Libertadores

Enfim, sem “poréns”

O Inter tem um bom time. Ao contrário do que muita gente diz, dá pra jogar bem e vencer. Não é um ou outro. Prova disso são jogos como o desta noite.

Não satisfeito em vencer, o Inter estava disposto a convencer. Sair de campo aplaudido em pé e sem “poréns”.

“Ganhou mas não jogou bem”. “Ganhou mas recuou”. “Ganhou mas…”.

Não tem “mas”. O Inter venceu lá como dava, aqui como quis.

Contra-ataques, chances de gol, movimentação, sintonia com a torcida. Noite de gala no Beira-Rio. Daquelas que faz a gente acreditar.

Se Flamengo ou Emelec, ainda não sei. Mas quem vier enfrentará o melhor Inter dos últimos anos.

Noites irretocáveis não se comenta, só aplaude.

RicaPerrone

É pouco, Mano


Por mais complicada que seja a crise interna, por pior que seja o ambiente, o futebol do Cruzeiro é pobre. E quando digo isso me refiro exatamente ao que ele poderia fazer, não a uma “fraqueza” em seu elenco.

Com o time que tem dá pra jogar muito mais. Mano é adepto de um futebol à lá Muricy, que olha pro placar e nada mais. Dá algum resultado, mas é “comum” demais.

Não vou nem usar o resultado desta noite. Vou citar as atuações.  Ser eliminado pro River nos pênaltis é um resultado normal. Ter em 2 jogos 37 finalizações do River contra 13 é que não é.

O Cruzeiro não joga mal. Seus resultados não são ruins. Mas seu futebol é abaixo do que pode. E essa nossa mania de aceitar qualquer coisa destrói o futebol brasileiro.

Um time desses tem obrigação de jogar um futebol muito menos burocrático do que o proposto em 2019.

O Cruzeiro tem uma cozinha equipada, nova, geladeira cheia, e o chef entrega um miojo e ainda encerra dizendo “matou a fome? Então tá bom”.

Não, não tá.  Tem time pra bem mais do que isso. E custa caro.

RicaPerrone

Como a banda toca

Jesus foi puramente treinador. Ignorou o campeonato, o clube, o histórico e a relação de confiança com o torcedor. Resolveu por conta e risco que trataria o jogo da Libertadores como um jogo qualquer.

Se vence com Rafinha na frente, é gênio. Perdeu, que aguente. Não pelo Rafinha. Pelo conjunto da obra. O erro? Tentar fazer com que o Flamengo se adapte a ele e não o contrário.

Isso é jogo pra fechar a casinha e ganhar de meio a zero. Não porque prefiro, mas porque é Flamengo numa Libertadores. Na menor chance de dar merda, vai dar. É isso que ele parece ignorar e não saber.

Vilão? Não. Eu compreendo o Rafinha na frente. Não compreendo o Cuellar fora jogando lá. Aqui, semana que vem, é bem razoável. Mas aí é capaz dele escala-lo.

O Flamengo tem, entre vários erros, uma dose escandalosa de azar na Libertadores.

Perde Everton, Arrascaeta, toma um gol no começo e tem um a mais. Diego se machuca. A bola do segundo gol é sacanagem. Desvia no único lugar que podia pra entrar no único espaço possível.

Lá vem vocês com o papo do investimento. E eu insisto no meu papo de que investimento pesado em reforço caro, na América do Sul, é papo furado. A gente faz, quem compra é europeu. E normalmente ganha quem faz, não quem compra.

Dá pra virar? Claro que dá! Sem Arrascaeta, Diego e Everton? Mais difícil. Mas dá.

Semana que vem o Flamengo opta entre dois cenários comuns a sua história. Ou enche o estádio pra cobrar e sai dali sob pedras e em crise, ou entra pelo “milagre” e sai dali santificado.

Aguardemos. Mas que dá, dá.

RicaPerrone

O inadmissível “normal”

Espera-se do Flamengo o mínimo. O mínimo é passar da primeira fase. Tal qual em 2017, o “vexame” torna-se possível e ao mesmo tempo injusto. O Flamengo ficou num grupo onde não passar é possível mesmo fazendo a “obrigação”.

A derrota pro Penarol, mesmo que se trate de um time enorme, não estava nos planos. Mas talvez vencer naquela altitude na estréia também não. A questão é que com 3 vitória normalmente você passa de fase. O Flamengo fez isso em 2017, enfrentou 3 times duríssimos de bater fora, perdeu e ficou fora.

Em 2019 se repete o cenário. É normal perder os 3 jogos fora. Dois na altitude, um pro Penarol, um dos maiores da América. E mesmo com 9 pontos correr o risco real de ficar fora.

Ontem o Flamengo jogou mal. Culpa-se diversos fatores inclusive o próprio time. O ponto é que queira ou não, goste ou não o apaixonado rubro-negro,  o resultado é normal.

Uma derrota pro Penarol no Uruguai, idem. E então a eliminação aconteceria mais uma vez sem nenhuma derrota absurda ou vexatória.

O entendimento de Libertadores não está na forma de jogar futebol. Está na maneira de ver um grupo, avaliar um adversário e até mesmo saber onde você tem que se fechar e onde ir pra cima. Onde o adversário pode chegar e entrar no estádio e onde, infelizmente, você tem que “revidar” e trancar o vestiário para tumultuar.

O torneio é mal organizado, as idéias de como vencê-lo são antigas mas infelizmente é assim que ele é jogado.

Ir pra cima do Penarol feito louco em casa no final do jogo como se precisasse do resultado faz do Flamengo, hoje, um grande candidato a ficar fora na primeira fase.  E eu pergunto: Que torcedor não queria ir pra cima e sair daquele 0x0?

Dá pra empatar lá. Dá pra ganhar lá. Mas agora é hora de conviver com algo incomum. Os favoritos a vaga são os favoritos a vencer os jogos finais. LDU e Penarol. O Flamengo é líder, protagonista, melhor time dos 4, mas vai ter que conseguir um grande resultado pra passar. Os outros, só o “resultado comum”.

RicaPerrone

Enfim, a estréia

Em 2019 o Grêmio já foi até campeão, mas ainda esperava aquela atuação de Grêmio. Não me refiro a um jogo do estadual qualquer, nem mesmo a uma goleada. Mas a um jogo decisivo onde o Tricolor fosse manter a bola, controlar o jogo e construir a vitória com calma.

As características de um Grêmio vencedor estavam faltando. Ontem sobraram.

Longe de um show, mas com a segurança de um time que volta a ter confiança e fazer o que sabe. Não adianta tirar desse time sua principal característica e esperar resultados semelhantes. O Grêmio do começo da Libertadores queimava a bola. O Grêmio dos últimos anos não entregava a bola de jeito nenhum.

Ontem houve controle, protagonismo, iniciativa e calma. Falta o Alisson soltar um drible antes a bola, o André ser mais centroavante do que pivô, uma aproximação mais criativa do meio, mas num geral o time voltou a ter postura.

O Libertad perde pouco em casa. Esse ano foi só pro Olímpia, clássico, e ano passado foram 6 derrotas, sendo 2 pro Olímpia, uma pro Boca.

Ganhar lá não é a moleza que pareceu ontem. Como nada do que o Tricolor conquistou nos últimos anos pareceu fácil como em alguns momentos foi. O Grêmio faz do jogo “fácil”. E não vinha fazendo.

Enfim, o Grêmio.

RicaPerrone

Nenhum absurdo

Abro a Globo.com e leio “crise”.  Quando digo que a Flapress é nociva ao Flamengo é disso que estou falando. O céu e o inferno tem 1 centímetro de distância na Gávea, e não é pra tanto.

Jogou mal. Bem mal.  Tomou um gol no final e perdeu.  Nenhuma raridade em Libertadores, ainda mais considerando o ignorado fato de que do outro lado havia um time muito grande.

Sim, esquecem. Mas era o Penarol. E se eventualmente houver alguma dúvida sobre não ser um absurdo perder para um dos maiores clubes do Uruguai, consulte o google.

A oportunidade era boa de se firmar na liderança. Era jogo pra vencer, ainda mais tendo poupado o time titular pra isso.  Gabigol foi expulso num lance desnecessário.

Nem o céu de domingo, nem a “crise” de hoje.

O Flamengo segue bom ano alternando momentos e sem atingir em momento algum o que dele se espera. Com o fato de que ninguém atingiu ainda sendo considerado, é claro.

É mais time. Favorito ainda ao grupo.

Talvez o que seja o grande e eterno problema do Flamengo: a obrigação.

RicaPerrone

Ao menos o DNA

Mal em campo por boa parte do jogo. Claramente não funcionando como esperado e prestes a rever o treinador. Esse é o Galo que transformou uma boa classificação na pré-Libertadores em uma campanha de alto risco.

Em casa desde sempre o time joga menos do que pode. Fora, com espaço, mais. Mas time grande não pode viver de contra-ataque pois a iniciativa é dele.

Levir? Não sei se só ele. Mas com certeza ele é um dos que eu não apostaria para um time em 2019.

Se a bola não apareceu, se o time não funcionou e o jogo foi bem pior do que o esperado, ao menos o DNA atleticano na Libertadores foi respeitado.

O senhor dos milagres fez mais um. Ok, não era o Boca, era o Zamora. Mas virar um 2×0 em meio tempo na Libertadores ainda é coisa de raros clubes.

Amanhã? Demitiria comissão, mudaria peças, sei lá! Mas hoje o Galo quase morto respira. E respira com peito estufado. Não pelo desempenho, mas pela alma.

As vezes o torcedor perdoa um resultado quando vê seu clube representado em campo. As vezes ele sente um vazio numa vitória por não enxerga-lo ali.

A bola não foi de Atlético. Mas a virada, muito!

RicaPerrone

 

Não percam a Libertadores

Isso não é um jogo, é Libertadores.  Jogos tem regras e critérios, leis para ambos os lados e igualdade de condições.

Isso não é um jogo. É Libertadores.

O Flamengo joga mal Libertadores porque não a compreende. Trata tudo em sua frente como “obrigação” mesmo não sendo. E se nada é obrigação, imagine a principal competição.

O espírito da cobrança ao invés da fé não foi testado ontem porque a bola entrou cedo. Mas talvez num 0x0 vendo o Arão ser o melhor em campo a torcida rubro-negra não reagisse da mesma forma.

Há anos escrevo o mesmo texto: campeonato se conquista, não se evita perder. Toda vez que o Flamengo entrar em campo pra “não perder” a Libertadores, irá.

Jogo fácil, sem riscos.  Embora controlando a posse de bola o tempo todo, o Flamengo dependeu em 100% das suas jogadas de ataque de algum fator individual. Ruim? Não. Mas o coletivo não está funcionando ainda como deveria ofensivamente.

Achei os jogadores muito guardados em suas posições. Previsível até.

A LDU é time de jogar em casa na altitude. Fora dessa condição ela não representa perigo.

Esse Maracanã cheio de gente, fé, energia e vontade de vencer pode ser campeão da América. O que cobra, acha “obrigação”, faz discurso europeu de “pelo tanto que investiu…”  e que vaia o Arão com 10 minutos, nem pensar.

Flamengo começou tão bem a Libertadores que empolga. E o pior inimigo do Flamengo ao longo de mais de 100 anos é confundir empolgação com “oba-oba” e “oba-oba” com obrigação.

Campeonato se conquista. O que se “evita perder” é carteira, celular, óculos escuros….

RicaPerrone

Vencer, vencer, vencer!

Das raras situações no futebol onde só o que importa é vencer, jogar na altitude é disparado a mais decente delas. Ali não se avalia muita coisa a não ser se o time conseguiu ou não controlar o físico e a defesa.

Defesas, no caso. Diego Alves fez uma partida redentora após terminar 2018 numa situação absurda de se negar a ser parte do grupo e não o titular.

Rodrigo Caio deu ao Flamengo a dose de briga que o time buscava. Ele as vezes erra, mas ele nunca deixa de vibrar. Seu problema no São Paulo sempre foi esse: brigar num time morto e sem vergonha na cara.

Se pelas defesas ou por uma atuação magistral que evidentemente o torcedor apaixonado enxergará após o apito final, tanto faz. Na altitude, que é desumana as vezes, empatar é ótimo, vencer é incrível.

Para um Flamengo que sonha em fazer na Libertadores o que normalmente não faz, começar ganhando fora é um ótimo sinal.

Agora são 3 jogos em casa e toda chance do mundo de ser o primeiro classificado para a próxima fase.

Lembre-se, rubro-negro: a Libertadores se conquista. A idéia de “evitar perde-la” é sempre o maior problema do Flamengo. Em campo, na arquibancada e na mídia.

Tente ganhar esse ano. Ninguém perde o que não tem. Boa sorte!

RicaPerrone

Vocês sabem como é

Parece obrigação, mas não é. O campeonato mais difícil do mundo não pode ter sua análise a palavra “obrigação”, e se existe um clube que pode exemplificar isso com sua própria história é o Atlético em sua conquista da América.

Poderia ser mais fácil aqui. Mas também poderia ser bem mais complicado lá. Esperar que o time dê um baile na ida e na volta num mata-mata de Libertadores não é análise tática ou técnica. É quase desconhecimento de causa.

Haverá expulsão, perrengue, uma bola que entra do além, outra que deixa de entrar por um milagre.  E ainda tem o juiz, inimigo número um dos brasileiros na Conmebol.

O Galo jogou menos que podia, não vi os sustos que alguns viram em perder o jogo, nem um futebol que justificasse qualquer euforia. Apenas uma partida burocrática de quem queria passar e nada mais.

Aí sim podemos ter uma questão: o “nada a mais”.

Pra ser campeão da Libertadores você tem que ter tudo e “algo mais”. O Galo tem um bom time, fez dois bons jogos fora de casa, passou hoje sem inspiração, sem ousadia mas também sem sustos.

Não, não é hora ainda de encontrar isso. Estamos saindo da pré temporada, organizando os elencos e times e portanto esperar qualquer brilho neste momento é um exagero enorme.

Passou. Missão cumprida. Agora o Galo tira das costas a obrigação e parte pro sonho. E desde que me entendo por gente não vi ninguém fazer de um sonho tão real quanto o próprio Atlético na Libertadores de 2013.

Não ousarei ensinar o padre a rezar uma missa.  Mas agora a missa está confirmada.

Dizem que ir a missa é pra quem tem fé. E ter fé é acreditar.

Deus que me livre falar sobre isso com atleticano.

RicaPerrone