Osorio

Valeu! Valeu?

E Osório se foi. Aleluia!

Seu trabalho teve pouco tempo pra avaliação, mas dá pra deixar alguns elogios a sua ousadia. Não apenas a de montar um time que ataca até irresponsavelmente as vezes, mas a de ousar um treinamento novo, um método novo e uma abordagem diferente.

Não concordo com as pessoas que acham que o Brasil é um país que rejeita e dificulta trabalho de gente de fora. Aliás, acho que quem pensa assim é meio maluco ou cego. Nunca vi um lugar onde ser de fora é tão digno de créditos quanto aqui.

Osório é um treinador novo, teve no SPFC seu maior momento da carreira e trocou pelo sonho de uma Copa. Justo. Eu também trocaria. A Copa é o máximo do máximo no futebol. Nada pode competir com isso.

Marketeiro ou puro, Osório nos deixa uma crise, uma semifinal e uma disputa por G4.  Estamos no lucro.

Sua passagem pelo Brasil reforça minha tese de que a mídia brasileira não pode ver um gringo que antes dele vestir o tênis já o decreta o recordista dos 100 metros rasos.  Rasos, aliás, são os comentários que cercam nosso futebol.  Gente que não sabe o que é gestão, tática, negócio, marketing e distribui diagnósticos sobre tudo e todos.

Osório fez um bem ao vir pro SPFC. Especialmente, a ele mesmo. Se valorizou, fez mídia pra cacete, foi pra seleção do México e agora vale o dobro.

Quem saiu perdendo foi apenas o clube, que por incompetencia dos dirigentes e também o “azar” e ter sido alvo de uma proposta de seleção, perdeu o planejado pro final de 2015.

Faz parte. Até porque, se tudo que essa diretoria planeja der certo, o SPFC quebra em 10 anos. É bom que o imponderável nos salve.

abs,
RicaPerrone

Eu também iria

Osório parece ser um divisor na torcida do SPFC. Ou a pessoa o ama e acha que tudo que ele está fazendo é genial, ou odeia e acha que ele é um cretino aproveitador. Será que não há um meio termo?

Eu iria pra seleção do México.

Porque? Porque é uma chance enorme de disputar uma Copa do Mundo e só quem trabalha no futebol sabe o que é fazer parte de uma Copa do Mundo. É uma credencial eterna, um comprovante de competência, um atestado de profissionalismo. Um ponto gigantesco na carreira.

Qualquer um ia querer. Além da grana, que deve ser ótima, a chance do México é grande de estar na Copa. E é um emprego seguro, seleção joga pouco.  Eu iria.

O que eu não faria? Transformar isso numa novela de dentro pra fora.

Ah mas a imprensa pergunta!

Foda-se. Não responde. Não vá na coletiva.  Mas estão pedindo lenha pra queimar tudo em volta, você vai dar? Quem ganha com esse blá blá blá todo santo dia na mídia? O Santos, os demais adversários do G4, menos o SPFC.

Osório pode ser o cara que ele pinta ser e é maravilhoso que seja. Leva a esposa, diz que ta sofrendo, tudo bem! Mas diz isso la dentro, pro teu chefe, não pra mídia que fará disso uma novela idiota e sem beneficios pro clube.

Falta malandragem, jogo de cintura. Osório ou é muito puro ou muito marketeiro. Não vou avaliar sem conhece-lo, mas é um ou outro.

Seu trabalho é bom. Acho que todos queriam que ele ficasse. Ponto.

Daí a ser uma dádiva pro nosso pobre futebol, um exagero típico da imprensa brasileira que adotou o termo “importado” como “sinonimo de qualidade”.

Não é pela decisão, nem pela demora. É o teatro que está errado. Roupa suja se lava em casa, ainda mais quando a lavanderia da esquina é a imprensa esportiva brasileira.

abs,
RicaPerrone

Menos, Osório!

Quem é Juan Carlos Osório, afinal? Trata-se de um treinador de 54 anos, que fez estágio na porra do Manchester City, o que pra metade da imprensa brasileira significa ter se tornado um Deus.

Depois disso fez uns trabalhos bons, outros bem ruins, trocou de time 7 vezes nos últimos 8 anos, foi campeão de uns campeonatos na Colômbia e chegou aqui.

É bom? Parece que sim.  Tem moral? Tem, claro. Chegou campeão. Nada absurdo, longe de ser um consagrado treinador (bem longe) mas é um nome.

Porque diabos esse cara está tão certo de que todos fariam de tudo para tê-lo aqui? Quem deu essa segurança pro Osório?

Estou intrigado há dias porque eu nunca vi alguém chegar de fora e se colocar num patamar tão alto sem ter curriculo pra isso. Osório passa bem longe de ser um dos treinadores tops do mundo, sequer das Américas, onde nunca ganhou grande coisa.

Ele passou por 7 clubes nos últimos anos e apenas no Atlético Nacional fez um aproveitamento superior a 60%. Nos demais, inclusive, suas médias chegaram a números pífios como nos EUA com 31% no New York e 24% no Puebla do México.

Calma! Eu não fiz o meu juizo de valor ainda.  Eu, particularmente, gosto do Osório e do trabalho dele. Gostaria que ficasse, acredito que ele possa nos trazer coisas diferentes (o que não significa que vá nos ensinar futebol). Mas calma aí!

Eu quero que ele queira. Não que ele fique porque a gente pressiona ele. Menos ainda porque o pequeno SPFC precisa de seus incríveis serviços para nos ensinar a jogar futebol no Brasil.  Seu ar de superior, absolutamente inflado pela imprensa baba-gringo, está se tornando algo fora da curva.

Ou você acha aceitável um funcionário dizer que não confia nos seus chefes na tv?  Com ou sem razão, ok? Que funcionário diz isso e no outro dia o chefe implora pra ele ficar?

Está havendo uma inversão de valores aqui. O Osório está recendo do SPFC, gigante da América, uma chance de trabalhar no maior clube que ele já esteve.  Não o Osório nos dando aula de futebol como favor em suas horas vagas.

Se quer o México, vá. Sem crise, eu também iria. Mas fala que quer ir, e vá.

Profissionalismo também passa por saber resolver problemas internos dentro do clube, respeitar os seus superiores e não alimentar problemas externos para o ambiente do clube que lhe paga.

Então, Osório, meu ídolo pop de 2 cds, baixa a bola um pouquinho.  Essa diretoria é péssima e fez suas bobagens, mas… você também não é o Telê.  Menos, Osório.  Menos.

abs,
RicaPerrone

A adorável incerteza do resultado

Caros tricolores, eu não sei se vamos ganhar da Chapecoense na quinta-feira.  Não fazia idéia do que esperar na Vila, menos ainda da vitória hoje no Sul.

Sei que cansei de saber o que iria acontecer. Que nunca concordei em ver o nosso São Paulo pragmático, idolatrando zaga, vivendo de bola parada e comemorando regularidade em pontos corridos enquanto passava vergonha em mata-mata.

Sei que não saber o que esperar causa algum desconforto, mas enorme expectativa.  E o que é o futebol se não os dias que antecedem aqueles 90 minutos?

Futebol se trata de expectativa. O que você sonha em ver, a discussão do que viu, o quanto é diferente o que você queria do que está lhe sendo entregue.  E quando seu time é pragmaticamente regular, chato, previsível e covarde, você convive até com glórias, mas nunca com a expectativa.

Esse São Paulo que não conhecemos é tão excitante quanto uma garota nova e misteriosa.  Você quer descobri-la, espera pelas suas reações e avalia mil possibilidades enquanto, sem notar, se apaixona.

E mesmo que não dê, tanto faz. Na vida, como no futebol, a única coisa que realmente importa é ter pelo que esperar. Uma chegada, uma viagem, uma estréia, uma data, uma festa, um gol. Tanto faz. Desde que você possa não ter certeza de como será.

E esse São Paulo não nos dá certeza de nada. O que não é tão bom. Mas é bem melhor do que a certeza de ser mediocre.

abs,
RicaPerrone

Um gênio ou uma anta

Carlos Osório é gringo, o que no Brasil lhe dá um crédito de boa vontade de 120%. Fosse Osório de Taubaté e se chamasse Tião, estaria demitido e seria chacota da mídia há algum tempo.

Mas sendo colombiano e tendo que bancar a tese de que “treinadores de fora salvarão nosso futebol”, muita gente dá a ele o crédito que, talvez, ele até mereça. Pena que os nossos novatos não mereçam quando são brasileiros.

As decisões de Osório não deixam espaço para um meio termo. Ou ele é um gênio, ou uma anta.  Longe do convencional, mas ainda da modernidade, um Tião qualquer não faria preleção com chinelos e nem mandaria bilhete pra jogadores impunemente pela mídia.

Osório ainda está sob a redoma de ser gringo e, portanto, aos olhos de todo brasileiro, ser melhor que nós.

Eu gosto da idéia dele de que futebol se joga pra frente. Gosto muito. Mas essa coisa de mudar o time o tempo todo e inventar posições absurdas pra jogadores me soa como uma tentativa de ser genial.

Ele quer mudar o mundo e é um direito dele tentar. O problema é que as vezes demora e na maioria das vezes não dá tempo.

Ainda não sei o que acho sobre Osório. Sei que não vai ficar no meio termo. Ou vou achá-lo um gênio ou uma anta muito em breve.

Hoje, tá mais pra anta. Mas ainda tenho fé que ele saiba mesmo o que está fazendo.

abs,
RicaPerrone

Treinou

Imagine você que passou pela cabeça de alguns que o Flamengo estaria com a cabeça na quarta-feira e por isso não faria um jogo duro contra o SPFC.

Pois estava mesmo. Tanto que treinou pra decisão jogando outra. Fez do jogo uma guerra por bolas divididas, uma correria até o fim sem se importar com a qualidade, apenas com o resultado. Que aliás, na quarta, é o que basta.

O resultado foi até injusto. O Flamengo teve tanta chance de gol que se saísse dali com uma goleada não teria sido absurdo. Mas até isso deu certo, porque conhecendo bem o Flamengo, se goleia ontem, capaz de meter o salto na quarta.

Sheik foi o dono do jogo. Armou, cavou, chutou, correu, driblou, irritou, fez o diabo! Tudo que não fez quarta passada, quando tentou dar olé no Vasco, fez contra o São Paulo no Maracanã.

43 mil pessoas. É duro não ter uma linha em todo texto pra citar essa relação bizarra entre o rubro-negro e sua torcida mesmo quando você não vê motivos para que estejam juntos num domingo qualquer.

Treinado e aprovado. O Flamengo de ontem ainda não é um time forte. Mas é diferente de quarta-feira e é o que espera o rubro-negro.

abs,
RicaPerrone

Tudo num só jogo

Morumbi, dia 12 de julho de 2015, 11h.

Nestes 90 minutos tivemos todos os problemas e soluções do futebol brasileiro em breve apresentação.

Do público que responde “sim” ao preço de 20 reais e ao horário das 11.  Da renda que é alta mesmo assim.  Do nível do jogo, que cresce muito conforme um grande público está no estádio.

A resposta de que Patos ainda fazem diferença. Mas que Gansos são diferentes tão indiferentes que talvez não valha a técnica que o sustenta.

Que nessa geração tem Neguebas, Gansos, Patos, e que também já surgem Boschillas e ainda sobram Michel Bastos.

Que o São Paulo pode brigar por título.  Que as vezes mesmo o adversário não brigando o torcedor se interessa pelo jogo. Basta cobrar dele o que está disposto a pagar.

Que bandeiras e cervejas fazem falta. Muita falta. E que jogos com poucas faltas fazem falta ao nosso campeonato.

Que todos os Osórios do Brasil deviam afastar todos os Gansos até eles entenderem que não podem mais se encostar no que poderiam ser, mas sim no que são de fato.

E, por fim, que o Morumbi é o estádio mais “estádio” dos grandes do país e isso, que pra muitos é “atraso” tem seu valor. Porque nem todo mundo que vai ao futebol gostaria de estar no cinemark.

Eô, eô….

abs,
RicaPerrone

O Pink e o Cérebro

Em maiúsculo, para evitar que doentes façam do “pink” uma brincadeira com a cor e não com o personagem.  Embora se fosse, convenhamos, seria muito engraçada.

Palmeiras e São Paulo, propostas diferentes, conceitos táticos diferentes e um resultado incontestável.

O Palmeiras fez bom uso de 2 volantes que jogam futebol, um meia que não é brilhante mas aparece e do jogo coletivo e objetivo quando tinha a bola.  Não teve muito, mas quando teve fez bom uso dela.

Posicionamento médio estatístico do SPFC na partida

O São Paulo jogou com 3 zagueiros. O Hudson ficou muito mais entre Dória e Tolói do que na frente deles. Souza sozinho, Ganso dormindo e Michel Bastos aberto lá na direita.

O único criador do São Paulo ativo é Michel. Osório o colocou como flecha e não como arco. Anulou seu melhor jogador, sua melhor jogada e sua maior chance de vencer.

O Palmeiras tinha Dudu de um lado, Rafael de outro. Egídio passando atrás do Dudu e um bloco de 5 toda vez que tinha a bola.  Pelo chão, veloz, sem inventar ou confiar demais no individualismo de algum deles, foi construindo o placar com uma calma irritante.

E o ímpeto de um foi engolido pela inteligência do outro. O Pink, sem cérebro, não faz nada. O Cérebro, sem o Pink, sobrevive.

Deu cérebro.

abs,
RicaPerrone