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Mercado, incapacidade e o amanhã


Você sabe, embora alguns socialistas neguem, que tudo que não tem dono acaba ficando nas mãos de quem pouco se importa. Se não será seu daqui 10 anos ou se o que você plantar não lhe renderá nada a médio prazo, que se faça o hoje e se consagre por ele.

É assim em qualquer porcaria onde alguém não esteja com o seu dinheiro em cima pra cobrar resultados, planejamento, cargos por méritos e explicações.  Clube de futebol é um retrato fiel do porque o Brasil não funciona, basta traçar o paralelo.

O presidente não vai ficar. Não há um chefe acima dele e nem quem pense e espere algo de fato a longo prazo. Se ele plantar e não puder ver a colheita não apenas não lhe ajuda como também lhe faz mal. Veja você que estupidez, mas se o presidente do clube hoje plantar para colher em 7 anos ele consagrará o seu inimigo político que provavelmente estará no poder.

Vendas inexplicáveis, compras absurdas. Aposta na base rejeitada porque não dá tempo de colher. E tome dinheiro jogado fora em jogadores comuns com salários astronômicos. Mas é pra você, torcedor.  Tudo isso é feito pra você aplaudir e se empolgar. No fundo todos eles sabem que a médio prazo funciona bem melhor.

Mas você esperaria? Não.

Tratando-se de Brasil, empresa sem dono, apenas politicagem e favores, nada nos conforta. A espera pela eleição destrói clubes.  É o prazo final do trabalho seja ele bem feito ou não. E como trata-se de paixão e resultados esportivos, você faz qualquer idiotice pra ganhar naquele período.

Houvesse um dono no clube ele acordaria hoje e refaria a tabela de preço do seu elenco todo quando vê que o Militão ontem valia 4 e em 6 meses na Europa vale 50.

É preciso fazer hoje pra dar algo amanhã já que seu pagamento oficial é apenas o tapinha nas costas. Então que sigam os tapinhas.

Embora em 90% dos casos a vontade era de ser um tapão, e não nas costas.

RicaPerrone

O medo e a obrigação

O Fluminense tem por característica principal e distante da segunda colocada a superação. Esse time tenta com o que tem, o que não tem. Corre, luta, briga e camufla a sua fragilidade com dedicação e a não cobrança da camisa que veste.

Eu explico.

Se o Fluminense tivesse sendo cobrado pra ser campeão com esse time estaria em crise e perdendo jogos. Exatamente o descrédito está dando a eles o espaço para serem surpresas embora num time grande.  É difícil “surpreender” em time grande. Ele sempre carrega com ele a esperança de títulos.

Esse Fluminense “ganhou” o direito de jogar como der desde que corra. O outro lado, não.

O São Paulo tem time, investiu pesado e tem por obrigação que jogar mais do que joga. Não tem obrigação de vencer o Flu no Rio. Não é isso. Mas tem por vocação e elenco que não se acovardar.

Um primeiro tempo bem desenhado pelo que deve ser de véspera. O melhor time peitando mesmo fora de casa e ganhando o jogo até. Aí vem o segundo tempo e a gente precisa conversar sobre ele.

O Abel Braga mandou o time pra frente gradativamente na medida em que via que o SPFC não teria nenhum problema em não jogar os últimos 45 minutos.

O Aguirre tem uma característica uruguaia detestável:  Se tiver que se defender, ele enfia os 11 atrás e que se dane. É curioso porque uma das críticas que eu mais fazia a ele no Inter da Libertadores 2015 era exatamente essa. Ele abria mão de jogar sem cerimônias quando ganhando.

É comum o perrengue no Uruguai. Mas não é necessário aqui, ainda mais num pontos corridos.

O Fluminense jogou um ataque x defesa o segundo tempo todo e fez o gol merecidamente. Não se abre mão de jogar futebol impunemente.

Segue o Fluminense empolgando pela luta, o São Paulo tentando convencer seu torcedor de que não será mais um ano a toa.

E o Fluminense anda argumentando bem melhor que o São Paulo com sua torcida.

abs,
RicaPerrone