Lula

Nada sobre as eleições?

Essa é a pergunta que entope meu e-mail e direct hoje cedo. E a resposta é “nada”. No máximo um comentário ou outro como eleitor e nada além disso.

Porque?

Em 2022 eu entrevistei e me aproximei dos mais influentes pilares do Brasil. O suficiente pra fortalecer minha idéia de que o Brasil teve morte cerebral e só respira por aparelhos. Não há nada o que fazer, ao menos não com o que tem hoje.

É um enorme mecanismo, como brilhantemente citado no “O Mecanismo” do Netflix. Tudo está ligado, tudo é feito pensando em interesses políticos maiores e quem entra com boa fé é queimado ou desiste. O Brasil não tem chances.

E não tem não porque o político é bandido. Mas porque todo o resto é ainda pior. Em todas as esferas que você imaginar, e volto a citar “O Mecanismo”, o brasileiro tende a lutar por atalhos.

Atalho, em portugues claro, quer dizer “esquema pra ter mais beneficios do que o normal”.

Posso voltar a entrevistar políticos, é meu trabalho. Mas não vou mais permitir que isso seja meu lado opinativo forte simplesmente porque eu não acredito mais em nada. E dito isso eu estaria sendo idiota ao brigar fortemente pelo que não acredito.

Um Brasil melhor? Meu sonho. Mas é que estamos tão abaixo do inaceitável e convivemos com isso que não dá tempo. Eu vou morrer e não vou ver. Estamos numa briga acéfala entre lados que nem sabem mais o que defendem. Mas defendem como nunca antes.

A gente acha normal ter presidente preso. Governadores e candidatos condenados. Justiça corrompida e com decisões surreais. E não, não tô pensando no STF. Ele é a ponta. O iceberg é enorme e existe muito gelo embaixo da água.

Nós comemoramos quem devolve troco errado na padaria como se fosse algo especial. É o mínimo. E viajando o mundo eu vi que infelizmente o país que eu amo não está atrasado. Está 50 voltas atrás de sequer ter alguma lógica. Os que se parecem conosco são países absolutamente sub-desenvolvidos que nós temos como chacota.

Ou você acha razoável que algumas das pessoas mais ricas do país sejam profissionais de porra nenhuma? Pessoas que vendem a vida pra você e você compra dando milhões por mes em faturamento a troco de conteúdo zero e assumidamente manipulado, que é o que alguém diz a grosso modo quando se assume “influenciador” como profissão.

Quem são as pessoas na área de famosos da Globo.com? Me explica como fomos parar nisso. Pessoas que não fazem nada e movimentam a imprensa, que deveria, em tese, num país destroçado por corrupção, ter mais o que fazer.

Mas ela não faz. Porque ela é parte do sistema. Parte enorme, diga-se. Um bando de jornalistas lutando contra o capitalismo sendo usados pelo chefe multi milionário que brinca de ganhar dinheiro com o capitalismo em cima da causa desses otários de microfone na lapela.

Seu problema midiático hoje não é o esquema do partido X que desviou 340x da saúde. É o casamento do Belo, que qualquer idiota imagina que a mídia não tem acesso a 10% do que de fato acontece na casa de alguém e, portanto, é mentira. Blefe. Manchete. Um jogo.

Jogo que muita gente joga. Muitas vezes a vítima planta a notícia pra se vitimizar e ganhar mais em cima. Porque num país onde filho de traficante é celebridade ou vereador, meus caros, vamos nos indignar com o que?

A democracia é maravilhosa, desde que haja uma maioria pensante. Longe de ser o caso vamos seguir andando em circulos trocando o poder entre os mesmos caras que jamais quiseram ou vão querer nos educar pra tira-los de lá. É o óbvio.

O que não é óbvio é precisar ter um fuzil na cara de um influencer pra ser notícia e na sua ser só mais um dia qualquer.

O futebol é sujo. Perto da política é quase um berçário. Perto do que fazem com o seu dinheiro na sua cara beira o ridículo se preocupar com ele. Mas ainda que assim seja, é uma das poucas coisas que a gente conseguiu fazer dar certo. Então viva o futebol!

Estou pregando pra convertido ou oposiçao, eu sei. Nada vai mudar. E por isso mesmo não vou pregar. Enquanto tiver gente achando que por ser evangelico é de direita ou ser preto é de esquerda, estamos fadados ao fracasso.

Dito isso, Dorival vai de 2 meias ou abre alguém na esquerda quinta-feira?

RicaPerrone

Essa tal liberdade

Queria ser o Alexandre Pires pra não saber o que fazer com essa tal liberdade. Mas não sou. Sou um alvo fácil, um cara sem emissora e que jamais será defendido pelos colegas por obviedade, embora contrário ao discurso deles.

Foram 4 contas banidas do instagram onde ganhei todos os processos na justiça mostrando terem sido injustas. Nunca me devolveram nenhuma e parece que a lei do Brasil não se importa em ser ignorada.

Eu nunca escrevi uma fake news, nunca respondi um processo na vida pelo meus 25 anos de trabalho. Jamais eu cometi alguma covardia, usei do meu espaço conquistado para mentir sobre alguém ou apoiar algo errado.

Os rótulos que me dão vem da imprensa, que não por acaso odeia ter em mim um critico com argumentos. Precisamos cala-lo pois discutir com ele nos deixa em situação ruim. Caso não fosse verdade o que digo, colecionaria processos.

Agora o Youtube, onde nunca tive problemas, me suspende por 7 dias porque eu… anunciei uma casa de apostas????

Calma aí, Youtube, meu querido, como assim? Quem não anuncia casa de apostas em vossa plataforma?

O Rica não pode. Os outros milhares, podem. Ele vai ser punido e em mais 2 punições, banido, conforme dito no aviso que recebi.

Contestei, e a resposta foi essa bizarrice acima. Não pode link? Então vamos banir todos os canais de esporte ué? Inclusive dos clubes. Aliás, proibam que falem do Brasileirão, porque é Brasileirão Betano.

Tem dois clubes na série A com o mesmo patrocinador que o meu. Eu tenho 2 mil videos fazendo a mesma coisa e nunca aconteceu nada, simplesmente porque fiz apenas o que todos fazem e que fica implicito estar dentro das regras.

Seguimos o baile. Processos ganhos, multas aliviadas pela justiça, outras menores pagas, todas esperando que os réus cumpram suas punições e misteriosamente nada acontece.

Talvez eu devesse ser um desses personagens que gritam, esperneiam e podem continuar.

Vocês tem idéia do quanto eu teria no instagram hoje se ha 4 anos eu fui excluido com 700 mil seguidores ANTES do Cara a Tapa explodir? Ou seja, seriam 2, 3, 4 milhões. E 4 anos de 3 milhões de seguidores são alguns milhões de reais perdidos.

Mas que se dane. O Rica é democrático, abre espaço pra todos, ouve todos, não inventa fake news, não apoia nada radical, mas faz piada as vezes com gordo. Então, cadeia!

Acho que minha vida teria sido mais fácil se eu tivesse feito parte de algum esquema de corrupção e estivesse lá num cargo público mamando nas tetas do seu imposto. Porque esses podem tudo. Quem tenta fazer o certo, paga.

E você pode me odiar. Mas você pode ser o próximo e vai lembrar que faz 4 anos que estou dizendo que algo está acontecendo.

Segue assistindo.

RicaPerrone

O Felipe Neto tem razão

Ao anunciar uma pausa na sua carreira, entendo completamente o Felipe Neto. Tenho vontade de fazer o mesmo, mas não tenho o mesmo dinheiro sobrando pra tal. Se tivesse, certeza, já teria feito.

E explico.

O que acontece no Brasil desde 2022 é a mais absoluta e doentia guerra que esse país já viveu. Pior do que armas, o massacre é pessoal, familiar, covarde e de exercitos de 100 mil contra 1. De todos os lados, embora só um deles tenha se dado esse direito.

Mas Felipe é parte altamente relevante do que hoje o motiva. Me lembro que ele atacou o Tiago Leifert meramente pelo jornalista ter dito que entre Lula e Bolsonaro não preferia nenhum dos dois. Ou seja, ou você concorda comigo, ou eu promovo um massacre a você. E feito isso, me canso de massacres por politica e me afasto.

Eu, na devida proporção bizarra de quem sequer votou em Bolsonaro nos primeiros turnos de 18/22, apanho de graça como se fosse um inimigo de quem o detesta meramente por preferir ele do que o PT. Que absurdo, né? Se recusar a votar numa quadrilha condenada. Eu deveria ser preso.

Felipe assumiu um posto muito acima. Foi cabo eleitoral, parte do processo, defendeu com unhas e dentes um dos lados que ele mesmo ajudou a demonizar. E hoje, cheio de inimigos, cansou. Normal, quem não se cansa desse absurdo que virou a internet? E note ainda que hoje Felipe goza da blindagem midiatica por conta do seu lado agradável a ela. Imagina se ainda tivesse que ser um dos perseguidos, algo que cabe a apenas um lado da moeda.

Mas Felipe deveria usar o tempo livre pra repensar algumas coisas. Ele foi um dos autores do cancelamento que sofri há 2 semanas por algo que não fiz e nem disse ter feito. Mudou o que eu disse pra usar uma narrativa de vingança por eu ter sido o “canalha” que desmentiu uma mentira sua sobre jogar futebol na pandemia.

Logo eu, que pude diversas vezes ter exposto tal hipocrisia e não o fiz. Porque? Porque meu interesse em prejudica-lo é zero. Eu não coleciono inimigos, no máximo desafetos. Passa longe da minha cabeça usar qualquer situação para pisotear em quem eu não gosto quando não estou envolvido. Mas nem todos tem essa linha. Então, foda-se se o Rica tá sendo ameaçado de morte por algo que não fez. Eu me vinguei de quem ajudou a expor minha propria hipocrisia e estou reclamando do ódio.

Felipe, Felipe… fosse só você, tava fácil. Mas são muitos. E o resultado que estamos plantando é bem pior do que qualquer regime politico que eu ou você defenda. É a guerra que eles querem pra poder fazer o que bem entendem. E sabemos do que são capazes.

Você, Felipe, como alguém que chegou onde chegou detonando Deus e o mundo deveria ser o primeiro a comprar a briga pelo direito do Monark falar, errar, pagar, mas continuar falando. Mas como ele não é seu brother, deixa pra lá.

Onda de ódio? Esse discurso é tão vazio. O mundo vive uma onda de ódio, e ela parte de algo chamado rede social. Ali somos todos inimigos, nos odiamos por uma troca de mensagens que sequer sabemos o tom. E em 99% dos casos se fosse numa mesa de bar absolutamente nada teria acontecido.

Mas alimentamos polêmicas porque elas vendem. Povo ignorante compra conteudo de baixo nivel. E quanto mais baixo o nivel melhor pra manipulação em massa.

Eu também não aguento mais. E em breve a maioria não vai aguentar. Mas antes disso veremos suicidios, casos de depressão e mais pessoas destruidas por uma guerra politica onde só quem ganha são os politicos, livres pra fazer o que bem entendem porque metade do pais vai defende-lo a todo custo.

Boas férias, Felipe! E reflita bastante. Você é parte relevante do processo que hoje consome a sua saude, a minha e de tanta gente. Não a troco de defender o que você acredita, isso é justo. Mas pela necessidade inexplicável de “democraticamente” tentar destruir quem não concorda com você.

Ainda existem doenças causadas por stress que o dinheiro não cura. Se cuida, garoto.

Abs

RicaPerrone

A grande família brasileira

São três filhos. Pais em pé de guerra. Antonio, Pedro e José.

Pedro odeia a mãe. Adora o pai. José odeia o pai. Apegado a mãe. Antonio não odeia ninguém, nem gosta. Fica entre um e outro tentando se dar bem com ambos.

A mãe é um horror. Passa vergonha, tem amigos “estranhos”, se veste mal, fala o que não deve, mas tem lá alguma noção de como gerenciar as finanças da família. Tem um primo que é economista e ajuda ela. É mais exigente com disciplina e não tolera que filho dela chegue em casa fumando maconha.

O pai é um gordo rico sem vergonha. Tá quebrando as finanças da família mas pra ter Pedro por perto ele compra carro zero todo ano pro filhão. O moleque se vende fácil. Acha que tá ótimo ter um carro novo e nem se importa com a origem do dinheiro do pai.

Os irmãos se odeiam. Brigam todo dia.

Aí pai e mãe um dia sentem que há uma crise financeira. A mãe joga na cara do pai que ele roubou, perdeu o emprego, foi preso e por isso destruiu a família. O pai diz que a mãe é uma anta, que trata mal os filhos e que não tolera o Antonio, que é gay.

Pedro briga pelo pai. José pela mãe. Antonio pra ser a vítima da família e ter mais atenção de ambos e mais direitos que os dois irmãos.

Foi aniversário do Pedro, não teve festa porque faltava dinheiro. No de José mesma coisa. Pra Antonio o pai fez uma coisinha pra não dizer que ele ficou sem aniversário só porque era gay e se não fizesse nada podia melindrar os amigos famosos do filho.

Sim, Antonio é cheio de amigo influente na vizinhança. Deixa-lo triste faz mal pra imagem da família. Especialmente da mãe, que é quem não tolera bem a sexualidade do filho.

Um dia a mãe diz que é o seguinte: temos 5 mil pra viver. Devemos 2 por mes, sobra 3. Vamos cortar 50 reais de netflix.

Pedro se desespera. Grita, se joga no chão, diz que vai matar, que quer ser adotado pelo vizinho. É um escândalo. Antonio faz tipo de insatisfeito porque é a função dele não estar nem puto, nem feliz.

José defende a mãe. Óbvio. Ta feia a coisa, tem dívida, falta dinheiro, vamos cortar o Netflix, ué!

O pai chega em casa e se revolta. Quer mais netflix, assine o HBO, o Telecine, manda a mãe se fuder, repassa uma senha ilegal por amigo vizinho, fecha um esquema de tv pirata pra não pagar o premiere e deixa Pedro feliz.

José diz que não, que é errado. E o pai diz que “errado é sua mãe que quer tirar o netflix de vocês. Isso é educação!”.

José pede dinheiro pra comprar um extintor. A mãe nega, diz que não tem. O pai surta, como se algum dia ele tivesse pensado em tal prevenção.

Antonio assiste netflix e reclama de não terem cancelado. Ou seja.

Um dia pai e mãe chamam os filhos e dizem: crianças, decidimos que não terá netflix, que não teremos pizza as sextas-feiras, cortamos o ingles do Pedro, o futebol do José, o curso de teatro do Antonio, cancelamos a viagem de fim de ano e estamos pensando em nos separar.

Pânico. Filhos saindo na porrada, empregada chorando, cachorro andando em circulos. O caos.

Até que pai e mãe, juntos, anunciam que, porém, apesar de todos os cortes e problemas, disponibilizarão 200 mil reais das economias da família para que eles possam viajar pra Paris renovar os votos.

E então Pedro olha pra Antonio, que olha pra José. Os três notam algo errado mas, com lados determinados e não dispostos a ponderar, começam a defender pai e mãe, brigar entre eles enquanto seus pais vão felizes comprar passagens pra Londres.

Pedro quer discutir a tolerância da mãe com Antonio. Antonio chora. José quer seu netflix de volta.

A mãe olha pro pai e diz: “melhor irmos viajar só nos dois. Olha essas crianças! Não sabem o que querem. Só brigam. Vamos reerguer a família com essa viagem fundamental e umas noites em Paris”.

Ele concorda, óbvio.

Os filhos? Correm pra web e criam uma hashtag cada esperando que os pais os notem.

É foda.

Mas, convenhamos, os filhos são burros pra caralho.

RicaPerrone

Um suicídio homeopático

Uma das mais irritantes características do ser humano é a falta de objetividade. Quando um problema lateja a nossa frente, ao invés de ir direto nele, nós damos 20 voltas para não irmos direto onde “dói”.  E aí, no final, dói mais ainda.

Toda hora uma emissora, um jornal ou uma revista quebra, manda 200 embora e gera comoção entre os coleguinhas. Você abre a rede social e lá estão outros milhares contando histórias da época que trabalharam lá, dizendo ter sido uma escola, blá, blá, blá.

E quantos de nós, jornalistas, de fato combatem o mau jornalismo para evitar seu fim? Quantos tem coragem de parar de falar no corredor e dizer abertamente o que estamos fazendo de errado pra justificar tamanha descredibilização e, por consequência, a falência?

Vocês acham normal que no meio de um cenário onde o ministro da economia alerta sobre o caos financeiro, onde deputados covardes dizem que não podem aprovar a reforma pra não reeleger fulano, onde o país faz uma estúpida guerra entre lados contra a própria pátria que a porra do namoro do Lula seja a capa dos sites, jornais e tema relevante em noticiarios?

Espero que não. Mas é.

A irrelevância midiática é reflexo da irrelevância do que ela escolhe como pauta. É o Caetano atravessando a rua, é a Carla Peres na praia e, porque não, na página de política, a namorada nova do Lula.

Lula que, lembrando, não é um político qualquer. É um dos líderes da quadrilha que deixou o Brasil na situação que se encontra. Ou seja, deveria ser tratado como um inimigo não como celebridade. Muito menos sua vida íntima nos dizer respeito.

Você assiste a tudo isso em meio a um claro complô orquestrado da mídia e amanhã se pergunta porque não está mais dando certo. Porque as poderosas emissoras não tem mais dinheiro nem influenciam como antes.  Ora, porque você acha?

O povo é burro? Muito. Vai consumir. Mas na medida em que outras formas de conteúdo surgem, e a internet é a mãe disso tudo, fica evidente que o conteúdo é ruim, direcionado pro povo mais burro possível exatamente para tentar manter parte do rebanho.

Mas amanhã, quando essas emissoras mandarem 400 embora, você verá um show de lamentações dos colegas nas redes sociais. Quando era mais fácil tentar evitar o fim do que restou da credibilidade jornalistica no Brasil. Se é que ainda há alguma.

RicaPerrone

O Jair de vocês não existe


Estou há semanas querendo tocar em assuntos que não são exatamente sobre política, mas sobre comportamento. Infelizmente vivemos uma era onde achar alguma coisa ofende, não concordar com os intelectuais do Projac te exclui de muita coisa e não ser uma samambaia te prejudica com anunciantes.

Enfim, foda-se.

Eu quero falar sobre Jair Bolsonaro.

Antes de mais nada, para validar minha opinião com os psicopatas, devo registrar que meu voto no primeiro turno será em João Amoedo.  É o candidato que me identifico mais com as idéias e propostas. Ponto final.

Ah mas então você não vota no Bolsonaro? Voto, claro que voto. No segundo turno contra PT, PSDB, Marina, Ciro, Boulos… voto fácil.

E não, não voto cheio de dedos ou vergonha do que vilão que a mídia criou, nem do super-herói que outros esperam.

O Brasil é um garotinho perdido sem identidade, sem coragem e sem noção. Todo garoto assim quer um super herói para ajuda-lo, não um caminho longo para seguir.  Jair é o herói de muita gente, como Lula foi há 15 anos. É esperança de mudança, e eu respeito isso.

Porque respeito? Porque o Bolsonaro que vocês odeiam não existe. E nem o super herói que os fãs promovem. Eu conheci Jair na casa dele, estive por algumas horas com ele e a família para uma entrevista.  Vi e revi as mais polêmicas declarações dele e lhes digo que não, ele não é racista.

Que sim, ele é machista.  Mas que 95% das pessoas criados como ele na idade dele são. Provavelmente seu avô seja e você não quer mata-lo.

Que não, ele não disse que mulher deve ganhar menos. Ele explicou o porque acontece. E sim, acontece. E sim, de novo, ele tem razão quando justificou como justificou. É de fato um dado a ser estudado e corrigido. Ou vocês preferem mesmo que ninguém toque no tema e continuem com o problema?

Ele não entende de economia, é fato. Mas eu gostei muito dele ter indicado alguém que entende. O bom diretor pra mim coloca bons professores em cada matéria na escola. O que vocês querem diz que dará aula em todas as salas e você acredita.

Jair é um tiozão do pavê.  Ele ri de piada sem graça, fala alto, repete piadas que “hoje não tem mais graça”.  Tem os valores deturpados por uma história de vida que deve ser considerada, já que tudo que lhe foi dado como valor não era discutível quando dado.

A gente é teimoso com 30. Você acha mesmo que vai mudar a cabeça de alguém de 70 no grito?

Não é um homem mau.  Nem fofo. É um homem que não se vendeu ao que “pode ou não” ser dito em público e portanto ao contrário de 80% dos famosos que votam nele, ele dá a cara pra bater. E batem. Como batem.

A mídia odeia o Bolsonaro. Por ser da mídia há 20 anos eu tenho por convicção a idéia de que se a mídia odeia alguém, devemos desconfiar que trata-se de alguém que a ameaça. E não necessariamente alguém ruim.

Você já pesquisou se ele realmente disse, como disse e sob quais circunstancias os seus rotulos surgiram? Ou vai ser mais um enganado pelo “não se faz copa com hospitais”?

Eu votaria no Bolsonaro. Pela vontade de ver esse bando de esquerdista maluco que apóia bandido quebrar a cara, pelo fato de considera-lo melhor que outros tantos e porque até hoje ele é honesto. Coisa que não podemos bancar por exemplo de quem faz parte da gangue recém destruída do PT ou da que mudou de nome do PMDB, menos ainda da sobrevivente do PSDB.

Eu quero que todas elas se fodam. Eu não voto em PT, PMDB E PSDB depois da Lava Jato. E se ainda assim você quiser isentar o partido, ok! Mas num país onde 30% das pessoas querem o líder do crime no comando, foda-se o que as pessoas acham.

O Jair não existe. Nem o seu demônio nem o seu herói. Entre eles há um cara com idéias boas, outras ruins. Com qualidades e defeitos como todos nós. E que não merece ser nem demonizado e nem canonizado.

Vocês terroristas de esquerda tinham “medo” do Trump. E ignorantemente esquecem que presidente não é ditador, ao contrário de alguns lugares que vocês idolatram. Portanto, queira ele fazer muita merda, ainda haverá um sistema para aprova-las.  Parem de aterrorizar ignorantes dizendo que o Bolsonaro pode simplesmente dar arma pra todo mundo, fazer mulher ganhar menos ou até prejudicar negros.

Pelo amor de Deus. Tenham pelo menos a dignidade de não se tornarem tão mentirosos quanto esses políticos na hora de fazer campanha. Eles pelo menos estão mentindo em causa própria. Você tá mentindo pra ele e de graça.

Não estamos elegendo um novo santo. Só um presidente.

Ninguém discutiu proposta de nada. São meses jogados fora tentando jogar na cara um do outro quais seus defeitos que mais impactam no seu “não voto”.

Foda-se o que eles vão fazer e como farão. Desde que se encaixe no meu genro ideal, “eu voto!”.

Caio Ribeiro 2022. Só não vê quem não quer.

abs,
RicaPerrone

Marielle “e o Aécio?”

Talvez você ache que estou falando de política, mas não estou. Raramente falo de política. Falo de comportamento, o que é muito diferente mas também de compreensível dificuldade interpretativa diante das amostras recentes pelo país.

Toda vez que alguém comemora a condenação do Lula e/ou cobra por ela, imediatamente aparece alguém dizendo “e o Aécio?”.   E como o Aécio existem 500 pra ser presos neste país, é óbvio. A questão é tão mais simples sobre essa pergunta que eu nem sei porque ela entra na parte política.

Quando mataram a Marielle, mataram uma representante de um grupo grande de pessoas e portanto, naturalmente, sua morte foi infinitamente mais falada, cobrada e revoltante que um assassinato quase idêntico e simultâneo na Barra da Tijuca.

Ela era negra, mulher e gay. Portanto a morte dela REPRESENTAVA mais coisas do que um assassinato entre os 60 mil por ano no país. Acho que qualquer pessoa entendeu isso, mesmo as que eventualmente odiassem a Marielle.

O Lula é o organizador, o líder da maior gangue já flagrada em todos os tempos. Lula é o cara que se criou dizendo que “comigo não seria assim”, e foi o que pior fez. Ele traiu milhões de pessoas que hoje ainda preferem morrer abraçados ao ídolo do que a justiça.

Sim, o Lula é MUITO maior que o Aécio. E o Aécio por sua vez é apenas a representação mais recente do anti-PT. O que não significa que ele tenha 10% da importância e da representatividade do Lula quando se quer ver um corrupto preso.

Desconheço pessoas que defendem o Aécio.  O Aécio Neves é um derrotado em eleição presidencial, não um cara que comandou um partido/gangue/máfia no poder maior de um país por 13 anos.

Lembra do “e o Cunha?”.  Então…

É absolutamente natural que o Lula seja o “Bin Laden” dos Brasileiros e o Aécio seja um inimigo qualquer, como outros tantos. A comparação é uma resposta colegial. O garotinho que diz “bobo é seu nariz”  quando ofendido no patio.

Querer o Lula punido não tem nenhuma relação com Aécio. Exatamente porque querer justiça e se revoltar mais pela morte da Marielle também é natural diante de outras 60 mil mortes.   A não punição aos assassinos da Marielle implica em dizer para os bandidos que se nem a morte dela foi resolvida, imagine as demais.

A condenação do Lula representa a justiça acima da mais alta camada dos corruptos. E portanto abre-se o precedente fácil para que qualquer outro seja também punido. A absolvição dele seria a absolvição do Aécio. O HC dele, daria também tempo para o Aécio.  O contrário não. Hierarquia.

Representatividade. É simples. Basta querer.

E sim, queremos o Aécio preso. Mas o Lula é Copa do Mundo, o Aécio é Copa América. Ninguém pinta a rua na Copa América. O que não implica em não querer conquista-la.

abs,
RicaPerrone

Não se trata de política

Essa não é uma discussão sobre direita ou esquerda.  Não deve ser, nem tem como ser. Todas as pessoas que tem na sua bandeira um lado estão cometendo um grave erro.

Trata-se de explicar pros filhos, de olhar na cara dos netos e tentar começar a moralizar um país sem moral, sem vergonha e sem valores éticos. Trata-se entender que mesmo estando errado por ter sido criado errado, esta disposto a mudar isso.

Sim, somos vítima. Todos nós. Em algum momento da nossa criação, seja em casa, na rua, na escola, no dia a dia ou apenas vendo televisão, nos foi enfiado na cabeça que temos que nos dar bem.  Em algum momento nos despertou o brasileiríssimo modo de agir em pensar apenas no “seu esquema”.

Outro dia estive numa ação com crianças no Recreio dos Bandeirantes. Nós dávamos uma pulseira por criança, e na hora de retirar os presentes tirávamos a pulseira de modo que ninguém ficasse sem e nem alguma criança recebesse dois brinquedos.

A maioria dos pais pegava a pulseira do chão e tentava colar de novo pra criança levar dois pra casa.

Tem culpa esse menino de pensar assim? Teve culpa o pai, que foi criado assim?  Até tem. Mas não sozinho.

Em algum momento vamos ter que virar essa chave. E quando você combate a condenação do Lula com “voce votou no Aécio”, por exemplo, significa que você não entendeu nada.

O sujeito que passa a saber que seu voto foi depositado num bandido e ainda assim defende esse bandido pelo mero orgulho de “ter razão” antes de ter dignidade e vergonha na cara, é também responsável pelo roubo.

Eu votei no Aécio. Não porque queria ele, mas na real votei contra o PT.  Quando Aécio foi desmascarado, eu jamais briguei por ele. Se pudesse, brigaria com ele. Porque me fez apostar errado.  E então, pelos valores dados pelos meus pais, quando sei que és um bandido, não terá mais meu apoio.

A obsessão por tirar o PT é também partidária, é claro! Mas não porque todos os demais são do PMDB, PSDB ou a puta que pariu. Mas porque é o efeito da banda Restart, lembra?  A banda não incomoda tanto, mas os fãs….

Você quer tirar o PT porque ele foi o partido que passou de uma quadrilha que desvia dinheiro pra quem destroi o pais de tanto roubar. Sim, houve diferença. Nunca foi tanto.  E foi exatamente de quem se fez em cima do argumento de dizer que “era diferente deles”. E não era. Ou era, sendo pior.

A alegria em vê-lo condenado nada tem a ver com apoiar esse ou aquele.  Acho que os não petistas querem todos presos, mas sim, querem mais o Lula. Porque?

Porque tem torcida organizada. Porque ele enganou mais gente. Porque quem não foi enganado por ele sente-se no direito de dizer “eu avisei”.

Não culpe quem votou errado e abandonou o candidato após saber que tratava-se de um bandido. Culpe quem votou, viu quem era e ainda assim ostentou a bandeira do ladrão até o fim.

Não é sobre política, meus caros. Falamos aqui sobre valores, índole, educação e princípios.  Pouco importa sua ideologia, mas ela não pode ser usada por partido algum para manipular massas e assaltar um povo.

Se por ideologia você chega a apoiar isso ou defende-los mesmo diante do irrefutável, talvez você seja como eles.

Eu não tenho filhos. Mas se tivesse, a coisa mais importante da minha vida seria poder olhar pra ele sem ter que desviar o olhar por vergonha do que sou, do que fiz ou de quem prejudiquei pra chegar onde eu cheguei.

Talvez pra alguns isso seja uma questão política. Pra mim é só caráter mesmo.

abs,
RicaPerrone

A ponta do iceberg

 

João é um senhor de 55 anos, dono de uma cozinha industrial que fornece merenda para as escolas de uma região do interior.  Ele vive honestamente daquilo que faz e com isso cria seus filhos, tem sua família e paga seus impostos.

Um dia um político vai até o João e diz que ele está lucrando 2 reais por cada merenda vendida para as escolas. Que a partir de hoje, ou João lhe dá 0,50 centavos por fora de cada merenda ou ele corta o contrato com João e quebra sua empresa.

Calma! Não meta o dedo na cara do João ainda.

João negocia. Explica, diz ser contra e que não quer aceitar.  Então ele volta pra casa e vê que é ser mais um entre milhões de brasileiros que fazem rir pra poder rir ou avisa a família que acabou tudo, porque ele quer ser honesto num mar de lamas.

Sua mulher chora, seus filhos consolam o pai e ele, honestíssimo, tem que tomar a decisão até amanhã cedo.

Agora imagine que você é o João.

Imagine, e saiba, que isso acontece em escalas desse nível todo santo dia pelo país inteiro. Que milhares de brasileiros tem suas vidas atreladas ao bem estar de quem “as arranjou”, mesmo que via trabalho honesto.

Você já pensou que quando um jogador de 17 anos ouve do treinador da base: “pra jogar 30% do seu salário é meu, ou tá fora”, ele tem que optar pela carreira dele ou ser mais um na interminável lista de quem “topou”?

Você acha que a dona Maria negaria assinar algo pra um gabinete qualquer em troca de ter 5 mil reais para sustentar dignamente seus filhos enquanto um politico qualquer está tirando 40 mil sobre uma prestação de serviço inexistente?

Você tem idéia do quanto a “propina” está no nosso dia a dia em menor escala e muito maior uso de poder para extorquir um dos lados?

É óbvio que hoje  falamos de empreiteiras e politicos ricos. Estamos falando de sacanagem, de filhos da puta da pior espécie. Mas a “cultura da corrupção'” tem níveis. E em alguns deles, não é exatamente um cenário de sacanagem mútua. É uma chantagem.

Eu já vi centenas de casos enquanto empresário que sou desde os 19 anos.  “Te dou 12, você me devolve 4 e fica com 8”.  Quem tá roubando a empresa? Você ou ele? Aliás, ele está roubando você ou a empresa?   Se não é claro quem você está prejudicando, como avaliar o erro que você está cometendo?

É uma prática assustadora para 99% das pessoas, pois elas são funcionárias e jamais estão em situações de negociação ou acordos do tipo. Mas é comum. Absolutamente comum.  Na sua padaria, na sua igreja, na sua empresa, talvez.

Hoje estamos abrindo os olhos para o que sempre soubemos que existia: um esquema para deixar pessoas ricas as custas da nossa ignorancia. Mas tem outro nível de corrupção que ainda precisamos encontrar: a que faz uso do poder para extorquir pessoas em situação inferior.

A maior rede de corrupção deste país está na nossa cara todos os dias, não no Jornal Nacional a cada 2 meses.

abs,
RicaPerrone