pedro

Pra Fiorentina, pode!

É uma lógica simples. Ainda nem é oficial, mas o Fluminense deve vender o Pedro pra Fiorentina nas próximas horas.

Logo alguém fará a pergunta clubista, polemica e boba. “Se vai vender, porque não vendeu pro Flamengo?”.

Eu não tenho expectativa de que todo mundo possa entender. Mas quem tem algum senso de marketing, posicionamento de mercado e do orgulho de um torcedor para com seu clube, entenderá facilmente.

Pra Fiorentina é venda. Negócio. Tendência. Pro Flamengo é atestar um patamar menor que, embora seja real, jamais pode ser reconhecido ao seu torcedor.

Trata-se de paixão. Não é racional e se um dia for perde todo sentido.

O Fluminense não tem condições hoje de ter em seu elenco um jogador valioso com propostas pra sair e recusar. Simples assim.  Ele sabia que antes da janela fechar a oferta viria e que venderia.

É necessidade.

E aí vem a segunda etapa. Vender pra um clube não tão grande na Europa e ter um % ainda com você. Se lá ele for bem, vai pro gigante. E lá, amigo, entre o médio e o gigante não se paga 10. Se paga 100 de euros.

Ou seja, além da óbvia questão de rivalidade, há também um fator importante de venda futura. O Flamengo o valorizaria até a página 2. Pagam menos da metade pra cá do que entre eles lá.

Pra Fiorentina, pode. É isso.

RicaPerrone

Flu não pode “vender” o Pedro pro Flamengo

Quando o Flamengo foi comprar o Dourado, que na época era o melhor jogador do Fluminense, eu escrevi que a venda pelo valor que fosse machucava o Tricolor por outro aspecto.

Pedro é ainda pior.

Jogador bom você vende pra um time maior. Quando o Flamengo vai ao Fluminense e compra um jogador (a não ser que pague a multa) ele está se distanciando do rival e abrindo vantagem.

O Flamengo não pode ser uma etapa pra quem joga no Flu. Deve ser o rival. A etapa é Fluminense -> Europa. Sem Flamengo no meio.

O poder de compra é maior, as dívidas sem fim do Flu idem. Mas algumas coisas tem que ser preservadas. Negociações entre clubes rivais podem existir se ambos estiverem dispostos. Troca de jogadores que não estão rendendo, algo assim. Mas um grande ir no rival e comprar um jogador fundamental pra ele torna a relação desigual.

Quando isso acontece duas vezes em seguida, carimba uma nova realidade. Há um “maior” e um “menor” nessa rivalidade. E isso não é bom nem mesmo pro maior.

O Flamengo querer comprar tá na dele. Mérito dele poder comprar. O Fluminense é que não pode vender. Que arrume outro, que venda 20% mais barato, mas que dê ao seu torcedor o gesto simbólico esperado de dizer “pra você, não”.

Ou assume um posto inferior ao seu maior rival e então começa a institucionalizar o apequenamento.

RicaPerrone

Pedro, o menino do Flu

Eu gosto de moleque. Eu gosto de molecagem. Eu tenho paciência com jogador novo e entre comprar e fazer, prefiro sempre fazer.

Se diz o Flu que faz tão bem, então confie no que é feito.

Pedro é um atacante que tem algumas coisas interessantes pro torcedor refletir.  Começando pelo fato de aguentar a desconfiança e cobrança de uma posição pós Fred e pós artilheiro do Brasileirão 2017.

Passando pelo fato de não ter nome. Encontrando com o perfil oposto dos dois anteriores, pois reverencia a torcida ao invés de “te pegar” ou “ceifar”. É um menino bom, um “Caio Ribeiro” carioca.

Se há um clube pra esse perfil é o Fluminense. O time da elite, e que não rejeita isso ao contrário de todos os demais no país.

Pedro se esforça como um “favelado” e tem a postura de um garoto do Leblon. É mais um caso de onde a noção do treinador, quando não atormentada pelos entendidos de torcida organizada, prevalece.

Pedro é a cara desse Fluzão que não encanta, nem cansa. Que não enfeita, nem se acovarda.  Um Fluminense guerreiro, pobre, nobre, feito em casa e que olha sua gente de frente.

Quantos podem dizer o mesmo?

abs,
RicaPerrone

O medo e a obrigação

O Fluminense tem por característica principal e distante da segunda colocada a superação. Esse time tenta com o que tem, o que não tem. Corre, luta, briga e camufla a sua fragilidade com dedicação e a não cobrança da camisa que veste.

Eu explico.

Se o Fluminense tivesse sendo cobrado pra ser campeão com esse time estaria em crise e perdendo jogos. Exatamente o descrédito está dando a eles o espaço para serem surpresas embora num time grande.  É difícil “surpreender” em time grande. Ele sempre carrega com ele a esperança de títulos.

Esse Fluminense “ganhou” o direito de jogar como der desde que corra. O outro lado, não.

O São Paulo tem time, investiu pesado e tem por obrigação que jogar mais do que joga. Não tem obrigação de vencer o Flu no Rio. Não é isso. Mas tem por vocação e elenco que não se acovardar.

Um primeiro tempo bem desenhado pelo que deve ser de véspera. O melhor time peitando mesmo fora de casa e ganhando o jogo até. Aí vem o segundo tempo e a gente precisa conversar sobre ele.

O Abel Braga mandou o time pra frente gradativamente na medida em que via que o SPFC não teria nenhum problema em não jogar os últimos 45 minutos.

O Aguirre tem uma característica uruguaia detestável:  Se tiver que se defender, ele enfia os 11 atrás e que se dane. É curioso porque uma das críticas que eu mais fazia a ele no Inter da Libertadores 2015 era exatamente essa. Ele abria mão de jogar sem cerimônias quando ganhando.

É comum o perrengue no Uruguai. Mas não é necessário aqui, ainda mais num pontos corridos.

O Fluminense jogou um ataque x defesa o segundo tempo todo e fez o gol merecidamente. Não se abre mão de jogar futebol impunemente.

Segue o Fluminense empolgando pela luta, o São Paulo tentando convencer seu torcedor de que não será mais um ano a toa.

E o Fluminense anda argumentando bem melhor que o São Paulo com sua torcida.

abs,
RicaPerrone