liverpool

Bolo sem cereja não estraga festa

A luta é longa, o sonho é claro e tem data marcada. Todos querem a Libertadores, que é a realização meritocrata do possível.

O Mundial, hoje, e há alguns anos, é um sonho distante e que conta mais com uma dose de acaso do que com ser, de fato, “o melhor do mundo”.

Por isso os europeus não dão tanto valor. Pois pra eles antigamente era inviável, em seguida virou obrigação. Veja você. Nós já fomos os imbatíveis.

Hoje o Flamengo poderia perder de goleada, tentar vencer por uma bola, travar o jogo em pontapés.  Jogou como time grande, de frente, buscando, lealmente, a vitória.

Não foi por uma bola. Foi por várias. E elas até existiram. Pra lá e pra cá, é verdade.

A cereja do bolo não veio.  Ficamos com os brigadeiros, os convidados, o bolo em si e a alegria de ter muito o que comemorar.

Inclusive, pasmem, a forma com que perdeu. Pois se há muito o Brasil vai ao Mundial pra não jogar, hoje foi pra trocar tiro e não pra correr deles.

O placar de Lima talvez não seja coerente com o jogo. O de Doha idem.

As vezes a bola escolhe lados meio sem critério.  O Liverpool é melhor. Hoje, o Flamengo foi “maior”.

É diferente.

RicaPerrone

O equilíbrio me “brocha”


Não, nem me refiro ao jogo. Afinal não tem sido uma característica da Champions o equilíbrio. Nas últimas 5 o Real foi campeão de 4. O equilíbrio emocional é que me incomoda.

Eu já escrevi aqui, se não me engano em Real x Juventus, uma goleada na final. O que as pessoas acham “bonito”, aquela aceitação esportiva a derrota, a mim soa como “profissão e nada mais”.

Eu acho inconcebível pro que amo no futebol ver um time passar 40 minutos do segundo tempo perdendo o jogo de sua vida sem se jogar pra frente, perder a cabeça, arriscar algo meio sem sentido. Ninguém se irrita, não toma cartão, o goleiro não sai jogando.

É tudo ensaiado. É uma grande apresentação sem improviso. Há qualidades nisso, mas a mim, particularmente, brocha.

Eu nem espero que seja um jogo aberto e bonito. É final, e única pra piorar. Mas porra, tá 1×0 pros caras, tu é zebra, a casa já caiu. Vai pra dentro. Se fosse contra o Olímpia no Paraguai que é um time de merda os últimos 10 minutos seriam com os 11 deles na área dando chutão pra tentar achar uma cabeçada.

Os caras lá parecem aceitar. Apertam a mão do rival, um abraço, baixa a cabeça e “fizemos o que deu”.

Desde quando “o que dá” é suficiente ao torcedor?

Não há uma final de Champions como as semi. E essas semi também não são a regra. Mas foram exatamente porque os dois times se tornaram franco atiradores em determinado momento e usaram isso pra arriscar.

Hoje, não.

O favorito fez 1×0, o desafiante não quis tomar de mais e não arriscou. Protocolar.

Tomou o segundo e fim de papo. O Liverpool deu 3 chutes no gol.

Eu vejo a beleza que há na disciplina. Admiro e procuro o futebol onde se sabe o que faz. Mas eu tenho uma necessidade inexplicável de ver a perda de juizo em campo. Talvez por ser assim, não acredito no equilíbrio completo e absoluto diante do fracasso.

Perde. Mas toma um cartãozinho… Manda o goleiro pra área, sai pro desespero. Faz um “abafa”.

Perde. Mas perde atirando, não explicando.

RicaPerrone

Kairus: o segredo do futebol

Expectativa, promoção, um grande jogo e a história pronta pra ser escrita. Todo o glamour da Champions League é muito bem preservado até com os constantes erros de arbitragem, pois o marketing da “empresa” é brilhante.

Ao contrário dos nossos, quando se assina um contrato com a Champions tem restrições sérias. Comerciais, editoriais, obrigações de transmitir seja qual for o time em determinados níveis do campeonato. Enfim, privilegia-se o campeonato e neste caso os ideologistas jornalistas brasileiros não se importam em ser promoter de evento.

Vai entender…  $.

Mas o ponto é o porque adoramos futebol.  Num evento desses em qualquer esporte do mundo a chance de haver um marco por incompetencia é quase zero. O futebol é um esporte “ruim” se você considerar as mais diversas questões teórias dele.

O que menos tem “ponto”, o menos justo, o menos claro em relações a heróis e vilões. O esporte coletivo mais individual de todos. E mais uma vez ontem isso ficou evidente.

Um jogador, um dia ruim, fim de um sonho. Uma final marcada por trapalhadas, ainda que com um lance genial no meio delas. Hoje o mundo discute uma falta e dois frangos. Até pro vencedor é ruim que o futebol inverta os valores. Mas ele é incontrolável.

Outro dia me alertaram que o futebol é o unico esporte onde a defesa prevalece ao ataque.  A quantidade de jogos ruins é infinitamente superior ao de bons jogos. E portanto é um esporte que desafia a lógica, mas beira a obviedade.

Não tem a ver com a qualidade, com os pontos, a justiça ou a qualidade do jogo. Sempre teve a ver com o fator imponderável que torna o futebol o esporte mais “nosso” de todos. Mesmo que empresas comprem, sheiks os controlem e arbitros errem, a gente nunca está 100% nas mãos do dinheiro.

Ainda será possível que o impossível aconteça. E que em campo tudo que foi planejado vire pó.

O Kairus é só mais uma prova viva de que esse esporte é mantido por meios que os novos administradores jamais conseguirão entender simplesmente porque estudaram demais uma matéria que não existe estudo: paixão.

abs,
RicaPerrone

O favorito

Se você me perguntasse ontem o que esperar da Copa Sulamericana, estaria bem pouco otimistas. Considero um torneio um tanto quanto desvalorizado, de pouco interesse popular.

Mas, é um torneio sul-americano. Aquela final do São Paulo onde o adversário não voltou, seguido de alguns finalistas e semifinalistas inexpressivos acabou deixando um ar de “campeonato inferior”.

E eis que cai o avião da Chape, a comoção no futebol mundial foi toda em torno da decisão de que? Da Sulamericana.

Ela muda de status pela tragédia. Mas muda. E ainda que na primeira rodada, ela tem públicos que deixam bem claro não ser a menina dos olhos de ninguém. Ou de quase ninguém.

37 mil pessoas foram ao Maracanã. Houve mosaico, clima de “jogão” a semana toda, supervalorização do adversário e da importância do torneio. Sintomas claros de quem entrou nele de fato. O Fluminense escolheu a Sulamericana, a torcida comprou, e ela mudou de cara.

Se antes esperaríamos para ver quem embala, quem cai na Copa do Brasil e vai priorizando o torneio por falta de escolha, hoje temos um time que, de véspera, já escolheu.

Tão raro quanto a escolha, a aceitação da torcida. Fizeram barulho, compraram o barulho.  Houve um jogão no Maracanã, onde talvez não fosse estranho ter apenas 10 mil pessoas hoje a noite.

A Copa Sulamericana de 2017 ganhou um favorito. Porque? Porque é o único time grande que a colocou como meta e que fez sua torcida entender isso.

Isso não significa que o Fluminense vá conquista-la. Mas significa que para ser campeão vai ter que eliminar o Fluminense…

abs,
RicaPerrone