libertadores 2014

E o mundo acabou

Venho através desta informar que o mundo acabou na noite desta quarta-feira, 15 de maio de 2014.

Segundo especialistas em futebol o país do futebol acaba de entrar em crise profunda, ou na verdade apenas a constatar, porque nesta Libertadores não foram as semifinais.

É inaceitável que num esporte tão imprevisível aconteçam coisas não previstas, como ver um Cruzeiro, melhor que os 4 semifinalistas tecnicamente, fora delas.

Senhores, quero informa-los também que por critérios semelhantes esquecemos de manchetar nos últimos 23 anos o incrível baile que o futebol brasileiro deu na América do Sul através da Libertadores.

Neste período, pasmem, também estavamos “em crise” e “refletindo o momento ruim do nosso futebol”.

Mas, desde 1991, fomos a todas as semifinais.

Nestas 24 edições de Libertadores mais recentes, fomos as semi em 23.

Vencemos 12.

Fomos a 19 finais.

Nos últimos 4 anos, ganhamos as 4.

E isso tudo em crise. Refletida nesta quarta-feira quando todos os brasileiros sairam do torneio.

É o fim, meus senhores. Nosso futebol, alterado pela mídia que condenou o futebol de 82 para exigir o de 94, agora amarga a profunda crise de quem subiu de uma média de 34 milhoes anuais de faturamento por clube grande para 300 em 10 anos.

O único país do mundo que mantém seu futebol crescendo sem ter no continente uma competição de alto padrão técnico e comercial.

Nos viramos sozinhos, com mil problemas, defeitos e uma crise de identidade há mais de 20 anos. Mas que só nesta quarta-feira a imprensa percebeu.

Ah, se a bola Marcelo Moreno entra… seriamos tão melhores.

abs,
RicaPerrone

Um Cruzeiro comum

O Cruzeiro foi a campo disputar uma partida de futebol por isso não saiu classificado. Também não perdeu a tal partida, é verdade. Mas não bastava, como não bastou entender o jogo de hoje como “mais um jogo”.

Não vou cair no clichê de “Libertadores é Libertadores”.

Mas é, porra!

Mata-Mata é um tipo de campeonato que requer mais do que um time ajeitadinho e melhor que o adversário. É preciso “algo mais” e o Cruzeiro não teve este algo mais em nenhum momento da Libertadores, muito menos hoje.

Aliás, mero replay da Copa do Brasil do ano passado, onde o time jogou como se fosse “mais um jogo” e ficou de fora.

Aos 30 minutos do segundo tempo o Cruzeiro entrou no jogo. Era tarde, muito tarde. Em momento algum nos 2 jogos o San Lorenzo quis jogar bola. Argentinos quase nunca querem jogar bola.

Tem “sangue de barata”, talvez pelo parentesco, enfim.  Mas fato é que eles esperaram um Cruzeiro que não foi. Facilitaram o trabalho dos caras numa noite que começou errada e terminou mal.

Cem reais pra ver o Cruzeiro numa decisão.  Perde-se parte do Caldeirão, afasta-se torcedores comuns, mas ganha-se dinheiro. Pra que? Pra montar o time e “voltar” pra Libertadores.

Uma lógica não muito simples.

O que fez o Cruzeiro disputar Libertadores pelos 20 minutos finais de jogo não foi o gol, nem a torcida, nem a expulsão. Foi o lance do Fair Play, brilhante, diga-se.

Fair Play é algo que demonstra lealdade no esporte. Fair Play contra argentino é atestado de otário em quase todas as oportunidades.  O sujeito se jogou no chão pra ganhar tempo na substituição, e isso é honesto?

Fair Play é o caralho.

Ali, naquele empurra-empurra, o Cruzeiro sentiu o jogo e o que foi fazer no Mineirão.

Tarde demais.

Ainda assim, aplausos. Inteligentes aplausos que podem evitar um ar de “tragédia” e ajudar a conquistar o Brasileirão.

Até porque, é por pontos corridos.

abs,
RicaPerrone

Não precisava

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A sensação após o jogo de ida do Cruzeiro na Libertadores é vivermos um cenário que não precisava existir.

O San Lorenzo é bom time, jogava em casa, 1×0 é um placar muito comum em Libertadores e acho que o Cruzeiro reverte. Mas não fosse por uma dose a mais de ousadia e calma no último passe, dava pra ter voltado de lá com o empate, pelo menos.

Esse time argentino parece dirigido pelo Muricy. Eles não querem jogo, querem apenas o placar. Se por exemplo, ao invés do Julio Batista que não é centroavante, o Cruzeiro tivesse entrado mais cedo com Dagoberto, teria levado mais perigo.

Dá? Dá. Claro que dá. Tem que dar.

Mas não precisava ter saído de lá sem o gol fora e perdendo. Bastava um pouco mais de “vontade de ganhar” o jogo do que “medo de perder” para a situação ser diferente.

Mas aqui, será.  Não tenho dúvida.

abs,
RicaPerrone

“Sem vergonha”, não!

Eliminações geram alucinações.  Hoje, neste exato momento, minutos após o jogo, centenas de rubro-negros estão jurando “nunca mais torcer pra essa merda!”, outros milhares menos radicais que “cansaram de se iludir em Libertadores”, e os restantes que “foda-se o estadual”.

Amanhã estarão no máximo discutindo um lance ou outro e no domingo serão todos novamente apaixonados pelo clube e farão do “foda-se” uma grande alegria em caso de vitória e uma enorme crise em caso de derrota.

“Isso aqui é Flamengo”.

E o Flamengo não tem um grande time. Está prometendo pouca coisa, andando com pés no chão e ao contrário do que sugere o título épico da Copa do Brasil, não é um time favorito a nada.

Menos ainda a Libertadores.

“Onde erramos?”, pensam os rubro-negros nesta noite de pouco sono.

E talvez, hoje, após 90 minutos esclarecedores, seja difícil enxergar.  Mas a verdade é que quem não errou foi o León, que em 2 jogos mostrou ser indiscutivelmente melhor time que o Flamengo.

A eliminação é justa, um tanto quanto “normal” pelo time que tem e também pouco surpreendente pela camisa que veste.  Flamengo é o que faz milagres quando não dá e quando dá.  Hoje, dava.  Não deu.

Daí a ser um “time sem vergonha”,  merecer protestos e uma “crise” por ter sido eliminado na primeira fase de um grupo não tão fácil, acho exagero.

Tem erros, vilões, coisas a repensar. Mas não trata-se de “um time sem vergonha”.

De um “time comum”, talvez.

Não é sempre que a camisa vai conseguir esconder o que de fato há dentro dela.

abs,
RicaPerrone

Volta, Flamengo!

Primeiro assume uma diretoria que cumpre a palavra. Depois o clube gasta parte do orçamento anual em pagamento de dívidas antigas.

Então, entre um reforço contestável lá, outro cá, ganha a Copa do Brasil com um estádio cheio de “favelados” a 250 reais.

Começa o ano, o time perde seu principal jogador, lidera o estadual, e na Libertadores e enche o estádio pra estrear em casa.

Não tem salário atrasado, nem mesmo uma “bombinha” que alguém de lá soltou maldosamente na mídia.  Ninguém indo na justiça cobrar nada de 1994, nem mesmo um jogador envolvido com problemas extra campo.

Até aí, tudo bem. Podemos tolerar este novo Flamengo sem necessariamente tomar partido.

Mas tolerar um Flamengo que joga uma partida de Libertadores sem brincar e que vence com segurança, já é demais.

Não estamos preparados para tanta mudança de uma só vez.  Se querem vencer na Libertadores, pois bem! Mas alguém, por favor, chegue atrasado no treino amanhã.

Um chequinho sem fundo, que seja! Uma negociação que vaze na mídia, ou talvez um escândalo qualquer sobre um pedaço do clube que está caindo aos pedaços.

Por um Flamengo melhor sempre. Mas me dá um tempo pra acostumar.

abs,
RicaPerrone

Tudo “quase” muito bom

Com 4 jogos o Botafogo já descobriu que empatar “lá” em Libertadores é bom resultado.

Descobriu que torcida ajuda, e muito.

Entendeu também que tocar a bola lentamente impede o adversário, em casa, de te sufocar como adoram fazer nossos vizinhos.

Descobriram um ritmo de jogo fora e outro em casa.  Conquistaram, assim, a vaga e mais 4 pontos.

O que talvez tenham aprendido nos últimos 15 minutos do jogo de hoje é que uma dose de ousadia quando com a bola não faz mal a ninguém. Era clara a tentativa de não se deixar pressionar. E funcionou.

Mais claro do que isso só a pressão final onde em desvantagem e mesmo com o rival recuado pra evitar o Botafogo, sobraram chances de gol.

É uma guerra, um campeonato diferente, cheio de estratégias, mas ainda é futebol. E quando seu time é melhor, não há nada mais inteligente a ser feito do que jogar futebol.

O Fogão se defendeu como um veterano no torneio. Mas não soube agredir. Quando obrigado a isso, fez.  Podia ter feito o jogo todo, menos desesperado, ainda 0x0 e com consideráveis chances de ganhar lá.

Empatou. E foi um puta resultado.

abs,
RicaPerrone

Vivos!

Sortearam.

E como sempre, em questão de 15 segundos a mídia elegeu o “grupo da morte”.

Para delírio de colorados, azedos e outros tantos, o Imortal tricolor estava nele.  Com Nacional, Atlético Nacional e Newells.

“Fodeu”, pensaram.

Os colombianos, argentinos e uruguaios, é claro.

E lá se vão duas rodadas de frente pra morte.  Lá, aqui, sem nem mesmo um time cheio de glamour para se candidatar a título por antecipação.

São 6 pontos. O grupo da morte começa a matar.

E adivinha quem está vivo? Pra variar…

Abs,
RicaPerrone

Passeio no Mineirão

Quando você pensa num time imediatamente atrela a suas características. Ao lado mais forte, a jogada fatal, ao estilo de jogo e aos resultados recentes.

O Cruzeiro tem deixado a gente confuso. É rápido, contra-ataca bem, mas quando encara um time mais fechado também consegue achar o gol.  Logo, não há antídoto eficaz comprovado.

Se perdendo, sufoca e vira. Se sai na frente, goleia.

Não, não é no papel o que sugere na prática.  E, pela primeira vez na história do universo, o papel está sendo menos otimista que os fatos.

Se desenhado para ser um time de conhecidos titulares, as coisas funcionaram lançando diversos anônimos e sequer garantindo vaga aos mais galáticos, como Julio Batista, que ainda amarga banco.

E não, ele não está em péssima fase. Os outros é que estão ótimos.

Willian, Goulart, Bruno, até mesmo Dagoberto e Moreno, considerados “refugos” de outros clubes. Talvez a explicação esteja no banco, em pé, pulando a cada gol feito um garoto.

Talvez não.

Deu liga. Seja lá pelo motivo que for, é ruim parar este Cruzeiro. E não porque venceu a Universidad de Chile, mas pela forma com que faz as coisas acontecerem em 90 minutos.

Imprevisível, rápido, sério.

abs,
RicaPerrone

 

Didático

Gérson foi um dos melhores jogadores do país em todos os tempos.  Tem 73 anos, trabalha com futebol dentro e fora do campo há pelo menos  50 anos.  Viveu, venceu e se frustrou 200 vezes mais do que qualquer um de nós, jornalistas ou torcedores.

Ontem, na cabine do Maracanã, perdeu a linha e explodiu com a torcida do Botafogo rodando a camisa como um garoto que estréia no estádio com o pai.

A imagem, que pra muitos é apenas “engraçada”, é exatamente o que penso sobre futebol.

“Futebol é negócio”, “Futebol é esporte”, “Futebol é coisa séria”.

Porra nenhuma.

Futebol é isso ai.  O resto é discurso.

Nada e nem ninguém seriam capazes de convencer um campeão do mundo de 73 anos a tirar a camisa e sair gritando.  Só o tal futebol.

abs,
RicaPerrone