pedro rocha

Diferentes. Muito diferentes.

Se um time comandado por alguém de terno, jovem, estudioso e de bom trato com a mídia tocasse a bola como o Grêmio toca e construísse as jogadas que ele constrói, falariam maravilhas do sujeito. Sendo o Renato, “só o Renato”, ídolo dos dois em campo ontem,  pouca gente fala.

O Grêmio não tem um timaço. Mas sabe exatamente o que fazer com o que tem. Não fosse a incapacidade do Pedro Rocha em finalizar, o jogo estaria resolvido. Mas por um vacilo no começo e os gols perdidos pelo citado, o Fluminense respira.

Fluminense que propõe o oposto. A objetividade, a bola enfiada para buscar o gol e ponto.  O Grêmio trabalha, segura a bola, tenta converter em aproximação. O Fluminense em velocidade. Duas propostas completamente diferentes. Mas que não se anulam. Até encaixam.

O problema é a inversão.  Agora o Fluminense vai ter que construir com a bola nos pés, o Grêmio contra-atacar.  E esse cenário só não é claro porque como avaliamos um jogo decisivo tão grande onde os dois times tratam como “plano c”?

Sim, pois nos dois casos há dois campeonatos acima da Copa do Brasil para eles. No caso do Flu a escolha bastante “estranha” em priorizar a Sulamericana. No do Grêmio, a natural de escolher a Libertadores.  Ambos no Brasileiro, a terceira competição, embora seja enorme, não será a prioridade de nenhum deles.

O Grêmio joga melhor. Mas como jogar melhor no futebol não significa muita coisa  no resultado e o gol fora de casa vale dois… aguardemos. Ainda tem jogo.

abs,
RicaPerrone

Prioridades

Ganhar é sempre o objetivo maior em qualquer partida e o Grêmio nem por ter escalado um time reserva abriu mão disso. O ponto é o porque dessa opção dentro de uma Libertadores preferindo um estadual que hoje em dia pouco importa.

Além de haver mais do que um estadual por trás disso, pois há um possível hepta do maior rival, também existe o cenário na Libertadores, que ao meu ver foi bem avaliado sim pela diretoria e pelo Renato.

Bem longe de ser um drama, o Grêmio tem um grupo que dois times estão brigando em cima e dois lá atrás. E dos três, dois jogos serão na Arena.  Inclusive o contra o grande rival, o Guarany.  Ou seja, na avaliação do Grêmio está tudo sob controle e não havia necessidade de usar o time ontem, viajar e correr riscos no estadual.

Indo nessa linha, faz algum sentido. É arriscado, pois perder um dos dois faria tudo virar uma crise. Mas o empate lá é bom resultado, especialmente com reservas e um a menos.  E o Gaúchão, embora não seja prioridade, é fundamental para dois clubes que respiram um ao outro o tempo todo. Inter e Grêmio são os combustíveis deles mesmos. E é compreensível que um deles não queira ver o outro ser heptacampeão em seu confronto caseiro.

abs,
RicaPerrone

Pedro Rocha e o cartão

Por favor, não confunda o foco. Eu sei que é regra, eu sei que o arbitro a cumpriu e que, diante da regra, Pedro Rocha está errado. Ponto.

O meu ponto é o quanto esse lance de hoje explica pra FIFA que ela não entende merda nenhuma de futebol.

Pedro Rocha tem 22 anos, passou pela base do SPFC e de alguns clubes medíocres. Chegou a Grêmio há mais de 2 anos como promessa, emprestado do Diadema, que é um clube que mal existe. Suas chances eram remotas.

Esse menino entra no Mineirão lotado, joga a final pelo time do Grêmio, uma das mais pesadas camisas que existem no planeta, e faz dois gols.  Ele tira o Grêmio de uma fila de 15 anos.  Lembre-se, ele tem 22 anos. Com essa idade 99% de nós jogava video game e no máximo estava sendo efetivado na porra do departamento da empresa.

O menino escreveu a história ao vivo pra todo país, em rede. E naquele exato segundo em que o garoto faz isso e se torna “alguém” pra história do futebol, a FIFA sugere que ele tenha auto controle e não exagere na emoção.

Senhores, é de uma falta de bom senso sem fim.  “Ah mas o patrocinador…”, problema do patrocinador com o clube e o jogador. Ninguém tem que estipular limite do gozo alheio por zêlo a terceiros.  O terceiro pode muito bem resolver isso sozinho.

É mole do seu pc querer avaliar que “ele sabe que não pode e por isso é burro”. Burro? O menino faz história, tira a família de uma situação, consagra um time, muda de vida e você quer que ele tenha cabeça pra saber que naquele exato segundo onde tudo isso aconteceu ele pode ou não tirar a camisa?

Irmão, se eu faço o que esse menino fez hoje, ou o que o Tinga fez em 2006, ou o Evair em 93, enfim… eu acho que pulo na arquibancada e não volto mais.  Vou expulso, preso, exorcizado, tanto faz! Mas me pedir controle no ponto alto da minha existencia?

É disso que se trata o futebol?

Pedro Rocha hoje nos exemplificou que as regras não são inteligentes quando tiram do futebol sua essência.  Quer ver algo contido e controlado vá assistir Golfe. Não estamos falando de um esporte. Estamos falando de futebol, que é muito mais do que isso.

Desculpe o cartão, Pedro. Você não estará na final que ajudou a resolver porque…. comemorou demais.  Se cuspisse no adversário, talvez levasse o mesmo amarelo. Afinal de contas, pra quem vê futebol pela tv, nunca viveu um gol no estádio aos 44, regras são regras.

Pra nós… não.

abs,
RicaPerrone

Não durma, Tricolor!

Constrangimento. Talvez seja esse o termo mais forte que encontrei e também o que melhor resume o “baile” do Grêmio no Mineirão.  Parecia um time profissional contra um time de pelada assustado.  Parecia que o Atlético não tinha treinado o ano todo.

O Grêmio uniu o bom coletivo deixado pelo Roger com o “gremismo” de Renato e Espinosa. Pronto, temos o Grêmio de novo em estado puro.  Se precisar de guerra, eles fazem. Mas quando não precisa, eles sobram.

O jogo começou e terminou fazendo o atleticano olhar pro campo sem reação.  Ele não esperava passar por isso, até porque seu time no papel indica não merecer sequer perder, quanto mais dessa forma.  Mas foi um baile, daqueles que nem mesmo o mais atleticano vai tentar desmerecer.

Hoje, após o jogo, vi raríssimas manifestações de despeito dos derrotados. A maioria aceitava o placar com uma certeza de ter sido justo quase incompatível com o que é o futebol.  E o que é o futebol se não a loucura de esperar 15 anos para viver o que está prestes a viver o Tricolor?

Não tem gremista dormindo. Posso escrever com calma porque há muito tempo ficar acordado não era melhor do que sonhar. Hoje é.

Não durma, gremista! Amanhã você se vira, trabalha cansado, tanto faz! Passe a noite revendo o jogo, lendo blogs, mandando mensagens para amigos que foram a Minas e aos que ficaram e tão alucinados quanto você, não podem dormir.

Amanhã você faz isso e volta a dura realidade do sono.

Inverteram-se as coisas, Tricolor.  Você vive, os outros sonham. Não durma.  Por uma semana, durma o mínimo possível e compense os 15 anos de angustia.  Sua hora chegou.

E eu não estou dizendo que está resolvido. Até porque, parte do sabor da espera é fingir que não sabemos que será nosso.  E vocês sabem, embora não assumam, que a Copa será de vocês.

abs,
RicaPerrone