Maracana

Hierarquia

Respeito é o mínimo que qualquer jogador, seja ele do tamanho que for, deve a camisa que está vestindo. Isso inclui não ser covarde e usar um momento pra jogar pra galera e prejudicar um terceiro.

Lembra quando o Barrichello deixou o Schumacher passar na última curva na Áustria? Pro torcedor do mundo todo ele se tornou vítima, se blindou na opinião popular e cometeu o ato mais covarde de sua carreira. Jogou o mundo contra seu chefe, fazendo exatamente o que havia sido acordado previamente.

Pra mim, caso de demissão. Mas marcas tem pavor de rejeição popular.

O Ganso é funcionário do Fluminense. O Fluminense escolheu fulano pra ser seu chefe, ele acata a respeita. Simples assim. E isso vale pra mim, pra você e portanto também pra qualquer jogador.

Na euforia apaixonada o torcedor se sente “representado”, quando na verdade o que ele viu foi o clube ser desrespeitado.

Se você analisar quem fez o que fez, piora. Um jogador que se acha craque e há uns 8 anos deixa claro dia após dia que se trata de um engano. No mínimo, pra não dar razão ao Oswaldo.

Bom treinador ou não, não importa. O Ganso não pode fazer o que fez, o Digão idem. Pontapé na cara do adversário já é um absurdo, na cara do bandeira é burrice, no cenário do clube é desrespeitoso.

Enquanto a torcida do Flu age passionalmente exaltando um jogador que deveria ser dispensado ainda no estádio, o clube segue o rumo pra série B enrolado num ambiente sem dinheiro, sem comando no vestiário e agora sem a torcida do lado certo.

Oswaldo deve ser demitido por questões técnicas. Mas antes dele, o Ganso. Que deve ser demitido por questões morais. Ou dizer pro time que eles podem escolher o chefe e a diretoria vai acatar.

A escolha é simples. Quem manda no Fluminense?

RicaPerrone

Me abandonaste, “João de Deus”?

São 4 jogos chave. Goiás, CSA, Avaí e Ceará. Os 4 no Maracanã, 3 derrotas por 1×0 e um empate em 1×1.

Você pode imaginar que sejam números de um time que não consegue jogar futebol e por isso está flertando cada dia mais seriamente com a série B.  Mas tem coisas no futebol que são tão apaixonantes quanto inacreditáveis.

Hoje foram 26 chutes a gol. Talvez lhe pareça um acaso.

Nos jogos citados somam-se 97 finalizações, um gol. Eu vou repetir. Talvez não esteja claro o quão absurdo é esse número: 97.

Time que joga mal não finaliza muito, é quase regra de leitura. Os objetivos do jogo passam fundamentalmente por criar oportunidades de marcar gols e sofrer poucas contra si.

Ao mesmo tempo que finalizou 97 vezes, teve 29 contra. Ou seja, houve domínio, chances e poucas ameaças proporcionalmente às investidas.

Falamos de 11 pontos. Sem contar jogos contra grandes onde também merecia maior sorte. Contra meu SPFC, por exemplo.

É comum jogar bem e perder, tanto quanto jogar mal e ganhar. Incomum é repetir esse resultado diversas vezes.

Não é treinador, nem falta de qualidade. Ali já virou confiança. Se preferir, até “macumba”. Poucas vezes eu vi um time repetir tantas jogadas próximas do gol adversário e não conseguir colocar no gol.  Talvez eu nunca tenha visto.

Só tem uma coisa pela frente pior pro Fluminense do que os gols perdidos: a tabela.  O que hoje é um drama deve piorar. Vem aí Palmeiras e Fortaleza fora. Corinthians, Santos e Internacional.

E eu nem sei o que sugerir. O técnico já mudou. A diretoria também. E agora?

RicaPerrone

Céu

Flamengo e goleiro só se elogia quando acaba. Os dois podem nos fazer quebrar a cara com algum “frango” improvável. Mas, na teimosia que me acompanha, vamos aos elogios ao futebol rubro-negro.

Bem jogado, controlando jogo, assumindo protagonismo. É a mesma tese do Sampaoli, só que com time pra fazer isso.

Ele costuma dizer que não importa como, mas time grande tem que assumir protagonismo. Tem que ter a bola, tomar iniciativa e buscar o gol.

Jesus pensa igual, pelo jeito.

Claro que não farei comparação. Um está ali porque disputa só aquilo, mas com os méritos de não ter um grande time. O outro tem um time que obriga qualquer um a disputar o campeonato. O que encanta é o protagonismo em campo. O prazer pelo gol.

“Futebol é resultado” é uma frase comum, verdadeira e um tanto quanto rasa.

Futebol é ídolo, paixão, pretexto, resultado e expectativa.

O Flamengo tem ídolo, uma torcida apaixonada, “resultados”, gera expectativa de algo ainda maior e pretexto pra toda e qualquer roda de bar nesse Rio de Janeiro.

O céu e inferno, lembram? Então. Se o inferno queima, o céu lá também merece ser muito mais azul.

RicaPerrone

Taças e mulheres

O Fluminense estava apaixonado. O Corinthians interessado.

Elas nunca dão bola pra quem as supervaloriza. Preferem aquele que é capaz de dizer que “nem queriam mesmo” do que os braços de quem não a negaria jamais.

São assim. Sempre foram.

Parecem escolher pela postura. Tem que desejar com uma dose de merecimento. Não pode parecer um sonho, tem que parecer natural. Elas gostam assim, fazer o que?!

Só na Disney que o magrelinho pobre rouba do bonitão. Na vida real ela quase sempre acaba nos braços do bonitão.

Querer muito é critério, mas não decide a escolha. Quanto mais grandioso você cria na sua cabeça, mais longe ela fica.

O Fluminense sonha com a Sulamericana. O Corinthians só acha que pode conquista-la e aposto que se acha até favorito.

Ela pode estar sendo injusta. Mas previsível.

Nunca entendemos as mulheres, imagina as taças.  Embora a gente saiba exatamente o que elas vão fazer em 90% dos casos.

RicaPerrone

O óbvio improvável

O Flamengo é o único caso no planeta onde todo mundo sabe que é óbvio um comportamento desde que ele não não seja o mais provável.

Explico.

Ao viajar pro Equador era certo o favoritismo. O bom rubro-negro sabia: “vai dar merda”.

Ao perder por 2×0 lá, perder Diego e não ter Arrascaeta e Everton 100% a óbvia eliminação precoce da Libertadores causada por favoritismo agudo se tornaria, portanto, uma óbvia virada “contra tudo e todos”  com final épico no Maracanã.

Precisava fazer 2. Era difícil. Tão difícil que fariam. E em 20 minutos, porque é óbvio que seria difícil. E portanto, o fizeram.

Agora faltam 70 pra fazer só mais um. É provável que saia.

Óbvio que não saiu.

Diego Alves foi vaiado outro dia. Adivinha quem vai ser o herói nos pênaltis?

Óbvio. De tão improvável.

O Flamengo virou hoje porque “virou” o improvável”. Fosse o time completo, com 1×1 lá, teria sido eliminado.

Duvida? Olha a postura do time buscando o 2×0 e o mesmo time segurando o 2×0.  O Flamengo respira desafio, tem pavor de ter obrigação e verdadeira fobia de favoritismo.

“Isso é Flamengo”.

Pode comprar, ficar rico, tanto faz.  Flamenguista não tem vocação pra assistir títulos. Ou ele os conquista junto, ou nem valeu a pena.

E pra que ele faça parte é preciso motivo pra empurrar mais do que pra cobrar.

Se o clube as vezes vai na contra-mão da sua vocação, a vida corrige. Hoje, completo, tendo empatado lá, o Flamengo teria perdido o jogo.

Como eu sei?

Você também sabe. Todo mundo sabe.

Era óbvio. De tão improvável.

RicaPerrone

Jesus, juiz e juízo

Jesus corrigiu com inteligência o problema ofensivo que o Flamengo tem hoje com a perda de 4 jogadores de frente de alto nível. Voltou Gerson pra onde ele não deveria ter saído, colocou Cuellar e deu liberdade pros laterais.

O Botafogo tem uma proposta muito consciente do que pode fazer com esse time. Toca, prende a bola e não vai pro risco. Mas a diferença dos dois times é muito grande, e quando isso acontece ou o rival é tão conservador quanto (Cruzeiro) ou a pressão vai existir, tal qual os espaços.

O Botafogo jogou bem. Tentou usar os espaços dados, fez 2, mas, aceitemos, o time do Flamengo é bastante melhor.

Ao ponto: arbitragem.

Erros decisivos. Rafinha e Cuellar mereciam o vermelho e dificilmente o resultado seria o mesmo com 9 x 11. Portanto houve grande interferência no resultado.

O que não muda o bom jogo do Botafogo, nem a boa virada do Flamengo que o empurra pros braços do torcedor pra quarta-feira.

Ambos tem que virar algo no mata-mata. A vida do Flamengo ficou mais promissora. Pudera. Um está  atrás de sobreviver e o outro ostentando. O fato do jogo ter sido equilibrado e ter tido erros de arbitragem refletindo no resultado é um elogio ao Fogão, não muito pro Mengão.

Seguimos. Porque é a quarta 21h30 que ambos saberão se vivem um crise ou uma lua de mel com seu torcedor.

RicaPerrone

Quando a bola entra

Se o resultado foi muito bom, a atuação não.  E se você puxar os últimos jogos rapidamente na cabeça verá que o SPFC sofre com a lentidão de Pato e Hernanes em péssima fase.

Não porque não prestam. Mas porque parecem estar jogando de favor. Seja lá pelo motivo pessoal que for, o SPFC com qualquer garoto é mais perigoso do que com eles.

No Maracanã o Fluminense foi bem melhor. O que não significa vencer, já que é especialidade do Flu jogar melhor e também tem sido sair do jogo perdendo.

Penalti? Sim. Bateu.

Eu não gosto dessa “nova regra”. Preferia a simples da mão na bola e bola na mão. Mas… a regra é essa. Penalti, portanto.

E segue o enterro.

O curioso é que ontem o Maracanã viu o time que mais “merece” e não faz o gol perder, e o time que ontem não jogou quase nada fazer o gol e vencer.

Estatísticas. O biquini do futebol. Mostram tudo, menos o que todo mundo quer ver.

RicaPerrone

Ainda há “Flamengo” no Flamengo

Se os salários tão em dia, o Barra Music não atrai o elenco, a paz está reinando e o clube virou exemplo de gestão, algo tinha que permanecer intacto: a vocação.

Hoje cedo eu conversava com um amigo rubro negro, o Dudu, e falávamos exatamente no cenário. Casa cheia, time bem, euforia, favoritismo… conhecendo futebol, o Flamengo passa. Conhecendo o Flamengo, o circo tá armado.

Chega a ser curioso como algumas coisas no futebol se repetem independente de quem está vestindo a camisa. Parece que ela se sobrepõe ao jogador e conduz pelo clube. O Flamengo tem essa vocação para criar festas improváveis e estragar as festas planejadas.

Não era o gramado. O Atlético conseguiu segurar o Flamengo. Lá, fez até pra ganhar e bem o jogo. Aqui não, mas conseguiu evitar que o ataque do Flamengo funcionasse.

Tem azar também, é claro. A perda do Arrascaeta no começo, o gol perdido pelo Lincon. Mas enfim.

É fato que dos três jogos pós Copa América o que destoa é o Goiás, não o Flamengo, nem o CAP.   O incômodo fica pelos pênaltis.

Dos 42 em diante o Flamengo mostrou que precisa de algo mais pra ganhar uma Libertadores, se de fato a quiser. Um pede pra sair porque tá cansado. Aos 43? Com pênaltis por vir, Rafinha?!

Os outros batem os pênaltis como se estivessem tentando fazer golaço. Todos fracos, sem raiva, sem competição. O Flamengo que foi pras cobranças não foi o que brigou pela vitória em campo nos 2 jogos.

Ainda há “Flamengo” no Flamengo.  Pro bem, e pro mal.

RicaPerrone

Noite (in)feliz

Bom público, surpreendendo até mesmo os otimistas.  Saudades misturada com expectativa.

Nenê contratado, e não o faria com salários em dia, imagine atrasados. Não vem bem, faz bico quando contrariado. Contratação de alto risco num elenco que já tem um “meia técnico e lento” e que não recebe em dia.

O gol bem validado do Flu.

O gol bem anulado do Ceará. Indiscutível uso do impedimento no lance.

O massacre. A bola que não entra. As vaias a nova falta do “detalhe”.

“Cria” do Flu, Parreira criou a frase mais mal interpretada e mentirosa do futebol ao mesmo tempo. É fácil entender o que ele quis dizer, e mais fácil ainda entender porque passou a carreira sendo demitido. Detalhes.

Diniz tem uma idéia. Ela funciona, mas nem sempre o resultado final indica que foi bem feito.

Falta um “detalhe”. Justo o que decide a porra toda.

Se pelos números ou pela idéia, não sei o que vai decidir a nova diretoria do Flu. Sei que eu manteria, até porque é um time com salários atrasados e isso atrapalha qualquer processo para um líder.

Eu gosto da entrega, do conceito, da forma de jogar e não vejo alternativa melhor. Não me refiro ao Diniz, mas ao Fluminense que tenta ser protagonista pela forma e não pelo título, que obviamente com esse cenário financeiro dificilmente virá.

Enfim. Vaias. Numa noite em que faltou “o detalhe” para ser muito feliz.

RicaPerrone

Compreensível

O rubro-negro sempre foi megalomaníaco. Sua postura nunca foi proporcional aos resultados e a graça do Flamengo é exatamente essa. A facilidade com que se vai do céu ao inferno e a injustificável confiança em momentos não tão favoráveis.

Ser Flamengo é esperar o improvável como tendência.

Nunca o flamenguista foi tão “insuportável”.  Também pudera, se nunca tiveram estrutura, contas em dia, dinheiro em caixa e ainda assim já mantinham o otimismo acima da taxa do explicável, imagine agora.

Como você racionaliza e contém o rubro-negrismo do sujeito diante de um time de milhões, reforços de valores inimagináveis há poucos anos, um treinador europeu, jóias surgindo da base… enfim. O mais pessimista dos flamenguistas hoje almoça olhando passagem pra Dubai.

Vai? Não sei. Mas hoje, com esse time, uma goleada dessas, casa cheia, reforços chegando, é muito pouco provável que algum argumento ou “porém” tire do torcedor a euforia natural de um Flamengo que rascunha ser o que nunca foi, embora já tenha sido dono do mundo.

Jesus ainda não pode ser julgado. Mas o fato de ter tirado do futebol brasileiro a obrigatoriedade de escalar um time com 3 na frente e uma formação espelhada nos rivais já lhe dá algum crédito.

O Flamengo hoje jogou o que dele se espera. Pelo time que tem, pela mobilização que a torcida está fazendo, pelas condições de treino que jamais tiveram.

Estamos falando de alguém que  esperava picanha, comia cupim, as vezes “passava fome” e hoje está sentado no melhor rodízio da América do Sul ajeitando o talher pra começar a comer.

Você pode até duvidar se ele vai matar a fome. Mas não pode condena-lo pela expectativa.

RicaPerrone