polemica

VAR a merda!


Eu posso compreender que uma parte das pessoas ache ruim a demora do VAR ou mesmo o anticlímax de um gol em observação.  Posso entender que discorde-se da forma com que ele é feito, da demora, até mesmo de alguns critérios. Mas não posso aceitar que a busca por algo mais honesto seja combatida.

O expulso que não agrediu, o agressor que seguiu no jogo “malandramente”. O impedimento que resolveu o campeonato, a bola que entrou ou não.   O VAR está ali pra corrigir erros grosseiros e decisivos. E sim, ele vai demorar pra se adaptar. O tempo que demora por exemplo eu acho um absurdo.

Mas eu acho mais absurdo que aos 47 um time seja eliminado contra as regras e perca um ano de trabalho.

Aceito? Aceito. Porque o erro é do jogo. Mas a agressão não é, e o VAR está fazendo com que os socos fora do lance saiam de cena. Jogador pode ser impulsivo mas nem sempre é burro. Se der, vai ser expulso. E isso é óbviamente bom.

O futebol grita pelo tempo corrido, ou seja, o fim da cera. E clama por mais espaços, que poderia ser a limitação do impedimento a área por exemplo. Mas antes disso ele clamava por um pingo de vergonha na cara. E o VAR nos dá essa opção.

Você não achou pênalti? Ok. Nem eu. Mas é interpretativo. A discussão do dia seguinte vai continuar existindo. O que você e eu não podemos é achar que o gol do City estava regular e eliminaria um dia histórico pro adversário.

Não me espanta que esse choro contra o VAR venha de pessoas que por coincidencia relativizam a justiça em outras áreas, como na busca pela liberdade de criminosos e valorização de gangues que lhes interessam.  Mas me assusta que isso seja colocado de forma tão aberta sem que haja uma reação de espanto.

O próximo soco na cara sem bola será punido. E se isso pra você é uma questão, eu acho que a questão é você.

RicaPerrone

Você TEM que assistir

Não, não me refiro a você de esquerda ou de direita. Me refiro a todos nós. A história nos é contada por alguém e sempre virá com a interpretação que convém a quem está contando.

A história do Brasil é contada por pessoas com lado. Mas a questão do regime militar e do golpe de 64 é contado e repetido pelos maiores prejudicados: imprensa e classe artistica. Logo, há um viés.

O documentário do Brasil Paralelo não necessariamente muda o que você pensa. Mas fatalmente muda o que você sabe.

E tenha plena convicção de quem vive do lado de quem “informa”:  você não sabe o que acontece. Você sabe o que vazam pra nós e a gente te conta como convém. Então após 20 anos de jornalismo aprendi que você deve ouvir várias versões até “achar” algo.

A versão do golpe de 64 é quase oficial e em momento algum de nossas vidas, seja na escola ou na vida adulta via imprensa, nos foi dado um outro lado. Portanto, concorde com ele ou não, você nunca o ouviu.

Se dê o direito de saber os dois lados.

Assista ao documentário. Você pode não mudar uma virgula do que você acha. Mas você precisa adicionar alguns fatos ao que você sabe.

RicaPerrone

E vocês, são grandes?

Eu estava almoçando quando fui bombardeado pelo whatsapp por amigos dos mais diversos lugares dizendo que no Sportv havia uma tela com a opinião de alguém do canal defendendo essa tese.

Quando vi a tela duvidei. Mas ao chegar em casa confirmei e vi inclusive o vídeo. O Rodrigo Capelo é alguém que respeito, não conheço, mas o tenho na lista das pessoas que tem futebol no cérebro e não no coração. Logo, dele pouco compreende.

Sugerir que Grêmio e Cruzeiro, hoje, por exemplo, estejam numa lista menor do que Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Corinthians beira a falta de respeito. Mas vou optar por acreditar que é a de critério.

Colocar o Santos do Pelé, o Vasco dos 3 maiores artilheiros do Brasil, o Flu pioneiro de tudo recém bi-campeão nacional e o Botafogo base de um futebol que ostentamos como cartão postal como “não mais grandes” é um crime.

Eu canso de dizer pra pivetada que futebol não é dinheiro. Que grandeza não é só título e que o passado valida quem somos. Ignora-lo é um ato de estupidez.  Mas não imaginava ouvir de alguém de mais idade tal teoria.

Ainda mais numa emissora que compra os direitos desses clubes e os comercializa através do seu PPV.  A Globo enlouqueceu. Fez uma grade legal pro Sportv mas transformou a sua audiência qualificada em qualquer merda.  Perdendo em números para outros circos, resolveu fazer dela mais um.

Mas então eu pergunto ao mesmo raciocinio: E o Sportv, ainda é grande?

Porque um youtuber sozinho com uma camera dá 10x mais gente assistindo do que um programa super bem produzido com alguns entendidos de futebol.  Porque você gasta 200 mil pra por no ar algo que leva metade do público de um mergulho numa banheira de nutella gravado num iphone.

Porque quando acaba o jogo o texto que viraliza é meu ou de outro blogueiro qualquer, não a opinião de um dos seus jornalistas. Ou quando um Inter joga é o Baldasso que o povo vai ver, não o comentário genérico de algum profissional de vocês.

Então eu poderia vir aqui e dizer que mesmo com a história incrível de credibilidade criada pelo Sportv em décadas ele não é mais grande porque o Whinderson Nunes fatura mais que o canal sozinho com uma camera?

Porque o Felipe Neto é capaz de dar uma opinião sobre o Botafogo mais repercutida e influente que a da mesa toda de debate do canal?

É esse vosso critério para tratar o produto que o mantém no ar?  Pois saiba, apesar de óbvio, que o futebol brasileiro se mantém vivo sem Sportv. O Sportv morre em 1 mes sem o futebol brasileiro.

Opinião é opinião por mais absurda que seja. Mas tem que saber onde colocar.

Se eu sou dono do evento, tenho acordo com os clubes, faço da minha relação com as torcidas meu ganha pão e ainda assim me presto a dizer essa aberração na tv, está bem justificada a queda brutal do império Globo.

Esse sim, cada dia menor. Mas ainda não pequeno. Porque ao contrário de clubes, emissoras são apenas um produto. Ninguém te ama. Só te usa.

De fato os clubes brasileiros são mal administrados. E especialmente mal cercados. Se isso é o principal parceiro comercial, imagina o inimigo.

RicaPerrone

VAR funciona

Com ajustes, critérios ainda não tão claros e demora pra rever lances, o VAR tem saldo altamente positivo em 2019 no Brasil até aqui.

Diversos gols anulados e validados absolutamente decisivos através do sistema. E se hoje a polêmica é o uso ou não do VAR, é menos desgastante ao futebol do que o sentimento de roubo do torcedor.

O VAR pode (ou deveria poder) interferir em diversos momentos. O que ele não pode sob hipótese alguma é validar o roubo. Ou seja, errar indiscutivelmente como no lance do Dedé na Libertadores de 2018, o mais claro roubo da história do futebol.

O palmeirense está discutindo se pode ou não intervir em lances interpretativos? Ok. Discuta. É válido. O pênalti é que não seria. Então dos males o menor, e das discussões a que tem menos lesados em torno dela.

O jogo precisa de polêmicas e elas seguirão existindo. Tem 10 lances interpretativos por jogo para revermos e brigarmos na segunda-feira. Mas o lance que é ou não é, aquele que decide o jogo e as vezes o campeonato não dá mais pra ser um erro.

São 30 cameras. A sensação pro torcedor não é mais a romantica “dúvida” e sim a desconfiança da intenção. E isso não pode ser mantido em produto algum, inclusive o futebol.

RicaPerrone

O Oscar do mimimi


Nem acabou 2019 mas já temos diversos indicados. O novo e mais cotado é o presidente do Santos, que por dizer que ia “matar os gambás” referindo-se a uma óbvia eliminação do rival pelo apelido pejorativo deles.

Eu ando desenvolvendo uma nova teoria sobre esse tipo de absurdo.

Não é que pega mal ou que gera rejeição. Nós, seres normais não criados numa redoma virtual cercado de mimimês, procuramos aquela meia dúzia de imbecis que fazem disso motivo para reflexão e choro e amplificamos a voz deles para termos com o que nos revoltar.

Lembre-se. Na escola, aqueles 3 idiotas que sentavam lá num canto e não se davam com ninguém eram ignorados. Hoje a gente pega o que eles dizem e coloca na porta da escola para podermos dizer que eles são idiotas.

Ora, se são idiotas deixem eles ali no mundinho deles. Somos nós que estamos ouvindo demais esses caras.

Qualquer pessoa de bom senso e do futebol ignoraria a frase do presidente do Santos. Mas existem os oportunistas e os idiotas. Esses dois somados não chegam a 5% do público, mas a gente amplifica como se fosse 50.

Quando alguém de microfone nas mãos se faz de bobo e cria polêmica com isso dá nervoso. Mas é apenas uma tentativa de embalar uma polêmica até que se peça desculpas e a pessoa se sinta responsável por ter causado algo no alvo, no caso, o presidente.

Puta frescura. Que matem os “gambás”! Ou que morram as “sereias”.  Qual o problema?

RicaPerrone

Vocês querem a mentira

Não basta ser, tem que parecer ser. Essa frase resume o mundo há séculos e com as redes sociais se tornou ainda mais perfeita.

Neymar joga no PSG e tem um dos maiores salários do mundo, uma das maiores estruturas do planeta e um “staff” com mais profissionais que o CR7 e o Messi a sua volta.  O clube que o paga tem um departamento médico que, imagino eu, sem ousar desmerecer vossa capacidade, entenda de ortopedia um pouquinho mais do que eu e você.

Mas só um pouquinho. Não leva pro coração.

Esses caras tratam Neymar, ele viaja, dá uma reboladinha e anda na Sapucaí. Pronto! Os nossos jornalistas formados em medicina, direito, marketing e economia decidem se ele está ou não se recuperando bem.  E por consequência, o povo acha o mesmo.

Senhores, vamos voltar ao chão, pisar nossos pés onde nos cabe e ser humildes um minutinho: vocês realmente acham que o departamento médico da seleção e do PSG liberam um jogador que precisa ficar parado pra um carnaval?

Se ele está aqui é porque a recuperação vai bem. E o que vocês estão pedindo é que ele se tranque em casa, desligue celulares e leve 20 putas pra fazer uma festa dez vezes pior do que ele estar na avenida.

Porque não se trata de uma discussão em momento algum do quanto está jogando futebol o Neymar. Mas sim de como ele deve se recuperar de uma contusão.

Puta que pariu, é sério que a gente se acha mais capacitado pra diagnosticar o que ele pode ou não fazer do que os maiores médicos do mundo no assunto?

Aí você diz: “mas pega mal ele…”.

Voltemos a frase inicial do texto. Você não tem NADA contra o que ele fez. Você apenas esperava que ele te enganasse e está puto com a verdade.

Neymar joga pra caralho toda vez que está em campo. E as raras contusões que o tiraram de lá foram todas curadas antes do previsto.

De que diabos vocês estão falando, afinal?

Cuidado. A vida costuma ser cruel com quem exige aparência ao invés de transparência.

Eu não vejo uma discussão sobre o quanto ele joga, onde ele joga, como vem jogando. Só querem encher o saco do cara com extra-campo, namorada, quanto gastou, quem comeu.

Jesus! O cara não falta em treino, joga bem toda vez que está em campo, tem autorização pra toda festa e viagem que faz.

Do que vocês estão falando!?

RicaPerrone

O contrato sem contrato

Após postar sobre o contrato obviamente recebi ligação de todos os lados. Vou resumir da forma mais “rica perrone” do mundo.

Esquece o contrato. Ele parte do bom senso e não houve.  Parti do mesmo princípio, e não é nada disso.

O que está acontecendo é uma briga política com interesses comerciais não divulgados que teve o óbvio final da corda estourando pro lado mais fraco. E mais fraco neste caso foi o Flu não por ser um clube menor, mas por estar devendo ao Maracanã.

O que o estádio quer é o Vasco. O Fluminense é ruim pro Maracanã e sendo devedor se torna péssimo. A “namorada nova” se aproveitou de uma “clausula” que sequer em tese ele poderia conhecer por sigilo para “peitar” o lado do Flu com uso do mando.

Na prática o Vasco deve ter dito: “mando é meu? São Januário. Não pode? Então lado direito”.

O contrato dizia que era a hora do Maracanã chamar o Flu e dizer “fudeu, eles tão engrossando. Tem acordo?”.

E aí o Flu poderia sentar na mesa e dizer “to devendo, alivia pra mim e eu libero o setor nessa final”, ou poderia dizer “nem a pau!”.

Não houve. Os ingressos foram vendidos e o Maracanã não deveria ter liberado a carga pro Vasco antes disso ser resolvido, embora ele tenha a barganha de ter no Flu um parceiro devedor e que ele não quer mais.

Política.

Mas aí o Fluminense passou a ter razão legal, mesmo tendo iniciado a polêmica sendo o lado “devedor” da história.

O Vasco não fez nada ilegal. Quem cometeu um erro foi o Maracanã ao confiar na “paz” com o Fluminense em virtude da dívida. Na base do “ele me deve, vou me aproximar do Vasco e ele vai me entender”.

Não entendeu. Até porque está saindo e vai sair macho pra torcida. Falou um monte de absurdo na tv, mas falou respaldado num contrato. Contrato que ele mesmo não respeita. Mas ainda é um contrato.

Se o Maracanã não quis processar o Flu pelas dívidas, problema dele. Legalmente o Fluminense tem respaldo, embora não tenha moral pra peitar. Nem precisou.

O Maracanã não deu ao Flu o direito de ser “humilde” e negociar como devedor. E aí perdeu a razão.

O Vasco não é o vilão. Quis fazer o que todo clube faz todo santo dia: média com torcedor. Ganhar o lado só pelo “chupa”.  E viu o Maracanã balançado pelo flerte e se rendeu.

Vou ser mais prático:

O Maracanã é casado com o Fluminense. Mas ele quer dormir com o Vasco. O Vasco precisou do Maracanã e meteu um nude pra ele. Até ali não havia traição.

Quando o Maracanã abre a guarda e sai com o Vasco ele traiu. O Fluminense podia ser um péssimo marido, mas agora é corno. E o corno tem sempre razão.

Futebol não tem dono. E nada que não tem dono funciona. Estamos discutindo lei quando na verdade trata-se de um grande e escondido jogo de interesses que não serão claros e abertos ao público.

RicaPerrone

Neymar, Pelé e a má vontade

Não precisa ser um gênio pra saber o que as pessoas querem dizer, mas também não vamos nos espantar que as redes sociais conseguem transformar cada pelo em ovo numa bomba nuclear.

A Placar, ex-bíblia do futebol, hoje irrelevante, conseguiu voltar a pauta futebolística nacional por uma capa ousada.  Errada? Calma.

O que ela tentou dizer é que os números do Neymar são assombrosos e que ele está num caminho muito claro de terminar sendo o maior pós Pelé. Na seleção, em clubes, enfim. Talvez você confunda sua antipatia com seu clubismo e esqueça de avaliar o jogador.

Você quer que ele se comporte de forma X e jogue no time Y. Mas ele é do jeito dele e joga onde ele quiser. Dito isso Neymar tem números ABSURDOS, títulos absurdos pra idade. E sim, pode estar tranquilamente na lista dos maiores após Pelé.

Se ele é ou não, injusto pela idade. Não dá pra aos 26 anos ele ser julgado com quem já encerrou.  Tem mais 10 anos de Neymar pela frente. A tendência é que ele destrua todos os recordes, inclusive alguns do Pelé na seleção.  Ganhará 3 copas? Não. Será o maior da história? Não.

Mas o que você espera de um filme não é necessariamente o que o filme te prometeu. A expectativa é sua. Você quer um novo Pelé. O Neymar talvez queira ser o Neymar e pronto. O que já é absolutamente brilhante, embora incômodo porque ele não faz o papel que a mídia espera dele.

A Placar não sugeriu que ele tenha feito algo maior do que Ronaldo, Romário por exemplo. Apenas que ele tem CAPACIDADE TÉCNICA para ser o maior após Pelé e números que o levam a isso.

E sim, é verdade. Você pode não concordar, mas ele tem.   O Neymar é uma aberração com a bola nos pés.

Ronaldo e Romário são jogadores que não ficam fora da lista dos top 10 da história do futebol de ninguém. E portanto dizer que, talvez, na sua opinião, esses caras estejam a frente do Neymar não é um menosprezo. Tal qual dizer que ele caminha para talvez supera-los, idem.

Neymar tem a melhor capacidade técnica que eu já vi na vida. Mas joga em 2019, apanha pra cacete, tem a sombra de dois gênios em atividade e não tem a personalidade de um Kaká.  Como o Kaká não tinha a bola do Neymar.

Talvez seja espantoso porque o momento é ruim. Talvez porque a forma da manchete tenha sido exagerada. Mas não há nada de absurdo em imaginar o Neymar terminando a carreira acima de Ronaldo, Romário.

Aí você pergunta: “Tá, Rica. Mas você acha o Neymar o maior jogador brasileiro depois do Pelé?”.

Maior, não. “Melhor”… eu abriria uma cerveja pra discutir. Porque futebol ele tem mais que Zico, Ronaldo e Romário. O que ele vai fazer com esse futebol são outros 500.  O Djalminha foi o “melhor” jogador que eu vi na vida. E ele não chega aos pés de muito jogador inferior tecnicamente a ele.

Veja o Cristiano Ronaldo. Talento natural dele é inferior diversos jogadores. O que ele fez com o talento que tinha faz dele o melhor do mundo há anos.

RicaPerrone

O vilão nosso de cada dia

Thiago Neves é mau. Um insensível que debocha das famílias de pessoas mortas num acidente. Um sujeito que deve ser massacrado porque repostou uma piada que circulava só nas redes sociais da sua casa, afinal aqui fora só tem santo, e por isso devemos tortura-lo.

Vocês sabem o que penso sobre isso. Já postei diversas vezes aqui que se há uma diferença entre o que você é no bar e em público, o problema está no público.

Essa piada seria aceita em QUALQUER mesa de bar. Não porque é escrota, mas porque entenderiam a finalidade dela e dariam risada dizendo, no máximo, “pegou pesado”.

A porra da rede social é isso. Um bando de pessoas dispostas a apontar o dedo e transformar uma opinião num inferno. Não gostou? Ok. Achou de mau gosto? Ok. Eu também achei.

Mas daí a pegar algo que fazemos em nosso dia a dia, que recebemos no whatsapp o dia todo e repassamos e transformar um sujeito num demônio é demais pra mim.

Entre o bar e o instagram, eu sempre vou confiar no que somos no bar. E lá ninguém faria do Thiago um demônio. No máximo diriam que foi pesada, ou infeliz.

Eu não teria feito. Não porque sou mais inteligente do que ele, mas porque sou especialista em rede social e sei que ali estão 100% das pessoas que há 20 anos estavam sem amigos sentadas num canto da escola sozinhas e que passavam a tarde escondidos num quarto escuro com medo da vida.

Ou seja, todo frustrado está na rede social. Logo, todo vencedor é o alvo mais fácil do mundo.

Ele não é obrigado a saber diferenciar rede social do que ele é de fato. Ele treina pra jogar bola, quem treina pra saber lidar coma hipocrisia alheia sou eu.

E embora eu concorde que ele não deveria ter postado, eu não aceito o tamanho da reação.  É mais cruel que a piada. E quem devolve um erro com um tiro é mais estúpido do que quem errou.

Eu não sei que tara é essa que vocês tem de ver as pessoas sendo como elas gostariam que vocês fossem. Mas eu prefiro que elas errem, acertem, mas sejam o que são o tempo todo.

Vai do gosto de cada um. Alguns compram propaganda, outros os fatos. Eu prefiro sempre os fatos.

Se você gosta de famoso enlatado, não reclame do “tudo igual” amanhã. Pois a censura a quem pensa diferente é invariavelmente do bando virtual.

No bar, ninguém teria reagido dessa forma. Logo, está validado a reação real. Sempre o bar. Nunca a rede social e suas barbies de mentira, menos ainda seus haters de vida fútil fazendo coro para massacrar quem produz.

A piada pode ter sido infeliz. O massacre foi bem mais.

RicaPerrone

Quando éramos homens

Por algum motivo ontem passei horas conversando e refletindo sobre o que aconteceu com o Nego do Borel. Lembrei de quando, em menor proporção, aconteceu comigo quando o covarde deputado Jean Willys compartilhou uma mentira a meu respeito sem apurar fazendo com que minha vida virasse um inferno por 4 dias em 2011.

Aprendi naquela semana que o massacre é burro, covarde e que ao invés de reflexão gera divisão e mais problemas.  Os “evoluídos” seres da internet não são capazes de entender e nem de reagir educando. Mas ainda assim se acham no direito de destruir alguém por um erro.

Aprendi também ao longo da vida que existem dois tipos de pessoas:

Uma que olha alguém acima e busca atingir o mesmo patamar.

Outra que olha alguém acima e tenta derruba-lo para poder estar no mesmo patamar dela.

As pessoas que fazem isso na internet são quase invariavelmente o segundo caso. Mas hoje enquanto navegava pelo youtube tive a sorte de cair numa sequencia de videos sobre a década de 90 mostrando lutas, polêmicas e reações de Mike Tyson.

Talvez você não saiba, mas o Boxe já foi um esporte muito mais popular e importante do que o MMA chegou a ser em seu melhor momento. E neste cenário Mike Tyson foi o mais midiático, inacreditável, polêmico e avassalador lutador que o mundo já viu.

Hoje ele encerraria sua carreira em um mês, porque a internet faria dele satanás.  Não havia internet, e então ele pode ter sua carreira controversa, incrível e didática em “paz”.

Um dia ele mordeu a orelha de um adversário. O também notável Evander Holyfield. Os anos foram passando e como ele foi criticado mas não demonizado e destruido para toda a eternidade pelos virtuais julgadores, ele pode proporcionar uma lição a milhões de fãs o que hoje em dia é impensável.

Foi a um programa de tv e disse que foi hipócrita quando pediu desculpas. Que fez porque sua equipe de marketing pediu muito. Mas que naquele momento ele gostaria de ter uma nova chance de encontrar Evander, apertar sua mão e lhe dizer algo que de fato sente e não o que mandaram ele dizer pra acalmar a mídia.

Eles foram ao programa juntos, já aposentados, e Mike Tyson apertou sua mão e disse aos seus fãs que por tabela “odiavam” Holyfield, que tratava-se de um bom homem. Se desculpou, contou a história dos dois e então os fãs de ambos puderam passar a gostar dos dois.  Algo que obviamente sempre quiseram enrustidamente, já que me refiro a dois monstros em seu esporte.

Hoje Tyson e Evander teriam criado duas gangues virtuais de imbecis. Mike, como eu disse, não teria sido lutador porque no primeiro erro de quem teve uma criação absurda e portanto valores confusos, seria massacrado e perderia todos os seus patrocinadores. Marcas que um dia apostavam em pessoas hoje só investem em imbecis que não acham nada sobre nada e portanto não erram  nunca.

Covardes como nós na internet, as empresas preferem patrocinar um mau cantor gay do que um talentoso não engajado em nada.

Tyson e Holyfield protagonizaram uma das mais surreais discussões, rivalidade e lições da minha geração. Errando, corrigindo, evoluindo, amadurecendo e seguindo. Porque éramos muito mais tolos do que somos hoje, naturalmente. Mas éramos menos covardes.

Em bando o ser humano sempre foi “corajoso”.  A internet é o bando mais fácil do mundo, pois se você quiser juntar pessoas que gostam de sexo em cemitério vestindo lilás com anões, você vai encontrar.

Quando éramos “homens” tinhamos que falar na cara, bancar a consequência, reconhecer os erros, pedir desculpas sem ser protocolar ou obrigatório.

Agora somos um bando. E portanto, covardes.

Ou você duvida que uma feminista qualquer consegue juntar uma turma e fazer do título deste texto um problema, o autor um monstro e o massacre uma arma de educação contra a intolerância?

Nunca vi covardia ser sinal de evolução. E se for, prefiro voltar às cavernas.

RicaPerrone