polemica

O dedo, não!

Senhoras e senhores deste país honesto, transparente, fofo, ético e cheio de bons costumes, me perdoem pela imagem acima.

Aliás, perdoem também o marginal Vizeu, que cometeu este crime em meio a um jogo de futebol repleto de senhoras, crianças, adultos, etc, etc, etc.

Eu fiquei estarrecido.  Assisti as imagens no Fantástico e notei algo para cobrir o gesto do jogador, como aliás vi em diversas emissoras sendo embaçada a imagem da mão dele. Ninguém pode ver um gesto daqueles na tv brasileira, senhores. Onde vamos parar se nos permitirmos ver uma pica de dedo?

Sexo de mãe e enteado na novela das 8, foda-se. Criança e adulto pelado no museu, foda-se. Drogas, putaria, sexo explícito em tv de madrugada, idem.  Mas a piquinha do Vizeu… aí não dá! Temos que parar o Brasil para discutirmos esse tema.

Onde já se viu duas pessoas jogando futebol discutirem? E uma delas, que fez um gol, perder a cabeça numa euforia boba, afinal o que fazer um gol em casa levando a Libertadores?

E neste momento de absurdo desequilibrio Vizeu, o marginal, faz o gesto mais censurável do mundo: manda uma pica.

Rodolpho chega a ter princípio de AVC, tamanha a agressão. E quando eles saem do campo abraçados como acontece em TODAS as peladas do país TODOS os dias, os de terno dizem na tv que “acharam mentira”, “rachou o grupo”, “agora fudeu”.

O Flamengo venceu, tá de volta a Libertadores neste momento, fez as pazes com a torcida.  Eu adoro quando a verdade da vida vaza com a camera no “on”.  Os hipocritas ficam malucos, os web-vivos surpresos e a gente dá risada.

Porque é assim. Como é.

abs,
RicaPerrone

“Vamo espioná o planeta!”

O drone, o Grêmio, a ESPN, a final, a polêmica, a necessidade disso.  As questões são simples.  Eu não suporto a linha ESPN de donos da ética e bons costumes sendo hipocritas do goleiro ao ponta esquerda em quase todas suas linhas.  Mas respeito, porque até o suicídio é um direito.

Eu não entendo muito a vontade em ser a sombra negra do esporte em busca da verdade, da moral, da ética, da puta que pariu, quando na real só se tem a linha que tem porque não tens o direito sobre nada daqui. E portanto se joga pro alto tudo que é de fora. É negócio, não editorial.

O Grêmio está certo? Não. Acho que não se for verdade.  Mas investiga-se isso há meses (nossa, que falta de pauta!) e aí solta 2 dias da final. Pra que lado a gente cai afinal de contas? Qual a necessidade? Zero. O beneficio? Zero.  A diferença entre agora ou depois da final? Zero.

Então cala a boca, ganha o tri pro Brasil e depois enche o saco com seu jornalismo de oposição editorial.

Que porra de moral tem uma turma que libera seus profissionais para militar pra Lula, PT, MST e vir falar de ética, CBF e drone na tv? É o Kleber Gladiador reclamando de cotovelada?

O comercial da ESPN deve ter pessoas suicidas. Ninguém deve suportar trabalhar lá porque é desesperador o que sua equipe que vai ao ar faz para se manter como a última força das tvs de esporte, mesmo que alguma nova tenha aparecido ontem.

Não se trata do certo ou errado. Se trata do tamanho do estardalhaço, de pra onde vão todos os estilhaços e quem vai se cortar.  Jornalismo é uma coisa, esporte é negócio. E vocês, donos de torneios, parceiros comerciais deles, sabem bem disso. Ou investigariam um campeonato que transmitem para descredibiliza-lo?

A notícia é válida, embora supervalorizada.  É algo comum desde 1940, só que em arvores. O Grêmio só se modernizou.  Fazer cara de susto pra caixa 2 na política é ser hipócrita. Pra espiar o adversário em futebol, pior ainda.

Mas deixa pro dia 1, gente. Vamos ajudar o futebol brasileiro a buscar o caneco porque é exatamente isso que TODOS os outros fariam contra um dos nossos.

Nossa mania de dar tapete vermelho pra quem nos recebe com tapa na cara não nos faz “maiores”.  Nos faz apenas mais otários.

abs,
RicaPerrone

Indiscutivelmente discutível

Quando um juiz comete um erro o torcedor fala em “assalto”, a imprensa tenta repetir frases como “o arbitro não tem 20 cameras”, “está na hora da tecnologia…”, blá, blá, blá.

Não há qualquer discussão. O lance acima está impedido. É indiscutível. É uma imagem.

O que se discute, e deve-se discutir é o direito ou não de induzir a paixão do torcedor a rotular um profissional que erra como um sujeito mal intencionado. Um ladrão.

Erro é erro, roubo é roubo.  Você desconfia de erros grotescos, e com bom senso trata erros complicados.

A TV levou mais de 15 minutos pra perceber que havia impedimento. O lance pausado em camera privilegiada mostra um joelho e um ombro a frente.  Repito: impedido!

Daí a considerar a hipotese de sugerir ou insinuar um roubo, que me perdoem os corações machucados deste domingo, mas pra “roubar” 30 cm tem que ser de uma competência inacreditável.

O pênalti é também polêmico. Embora eu também tenha dúvidas, acho que daria.  E sendo duvidoso até as 20h de domingo, não é roubo.

O arbitro errou. Por 30 centimetros. E essa é a unica coisa que temos para dizer sobre o jogo de hoje em arbitragem.

Ou, como sempre digo, se acha mesmo que isso tudo é armado e ainda assiste e discute, és um tremendo idiota.

abs,
RicaPerrone

Não é machismo

No momento em que o mundo discute a fome, não se joga nem comida estragada fora. Quando se discute o casamento gay, não se brinca de chamar alguém de “viado”, e quando o machismo é o foco, sobra pontapés pra todos os lados, até para os que não merecem.

Discute-se machismo e preconceito com o futebol feminino. Outro dia a internet encheu de pessoas completamente sem noção da realidade falando em machismo pelo tênis masculino pagar mais que o feminino.

As vezes, e tem aumentado bem a quantidade que isso acontece, eu acho que as pessoas se fazem de burras para parecer engajadas e revoltadas. Porque não é tão difícil assim entender que há uma dose de machismo cultural no mundo, é óbvio, mas há também uma dose de lógica nas questões esportivas.

O que é esporte, meus caros?

É uma competição onde a parte física é determinante e levada ao seu limite.  É portanto uma atividade de força, de resistência, de superação.  Quando o homem e a mulher foram criados, seja por Alá, Jeová, Jesus, Big Bang ou a puta que pariu, eles foram feitos diferentes.

E qualquer cego, qualquer mesmo, nota que o homem é dotado de uma força física maior que a mulher. E portanto, se isso é indiscutível, me parece meio tosco não imaginar que no esporte, onde se leva o físico ao limite, o ponto alto será quase sempre o masculino.

Paga-se mais no tênis masculino porque é onde está o interesse dos patrocinadores. E se está lá é porque o público quer mais aquele produto. Simples como qualquer mercado. Vende-se mais pães franceses na padaria do que tubaina. Por isso eles colocam 3 mil pães todo dia na prateleira e 2 tubainas. É quase lógico, basta querer.

Olha os tempos de uma maratona. De um salto em distância, de uma natação, de 100 metros raros. É gritante e claro o motivo pelo qual se valoriza mais o masculino no esporte.

A seleção feminina não é alvo de machismo algum quando colocada em segundo plano. Ela é alvo do rumo natural das coisas simplesmente porque o futebol feminino é, sempre será, e corto meu braço se um dia não for, infinitamente menos importante que o masculino.

Temos pela seleção feminina o que temos pelo judô. Um sentimento de “poxa, elas nem tem tanto apoio e…”.  O que não quer dizer que adoramos, acompanhamos e que os patrocinadores devem colocar os milhões da CBF ali, porque não faz o menor sentido.

A comparação Marta/Neymar é vazia, cheia de rancor, oportunismo. A Marta é bola de ouro todo ano, um fenômeno, mas jamais será reconhecida como Neymar porque joga num nível muito abaixo do que o outro. É a mesma coisa que tentar comparar o maior judoca de todos os tempos com o Pelé.

É claro que o maior do maior esporte será mais caro, terá mais mídia e mais reconhecimento. É assim na vida, em tudo. Não é um pedido razoável, é um pedido estúpido, de quem acha que pode sentar com o planeta numa mesa e estabelecer novas regras pra humanidade em 15 minutos.

Marta é nossa craque. Mas não é dela que queremos o título mundial. É do Neymar.

Por isso não há machismo algum na diferença de tratamento, salário ou reconhecimento.  As coisas tem um valor estabelecido pela procura, não pelo que nosso ideal socialista acredita.

Ou você parou pra ver a Copa do Mundo feminina, comprou camisa, juntou amigos em casa e chorou na eliminação?

Você sabe que não. Culturalmente, por rendimento técnico, por questões físicas, tanto faz! Não é machismo, é a realidade.  Encobri-la com discursos pra dar like no facebook não faz de você um engajado, mas sim um alienado.

O futebol feminino é ruim de assistir. E eu lamento isso, não comemoro. Mas tal qual me recuso a ser machista de julgar o futebol feminino pelo corpo das jogadoras, me dou o direito de avalia-lo tecnicamente.  E é muito ruim.

Não porque somos um planeta de filhos da puta que elas não tem retorno. Mas porque é um produto, e tal qual este blog, o pão frances ou qualquer outro, só há procura se for bom.

“Mas só é bom se tiver investimento”.  Então vai lá assistir enquanto é ruim. Porque só pedir apoio e não transmitir jogo como faz a ESPN é mole.  E você, que pede o apoio? Tem quantas camisas? Viu quantos jogos? Comprou ingresso pra ver quem?

Não é machismo. É hipocrisia o problema.

abs,
RicaPerrone

Não era bem isso

Quase todas as pessoas de Chapecó interpretaram mal o que eu disse sobre a Chape. As de fora, nem tanto. Até o Neto respondeu. Talvez seja passional, talvez eu tenha me expressado mal. Tanto faz. O farei de novo.

O que eu quis dizer é que a Chapecoense “ganhou” do acaso o direito de ser uma embaixadora de algo mais.  Através dela e por ela, o futebol se uniu, comoveu pessoas que nada tinham com aquilo e a elevou a um patamar que ela não chegaria pela bola: A de um time mundialmente conhecido.

Sobre ser ou não um time pequeno, acho um pouco hipócrita dizer que não. Evidente que é um time de série A, de acensão meteórica e bem feita, mas passa longe de ser um time grande. E talvez pelo campo, por não estar num grande centro financeiro e por não ter milhões de torcedores, nunca venha a ser.

O que eu sugeri não tem a ver com nada disso. Tem a ver com o fato da Chape ter passado a representar mais do que um time de Chapecó pro futebol. E no entendo ela continua agindo apenas como um time normal, como todos os demais. Não houve traço nenhum adicionado a sua postura após o acidente.

E isso é que acho um desperdício.

Já pensou se a Chape vira o time do Fair play? O time que faz ações pequenas mas que jogo a jogo relembra tudo aquilo e o quanto o futebol pode ser pacífico?  A Chape é o símbolo da tragédia e também do maior momento da historia do futebol mundial em comoção.

É o maior título que ela vai ter por décadas. Porque ele é único, raro, e eu acho que devia ser melhor explorado.

Um time gera ódio. Invariavelmente um clube que disputa campeonatos ganha seguidores e perseguidores.  A Chape conseguiu zerar isso numa noite sem querer. Mas zerou. Em horas o time que poucos conheciam fora do Brasil virou uma febre mundial. E seja por um acidente ou uma conquista, isso muda o peso.

Me refiro a marketing. Apenas a marketing.

Eu esperava uma Chapecoense símbolo a partir de 2017. E vejo nela um clube que briga pelas mesmas coisas que brigava antes. Nada errado. Apenas um desperdício. Poderia ser o clube do mundo.  Vai ser o clube de Chapecó apenas.

É pouco?

Não. Mas… eu seria mais ambicioso.

E antes que me acusem de “odiar a Chape”, “ter dito aquilo pra debochar”, etc…

Olha a foto ao lado. Fiz quando aconteceu o acidente. E desde então “torço” pra Chapecoense, como todos torcem.

Mas como alguém que trabalha com comunicação, marketing, torcedor, futebol, acho que a Chapecoense poderia ter ido além e se aceitado como uma marca mundial de paz, de união.

Ela não fez isso. É apenas a Chapecoense lutando pra não cair.

E eu lamento, porque acho que ela podia ser maior e mais importante pro futebol mundial do que ela mesma se julga. E isso poderia acontecer mesmo sendo rebaixada.  O campo, pra tal postura, é um detalhe.

Só isso.

abs,
RicaPerrone

É assim, sim!

Não me venham os esquerdistas da bola fazer de cada possibilidade de polêmica uma discussão hipócrita sobre comportamento, violência e educação.

“Mulheres e crianças no estádio e o jogador coloca a mão no pau”.  Ah, e nos demais 90 minutos onde ele foi xingado de todos os palavrões do planeta por 50 mil pessoas a volta das mulheres e crianças… tudo bem?

Estádio é estádio. Desde que se permitiu culturalmente que os dois lados se provoquem sem limites o tempo todo, não é aceitável e nem muito honesto querer que um dos lados não possa reagir.

“Ele é jogador. Não pode”.

Pode!

“Se fosse no teatro…”

Você não xinga um ator no teatro. E se xingar vai expulso.  É parte do futebol o seu direito de passar a tarde provocando alguém, a dele de reagir e deveria ser a sua de aceitar isso com alguma naturalidade.

Mas é 2017, não tenho qualquer perspectiva de bom senso enquanto o mimimi vencer no grito.

Pedra no ônibus pode machucar alguém. Teve. Nenhuma polêmica sobre. Mão no pinto, manchetes e mais manchetes.

Somos viciados em procurar o problema menos problemático para resolver com mais urgencia.

O que fica deste jogo pra mim é a boa apresentação do SPFC perto do que vinha jogando, o controle do Corinthians em não se apavorar e fazer um bom segundo tempo, e alguns lances isolados.

O chororô do final sobre arbitragem eu não concordo, acho o Petros um puta de um hipócrita, pois se “sabe de algo” porque só falou quando virou rival? Quando convém é silêncio?  Vindo do mesmo cara que bateu no juiz e tentou dizer que foi uma trombada, não me espanta.

Me espanta é mídia fazer do jogo, do Z4, do líder isolado e de tudo que houve no Morumbi uma discussão quase policial sobre tudo, menos sobre futebol.

Resultado normal.  Lances discutíveis, nenhum “assalto” a lado nenhum. E nervos a flor da pele, como deve ser um bom clássico.

Segue o jogo. E pára de viadagem.

abs,
RicaPerrone

Não vejo tantos fantasmas

Talvez por estar meio desacreditado no ser humano, talvez por ser um cara prático. Mas eu não consigo ver metade dos fantasmas que a maioria vê no caso Jô.

Foi mão. Ponto. Gol irregular e fim de conversa.

A discussão é:  Ele deveria ter se acusado como fez Rodrigo Caio num lance contra ele uma vez?

Eu começo considerando alguns pontos importantes.

  • Não tem “escândalo”, “esquema”, e os caralho. O Corinthians, inclusive o próprio Jô, teve uns 3 ou 4 gols mal anulados no campeonato.
  • Jô teve uns 3 penaltis não marcados no campeonato, nunca um zagueiro se acusou de tê-lo feito.
  • Rodrigo Caio não se acusou e abriu mão de um gol ou pediu falta pro adversário. Ele evitou um cartão por AGRESSÃO que não houve.  É um pouco fora das questões técnicas. O Jô seria advertido por um chute e o Rodrigo avisou que ele não havia dado.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Porque espera-se do Jô uma atitude que ninguém tem? Virou obrigação dele ser o primeiro não hipócrita da história do futebol brasileiro a rejeitar um gol importante?

Jô, se pensou em fazer, e eu duvido, pensou e logo lembrou dos pênaltis não marcados a seu favor e gols mal anulados. Alguma vez lhe devolveram um gol?  Então acho que ele tem o direito de se questionar se vale a pena ser o herói do Ivan Moré segunda-feira ou abrir mais 3 e praticamente garantir o título, já que não tem adversários dispostos a disputar o Brasileirão com pontuação próxima mais.

Porque o Jô é obrigado a ser o primeiro?

“Ele não foi! Ele foi o beneficiado com o caso Rodrigo Caio…”.  Calma aê! Até concordo, ele foi hipócrita, fez um discurso todo cheio de politicamente correto e hoje foi testado e não fez na prática.

Mas sabe o que ele deveria ter feito? Dito que pegou na mão e não se acusou por causa dos gols que ele teve anulado. Não dizer que “não sabe se foi na mão”.  Porque ele sabe. Todo mundo sabe.

Aí Jô foi de aceitável parte de um sistema a hipócrita.

Mas ainda assim, hipocrisia não é crime. É apenas um traço comum a 99% de nós, brasileiros, seres humanos, especialmente os que cagam regra virtualmente, como eu por exemplo.

Feito todo esse discurso, eu ME pergunto e sugiro que você se pergunte:  Você pararia o lance, cortaria a comemoração e diria “juiz, fiz de mão?”.

Eu não. E não porque sou desonesto, mas porque não quero ser o otário.  O futebol é um esporte de erros de arbitragem toda semana no mundo todo.  Diferente de todos os outros, é comum e aceitável que um erro interfira no resultado.

Vai você, beneficiado e prejudicado 200 vezes na vida, ser o Chê Guevara da grande área?

Duvido.

abs,
RicaPerrone

A maior humilhação possível

Eu não sou advogado, logo não vou entrar no mérito se é estupro ou não, se no código diz isso ou aquilo. Na real, bem na real, eu quero que se foda o que diz a lei.

O que eu quero mesmo é que se foda a maior parte das coisas que temos como pilar desse país e dessa sociedade absolutamente doente.  E não, não sou um encantadinho com “lá fora”.  Venezuela é “lá fora”. Cuba é “lá fora”.  Voltei de San Francisco há 5 dias, e lá tem mais mendigo que no Rio de Janeiro.

“Lá fora” é relativo.  O que me importa é aqui dentro. E de todos os últimos episódios que nos fazem ter vergonha de viver aqui, acho que nenhum mexeu tanto comigo quanto esse. Por algum motivo eu imaginei minha filha, minha namorada, minha mãe. E eu sinceramente não consigo achar uma forma de dimensionar a humilhação que é pra essa mulher, e todas as demais, ouvir que o rapaz fez isso pela décima vez e… segue o jogo.

Eu sou de uma época onde 80% das coisas feitas hoje em dia com naturalidade já assustariam. Mas dizer pra nós, brasileiros, que é possível que alguém goze na cara da sua mãe na rua e que isso seja relativizado…?  Não me lembro de nenhuma parecida.

Se ele vai se preso por assédio, por estupro ou por imbecilidade, não me importa.  Um juiz dizer que não houve contrangimento é como se os limites fossem todos jogados no lixo na sua frente. Como se tudo que seus pais e avós te passaram se tornasse uma piada em questão de segundos.

Prendam o sujeito. Mas especialmente, por todos nós e não só pela vítima, tirem deste juiz o poder de sentenciar qualquer coisa. E se ele tiver razão legal, rasguem o codigo penal, o que for.

Eu não me lembro de uma humilhação tão grande. E não me refiro a ser ejaculado. Mas a de ser brasileiro neste momento.

abs,
RicaPerrone

Mimimifobia

A internet é a prova mais irrefutável que o ser humano é meio imbecil.  Na real é mais que meio, mas a gente passa um pano porque “tamo junto” na imbecilidade.

Se as pessoas não tem opinião, são vendidas, covardes, manipuladas. Se tem, são racistas, xenófobos, filhos da puta, mau caráter, não deviam falar isso porque “são formadores de opinião”.

Ora, meu santo caralhinho voador do banheiro de Lima Duarte, quando se critica o Cristovão é racismo. Quando se fala mal de argentino é xenofobia. Quando se chama o Jean Willys de imbecil é homofobia.  Então tu não quer a opinião de ninguém, tu quer uma validação da sua.

O Jair Ventura é o novo alvo do mimimi virtual.  Porque ele acha ruim que o mercado interno esteja perdendo espaço para treinadores de fora, virou xenófobo.

Ora, vai procurar o que fazer.

Você, lendo isso, já falou quantas vezes na sua vida que “o brasileiro é isso isso e aquilo?”.  Aí quando um cara vem do seu lado e fala que “argentino é ignorante jogando bola”  é xenofobia?

Quando a imprensa clama por técnico gringo para melhorar nosso futebol não é uma forma de preconceito com os nossos? Aí quando um dos nossos diz que não gosta de ver os gringos tomando conta do mercado, é xenofobia?

Que merda de conceito é esse que só é um problema quando se fala de alguém que você quer defender?

Nós menosprezamos o Brasil o dia inteiro. Tratamos funkeiro como marginal, pobre como burro, rico como ladrão, e aí quando alguém fala do seu lado o que você não quer você cria um casinho na web?

Jair não acha legal estarmos buscando tantos treinadores gringos. Ponto. Opinião do cara sobre mercado.

Qualquer tentativa de rotula-lo como xenófobo por causa disso é mera idiotice, clubismo ou falta do que fazer. Quando não for as três juntas.

Ah! Só pra registro: Até outro dia pra jogar na Inglaterra tinha que ter X partidas pela seleção do seu pais. Xenofobia ou a base de um futebol que hoje é o “melhor do mundo”?

abs,
RicaPerrone

O dinheiro é o menor dos problemas

O milhão a menos de cada escola é um problema na crise? É. Mas esse não é o grande problema da crise entre prefeitura e escolas de samba.

O problema é o caráter. A forma. A real intenção. A falta de critério.  O lado pessoal e religioso acima do cargo.

Crivella é um religioso fanático, daqueles que deviam ser proibidos de ter qualquer cargo sob o argumento de falta de lucidez. A fé é um direito, não um dever, menos ainda uma qualidade.  Crivella pode acreditar em Duendes se quiser, desde que não faça uso de cargos públicos para criar aldeias de Duendes no centro do Rio.

Os projetos voltados para a igreja evangélica dele seguem voando. Todos bem apoiados, patrocinados.  Pra você ter idéia do quanto é covarde, há um filme de 16 milhões de reais sobre a vida do Edir Macedo que está sendo noticiado pelo site no link como sendo apoiado pela prefeitura do Rio. Ou seja, vida de bispo agora é mais importante pra cidade do que o desfile das escolas?

Mas nem isso me revolta. O que me deixa puto é o uso da paixão alheia para ganhar voto. E usar paixão, fé, má fé, é especialidade desse tipo de gente, convenhamos.

O cara vai lá e promete pras escolas que não vai mexer. Que vai apoia-las. A escola apoia e carrega com ela uma comunidade, a dona Maria, que faz fantasias. O seu José, que vive de vender latinhas na porta dos ensaios, entre outras dezenas de milhares de pessoas envolvidas nisso diretamente.

“Ah mas a contravenção…”, pára! Deixa de ser idiota. O fato de uma ponte ser superfaturada não impede você de passar por ela. A escola de samba tem muita coisas boas por trás dela para focar no fato dela ter apadrinhamento histórico com contraventores.

Mas convenhamos, não precisa ser esperto demais pra imaginar que é o caminho natural de algo dentro da comunidade. As comunidades tem donos, o governo não enfrenta, logo, as escolas, filhas das comunidades, também terão seus apadrinhamentos. Vai ser hipócrita lá com o teu fornecedor de maconha.

Voltemos.

As escolas recuperam essa grana fácil.  Mas corta pra 2019, prefeito. Corta feito adulto. Honrando palavra, não misturando sua fé nas suas escolhas, nem mesmo tendo usado pessoas e agremiações para promover sua candidatura.

Senta bonitinho, pede desculpas, explica, procura alternativas. Não imponha comunicando a imprensa que mudou de idéia. É covarde. É sacanagem.

Tu pega um enredo feito e preparado em junho e avisa que ele perderá um dinheiro alto. Você quebra carro, trabalho de carnavalesco, planejamento.  Atrás de toda contravenção que vocês preferem envelopar o samba, há cultura, música, emprego, turismo, cartão postal dessa porra toda aqui.

Corta. Mas corta olhando no olho, falando de frente e não do gabinete depois de trair quem você usou pra ganhar eleição.

O Carnaval do Rio é minha paixão e passa LONGE de ser organizado e confiável como eu gostaria. Pra você ter idéia da zona, ingressos só em dinheiro.  Tudo vendido pelo telefone, por fax. Cheio de problemas.  Mas ainda menor do que o que ele representa de fato.

Por mim, prefeito, tu pode nem oficializar a festa.  Eu, e acho que ninguém do samba, daria a mínima pro teu aval. Aliás, tu nem apareceu esse ano lá.  Mas não usa as pessoas e a  paixão gerada por essas escolas para ganhar seus votos e depois pular fora falando em criancinha.

Tu não tá preocupado com o corte. É com o que não te agrada sua preocupação.

abs,
RicaPerrone