memes

Que seja combustível

Neymar é o brasileiro da vez a ser massacrado após uma Copa que não vencemos. É um enredo chato, bobo, repetitivo e previsível de um povo apaixonado pelo fracasso e que torce contra pelo prazer de ver seu fracasso nivelado aos dos demais.

Nada novo.

A questão é o que nosso melhor jogador fará com isso em 4 anos. Dunga pegou todo o absurdo que a mídia fez com ele em 1990 e transformou em raiva e foco para em 1994 poder ver as mesmas carinhas de merda do massacre tendo que aplaudi-lo.

Outros se afundaram e sumiram. Outros brigaram contra o impossível até serem destruidos. Neymar é bem assessorado, tem pai e mãe, equipe, e provavelmente vai ouvir onde errou e onde acertou sem doses de fanatismo nem ódio.

Cai muito e faz de cada queda uma cena maior do que é. Fato. Mas faz porque foi orientado a cair pra não se machucar. É o jogador que mais apanha no mundo, disparado. Só na Copa apanhou o dobro do segundo colocado até onde foi.

Provoca, chama, prende e adora o protagonismo. Características dos polêmicos, mas também da maioria dos campeões. Campeão ele já é de quase tudo, e não dá pra dizer que não funciona seu estilo. Não estamos falando de um moleque de 16 anos começando. É de um “moleque” de 26, mas consagrado, campeão e um dos melhores do mundo.

Foi o jogador que mais tentou o gol na Copa. Estatística da FIFA. Parou nas quartas, e se não acertou em todas, foi quem mais tentou e pediu o jogo.

Talvez Neymar seja um meme pra você. Talvez você leia matérias estúpidas sobre a relação dele no vestiário do PSG de jornalistas que sequer conhecem Paris e leve a sério. Talvez você veja os fatos.

Fato é que Neymar foi pra Copa machucado, sem ritmo e inseguro. Tentou ainda assim ser o cara da seleção e foi num dos jogos. No que perdemos, deu o gol mais feito do jogo pro Coutinho em lance individual dele.

Mal? Não. Apenas não no seu nível. E seu nível é de outro planeta.

Tem 4 anos pro Neymar engolir, transformar o deboche em raiva e a raiva em foco. E em 2022 olhar pra todos como quase sempre olhou pra quem desconfiou dele até hoje por onde passou.

Neymar é um sucesso na seleção. Perto de recordes aos 26 anos, artilheiro do time, dono da 10, resolvendo olimpíadas e Copa das confederações, jogando uma Copa machucado e a outra saindo contundido até onde íamos bem.

Você vê Neymar como quiser. O importante é como ele verá tudo isso. E se ver bem, aceitando os erros e ignorando a quantidade absurda de críticas vazias, teremos um time ainda mais favorito em 2022.

Esse país massacrou Zagallo, Zico, Falcão… Acho que não é exatamente um bom pilar de credibilidade a fonte do massacre contra Neymar.

É só mais do Brasil que não funciona explicando porque nunca vai funcionar.

abs,
RicaPerrone

Glória, Glória, Aleluia!

Ontem durante o Oscar eu morri de rir dos comentários e das brincadeiras com a Glória Pires.  Claramente ela não estava a vontade, ela não é comentarista, nunca fez isso, é natural que não tenha desenvoltura numa estréia.

Na web, como sempre digo, estão as pessoas mais fracassadas e infelizes do mundo junto das pessoas normais, que levam a vida numa boa e sabem rir das coisas.  Essa mistura confunde, mas as vezes esclarece.

O que muita gente tirou do tom divertido pra atacar ou desmerecer uma das nossas maiores artistas na verdade não passou de uma aula de simplicidade.

“Não vi”.  “Não posso opinar”.

No mundo onde todos nós temos uma opinião em 140 caracteres imediatamente após uma questão ser levantada, sem nem mesmo pensarmos sobre o tema, alguém ir na TV e dizer: “Não vi” é quase uma ofensa pessoal.

Como não viu? Ué, não vendo.

A simplicidade com que a Glória Pires disse não ter visto e não ter uma opinião sobre algo é tão humilhante pra nós, corneteiros virtuais, que de alguma forma nos atingiu.

Porque se ela, Glória Pires, “não viu” e “não pode opinar”, quem eu penso que sou pra ter tanta razão em ficar no twitter julgando o mundo o dia todo enquanto alguém produz de fato?

A vida é como um jogo de futebol. 70 mil pessoas assistem, 22 protagonizam. Alguns ajudam a fazer acontecer, a enorme maioria se limita a  vaias e aplausos.

“Não vi”, “não posso opinar” foi a coisa mais verdadeira de toda a noite do Oscar.

Hoje cedo Glória fez um vídeo. Não pra te ofender, mas pra dizer que se divertiu com os memes. E explicar, a quem quiser saber, que ela não é especialista e nem obrigada a saber tudo. Sorrindo, leve, como as pessoas de verdade devem ser.

A letra que separa o meme do mimimi é o que nos divide entre Glórias e Manés.

abs,
RicaPerrone