Parreira

Um gringo para nos salvar

Imagine você que o Brasil vive a maior crise de identidade da história de seu futebol.  Que  não sabemos mais exatamente quem somos, como jogamos, porque pioramos, onde falhamos.

Quer dizer. As pessoas não sabem muito bem, só os jornalistas, autores do conceito que estragou tudo e que hoje querem regrar como corrigir.

Mas enfim.

Vamos buscar num Guardiola ou num Mourinho a solução.

Que puta absurdo!

A seleção brasileira é a consequência de um futebol, não a base dela. Se mudar a cereja do bolo, alguém realmente acredita que o bolo todo vá se transformar numa massa melhor?

Se é técnica a crise, conceitual e da base, o que adianta pegar um treinador europeu e mandar ele comandar 23 jogadores brasileiros que já atuam na Europa e que não tem nenhum envolvimento com o nosso futebol?

Qual o sentido dessa tese? O Mourinho faz a seleção jogar igual o Real Madrid e…?  E a base do Vasco? E o problema dos garotos que saem com 14 anos e viram robôs de esquemas táticos e não mais nossos talentosos meias?

Vamos chegar a um acordo. O que queremos é retomar a condição de diferenciados ou nivelar e fazer simplesmente o que todos fazem? Eu não torço pra time que faz o basicão. Não nasci pra aplaudir o “comum”.

Se queremos Brasil de volta, então que se arrume a base, os clubes e a CONSEQUENCIA disso será uma seleção melhor e mais preparada.  Em termos. Afinal, jogam todos fora. E assim sendo, se der certo, também vão dizer que é pela maturidade que a Europa lhes deu.

Cadê a maturidade dos 17 europeus chorando a cada jogo?

Vamos parar de babar ovo, por favor.  O que precisamos mudar é aqui dentro, não indo buscar um treinador para cuidar de jogadores que já atuam com ele num time onde sequer ele terá treinamento pra dar. Que diabos ele pode nos passar se nem treinar ele vai?

Menos bla bla blá, mais coerência nas escolhas.

Guardiola, Mourinho. Tanto faz.  O que precisa mudar é o treinador da base do seu clube. Ou o comando da CBF, que lembre-se, é eleito e reeleito pelo seu clube ano após ano.

Então, antes de sairmos jogando pedra onde o problema aparece, note que estamos bem mais próximos e em condição de cobrar de onde ele realmente surge.

A cobrança tem que ser jogo a jogo, por ingressos baratos, futebol de qualidade, treinadores sérios e revelações da base não queimadas pela mídia no primeiro gol perdido.

Um novo futebol passa, também, por uma nova mentalidade de quem forma a opinião dos torcedores.

São tão velhos e ultrapassados quanto Felipão, Parreira e outros tantos. Só que o microfone é nosso, não deles.

Mudem todos. E pela raiz. Pelos galhos não adianta nada.

abs,
RicaPerrone

A causa, a consequëncia… e agora?

Dizem que decepções fortes podem causar doenças. Que magoa e muita dor ajudam a desenvolver coisas ruins.

Nas Copas de 82 e 86 o Brasil foi jogar futebol e não conseguiu ganhar por detalhes.  A dor das derrotas fez com que o povo procurasse vilões e através da imprensa estereotipasse  um formato de correção de rumos.

Para estes, acreditem, o ideal era buscar um futebol mais competitivo e menos técnico. O modelo europeu, talvez.

Em 1991 surge na seleção um preparador físico que fala bonito, tem bom relacionamento com os chefes e que pensa “diferente”.  Fala outra língua, diz que estudou tática na casa do caralho e que vai revolucionar o futebol brasileiro.

Fecha o time, faz uma eliminatória sofrível, se complica até o último jogo quando o talento brasileiro veio salvá-lo contra a sua vontade.  Era Romário, o baixinho que não marcava ninguém, explicando pra Parreira que futebol se ganha jogando bola.

Dali pra frente Romário consagrou o treinador.  De 1995 em diante, por causa de 7 jogos sofridos e resolvidos no talento individual de jogadores diferenciados, Parreira virou um nome top.

Isso faz 20 anos. De lá pra cá ele foi demitido de todos os clubes que passou fazendo péssimos trabalhos em todos eles. Talvez porque Romário tenha parado, talvez porque sua tese seja um atraso com roupa de evolução.

Depois da “vitória” de Parreira vieram as metastases da doença. Muricy, Roth e tantos outros que nem sabem falar “problema” e “drible” sem trocar o “erre”, mas que gritam, enfiam 11 na defesa e acham uma bola parada como poucos.

E lá estava o futebol brasileiro entregue ao estilo europeu. Lançando volantes, zagueiros, brucutus e discutindo a altura dos meninos para revelar ou não um talento.

Este sujeito que se postou com cara de herói nacional não passou do maior atraso da história do futebol brasileiro. Até hoje, vivendo do que Romário lhe deu, caga regras que nem ele consegue cumprir.   Faz showzinho na coletiva, determina o que é certo ou errado com cara de nojo.

Parreira é o retrato do que a mídia transformou o futebol após as derrotas da década de 80.

Veio a fase vitoriosa e com ela as raras contestações de como se jogava.

Chegamos ao ponto de ter em Muricy, o homem que odeia futebol, a referência nacional.  E hoje, porque perdemos um jogo numa pane mental e não técnica, achamos que tudo está errado.

Pode até estar. Mas é culpa nossa. Nós pedimos por Parreiras, nós aplaudimos Muricys, nós queremos a vitória sem contestar a forma.

Nós aceitamos a mediocridade em troca de um número. E o número agora é 7.

Parreira precisa desaparecer. Os times que ganham sem jogar futebol precisam ser vaiados. Os jornalistas que ironizam a derrota e não sofrem com ela, demitidos. E o torcedor que acha graça em perder ou que não exige nada além da vitória, judiado pelas consequencias.

Renegamos nosso futebol por não sabermos entender que as vezes a bola não entra. Criamos um discurso jornalistico de merda onde todos entendem de todos os setores de um clube e resultam num pênalti mal batido.

Explica pra mim, pra torcida do Galo, pra um cientista e um ateu: Como o Atlético foi campeão em 2013?

Como é que o Brasil tomou de 7?

Como Galo e Inter perderam pra times da áfrica no mundial?

Como o São Paulo ganhou do Liverpool?

Como o Flamengo de 2009 foi campeão?

Como o Flu foi quase rebaixado com o time do título de 2012?

Nós destruimos uma identidade por não sabermos lidar com nossas características. Por sermos vira-latas, por não respeitarmos quem somos de fato e termos em mente que tudo lá fora é sempre melhor.

A bola volta a rolar na terça-feira por aqui.

O que vamos fazer?  Aplaudir outro Parreira ou aceitar outro Telê?  Ignorar nossos ídolos por causa de um pênalti? Deixar de adorar nossos heróis porque sairam com um travesti ou porque tem problemas com uma filha? Eles jogam bola ou vão casar com nossas filhas?

A cada derrota vamos pedir mais um volante pra daqui 20 anos reclamarmos que não temos mais padrão de jogo?

Não notaram que a Alemanha, a Espanha, a porra do Barcelona e o maldito Chelsea fazem exatamente o que faziamos há 30 anos? Tocam a bola, esperam, não devolvem de graça.  Joga com ela nos pés, não no alto. E dando a posse de bola um valor defensivo tão relevante quanto o ofensivo?

Vamos repetir feito papagaios o que a mídia, mesma que afundou nosso futebol, diz sobre a Copa de 2014 e que saiu rindo da sala de imprensa terça-feira?

É esse o amor que temos pelo futebol?

Ou será que vivemos de fato num país onde ama-se os clubes, não o futebol?

Terça-feira começamos a descobrir. Porque depois dessa, se alguém aplaudir o 1×0 jogando mal, feio, na retranca, merece mesmo o 7×1.

abs,
RicaPerrone

A mais difícil das Copas

Começa no dia 12 de junho a mais dura Copa que o Brasil já disputou. Pela pressão, pela tabela cruel, a real possibilidade de enfrentar campeões mundiais em todos os mata-matas e pela euforia.

A última dá pra evitar.

Quando Felipão vai a tv e diz que “vamos ganhar” é um otimismo necessário. Quando aceitamos o favoritismo é um ótimo passo para sabermos lidar com ele. Mas o papo de “mão na taça” do Parreira ontem já começa a me incomodar.

Porque? Porque já teve Copa aqui. E por mais que nossa geração não saiba muito sobre ela, nós a perdemos para um Uruguai digno e competente mas, também, para o “já ganhou”.

Não existe “confirmar título” em Copa do mundo.  Título se conquista e, portanto, não é obrigação de ninguém. Obrigação é dar seu melhor e se no meio do caminho houver alguém melhor do que você, é esporte. Só isso.

Quando transformamos a Copa numa obrigação, ela deixa de ser um prazer ou um sonho para se tornar um inferno. Não queremos isso, nem podemos aceitar que acéfalos de microfone nas mãos transformem a maior competição do mundo numa baba onde somos obrigados a vencer.

A Copa é o campeonato mais difícil do mundo. Vence-lo é uma coisa raríssima, incrível, jamais uma “obrigação”.

Em 1950 o jornal dava a foto do time brasileiro e a manchete: “Os campeões do mundo”.  No discurso pré-jogo no Maracanã, tinha politico falando pra 200 mil pessoas e para os jogadores, já em campo, que dali a alguns minutos seriam premiados campeões do mundo.

Não preciso dizer que desde 1950 a imprensa brasileira enche um dos lados de munição e motivação.  Se a comissão técnica permitir, ela fará de novo.

Quando o Parreira diz o que disse, com a experiência que tem, é um prato cheio para que chegue aos rivais como arrogancia e promessa de título. Desnecessário.

O Brasil vai sediar e DISPUTAR uma Copa, senhores. Isso é primordial para que possamos cobri-la com alguma inteligencia e senso do ridículo.  Passar pro torcedor a imagem de que “temos que ganhar”, “ganhar é obrigação” ou atrelar os gastos a um título é o primeiro grande passo para perdermos.

E não. Não vamos perder.

Mas podemos perder. Caso contrário não seria futebol, e portanto, ninguém estaria dando a mínima pra isso.

abs,
RicaPerrone