mano

É pouco, Mano


Por mais complicada que seja a crise interna, por pior que seja o ambiente, o futebol do Cruzeiro é pobre. E quando digo isso me refiro exatamente ao que ele poderia fazer, não a uma “fraqueza” em seu elenco.

Com o time que tem dá pra jogar muito mais. Mano é adepto de um futebol à lá Muricy, que olha pro placar e nada mais. Dá algum resultado, mas é “comum” demais.

Não vou nem usar o resultado desta noite. Vou citar as atuações.  Ser eliminado pro River nos pênaltis é um resultado normal. Ter em 2 jogos 37 finalizações do River contra 13 é que não é.

O Cruzeiro não joga mal. Seus resultados não são ruins. Mas seu futebol é abaixo do que pode. E essa nossa mania de aceitar qualquer coisa destrói o futebol brasileiro.

Um time desses tem obrigação de jogar um futebol muito menos burocrático do que o proposto em 2019.

O Cruzeiro tem uma cozinha equipada, nova, geladeira cheia, e o chef entrega um miojo e ainda encerra dizendo “matou a fome? Então tá bom”.

Não, não tá.  Tem time pra bem mais do que isso. E custa caro.

RicaPerrone

INDISCUTÍVEL!

Os clubes tem alma, características, imagens bem definidas ao longo do século. Você sabe qual é o time da raça, o que vira jogos bizarros, o que perde jogos inacreditáveis, o azarado, o “ajudado”, o que é bom de mata-mata, o que é bom de pontos corridos. Enfim.

A gente sabe quem é quem.

E se tem um clube no Brasil que quando ganha não deixa espaço para ouvirmos “poréns” é o Cruzeiro.

Sua maior característica talvez seja essa. Não é apertado, duvidoso ou inacreditável. É calculado, massacrante, quase frio.

Quando campeão brasileiro é com 10 rodadas de antecedência. Quando ganha a Copa do Brasil é batendo em todos fora de casa, algo quase surreal de imaginar.

Hoje na Arena Corinthians uma das maiores torcidas do país não reclamou. Perdeu calada porque perdeu pro indiscutível melhor time da Copa do Brasil.

Em janeiro muitos clubes se adequaram a um patamar mediocre por falta de dinheiro. O Cruzeiro viu na glória a chance de arrumar dinheiro.

Adivinha quem tá brigando pra não cair e quem acaba de levar uma bolada pra casa?

Grande até no sufoco. E indiscutível quando no topo.

O hexacampeão da Copa do Brasil conseguiu, um ano depois do pena, repetir a dose de forma ainda mais brilhante e contundente.

Um título polêmico sem contestação. Já viu isso?

Pois é. Só o Cruzeiro.

abs,
RicaPerrone

Eles sabem como vai ser

Devo ter conversado com uns 40 rubro-negros e uns 15 cruzeirenses nos últimos dias. Eles tem absoluta convicção de que só há dois roteiros para a decisão, e não há um só cidadão que tenha coragem de discutir com a história do futebol e dizer que de véspera eles não tem razão.

Porque daria Flamengo?

Porque ficou menos provável após o primeiro jogo. Porque tem Diego. Por vários motivos, mas a que todo rubro-negro tem desenhada é o Muralha herói pegando pênalti e mandando o jornaleco e seu editor pra puta que pariu no microfone da Globo ao vivo.

É real. Eles não chegam a sonhar com isso. Na cabeça deles isso já aconteceu.

Porque?

Porque o Flamengo não ganha títulos sem uma história pra contar. E nesse Flamengo, o mais Cruzeiro de todos os tempos, não há outra história que não Muralha.

O Cruzeiro, que é tão Cruzeiro quanto sempre foi, conquistaria o título “à lá Cruzeiro”. Merecido, no tempo normal, indiscutível. É assim que ele faz, é assim que ele se fez.

O que pra muita gente é “sem sal”, pra alguns clubes é a forma rotineira de ser campeão.

Fato dos mais incontestáveis: Se algo absurdo acontecer, 90% de chance de ser com o Flamengo. 10% de ser do Cruzeiro. É isso que o futebol nos ensinou.

E por ter neste Flamengo um momento pouco brilhante, um clube frio, metódico, que comemora resultados na planilha tal qual no gramado, e que encontra motivos em todos os seus méritos, o flamenguista desconfia.

Fosse o Fla de Adriano, em crise, devendo 2 meses, o título era certeza. Esse aí, vai saber?

E assim vamos dormir essa noite. Sabendo tudo que vai acontecer, até que de fato aconteça.  E então os que terão razão dormirão amanhã felizes ou tristes, mas com o saboroso “não falei?”.

E alguém terá dito. Porque como toda final de dois times grandes, não se fala em outra coisa.

abs,
RicaPerrone

Um grande nome

O Flamengo tentou peitar a idéia lógica de que futebol se administra com resultados. Disse que economizaria e não faria “loucuras”.  E aqui estamos, em junho, comentando o que no discurso era tido como “loucura”.

Não é. Custa caro, porque ser campeão custa caro. Ser Flamengo custa mais caro ainda.

Não existe torcida no mundo que compre um Socio Torcedor “pra ajudar” e veja um time fraco em campo “esperando” as coisas ficarem em ordem.

Vendemos paixão. Não tem curso, faculdade, nada.

E de frente com um problema isolado que interfere em todos os demais, a diretoria optou por uma “loucura”.

Mano ganha bem e merece o que ganha. Não é gênio, nem vai resolver a falta de qualidade do time montado para 2013. Mas vai dar pelo menos uma segurança maior pra um time em formação.

Não dá pra apostar em jogadores, diretoria, comissão técnica tudo de uma vez. Alguma coisa tem que ser “firme”, não uma “promessa”.

Mano é uma realidade e quem dirigiu a seleção não vai se assustar com a pressão na Gávea.

Falta time. Nem Mano nem Guardiola nem Andrade faz um time desses campeão.

E o mesmo conceito do “bom e barato” que raramente funcionou com treinador dificilmente funciona com jogador.

A política de “pé no chão” não vai durar. A torcida do Mengão quer sempre “sair do chão”, e é pra ela que se administra o futebol do clube.

Mano é um acerto. O time que ele vai receber, não.

Duro vai ser separar as duas coisas.

abs,
RicaPerrone