metrô do Rio

A Copa no Metrô

Era domingo, dia da final. Por volta das 13h o metrô já recebia aquela multidão que partia em direção ao estádio especialmente de azul e branco.

Embarcamos na Del Castilho e os argentinos começaram a cantar e provocar brasileiros nos vagões.  Pulavam, batiam nas paredes, tentavam de qualquer forma nos tirar do sério.

Até que na estação seguinte entra um negro de cabelos longos com um violão nas mãos. Ele pára, diz que vai cantar pra nós, e começa a tocar Milton Nascimento.

Num épico momento inimaginável em qualquer outro ambiente ou momento deste país, os brasileiros começaram a cantar com ele e o tom da música dos argentinos foi baixando, baixando, até se calar.

Em menos de 1 minuto Milton Nascimento calava um enorme grupo de argentinos que até chegaram a acompanhar o ritmo batendo nas cadeiras.

Era nosso jeitinho simpático de quebrar até a marra de quem nos provoca.

E assim fomos, ao som de Milton, Gil, Caetano e Djavan até o Maracanã.

Na saída, sugeri mais Milton  Nascimento. Mas acharam que seria provocativo se puxassemos:

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar”.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Já próximo a embarcarmos para o Maracanã, dois franceses ansiosos com a decisão contra a Alemanha cantavam ao meu lado.  Mas não músicas de futebol, canções mesmo. Eu não entendia nada porque era tudo francês, claro.

Até que um deles olhou pra mim, viu que eu era brasileiro, e tentou ser “legal” cantando algo daqui.  Pensou, arriscou começar uma, não soube a letra, pensou mais 4 segundos e soltou: “Brincadeira de criança… como é bom! Como é bom!”.

Eu cai na gargalhada. Molejão internacional. Eles não sabiam se eu ria por achar bom ou ridículo, então, pararam.  Me apontaram como quem pede ” agora é sua vez”.

Disse que só sabia “Ne Me quitte Pas”.  Eles aprovaram.

Mas não acaba. Já chegando ao estádio, um grupo grande da torcida da Alemanha foi chegando na mesma direção para desembarque no Maracanã. Dá aquela tensão de 1 segundo pelo hábito que temos em estádios, mas logo lembramos que é Copa.

Começaram a cantar as músicas deles. Os da Alemanha, as deles. E juntos desembarcaram na rampa que leva ao Maracanã.

Quando virei pra ir a entrada de imprensa, os franceses seguiram reto pro estádio. Dei tchau, desejei sorte, e animados, sem saber que a Copa deles terminaria dentro de mais 2 horas, mandaram um “Pre-pa-ra”, com dancinha.

Meu repertório francês para retribui-los tinha acabado. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Era uma tarde comum no Rio de janeiro não fosse a presença ilustre de milhares de franceses e equatorianos.   Se de um lado era um festival de “Si, se puede”, sabendo que não poderiam, do outro era só euforia pelas oitavas, já sabendo que seria a Nigéria o próximo alvo.

“Allez les blue” pra lá e pra cá, franceses cheios de camisas do Zidane.

Eu não costumo me incomodar com isso, mas é quase como um poster do ex namorado da sua esposa na sala de casa. A imagem não te faz nada, mas irrita.

Ao contrário de outros tantos, os franceses parecem saber o mal que já nos fizeram e nem por isso se consideram maiores. Tem respeito pelo nosso futebol e muita admiração.

Na volta do estádio, após jogo mediocre terminado em 0 a 0, um grupo de franceses falava sobre Neymar. Ao lado deles, me intrometi num meio português/espanhol/sinais com a mão/ingles  e consegui lhes dizer que ele veio do Santos, time de Pelé.

Continuamos.  Conversei com eles por 3 estações até chegar a Del Castilho, nosso destino.  Eles entendiam, perguntavam, eu respondia.  Foi de Neymar a Copa de 98, onde fiz cara de “evitem o tema”.

Simpáticos, iam se despedindo na saída do metrô quando um deles disse: “Valeu, irmão”.

Me virei calmamente, após 20 minutos de tentativas de dialogar com os franceses, e perguntei:

– Você é brasileiro, irmão?
– Não. Sou frances. Mas venho sempre ao Brasil.
– Porra, e porque você não me ajudou a traduzir o papo?
– Desculpa, amigo. É que eu prometi pra eles que o brasileiro fazia qualquer esforço pra ser simpático. Eles precisavam ter a prova.

Eu não sabia bem se xingava o francês ou se achava genial.  Mas diante dos outros 4 rindo e tirando fotos com brasileiros que saiam do metrô cantando “mengo”, acho que entendi.

E fui pra casa sem lembrar de Zidane, Platini e Henry.

abs,
RicaPerrone