3 jogos fora. Dois na altitude, um pro Penarol, um dos maiores da América. E mesmo com 9 pontos correr o risco real de ficar fora.

Ontem o Flamengo jogou mal. Culpa-se diversos fatores inclusive o próprio time. O ponto é que queira ou não, goste ou não o apaixonado rubro-negro,  o resultado é normal.

Uma derrota pro Penarol no Uruguai, idem. E então a eliminação aconteceria mais uma vez sem nenhuma derrota absurda ou vexatória.

O entendimento de Libertadores não está na forma de jogar futebol. Está na maneira de ver um grupo, avaliar um adversário e até mesmo saber onde você tem que se fechar e onde ir pra cima. Onde o adversário pode chegar e entrar no estádio e onde, infelizmente, você tem que “revidar” e trancar o vestiário para tumultuar.

O torneio é mal organizado, as idéias de como vencê-lo são antigas mas infelizmente é assim que ele é jogado.

Ir pra cima do Penarol feito louco em casa no final do jogo como se precisasse do resultado faz do Flamengo, hoje, um grande candidato a ficar fora na primeira fase.  E eu pergunto: Que torcedor não queria ir pra cima e sair daquele 0x0?

Dá pra empatar lá. Dá pra ganhar lá. Mas agora é hora de conviver com algo incomum. Os favoritos a vaga são os favoritos a vencer os jogos finais. LDU e Penarol. O Flamengo é líder, protagonista, melhor time dos 4, mas vai ter que conseguir um grande resultado pra passar. Os outros, só o “resultado comum”.

RicaPerrone

Não percam a Libertadores

Isso não é um jogo, é Libertadores.  Jogos tem regras e critérios, leis para ambos os lados e igualdade de condições.

Isso não é um jogo. É Libertadores.

O Flamengo joga mal Libertadores porque não a compreende. Trata tudo em sua frente como “obrigação” mesmo não sendo. E se nada é obrigação, imagine a principal competição.

O espírito da cobrança ao invés da fé não foi testado ontem porque a bola entrou cedo. Mas talvez num 0x0 vendo o Arão ser o melhor em campo a torcida rubro-negra não reagisse da mesma forma.

Há anos escrevo o mesmo texto: campeonato se conquista, não se evita perder. Toda vez que o Flamengo entrar em campo pra “não perder” a Libertadores, irá.

Jogo fácil, sem riscos.  Embora controlando a posse de bola o tempo todo, o Flamengo dependeu em 100% das suas jogadas de ataque de algum fator individual. Ruim? Não. Mas o coletivo não está funcionando ainda como deveria ofensivamente.

Achei os jogadores muito guardados em suas posições. Previsível até.

A LDU é time de jogar em casa na altitude. Fora dessa condição ela não representa perigo.

Esse Maracanã cheio de gente, fé, energia e vontade de vencer pode ser campeão da América. O que cobra, acha “obrigação”, faz discurso europeu de “pelo tanto que investiu…”  e que vaia o Arão com 10 minutos, nem pensar.

Flamengo começou tão bem a Libertadores que empolga. E o pior inimigo do Flamengo ao longo de mais de 100 anos é confundir empolgação com “oba-oba” e “oba-oba” com obrigação.

Campeonato se conquista. O que se “evita perder” é carteira, celular, óculos escuros….

RicaPerrone

A copa do Fluminense

Talvez o Fluminense não seja o campeão da Sulamericana. Talvez tenha sido só mais uma tentativa frustrada de conquista de um torneio sulamericano.  Talvez seja pela vingança de 2009, algum resto de 2008, tanto faz.

Fato é que desde a estréia do torneio existe um clube que o deseja de fato e este clube é o Fluminense.

São 35, 45 mil pessoas em cada jogo pra ver um campeonato que quase ninguém prioriza. Quase ninguém, porque o Flu, empurrado pela motivação involuntária de sua torcida por essa taça, fez dele o objetivo do ano.

Joga sua própria Libertadores num torneio bem menor. Mas faz dele maior do que de fato é, o que deveria fazer com que a Sulamericana agradecesse o Flu pelo traço de grandeza que o clube tem dado a ela, não o contrário.

A LDU vive uma puta crise, o resultado é bom, poderia ser bem melhor. Pouco importa. É tão envolvente o clima de decisão que a torcida do Fluminense está fazendo na sulamericana que até o adversário joga mais do que jogaria se encontrasse um cenário comum.

Esse torneio mal feito e que respira por aparelhos a anos ganhou duas chances de sobreviver. Uma foi o acidente da Chapecoense, que fez da sua final algo muito mais importante do que de fato seria como jogo apenas. E agora um grande clube do Brasil o escolhendo como prioridade.

Se eu fosse a Sulamericana me jogava no colo do Fluminense. Mas ela é tão burra, tão cega, tem tanta vocação pra não vingar, que é capaz de cair no colo de alguém que nem se importe.

abs,
RicaPerrone