muralha

Maior que a taça

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

Tanto faz

Passionalmente, como clube, amador ou profissional, Muralha já estaria sendo “estudado” ou afastado pelas falhas.  Fosse o Flamengo uma empresa, como pregam seus gestores, o responsável pelo setor seria afastado.

Seja pelo ângulo que você escolher, o Flamengo não está blindando seu jogador, nem seu preparador. Está piorando a situação.

Se na avaliação interna o preparador é bom, e eu sequer o conheço, que fique claro, então alguém tem que ser responsável pelo Flamengo não ter um goleiro reserva em condições de atuar.

Claro que há fatalidades. Um ano atípico em alguns sentidos, até câncer e dopping teve. Mas o Muralha chegou ao clube indo pra seleção brasileira. E eu não o conheci ontem. Eu vi jogos dele no Figueira, e não era montagem.

Ontem Muralha escolheu um lado. Até agora ele podia ser um cara vitima de enorme pressão que não estava rendendo. Agora ele é o cara que resolveu fazer gracinha e deixou o time em situação delicada pra Libertadores 2018.

A escolha é dele. Toda revolta que hoje toma conta do Rio de Janeiro é responsabilidade dele. Por brincadeira, não por algum problema técnico ou psicologico. Logo, aguente.

Pouco defensável o lado rubro-negro nessa história. Há 1 ano o Flamengo não tem goleiros em condições de atuar e ninguém foi responsável.  Mais recentemente precisou, não teve goleiro. Seguiu, trouxe um novo da Europa, o cara se machucou.  Mas não há no planejamento do Flamengo um goleiro na base pronto pra uma emergencia?

Porque se não é uma emergencia ter dois goleiros sem confiança, queimados com a torcida numa semifinal do unico torneio do ano que “ainda dá”, eu não sei mais o que pensar dessa “serenidade” com que o Flamengo lida com seus problemas.

abs,
RicaPerrone

“Mortos”

“Depois da chegada da internet…”, pára! Já tá errado. Internet é meio de transmissão, não uma forma de mídia. Mídia é impressa, video, áudio. A forma com que isso é transmitida às pessoas é outra coisa. Logo, não foi a internet que “fudeu tudo”.  Foi a falta de leitura do cenário.

Quando o Flamengo diz a um reporter que “você não”, logo vem os intelectuais falar em censura, blá, blá, blá.  Mas acontece, meus caros, que a mídia em geral não entendeu ainda que ninguém precisa mais dela pra porra nenhuma. E que se ainda a usam é por mera opção.

Diferente de quanto éramos reféns de emissoras e jornais, hoje temos ligação com a fonte, canais oficiais, mil “opiniões” e “informações” que, tal qual a imprensa tradicional faz, podem ou não ser verdade.

Duvida? Olha eu aqui! Chegou aqui por que emissora?

Olha quem são os maiores influenciadores do país.  Vê se foi a Globo que fez ou se eles se fizeram sozinhos.

Ninguém mais precisa da Globo. Ninguém mais é 100% direcionado pelo que diz o cara do jornal da noite. O ator da novela não é mais o galã do país. Esse cara está fazendo video no youtube e postando prato fitness no instagram.

Se você quer continuar dando furo em 2017, meu amigo, você ultrapassa a burrice. Não há qualquer importância em “furo” quando uma informação se propaga em 30 segundos pelo planeta. Ninguém sabe “quem deu”, porque quando sair “todos já deram”.

Então dê direito. Porque aí sim, quem sabe, você ainda faça alguma diferença.

Clubes, empresas, ídolos. Eles não dependem mais da imprensa para falar com os fãs. Logo, o refém agora é você, veiculo de comunicação disputando pauta com a rede social oficial do cara.

E se mentir, fizer merda, vai ficar pra fora do treino sim. Porque?

Porque você não tem DIREITO algum a estar ali. É uma permissão que o clube te dava por necessidade, hoje te dá ou não por opção.

O ídolo não precisa mais te aturar. Ele pode te destruir. Os fãs dele estão reunidos nas mãos dele, não mais na nossa. Toda notícia mentirosa será bem pior pro jornal/jornalista do que pra vítima. É uma tendência natural porque hoje nós não somos a única via.

Pior. Diria que sequer somos a principal.

O jornal Extra faz um jornalismo de merda, um sensacionalismo tosco e usa um método de 1980 tentando impactar em 2017. É óbvio que vai ladeira abaixo. Só que agora ele não tem mais a única coisa que o mantinha em pé: importância.

Ninguém liga pro jornal, pra emissora, pro jornalista famoso. Todos tem o que querem quando querem, basta querer chegar a informação que você terá. Nós somos os caras que dão de mão beijada e superficialmente, e portanto atingimos os menos interessados e/ou capacitados.

O mercado sabe ler melhor que a imprensa. Todo mundo já percebeu. Quem quer algo mais sobre política não lê o Globo de manhã. Ele vai nos mais conceituados sites de política do mundo e se informa lá.

“Nichou”.  A cobertura palmeirense é feita por torcedores do Palmeiras, não mais por nós. Modéstia a parte notei isso em 2005 quando fiz um site que cobriria o SPFC, não que replicaria notícia alheia apenas.

Hoje todo time tem 5 sites e eles todos são mais influentes em suas torcidas do que os jornais, rádios e revistas que insistem em arrotar caviar quando não comem nem mais a mortadela.

Acabou, gente. Nós não disputamos espaço mais entre nós. É contra “todos”. E a “censura” que você chora hoje por corporativismo se chama “direito”. O seu de a vida toda falar o que quer, o deles em hoje poder dizer que “Você, não”.

Eu apóio. Do lado de cá, ainda que não pratique o “jornalismo”, eu apoio.

Enquanto vocês estão preocupados em transitar bem entre colegas, tem gente que transita bem no futebol.

E é aí que a sua conta não fecha e você “morre”.  Todo mundo sabe que jornalista não tem NENHUMA especialização em futebol que o credencie a avaliar porra nenhuma.

Tem coisas que não se ensina em faculdade. Futebol é uma delas. Economia, política, culinária, também.  Ou seja, ser “jornalista”não te faz especialista em nada.  Acabou o caô. Fomos descobertos.

Descanse em paz.

abs,
RicaPerrone

A auto-revolta

Longe de querer defender a fase vivida pelo Muralha,  o que está acontecendo desde ontem a noite não é uma reação a uma falha, mas sim a não concretização de nossas certezas.

Todo torcedor de futebol jurava por Deus que se fosse pros pênaltis, ele seria o redentor. Era fato. 100%. Ninguém pode dizer que não cogitou isso na semana antes do jogo.

Quando o jogo foi para os pênaltis, 99% dessas pessoas disseram aos amigos em volta: “não falei?! Anota aí, agora ele se consagra”.

Quando ele não pegou nenhum dos pênaltis seguindo a orientação da comissão técnica em pular todas pra um só lado, ele frustrou o Flamengo, a torcida do Flamengo e 99% das pessoas que opinam sobre futebol todo santo dia, seja no bar, seja na tv.

Muralha fudeu a lógica.

Ele tinha obrigação de ser o herói do jogo, pegar o pênalti e calar a boca de todo mundo. Até quem o criticou queria ser calado. Porque era um roteiro desenhado. E ao terminar o tempo normal, Muralha virou a aposta de todos.

Os maiores responsáveis pela derrota do Flamengo, além do Cruzeiro, é claro, são Thiago e Diego. Eles cometeram erros decisivos na final, não o Muralha.

Mas ninguém jurou que Diego faria, nem que o Thiago seria solução. Já o Muralha, “se tivesse penaltis…”…

abs,
RicaPerrone

As vezes tem lógica

Era óbvio que se um goleiro fosse falhar na final, seria o do Flamengo. Que se um fosse brilhar, seria o Fábio.

Mais óbvio que isso apenas a redenção do Muralha nos pênaltis. E quando o juiz apitou, aposto, não teve um brasileiro vivo que não pensou:  “Futebol é foda. O Muralha vai sair herói”.

Porque há duas lógicas.  A lógica, e a lógica do futebol.

É raro, mas as vezes a primeira prevalece. E como tal, o herói é o goleiro do Cruzeiro, o vilão é o do Flamengo.  Convenhamos, uma criança de 12 anos diria isso ao ler o cenário antes da primeira partida.

Mas não temos 12 anos. Temos uma vida para saber que quem perde o pênalti é o craque. E aí sim, deu a lógica.  Diego, que por lógica faria, pela lógica da bola, perderia. E perdeu.

Tal qual Thiago Neves, que escorregou e num ato de coragem e bravura brigou com a lógica do futebol e manteve a direção da bola.  O craque, o pênalti decisivo… a lógica.

A primeira final européia do Brasil. O primeiro jogo decisivo onde os finalistas não queriam ver o rival perder.  E não viram. Eram quase simpáticos ao título alheio. Nunca tinha visto nada igual.

 

O Mineirão tem volta Olímpica enquanto escrevo. É a quinta vez que acontece.  Não é possível ignorar a ironia que há em ser o Cruzeiro, time mais enfático em suas conquistas no país, o maior campeão de um torneio de mata-mata.

Auto proclamados “maior de Minas”, o “maior do Rio”.  Fofos, mas agora só há um que importa.

Cruzeiro, hoje, o “maior do Brasil”.

abs,
RicaPerrone

 

Eles sabem como vai ser

Devo ter conversado com uns 40 rubro-negros e uns 15 cruzeirenses nos últimos dias. Eles tem absoluta convicção de que só há dois roteiros para a decisão, e não há um só cidadão que tenha coragem de discutir com a história do futebol e dizer que de véspera eles não tem razão.

Porque daria Flamengo?

Porque ficou menos provável após o primeiro jogo. Porque tem Diego. Por vários motivos, mas a que todo rubro-negro tem desenhada é o Muralha herói pegando pênalti e mandando o jornaleco e seu editor pra puta que pariu no microfone da Globo ao vivo.

É real. Eles não chegam a sonhar com isso. Na cabeça deles isso já aconteceu.

Porque?

Porque o Flamengo não ganha títulos sem uma história pra contar. E nesse Flamengo, o mais Cruzeiro de todos os tempos, não há outra história que não Muralha.

O Cruzeiro, que é tão Cruzeiro quanto sempre foi, conquistaria o título “à lá Cruzeiro”. Merecido, no tempo normal, indiscutível. É assim que ele faz, é assim que ele se fez.

O que pra muita gente é “sem sal”, pra alguns clubes é a forma rotineira de ser campeão.

Fato dos mais incontestáveis: Se algo absurdo acontecer, 90% de chance de ser com o Flamengo. 10% de ser do Cruzeiro. É isso que o futebol nos ensinou.

E por ter neste Flamengo um momento pouco brilhante, um clube frio, metódico, que comemora resultados na planilha tal qual no gramado, e que encontra motivos em todos os seus méritos, o flamenguista desconfia.

Fosse o Fla de Adriano, em crise, devendo 2 meses, o título era certeza. Esse aí, vai saber?

E assim vamos dormir essa noite. Sabendo tudo que vai acontecer, até que de fato aconteça.  E então os que terão razão dormirão amanhã felizes ou tristes, mas com o saboroso “não falei?”.

E alguém terá dito. Porque como toda final de dois times grandes, não se fala em outra coisa.

abs,
RicaPerrone