Clubes

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

Classificação Planejada 2023 – #18

Todo ano aquela tabela polêmica que mostra o caminho dos clubes pra buscar 72 pontos e brigar por título.

Pra que? Pra você saber se um caminho foi mais fácil que outro ou não. Pra entender quem jogou mais partidas difíceis em casa ou fora e portanto compreender o que a tabela lhe ofereceu até aqui.

As tabelas não tem relação entre si. Cada tabela é pensada pro clube em questão apenas.

Ranking 2019: Quem foi mais longe?

E se pudéssemos contar com valores interpretativos o quanto um clube “conquistou” em uma temporada?

Pois bem. Dei valores a campeonatos e posições, sempre usando critérios pessoais obviamente por não haver nada estabelecido nesse sentido.

Mas dá pra ter uma idéia mesmo que você discorde delas.

O CAP pode ser o 13º?

Parte das pessoas já notaram que adoro sacanear as torcidas de CAP e Paysandu em rede social, especialmente no twitter. Outra parte surta, briga, discute mesmo me vendo usar o simbolo do Coxa no avatar. Enfim, vamos falar sério do CAP.

Existe uma vaga aberta pra um décimo terceiro na lista dos gigantes do futebol brasileiro?

Antes disso, vamos a um detalhe não muito claro pra quem está fora dos 12: Não significa que seu time seja pequeno. Apenas que ele não é um dos 12 maiores. O Nautico é grande. O Remo é grande. O Mogi Mirim é pequeno. Os 12 são gigantes, fora da curva.

Há espaço pra mais um gigante?

Sim. E Quem pode ser esse novo integrante? Exatamente o CAP.

Mas aí você pode se resumir a gestão, títulos, estádio e morrer no discurso simplista de quem acha que futebol é só isso. Mas não é.

Então porque o CAP pode devolver o “13” ao que já foi “clube dos 13”?

Porque ele é do Paraná.

Existem apenas 5 estados no Brasil com PIB acima de 400 milhões. Sao Paulo, Rio, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte e… Paraná!

Você deve ter notado que os 12 grandes estão exatamente nos 4 primeiros. E que há um estado sem um dos grandes com capacidade financeira e localização par tal.

Ah mas o Bahia não pode? Pode. Mas o trabalho dele é maior. Está mais longe e onde tem menos dinheiro. Até outro dia estava na Série C. Não é comparável ao que o CAP faz há anos.

O Paraná clama por um time grande. O Coxa já foi esse clube, mas há muit0 tempo vive de camisa e nada de novo. O CAP propõe grandeza. As vezes surta na idéia precoce de estar lá, é verdade. Mas ele tem um plano.

Tal qual o Rio de Janeiro vê seus 4 grandes abrirem uma distância muito grande, o Paraná começa a ver algo parecido. O Paraná desapareceu, o Coxa não dá sinal de vida há anos. O CAP dá, todo ano.

Talvez seja cedo pra afirmar que será. Mas não é cedo pra fazer contas, olhar pro PIB dos estados e ver que há um quinto estado capacitado financeiramente pra suportar um grande e que exatamente lá há um trabalho nessa direção.

Demora. Tradição não se compra e “estar grande” não te faz grande. Mas é possível. E entre os possíveis, o CAP é disparado o que tem mais chances de devolver o “clube dos 13” ao que hoje chamamos de “G12”.

Ah, mas e o Botafogo?

Ao contrário do que vocês pensam, acho o Botafogo a salvação mais próxima do futebol brasileiro. Será o primeiro grande a não ter solução financeira, será obrigado a ser “vendido”  e então ser tornará vencedor. Em seguida todos serão vendidos também e, enfim, teremos um negócio e não uma organização política.

Por isso não creio na troca de um dos 12. Na entrada de um ou dois, quem sabe.

RicaPerrone

Jesus não está sozinho

Eu sei que todo rubro negro está enlouquecido porque nunca viram o Flamengo como hoje. É natural e justo, diante de tantos anos ridículos incompatíveis com a grandeza do clube, enfim ver o que de fato merecem.

Vejo no Jesus uma figura fundamental na melhora. Mas vejo alguns exageros que podem se tornar inconvenientes.

Explico.

Jesus é ótimo. Ta fazendo um trabalho incrível no Flamengo! Deve e merece ser campeão, se tornar ídolo, e referência no que faz. Ponto.

O que não é discutível e deturpável: Jesus não é um treinador consagrado. E quando alguém fala de seu curriculo não está desmerecendo, nem mentindo. Só constatando que não é um cara que aos 65 anos chegou aqui como um treinador fora de série.

E de fato, tendo conquistado títulos em Portugal, ele é um treinador de alto nível. Mas não tem um currículo incrível. Ganhar título em Portugal é como ganhar num estadual de 2 times. Você tem 2 opções.

Simples de explicar: Você nunca ouviu falar de Jesualdo, nem de Rui Vitória. Ambos são os recentes campeões de Portugal como Jesus. Nenhum deles está na Europa em times competitivos.

Isso desmerece Jesus? Não! Claro que não. Ele é de Portugal. Queria que ele tivesse títulos onde? Na Zâmbia? Mas daí a dar-lhe um currículo imaginário são outros 500.

Agora vamos a dose interna do exagero que considero injusta e perigosa.  Dar os créditos é uma coisa. Dar TODOS os créditos, um erro.

Porque?

Porque gera ciúmes. Ali tem um clube que ha 6 anos trabalha duro e sério sob vaias para chegar ao patamar de contratar esse time que tem hoje. Ali tem uma diretoria, 15 jogadores renomados, 4 reforços de peso que vieram com ele, e portanto uma série de responsáveis por isso.

Jesus é o maior responsável? Pode ser. Deve ser. Mas não é um jogo de FIFA. Ele não tem um controle remoto e comanda 11 bonecos. São profissionais que também querem os créditos por todos os lados.

Do roupeiro ao presidente, o Flamengo foi competente. É um pouco injusto mirar tudo num cara como se ele fosse, de fato, Jesus. Só que Cristo.

Amanhã, na hora da crise, que uma hora virá porque isso é futebol, vai ter o efeito contrário. Então não me parece uma fórmula de sucesso comum dar a um enorme trabalho coletivo os méritos todos a um só.

Jesus é fundamental. Eu adoraria tê-lo no meu time. Mas há bem mais do que ele no Flamengo que hoje faz o torcedor suspirar.

Enfim. Dividam os aplausos. Tem mais gente ali por trás que também os merece. E dizer isso não diminui em nada os méritos do Jesus. Apenas sugere que outros aplausos não sejam esquecidos.

RicaPerrone