massacre

Caro Capita;

Caro Capitão Carlos Alberto;

Acho cedo pra que já esteja por aqui nos ajudando daí, então lhe escrevo pra contar.  Hoje a sua seleção enfrentou nosso grande rival naquele Mineirão cheio de fantasmas.

 

Sua gente foi, empurrou, gritou seu nome e o dos meninos em sequencia, como se fossem todos do mesmo time. E Capita, convenhamos… nada mal.

O Daniel jogou com a 4, de capitão.  Foi pra você.  Nós humilhamos a Argentina com um 3×0 que só não foi 6 porque estava mais divertido vê-los no chão dando carrinho pra tentar nos parar do que no fundo da rede pra buscar a bola e recomeçar.

Eu sei, eu sei. O gol é mais importante… mas é que a gente é assim, né Capita? Debochado, irreverente, cheio de marra.  Alivia daí agora que tu é um ser superior, pô!

Sabe o moleque? O Neymar? Porra, Capita… ele tá voando. Dá gosto de ver. Tu ia se amarrar hoje no gol e nas bolas que ele meteu. O Coutinho, que sei que você também gostava, fez um golaço!

A torcida gritava Capita, Pelé e Vampeta! Eu acho que nunca fui num jogo onde a torcida brasileira lembrou mais de jogadores do passado do que em campo. Foi curioso, grandioso, notável. Vocês merecem.

Toda vez que um dos nossos garotos bate no peito ele empurra pra perto dele aquelas estrelas que vocês bordaram. Esse time que hoje jogou em sua homenagem, ainda é o seu time. E será, seja quem for o presidente da CBF, da NASA ou dos EUA.  Aliás, Capita, deu uma merda essa história de presidente dos EUA…  Caraca, depois te conto.

Eu só queria que você soubesse.  Como “pai” desse manto, como responsável eterno por essa gente boleira e representante dessa nação que ama a bola entre camisas amarelas a bailar, é seu direito ser informado.

Descansa, Capita. Achei que talvez não pudesse dizer isso tão cedo, tanto quanto não esperava ter que te escrever tão cedo. Mas cara… tá tudo bem.  Os meninos estão cuidando dela com muito carinho.

Aviso o resto do pessoal que já está ai que quando os próximos forem, talvez já subam com uma estrela a mais na camisa. A gente manda autografada pelos meninos. Prometo!

Um abraço!

RicaPerrone

Únicos

Torcida, futebol, time em campo, vontade de ganhar. Um único time teve tudo isso no sábado no Morumbi.  Enquanto o Corinthians foi a campo para ver o que dava pra fazer, o São Paulo entrou pra fazer a última coisa que poderia tirar um sorriso do seu torcedor no ano: vencer o rival.

E naquele melancólico cenário que impede uma das partes de se fazer presente, deu o “favorito”.

Ora, mas favorito em clássico, Rica?! Sim, clássico em casa sem torcida adversária nem clássico é. Quanto mais sem favorito.

Confirmando não apenas o favoritismo como também o poder de jogar bem mais do que vem sendo apresentado, o Tricolor fez 90 minutos que confundem.  Você não sabe exatamente o que foi uma grande atuação e quanto disso foi uma atuação desastrosa do Corinthians.

Mas foram! As duas coisas em doses a se ponderar.

O pênalti chorado, após replays, mudei de idéia e vi que de fato não houve.  Mas discute-se o pênalti, discute o que quiser. Só não discuta um 4×0. É indiscutível.

2016 termina triste para os dois times. Em crise, com jogadores comuns, um futebol fraco e irregular, transitando na zona morta do Brasileirão.  Quem diria?

O semifinalista da Libertadores e o atual campeão brasileiro, juntos, fazendo figuração.

Mas até entre figurantes dá pra ser protagonista.  E este foi o São Paulo.

abs,
RicaPerrone