Rubro-negro sofre com o fantasma do “vexame” na Libertadores. Primeira fase ou qualquer adversário que se considere “obrigação” faz do Flamengo uma vítima de si mesmo.
Assisti aos 5 jogos do Mengão na Libertadores. Esse foi o que mais me preocupou.
– Porra, Rica! Mas jogamos partidas piores que essa!
Depende.
Eu entendo a ansiedade e o drama da “primeira fase”. Mas algumas coisas precisam ser c0locadas antes que o oba-oba delicioso da torcida do Mengão encubra tudo.
Time com Everton, Diego, Vinicius e Paquetá TEM que ter no mínimo uma puta saída de bola. O Flamengo perdeu bola o jogo todo hoje na sua intermediária. Não conseguia sair jogando.
Dos 4 talentosos citados acima, só 1 jogou bem.
A maioria das chances de gol foram criadas por contra-ataques e/ou erros da defesa adversária e não articuladas pelo Flamengo.
O primeiro objetivo de um jogo de futebol é ter a bola. Sem ela você não joga, com ela o adversário não te ameaça. Todo time, em qualquer circunstancia do jogo, está buscando a bola. O Flamengo não conseguiu ficar com a bola.
Enfim. A vaga garantida, paz no Ninho e agora Copa, treino e só tem “fantasminha” em julho/agosto. Hora de curtir a vaga e o primeiro semestre que “deu certo” com o time bem no Brasileiro, classificado na Copa do Brasil e também na Libertadores.
Mas ou o Flamengo encontra um equilibrio emocional e tático, ou… nada feito.
Houve show no Maracanã. Mas foi da torcida. Essa “engoliu o choro” e empurrou mesmo morrendo de medo do “vexame” aparecer ali de novo.
O futebol sulamericano é a maior vítima da globalização e da facilidade de informação. Quanto mais fácil algo se torna mundial, mais difícil pro regional se manter forte. O futebol europeu através de suas 5 ou 6 máquinas de massacrar adversários hoje toma o espaço de todos os “fãs” do esporte no planeta.
O que temos na América do Sul para competirmos com uma economia 200 vezes mais sólida e absolutamente impossível de alcançarmos? A cultura, a nossa maneira, a paixão, a dose cavalar de loucura pelo clube e não pelo esporte.
Então a Conmebol é alvo de polêmicas com corrupção e etc. Muda-se aos poucos e vão trocando ladrões por profissionais formatos na puta que pariu mas que de futebol não entendem nada.
É nítido. Quase gritante. São donos de cervejarias que não bebem. É impossível! Você quer fomentar algo em alguém que você não conhece e nunca sentiu em si mesmo.
A Conmebol proibiu a festa. Era um diferencial. Enfiou os protocolos, era outro. Nos deu a lista ridícula ao lado multando clubes por festa, papel picado, etc. Acabou com nossa tradição para copiar modelos culturalmente inviáveis. Para dizer que estão no caminho de quem deu certo.
E quem disse que pastelaria vendendo sushi dá certo?
Não somos europeus. E vocês não são torcedores. Logo, não é muito difícil entender porque estupram nossa paixão por futebol e esvaziam o produto.
Anunciam a impossível, bizarra e sem nexo “final única” em campo neutro. Espantosamente os clubes da América do Sul se calam, idem para as confederações. Talvez por rabo preso. Talvez por mera covardia.
Em seguida anunciam Copa América com “convidados”. É o campeonato carioca com Corinthians. É a estupidez fundamental do não entendimento do evento.
Trata-se da Copa América. Se fosse mundial era Copa do Mundo. Não vai rolar vaga pra nós na Eurocopa, meus caros. O papel de vocês hoje é ser o otário da turma.
A administração que zomba do produto, que claramente o desconhece, que não tem qualquer credibilidade e ainda por cima é intransigente quanto a seus “novos valores”.
Ninguém pediu pra mudar os valores do futebol sulamericano. Nem impedir pedras em escanteios vocês tem a dignidade de conseguir, mas a bandeira no estádio, essa sim, tem que inspecionar.
Se o futebol sulamericano hoje sofre com o mercado globalizado é muito mais por incompetência da Conmebol do que por falta de atrativo. O problema é que o dono do produto não sabe o que o produto tem de melhor.
Óbvio que entendo a reação desesperada do vascaíno ao ver seu time ser goleado em casa e eliminado. Mas entendo também que as deliciosas histórias do futebol nem sempre terminam antes de a gente acordar.
O Vascaíno viveu um sonho com diversos indícios de que era sonho. Mas ainda assim, ninguém se recusa a sonhar. E se um dia se recusar, desistiu do futebol.
O cruzeirense vivia um pesadelo. Ver o time montado pra disputar título arriscado a sair na primeira fase era surreal. Tanto quanto o Vasco passar pra fase de grupos e ainda eventualmente eliminar Cruzeiro e Racing com esse elenco que tem.
Nunca será normal o Vasco tomar 4 em casa. Mas o Vasco remendado pós Eurico, com uma eleição que considero altamente duvidosa no aspecto moral e o caos estabelecido no clube dias antes da Libertadores começar, não há camisa que faça esse milagre.
O Cruzeiro desencantou no mesmo momento que o Vasco caiu na real. O choque de realidade não poderia ser mais didático e claro do que um confronto em São Januário com essa goleada. E não porque o volume de jogo do Cruzeiro tenha sido bizarro, mas porque a diferença técnica entre o ataque do Cruzeiro e a zaga do Vasco é quase um bullyng.
O Cruzeiro entrou em 2018 pra disputar título. O Vasco pra fazer milagre.
Não pode ser surpreendente agora que os mineiros tenham acordado e começado a jogar o que deles se espera e o Vasco tenha encerrado a fase mágica onde a vontade supera todos os problemas do clube.
Estou há um tempo querendo fazer essa afirmação, mas ela é muito perigosa. Hoje, sem que eu tocasse no tema, um amigo (Marcelo) me disse isso quando me encontrou. Ele é gremista, tem minha idade, talvez considere o time de 83 mais do que eu que vi bem menos do que gostaria.
Talvez ele tenha em mente apenas o de 1995 pra competir com esse. Eu vi muito o de 1995, de lá pra cá obviamente vi todos. E o de 83 muito mais por video tape de jogos importantes do que por dia a dia. Fato é que tenho no meu inconsciente que o Grêmio é um time que joga duro. Não bonito.
Nunca esperei futebol bailarino desse clube. Toda vez que enfrentava o Tricolor gaúcho era na base do “eles são casca grossa”, não um time de futebol envolvente e encantador.
Esse causa até incômodo. Como que eles podem jogar tão bem sem ter comprado estrelas e os outros clubes vivem gastando tubos pra não jogar nada ou viver em função de uma bola parada?
Ver o jogo das 21h quando o Grêmio joga as 19 é bastante difícil pra quem adora futebol bem jogado. Raríssimos os times que apresentam algo sequer parecido.
Hoje, não pelos 5×0, mas pela certeza de que é uma nova característica deste time e não uma fase que caiu no colo, eu consigo dizer: é o melhor Grêmio que eu vi jogar.
E talvez esse time não fosse capaz de vencer o de 1995. Mas ele joga melhor. E não me refiro a “mais bonito”. É melhor de controle, posse, coletivo, tático, defesa que não sofre sustos. É muito bom ver jogar.
Daqui 40 anos vocês falarão desse Grêmio como falamos hoje dos épicos times da década de 70. Com saudades, orgulho de ter visto e vontade de rever.
Aproveitem. Estamos vendo a história ser escrita em letras garrafais.
Daquelas que a gente olha, vê o problema e se enfia nele mesmo assim. É mais forte do que nós.
Ela joga sujo, aparece seduzindo, não deixa você esquecer dela e no menor indício de desinteresse ela aparece flertando com seu pior inimigo. E aí você vai lá igual um cachorrinho se submeter as mais absurdas condições só pra “estar com ela”.
Você sabe quem ela é e mesmo apaixonado por uma vadia parece não entender o que ela quer.
A Libertadores gosta de tapa na cara, Mengão. Pára de mandar flores, ela quer sexo. Só sexo.
Com amor você conquista o Brasileirão. Aos poucos, sem impacto, devagarinho. Essa aí é outra parada. Se tu não fizer, alguém faz.
Então, meu ex-malandro favorito, tira esse sorrisinho de cara, deixa a barba crescer e não chora quando goza.
Para de abrir a porta do carro pra ela. Ela acha você babaca quando faz isso, não um lorde. E pior: ela odeia lordes.
Tem conquistas fazendo amor e tem conquistas “trepando”.
Hoje você é um tremendo “mete-fofo”, Flamengo.
E pensar que tu já foi o malandro…
Ninguém abre uma casa de chá em Las Vegas. Em Londres não tem samba. E no Rio de Janeiro não é muito apelativa a “campanha do agasalho”. Lei seca na porta de culto não arrecada nada, mas na saída da Olegário Maciel, dá muito certo.
Não existe uma fórmula infalível pra nada. Tudo funciona ou não dependendo de onde, com quem e quando.
O Flamengo jamais será uma Igreja. E se for, quando for, não será mais Flamengo.
O Flamengo não pode votar contra o mata-mata.
O Flamengo não pode ser o time menos polêmico do Brasil no dia a dia.
O Flamengo não pode jogar pra ricos apenas.
O Flamengo não pode ter um time de coroinhas.
O Flamengo precisa de algo inexplicável pra funcionar. E quando se faz tudo pra que ele funciona, é óbvio que, para ser inexplicável, ele não funcionará.
A diretoria do Flamengo é sim a melhor da história do clube e todos os títulos que o clube conquistar nos próximos 100 anos deverá uma parte a ela.
O que não significa ser uma ótima gestora de Flamengo.
De finanças, sem dúvidas. De Flamengo, tenho muitas.
A diretoria do time mais popular do país elogia a torcida que pôde ir num treino de graça. E diz em seguida: “mas nada vai mudar quanto aos preços”.
Ou seja. “Alô moleque que foi ontem lá e se emocionou, está pedindo pra virar meu eterno cliente! Tu não me interessa. Você é pobre!”.
E no mesmo dia grita que é grande porque tem 40 milhões, onde inclui os 35 milhões de pobres.
Não procurem mais o treinador vilão, o jogador enganador, nada disso. Note, é simples: o time do Flamengo é um departamento de uma empresa organizada.
Ele entrega o mínimo necessário, ninguém falta, batem cartão, não reclamam e vão pra casa. Quem vai ser demitido por falta de “algo mais”?
O Adriano teria saído do campo falando palavrão, o Pet teria mandado o Diego pra aquele lugar no meio do jogo, o Zé Roberto teria sido expulso e o Flamengo teria tomado o segundo e perdido.
Mas seria muito mais Flamengo do que empatar esse.
Como a maioria das pessoas de menos de 40 anos, ouço falar do polêmico Flamengo x Atletico da Libertadores de 81 como um dos maiores roubos da historia do futebol. E como a maioria deles, também nunca havia assistido ao jogo na integra.
Pois de curiosidade, abrindo uma série no blog sobre jogos antigos, resolvi assistir pra encontrar o meio termo entre os exageros atleticanos e a defensiva rubro-negra.
———————————————-
Cenário: Jogo de desempate da fase de grupos da Libertadores de 81. O empate era do Flamengo por ter feito mais gols. Jogo em Goiânia.
O arbitro Jose Roberto Wright foi escolhido em comum acordo pelos dois clubes para apitar o jogo.
6 minutos – Cerezo para um contra-ataque fazendo falta em Leandro e toma amarelo. (Cerezo jogava contrariado e obrigado pelo Galo em virtude de ter sido expulso em 79 e ficado 2 jogos fora, o que no entendimento do clube prorrogava seu contrato) 8 minutos – Atlético tem mais chances de gol, jogo intenso, arbitragem dura com os dois lados dando todas as faltas. 13 minutos – Jogo muito intenso com muitas faltas para interrompe-lo e todas bem marcadas até então. Nenhuma polêmica. 17 minutos – Atletico tenta esticar bolas e o Flamengo tenta chegar tocando. Nenhum dos dois consegue. O jogo segue calmo sem nenhuma polemica. 21 minutos – Palhinha faz a segunda falta seguida no meio campo e toma merecido cartão amarelo. 22 minutos – Reinaldo pede pênalti em possível mao na bola do zagueiro. Não da pra ver sem replay, o repórter atrás do gol diz que não aconteceu. 23 minutos – Waguinho deixa o pe na dividida com Junior e toma amarelo merecidamente. 25 minutos – Terceira falta para o Atletico próximo a área. Todas foram. 27 minutos – É assustador como a qualidade técnica era determinante pro jogo. Os dois times apostam 100% no talento pra criar jogadas. 29 minutos – Eder toma um cartão amarelo. Não há imagens nem replay. Os repórteres não explicam o que houve. 30 minutos – Cartão amarelo para Mozer. Correto. 33 minutos – Reinaldo faz falta por tras no Zico e é expulso. Exagerada. Um amarelo estava bem resolvido. Jogo era leal até entao. Tele Santana nos comentarios da tv ao vivo diz a mesma coisa. 34 minutos – Eder expulso. Ele tromba no arbitro e fala alguma coisa. Nao tem replay, nao da pra saber se ele expulsa pelo que foi dito ou se porque acha que a trombada foi proposital. – Em conversa com o arbitro neste mesmo blog horas depois ele afirma ter sido pisado pelo jogador e não xingado. Neste caso considero a expulsão um erro também.
34 minutos – Invasao de campo por parte da diretoria do Atletico. Jogadores se revolvam, imprensa entra e cercam o juiz. 37 minutos – Diretoria pede que o time se retire de campo. Muita confusão. Jogadores do Atletico começam a xingar o arbitro e tomam cartoes em sequencia. Chicão expulso. Palhinha também xinga o arbitro e é expulso. 38 minutos – Carlos Alberto Silva pede para simular contusões para que o jogo termine pelo numero minimo de jogadores. 40 minutos – Os atleticanos revoltados afirmam que estava tudo armado, o time do Flamengo não se mete em nada e fica treinando faltas no gol.
Já não ha mais contagem de tempo. O Flamengo em campo, o Atletico deixou o gramado. Policia pra todo lado, imprensa pra lá e pra ca. E o Wright espera porque com 7 jogadores ainda há jogo pelo regulamento.
Antes que o Wright encerre o jogo, o Galo volta pro campo e quer jogo. O Wright diz que acabou. Que o tempo prometido para esperar o Galo havia acabado, mas o Atletico esta em campo e quer jogar.
Um torcedor invade o campo para abraçar os jogadores do Flamengo em meio ao caos.
Em nenhum momento os jogadores do Flamengo tomaram qualquer atitude. Desde o começo da confusão se afastaram e apenas esperaram.
Wright manda os dois times cada um pro seu lado e vai recomeçar o jogo. O Atletico tem sete em campo, se reune no gramado e combina o que vai fazer antes da bola rolar novamente.
O arbitro expulsa todo o banco do Atletico, provavelmente pela invasao a campo no momento da expulsao do Eder. O Galo tem 7 em campo, literalmente, e mais nada.
O jogo recomeça, Joao Leite, goleiro do Galo, se joga no chão para que o jogo termine com 6 jogadores. E mesmo com o goleiro caido Wright mantem o jogo e não pára para que ele seja atendido.
A bola para em falta pro Galo. O médico pede para que a maca entre em campo, não tem mais reservas, já fizeram substitutiçoes. O Wright manda os medicos pra fora e Joao Leite segue deitado. Ele entende que é uma contusao armada. Leite é expulso pela cera, se levanta imediatamente.
Fim de jogo no Serra Dourada.
O arbitro sai de campo culpando o Galo, dizendo que é um time que ja entrou para isso em campo. Todos os comentaristas da transmissão e o treinador da seleção Tele Santana também condena o arbitro.
O jogo estava muito bom, os dois times jogavam lealmente e o arbitro apitava corretamente até o lance do Reinaldo.
Não há como alguns dizem uma sequencia de roubos até conseguir tirar o Galo da Libertadores. Há um erro grave e o resto do que houve é consequência deste erro. Ele não deveria ter expulsado o Reinaldo.
Vem o lance do Eder, que ele alega ter sido pisado pelo jogador e não há replay que mostre isso. Logo, considero que errou.
O que vem a seguir são expulsões “justas” por comportamento, mas naturais em virtude do erro do arbitro. Ou seja, um roteiro bastante previsível até. So que ao invés do arbitro ver que errou e fingir que nao está ouvindo, ele bancou a expulsão e deu vermelho pra quem o xingava.
Há um erro grave no jogo. A expulsao do Reinaldo. O restante é consequência disso. Então não consigo ver como um resultado armado, mas sim como uma arbitragem que transformou uma falta na maior bola de neve da história.
Sim, o Galo foi muito prejudicado. Mas por um lance, não por 10 erros como alguns entendem ter acontecido. Partindo do principio de que ele achou a falta pra vermelho, as demais expulsões sao todas por algo que foi dito e invasão a campo. Logo, todas corretas. Mas todas elas causadas por um erro dele.
Dá pra pegar o que estou dizendo?
Em resumo, não é o maior assalto da história porque há um erro de arbitragem apenas. Mas é sem dúvida a pior condução de um jogo que já vi. Mesmo errando ali, o juiz poderia ter se acalmado, ignorado uns 5 minutos de xingamentos do time do Galo e segue o jogo. Ele quis bancar, peitar e ter razão… virou o maior vilão de todos os tempos.
E se você ficou curioso e também quer ver, são apenas 35 minutos. Segue o video abaixo.
O parto é um momento especial. Talvez aquela criança que pela primeira vez chora e dá as caras nem se torne o homem ou a mulher que você espera. Talvez mesmo sob sua boa educação algo dê errado pelo caminho.
Mas naquele momento em que ele nasce, não tem passado, certeza de futuro, nada. Apenas a certeza de que diante dos seus olhos uma nova história começou a ser escrita.
É belíssimo. Enche a vida de esperança, renova a fé, te causa algo bom mesmo que você não tenha nada a ver com aquela criança.
Durante toda a “gravidez” se dizia que o garoto era “bão”. Fila de adoção, pai orgulhoso fazendo planos, mãe cheia de cuidados. Lá vem ele.
E nada.
Ainda que dentro dos 9 meses, a ansiedade era tamanha que o garoto já nasceria cobrado. Mas nasceria.
Em 14 de março de 2018, por volta das 23 horas, veio ao mundo Vinicius Junior. Como esperado, nasceu gigante. Como prometido, perfeito. Como mimado que foi, confiante.
Lá fora a família alucinada já fazia planos. “Será cantor!”, “Será médico!”. E ele olhando, só olhando…
Moleque atrevido. Nasceu sorrindo ao invés de chorar. Cabeça erguida, olho no olho como quem diz “agora eu tô aqui. Calma Papai”.
Tá feito. Eu não sei o que ele será, quem ele será, quando será. Mas nasceu. Se era ver a cara do moleque que vocês queriam, aí está.
Perna fina, marrentinho, folgado, debochado e apaixonante. Nasceu na hora que ninguém esperava, apos dar vários sustos e não aparecer.
É muito fácil agora fazer cara de susto e ver o Vasco perder pra atual campeã do Clausura do Chile. Vai continuar sendo estranho se amanhã ou depois o Vasco, de surpresa, virar chacota. É um hábito estúpido que temos por aqui e que não vai mudar tão cedo, parece.
O Cruzeiro é campeão da Copa do Brasil reforçado. O Racing foi quarto no Argentino 2016/17 e agora é quinto disputando paralelamente a Libertadores, tendo negociado essa semana um jogador por 100 milhões.
Ou seja, o Vasco é a surpresa. Mesmo com a camisa igual ou maior que os citados, o time se classificou já de forma pouco provável, fez uma pré Libertadores assustadora com goleadas aplicadas e sofridas e, sabemos, é um time limitadíssimo.
Poderia vencer ontem? Poderia. Mas da mesma forma que poderia e perdeu o jogo.
Essa Libertadores não cabe a Vasco ser cobrado. Não é um time pra estar ali e brigar por isso. Se o fizer, será como o Botafogo de 2017: surpreendente.
Teve virose, falhas individuais, uma atuação acéfala do ataque. Mas não é possível que isso tudo cause a reação de espanto e “fracasso” do pós jogo.
Sejamos coerentes. O Vasco nunca planejou estar nessa Libertadores. E quando soube que estaria, mal sabia quem seria seu presidente, imagine os reforços, o time, etc.
Qualquer coisa nessa Libertadores é lucro. E quando nada se espera, não tem porque se decepcionar.
Eu não sei quanto tempo o Flamengo vai demorar pra ganhar uma Libertadores de novo. Sei que não acontecerá enquanto o clube entender que vai a campo para evitar vexame e não para conquista-la.
Toda vez que o Flamengo joga uma partida de Libertadores ele tem mais medo de fazer merda do que de acertar. É uma síndrome que o Corinthians levou décadas pra superar, e só com um time cascudo conseguiu.
O Flamengo não briga para conquistar a Libertadores. Ele tenta evitar sair dela. Não há qualquer possibilidade de um campeão surgir dessa forma. O medo e a vontade podem andar juntos mas a segunda tem que ser maior sempre. E não é o caso.
Com 2×1 o Flamengo jogava como quem pedisse a Deus para que não tomasse o empate. Tomou. Óbvio. Vai tomar sempre que pedir a Deus pra não acontecer, porque se Deus existir e gostar de futebol é fato que na Libertadores ele não interfere.
Esse campeonato se ganha desafiando, não sendo desafiado. Não é “por uma boa campanha”, é pela glória suprema de levantar a América. É pra ganhar sorrindo, dividir de cara feia e entender que a derrota é rotina. Não vai mudar nada se perder mais uma vez.
95% das vezes que um time joga a Libertadores ele “perde”. Seja ele qual for. Então porque diabos justo o Flamengo, que nem tem um histórico favorável no torneio, entre todo ano morrendo de medo de fazer outro vexame?
Não te falta jogador, torcida, camisa, nada. Te falta raiva. Te falta levar pro continente o prazer que tens de ser arrogante na sua cidade.
O Flamengo não é Flamengo quando joga Libertadores. É um moleque assustado. E enquanto for assim, não vai ganhar.
Libertadores se conquista. Não se evita perder o que não é seu ainda.