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O coxinha!

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Coxinha é o termo usado para pessoas que não são de esquerda desde as manifestações de 2013.  Todo não petista, não esquerdista, pra alguns, virou “coxinha”.

Eu nunca consegui encontrar de fato um “coxinha” pra poder concordar com a tese e sentir na pele a irritação causada por um deles. Até porque não sou de esquerda, não voto em PT e Psol, e sou capitalista. Mas isso não vem ao caso.

Ontem na saída da Sapucai, na fila do metrô, conheci um coxinha.

Ele andava reclamando alto pra ser ouvido por alguém, pois provavelmente nem a mãe dele dá atenção pra o que ele diz.  A mulher que estava com ele gritava: “Deixa passar o unitario!”. “Otimiza!”. E ele, destoando da inocente falta de noção da moça que pedia pra passar sobre a cabeça de 300 pessoas por ter um “unitário”, gritava “Que saudades de Nova Iorque!”. “Isso é uma cidade de merda!”.

Sugeri então que usasse o dinheiro de quem pode ir a Nova Iorque para pegar um taxi. Ele se calou.

Quando passaram pela moça que meramente fazia vigia numa das entradas do metrô, o rapaz começou a gritar que eles eram burros, que não faziam nada direito, que ela poderia liberar a entrada invertida da saída, enfim, coisa de quem nunca pegou um metrô na vida. Só na cabeça de um retardado desses uma funcionária do metrô pode da cabeça dela mudar a logística de entrada pós desfile para milhares de pessoas na última hora.

E então discuti com ele. Disse que ele estava sendo um babaca em falar assim com a menina que tava ali trabalhando e ele continuou gritando, só que andando de ré, pois já era fundamental que alguém nos afastasse para que ele continuasse macho, já que ele não falava mais com uma mulher em serviço.

Após alguns gritos pra lá e pra cá, soltou: “Tinha que ser Paulista”.  Eu ri, porque ele achava 2 minutos antes a cidade dele uma “cidade de merda”. E ele foi entrando, gritando contra quem votou na situação, dizendo que “em Nova Iorque a menina teria autonomia pra mudar o metrô.

Acho que agora sei, mesmo fora do contexto político, o que é um coxinha.

E sim, é irritante.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

De todos os lugares que visitei nesta Copa, nenhum me encantou mais do que estar no Metrô do Rio de Janeiro.

Jogo a jogo trocavam as cores daquela multidão que pela primeira vez lotava um vagão sorrindo e não atrasado pro trabalho ou cansado dele.

Entre diversos gringos que não entendiam muito bem o que fazer havia sempre uma duzia de brasileiros sorrindo dispostos a ajudar.

De graça para quem tinha ingresso, com os feriados pelos jogos, aquilo virava uma “Fan Fest” móvel que era embalada pela mistura de músicas que não entendíamos a letra, com gritos de “Brasil!” no meio do nada e o anuncio da estação Maracanã feito narração de gol pelo Penido.

Não havia um ser humano de mau humor naqueles vagões durante a Copa.

Foi muito divertido.

Os 30 dias mais incríveis de um país, eu arrisco dizer.

Nunca mais vou pegar aquele metrô sem lembrar de cada camisa de seleção que vi ali dentro. Espanha, Chile, Alemanha, França, Russia, Bósnia.  Agora, de volta, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Que aliás, nem saíram de moda.  Durante a Copa transitavam por ali misturados pela euforia de amar apenas o futebol.

O Metrô do Rio volta a seu ritmo normal. Mas sabendo que foi o caminho oficial entre o sonho e a realização dele para milhares de torcedores do mundo todo, tem como olhar pra ele como antes?

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Era domingo, dia da final. Por volta das 13h o metrô já recebia aquela multidão que partia em direção ao estádio especialmente de azul e branco.

Embarcamos na Del Castilho e os argentinos começaram a cantar e provocar brasileiros nos vagões.  Pulavam, batiam nas paredes, tentavam de qualquer forma nos tirar do sério.

Até que na estação seguinte entra um negro de cabelos longos com um violão nas mãos. Ele pára, diz que vai cantar pra nós, e começa a tocar Milton Nascimento.

Num épico momento inimaginável em qualquer outro ambiente ou momento deste país, os brasileiros começaram a cantar com ele e o tom da música dos argentinos foi baixando, baixando, até se calar.

Em menos de 1 minuto Milton Nascimento calava um enorme grupo de argentinos que até chegaram a acompanhar o ritmo batendo nas cadeiras.

Era nosso jeitinho simpático de quebrar até a marra de quem nos provoca.

E assim fomos, ao som de Milton, Gil, Caetano e Djavan até o Maracanã.

Na saída, sugeri mais Milton  Nascimento. Mas acharam que seria provocativo se puxassemos:

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar”.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Já próximo a embarcarmos para o Maracanã, dois franceses ansiosos com a decisão contra a Alemanha cantavam ao meu lado.  Mas não músicas de futebol, canções mesmo. Eu não entendia nada porque era tudo francês, claro.

Até que um deles olhou pra mim, viu que eu era brasileiro, e tentou ser “legal” cantando algo daqui.  Pensou, arriscou começar uma, não soube a letra, pensou mais 4 segundos e soltou: “Brincadeira de criança… como é bom! Como é bom!”.

Eu cai na gargalhada. Molejão internacional. Eles não sabiam se eu ria por achar bom ou ridículo, então, pararam.  Me apontaram como quem pede ” agora é sua vez”.

Disse que só sabia “Ne Me quitte Pas”.  Eles aprovaram.

Mas não acaba. Já chegando ao estádio, um grupo grande da torcida da Alemanha foi chegando na mesma direção para desembarque no Maracanã. Dá aquela tensão de 1 segundo pelo hábito que temos em estádios, mas logo lembramos que é Copa.

Começaram a cantar as músicas deles. Os da Alemanha, as deles. E juntos desembarcaram na rampa que leva ao Maracanã.

Quando virei pra ir a entrada de imprensa, os franceses seguiram reto pro estádio. Dei tchau, desejei sorte, e animados, sem saber que a Copa deles terminaria dentro de mais 2 horas, mandaram um “Pre-pa-ra”, com dancinha.

Meu repertório francês para retribui-los tinha acabado. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Era uma tarde comum no Rio de janeiro não fosse a presença ilustre de milhares de franceses e equatorianos.   Se de um lado era um festival de “Si, se puede”, sabendo que não poderiam, do outro era só euforia pelas oitavas, já sabendo que seria a Nigéria o próximo alvo.

“Allez les blue” pra lá e pra cá, franceses cheios de camisas do Zidane.

Eu não costumo me incomodar com isso, mas é quase como um poster do ex namorado da sua esposa na sala de casa. A imagem não te faz nada, mas irrita.

Ao contrário de outros tantos, os franceses parecem saber o mal que já nos fizeram e nem por isso se consideram maiores. Tem respeito pelo nosso futebol e muita admiração.

Na volta do estádio, após jogo mediocre terminado em 0 a 0, um grupo de franceses falava sobre Neymar. Ao lado deles, me intrometi num meio português/espanhol/sinais com a mão/ingles  e consegui lhes dizer que ele veio do Santos, time de Pelé.

Continuamos.  Conversei com eles por 3 estações até chegar a Del Castilho, nosso destino.  Eles entendiam, perguntavam, eu respondia.  Foi de Neymar a Copa de 98, onde fiz cara de “evitem o tema”.

Simpáticos, iam se despedindo na saída do metrô quando um deles disse: “Valeu, irmão”.

Me virei calmamente, após 20 minutos de tentativas de dialogar com os franceses, e perguntei:

– Você é brasileiro, irmão?
– Não. Sou frances. Mas venho sempre ao Brasil.
– Porra, e porque você não me ajudou a traduzir o papo?
– Desculpa, amigo. É que eu prometi pra eles que o brasileiro fazia qualquer esforço pra ser simpático. Eles precisavam ter a prova.

Eu não sabia bem se xingava o francês ou se achava genial.  Mas diante dos outros 4 rindo e tirando fotos com brasileiros que saiam do metrô cantando “mengo”, acho que entendi.

E fui pra casa sem lembrar de Zidane, Platini e Henry.

abs,
RicaPerrone