paulo vitor

Não vale nada

O campeonato Gaúcho “não vale nada”.  Todo torcedor diz isso durante meses até que a óbvia final aconteça. Quando frente a frente Grêmio e Inter o que menos importa é pelo que estão brigando, mas sim quem ganhará a briga.

Briga é um termo feio. Mas Grenal nem é esporte.

Aos 8 minutos era claro que intimidar era mais importante que jogar. E que portanto ninguém jogaria.  Existe jogo truncado, jogo catimbado e o Grenal. Esse último nem jogo é.

Todas as expectativas foram atingidas. Sem gols, porque em Grenal destruir é o ato mais comemorado. Com cartões, porque tem que chegar mais duro que o normal. Com polêmica, porque mesmo se tivesse sido pênalti hoje haveria metade do Sul dizendo que não.

E com um final apoteótico. Porque Grenal é Grenal.

O Gauchão nada mais é do que um pretexto pra esse jogo acontecer decidindo algo. São meses protocolares até que se chegue o dia do confronto final, que as vezes sequer acontece.

Pois quando acontece, há um ritual. E nele já está incluso a provável expulsão do Dalessandro.  Provável e merecida. Porque no caso dele não é preciso ver o que ele fez pra saber que o cartão é justo. Dalessandro entra em campo merecendo a expulsão todo jogo. As vezes consegue, as vezes não.

Justo? Sim. O Grêmio é melhor ainda do que o Inter. Embora esteja bem abaixo do Grêmio dos últimos 2 anos, esse time fez um campeonato melhor do que o rival e jogou um pouco melhor ontem também.

Em boas mãos. Nas do cansado Portaluppi, que já virou ditato no céu. Por lá, meteoros e cometas brincam dizendo que “essa Estrela tem Portaluppi”.

Agora o Grêmio volta pra sua Libertadores sofrida. O Inter pra sua Libertadores tranquila. Em dias estarão dizendo que “isso é o que vale”.

Mas valeu. O estadual é briga de dois irmãos em casa de portas fechadas.  Pouco importa o que o mundo vai ver de nós. Desde quem a gente saiba aqui em casa quem bateu em quem.

RicaPerrone

Wallace, o diferentão

Já falei sobre Wallace, o zagueiro, hoje cedo. Mas a história que eu realmente queria levar ao torcedor é de bastidor, não divulgada por clube e nem pelo jogador. Mas eu acho e faço questão de conta-la mesmo sem “autorização” de parte alguma.

Em 2015 alguns jogadores do Flamengo reclamavam muito da estrutura do clube. O Ninho, como sabem, está em obras e longe de ser um CT que dê aos jogadores a digna condição que merece um jogador do Flamengo.

Pois bem.

Os jogadores diziam que o vestiário do ninho precisava de um piso novo, uma reforma geral e até um toque de cuidado extra com fotos dos jogadores, logo do clube, etc.

A diretoria não podia bancar ou não quis priorizar aquilo naquele momento. E então Wallace foi a São Paulo comprar piso do bolso dele, pagou a obra toda e até ajudou a pintar. Mandou fazer poster dos caras, colocar tudo e entregou pro clube sem custo e sem mídia.

Paulo Vitor ajudou na reforma também, diga-se.

Meses depois Wallace sentiu que poderia contribuir com a base fornecendo uma biblioteca para os jovens do Flamengo e o fez, mais uma vez, do seu bolso e de sua iniciativa.

O clube usa hoje o vestiário que ele reformou, os meninos usam a biblioteca que ele criou.

Entendo todas as vaias do mundo. Mas você acha mesmo que é mimimi ou no lugar dele também ficaria chateado?

O torcedor não tem obrigação nenhuma em saber disso, até porque não foi pra mídia. E ele, como jogador do clube, menos ainda em ter feito algo do tipo.

Vaias são vaias. Elas vem e vão. Mas se você recusar a Cléo Pires porque é casado e ao chegar em casa sua mulher der um escândalo porque a toalha molhada ta em cima da cama, você não fica puto?

Então, ele disse não pra Cléo Pires. Reclama da toalha, mas sem escândalo…

abs,
RicaPerrone