polemica

Fala, Wright!

Acordei assistindo pela primeira vez um famoso jogo de 1981 entre Flamengo x Atlético Mineiro, onde a arbitragem é acusada até hoje de favorecer o time carioca.

Nunca tinha visto. Vi, avaliei, deu maior polêmica em redes sociais e então recebi o contato do filho do Wright, que colocou o pai a disposição para esclarecer os lances. Adorei, claro! E então ele me deu a versão dele das polemicas, e divido com vocês.

“O que você considerou um erro foi o maior acerto que eu tive.  O jogo tava difícil, pegado, muita pancadinha. Chegou uma hora eu não tinha mais condições de segurar na base da bronca. Chamei os dois capitães e disse “O primeiro que der, sai! “.
O que eu vou contar agora é a primeira vez que revelo. Quando chamei os dois capitães e avisei que expulsaria, o Reinaldo virou pro Nunes e disse “duvido, não vai expulsar ninguém!”.
Então foi uma expulsão mais do que logica. Ou você se impõe ou é engolido”, contou o ex-arbitro.

Ainda que este lance do Reinaldo seja entendido, há também a expulsão do Éder logo em seguida, que o arbitro explica.  “O lance do Éder por exemplo, deu uma pisada e jogou o corpo em cima de mim. Resultado: saiu na hora.  Eu nunca abri mão da disciplina. Nunca falei um palavrão pra jogador, e olha que sou desbocado no dia a dia.”.

Para Wright, o Galo foi vitima do próprio presidente, que não soube separar as coisas e acabou deixando o time mais nervoso do que deveria.

“Que deus o tenha, mas o Kalil nao teve equilíbrio para poder desforrar-se da derrota do ano anterior. Mas eu não tive nada com isso. Nao apitei o jogo. E com isso ele não trabalhou a cabeça dos jogadores para ter tranquilidade. Ganharia tranquilamente, o time do Atlético era muito bom! “, disse.

José Roberto ainda conta que encontrou o ex-presidente do Galo e o recém falecido Bebeto de Freitas, e que foram cordiais com ele. Mas que na mídia não tiveram o mesmo comportamento. “Outro dia encontrei o Kalil e o Bebeto de Freitas em Buzios. Ali batemos papo, normal, tranquilamente. Quando teve Flamengo x Galo me esculhambou, falou um monte de besteira.
Engraçado porque nao falou na minha frente lá em Geriba? Com todo respeito a torcida do Atletico, eles pagaram pelos erros do seu ex presidente, que Deus o tenha. “, revelou.

Voce pode tambem ouvir a íntegra do audio de José Roberto Wright explicando as polemicas da partida.

O futebol, o mundo e a má fé

Há homofobia no futebol. Há racismo no futebol. Ha violência no futebol.  Há corrupção no futebol. Há tudo que há de errado no mundo no futebol.

O futebol não promove a guerra entre países. Mas a guerra continua pelo mundo.

O futebol junta países comovidos por uma tragédia. Mas esses países não lutam juntos contra a fome, por exemplo.

O futebol une pobres e ricos num abraço improvável há um século. Fora do estádio eles nem se olham.

O futebol transforma pessoas em “massa”, e portanto dá a todos a mesma condição quando num estádio.  Fora dele ninguém se tornou menos preconceituoso por isso.

Qualquer lógica levará você a saber que o futebol é reflexo do mundo que vivemos, não o contrário.

Você não vai acabar com a violência no futebol enquanto o mundo for violento. E qualquer pessoa que achar possível, viável ou travar uma luta em cima disso está se promovendo usando a dor alheia.

Haverá machismo, homofobia, racismo e tudo que há de ruim no mundo dentro de um estádio. Afinal, o estádio está dentro do mundo, não o contrário.

O que move essa discussão é o tom e o oportunismo.

Porque se é aceitável por exemplo que você ofenda um nordestino, a mãe de fulano, um japonês, um gay, então você não pode punir um clube por um torcedor racista.  Ou então você estará cometendo discriminação, que aliás, é pior que preconceito. Você está escolhendo quem pode ou não ser ofendido. Veja você que absurdo.

Se fulano vai no estádio e chama a bandeirinha de puta, o adversário de todos os palavrões que ele conhece, o gringo de “argentino de merda”, o nordestino de “paraiba filha da puta”, e quando ele chama alguém de “viado” ele está fodido, ou estamos selecionando quem “merece” ser defendido ou sendo, mais uma vez, hipocritas.

O “bambi”, pra MIM, é uma brincadeira com o status de times de elite. O rico sempre foi rotulado de “fresco”, e a “frescura” sempre foi viadagem. Por isso a brincadeira cai sobre os times mais elitizados do país: São Paulo e Fluminense.

Mas Rica, tem homofobia no futebol?

Claro, porra! Em que lugar não há? E sabemos que toda ignorância e agressividade humana é acentuada quando em grupo e/ou anonimato, que dá quase no mesmo.  Portanto em qualquer jogo de futebol o risco de ser agressivo nas palavras é muito maior.

Não só pelo grupo. Mas também pelo clima, pela competição, pela paixão, pela loucura que é estar ali.  Óbvio que quem frequenta sabe que não necessariamente há má fé no que é dito. Normalmente é só tentativa de desestabilizar o adversário. Já vi gays chamarem o adversário de “viado” o jogo todo.

Se estivesse necessariamente ligado a crença de que do outro lado há um homossexual, não seria o Renato Gaucho o maior alvo do coro “viado” de todos os tempos, convenhamos.

Então, sobra o argumento de que “viado” é uma forma de ofender.  E não discordo que pra muita gente tenha essa intenção. Mas discordo que pra todos seja com essa intenção.

 

Discordo principalmente de escolhermos quem blindar. É inaceitável que você brigue por respeito a pessoas e escolha qual tipo de pessoa pode ou não ser ofendida. Então, meu caro, ou você transforma o estádio numa sala de cinema ou espera o mundo mudar de fora pra dentro do futebol.

O que não dá é pra você entrar numa arena lotada de palavrão, competição, paixão, loucura e descontrole e dizer: “Você pode xingar o gordo, a puta, a mulher, o japones e o nordestino. O viado, não”.  Com um detalhe irônico: o japones é japones. O nordestino é nordestino. O gordo é gordo. O viado,  em 99% dos casos, não é gay.

Quer lutar? Faz direito. Briga por todos e não só pela parte que te dá mídia. Luta contra toda e qualquer coisa que ofenda uma pessoa.  Ou então tenha a sensibilidade de entender que o problema está lá fora, não dentro do estádio. É mero reflexo. Você está batendo na ponta do iceberg fingindo que está tentando mudar o mundo. É mentira. E você sabe que é mentira.

 

Eu tenho minhas teorias sobre o porque do futebol ser a paixão mundial que é. E uma delas é pelo “direito”  que o futebol te dá de ser o pior e o melhor de você.

Você pode inibir a demonstração do seu pior lado ou então de fato fazer com que ele não exista mais. A “censura” ao problema não educa. Apenas aumenta a raiva interior do agressor ao grupo que o calou. A educação e o tempo mudam a cabeça das pessoas. Uma regra muda apenas o que ela pode expor.

Eu também já mudei. Já fui homofóbico, já fui mil coisas das quais não me orgulho. Mas todas elas foram um processo. Toda vez que alguém me proibia de fazer piada com “viado” eu não repensava o preconceito. Eu aumentava a raiva dentro de mim. Porque não estava sendo educado, estava sendo censurado.

Não adianta NADA proibir pessoas de gritar “viado” se dentro delas isso ainda for uma ofensa. Se eu fosse negro, não me sentiria melhor por um racista me olhar e não PODER me chamar de macaco. Eu só teria um mundo melhor se ele nem sequer pensasse em me chamar de macaco.

Calar a boca de alguém não muda o que ia sair de lá de dentro. Se você mudar o que tem lá dentro talvez não precise calar a boca de ninguém.

O futebol leva o ser humano a expor o seu pior e seu melhor. Você pode usar isso para notar, entender e reeducar, ou censurar para não ver o problema.

Problemas eu enfrento. Outros cobrem.  São escolhas.

Nenhum torcedor homofóbico deixou de ser homofóbico nesta sexta-feira. Diversos deles se tornaram mais homofóbicos ainda pela forma com que tentaram censura-los.

Se você acha que assim resolve… é um caminho.  Eu não deixei de ser homofóbico porque me obrigaram. Mas porque tolerantes gays me ensinaram que não havia diferença e nenhum problema ali.

abs,
RicaPerrone

Como estragar tudo em 24 horas

Elogiei o Romero após o jogo porque acho divertidíssimo ele provocar o adversário diante de um pontapé.  Acho mimimi jornalístico reclamar dele dizer que o Santos é pequeno, porque além de evidentemente não ser, é um combustível que será usado pela própria imprensa por meses até que ele deixe o clube um dia.

Achei que ele foi corajoso em tirar um sarro. Achei que não foi “cuzão” em se vitimizar com o pontapé que levou.

Mas aí vem a reação. As redes sociais, a sede por lacrar, os jornalistas que não se aguentam no armário e uma necessidade de merda de transformar um cara que respondeu um pontapé com uma provocação num vilão.

E ele cede. Óbvio.

Romero, meu bom Romero…. Xenofobia, no futebol brasileiro, é quase sacanagem.

Se há uma coisa que brasileiro idolatra, especialmente os jornalistas, é alguém que vem de fora. Aqui, treinadores de merda foram colocados como reis porque eram de fora. Diversos jogadores que não jogam porra nenhuma são chamados de reforço de peso ano após ano porque vem de fora.

Você não deve conhecer o Brasil tão bem, Romero. Não há elogio maior no Brasil do que ser “de fora”.

Convenhamos, meu caro Romero, é bem mais factível achar um paraguaio ruim de bola do que o Santos um time pequeno. Se o seu é provocação e “pode”, então também pode a reação.

Se tem uma coisa que eu não suporto é a idéia de que é possível ação sem reação. Ou pior, criar manual de reações permitidas pelos zé ongs.

Ser gringo no futebol brasileiro é uma benção, cara.  Tu pode até reclamar que há xenofobia no  Brasil num determinado setor, eu desconheço todos eles pra dizer que não. Mas no futebol, você está procurando algo pra ser vítima.

Eu gostava do Romero de ontem, que tomou um chute e saiu com uma deboche ao adversário. Gosto do Robinho perguntando “jogou onde?” pra quem o provoca. Gosto do goleiro do Santos respondendo ao torcedor que o ofendeu que ele gasta com o cachorro o que ele ganha num mes. Lembra?

O agredido tem duas opções. Ou ele vira vítima na hora, ou revida e depois disso é chumbo trocado.  O primeiro dos dois que se vitimizar perdeu a razão.

Não há xenofobia em esperar que um Paraguaio jogue pouca bola. Há histórico. É incomum. Tal qual você não anda nas ruas de Sao Paulo com relógio de ouro não porque é preconceituoso com a cidade, mas porque números mostram ser perigoso.

Seja um raro paraguaio bom de bola. Isso não é um menosprezo aos seus compatriotas. É uma constatação.  Tal qual a de que no Brasil ser gringo é um beneficio e não um problema.

Eu gostei mais de quando você tomou um chute e devolveu com provocação do que quando inventou um pra se jogar no chão e rolar pra lá e pra cá.

É um direito seu. Mas eu prefiro o jogador que guarda a bandeira do Paraguai na cueca, tira na hora do gol e atira na cara do jornalista do que o que vai lá dizer que tem sofrido com isso.

São perfis. Mas o da coletiva não combina muito com o cara que não ligou pra pontapé e foi chamar o adversário de pequeno. Quem é você, afinal? O que zoa ou o que se magoa?

abs,
RicaPerrone

A política, o esporte e o senso comum

É segunda-feira, dia seguinte do enforcamento de Gustavo Lima que cometeu o crime de pensar diferente do senso comum.

Entenda por senso comum aquele grupo de pessoas que apoiado por uma mídia e/ou intelectuais de voz ativa determinam o que é ou não inteligente acreditar. Se você eventualmente pensar diferente deles, você é burro, retardado, filho da puta, nazista, machista, frentista, taxista…. enfim.

Hoje é “Leifert Demonio Day”. E fui ler e entender os porques.

Porque pra ele esporte é entretenimento e não deve ser lugar de manifestações políticas que gerem lados e dividam a paixão envolvida no esporte.

Não vou entrar ainda se concordo. Mas vou dizer que fazer dessa opinião um estupro coletivo é de fato assustador. Ainda mais vindo de alguem estudado, preparado, profissional da área e que conhece culturas esportivas além da nossa de perto por ter morado fora.

É realmente um exercício muito fora discordar sem invalidar. É conceito basico de direito até. Quando você vai perder a causa porque não pode defende-la, ataque o outro lado. E é isso que a gente faz o dia todo, todo dia, especialmente em redes sociais.

Tô me excluindo não. Também faço.  É uma reação em cadeia. Você é agredido, devolve agredindo. E mesmo quando alguém nem vem com as pedras as suas já estão ali.

Pontos consideráveis:

1- De fato qualquer manifestação individual política NÃO deve ser feita sob os holofotes coletivos. Exemplo: O zagueiro do Inter não pode usar o Inter, a camisa do Inter, os holofotes do jogo do Inter pra se posicionar contra o PT por exemplo. Ele não tem alvará pra fardado e representando aquela entidade tomar uma posição.

Então ele não pode…? Pode. Na rede social dele. Na casa dele. Numa coletiva de imprensa. Mas jamais perfilado com o time dele. Ali ele representa algo maior do que ele, e portanto qualquer tentativa de inverter essa situação está errada.

Você deve ter pensado na polêmica da Tuiuti. Mas além de carnaval não ser esporte, embora entretenimento, naquele caso foi pra pista o que A ESCOLA quis. O carnavalesco não surpreendeu a escola com um carro alegorico. Logo, está assinado que a instituição pensa assim.

2- O fato de achar que algo que remeta a lazer não deve dividir multidões com mais do que a paixão não faz de ninguém um maluco. É apenas um válido ponto de vista.  Imagine se além da idiotice coletiva de se odiar por futebol ainda formos somar um lado a favor do Bolsonaro e outro do Jean Willys.  Fudeu.

3- Se eu fosse boxeador, eu faria manifestações sobre o que acredito toda luta. Porque? Porque ele não PRECISA do merchan. Ele ganha o dinheiro com o resultado. Não é bem assim no esporte coletivo. Então não são todas situações iguais.

Eu gostaria que meu time entrasse em campo protestando contra a corrupção. Acharia ridículo se ele protestasse contra salários atrasados, porque ele também faz. Mas acharia revoltante se meu time entrasse em campo e um jogador tivesse uma camisa diferente dos demais pra dizer que apoia o Lula.

“Mas é direito …!” Não, não é.

Precisa acabar essa coisa de achar que tudo é direito.  Você tem direito ao protesto, eu a ir e vir. Logo, é altamente discutível o seu direito de fechar a Av Paulista num dia útil.

“Mas a democracia….!”. Não fode. A democracia só existe quando te da o que você quer? E quando ela te diz não? Não vale?

Ah! Pra não fugir, eu concordo com o Tiago sobre o individual. Discordo sobre o coletivo desde que haja moral pra fazer. O Corinthians não pode protestar contra o PT tendo em seu presidente um deputado petista.  E também não é papel do Fagner fazer isso sozinho vestindo a camisa do cube.

Agora, se o Popó quisesse subir no ringue de mulher maravilha e protestar contra machismo …. problema 100% dele. É individual, embora ainda seja esporte.

Quanto a você, Tiago…  não é porque você revolucionou o esporte da maior emissora do país, estudou, conhece esporte e seus impactos sociais e tenha morado fora pra conhecer a cultura do esporte que citou na coluna que você pode opinar sobre isso.

Quem pode é o Pedrinho, 17 anos, estudante, cujo perfil no twitter diz “Vc sabe q eu sou foda na cama / @manchesterunited / Mc Vitinho / deus no comando”

Voltemos pro Gustavo Lima.

abs,
RicaPerrone

O direito, a coragem e as consequências

É assustador no Brasil que alguém banque o pensa e tome um lado. Uma pena, mas é um país de covardes e isso se nota na medida em que 100% da verba publicitária está voltada para quem não acha nada sobre porra nenhuma.

O carnaval é uma festa popular. Cabe dentro dela criticas geniais como a da Mangueira pro prefeito traíra que prometeu uma coisa, foi eleito e mudou de idéia. Cabe toda posição política que bem entender. Aliás, entendo por país livre você poder ser o que bem entender.

Tuiuti fez na avenida o que Globo, Veja e 99% dos veículos de comunicação não tem peito pra fazer: assumiu quem é.

Gosto? Muito. Acho maravilhoso a escola me dizer quem ela é e me dar o direito a odia-la, por exemplo. Como ontem ela se tornou a escola de milhões de esquerdistas pelo país. É um conseqüência à coragem.

“Ah mas ela falou mal do Temer”. Não, caras. Não é isso.  Enorme parte das pessoas não entendeu que ela ser contra reforma trabalhista, por mais limitada que seja a concepção do que se está falando, é um direito dela.  O ponto foi uma ala no fim do desfile.

A ala disse claramente e sem o menor pudor que quem bateu panela ou se manifestou de verde amarelo contra a Dilma foi manipulado por alguém.  Além da alusão ao palhaço no nariz deles.

Em resumo: Se você foi a favor da saída da Dilma e protestou, você é um palhaço manipulado na opinião da Paraíso do Tuiuti.

Eu gostaria honestamente que a Globo falasse que odeia o Bolsonaro. Seria mais honesto do que fingir imparcialidade por exemplo e ter seus lados.  A Tuiuti fez, e agora vem a separação das coisas.

Direito dela em fazer. Corajoso se posicionar. E agora aguenta o tranco porque chamou enorme parte da população de palhaços manipulados. Tem uma reação. Ninguém dá tapa na cara de ninguém e sai andando. A vida é mais prática do que pregam os filósofos do “anti ódio” que odeiam quando alguém não lhes dá o status de intelectual.

A Tuiuti pode se tornar uma escola odiada. Eu particularmente, como fui chamado de palhaço pela escola, tenho enorme antipatia a partir de agora. É a conseqüência natural de quem se posiciona. Você pode se posicionar estando de um lado e/ou agredindo o outro. Ela fez os dois.

Aguente  a reação ao seu direito de “ofender” um lado.

Prefiro um inimigo declarado do que um “amigo” cuzão.  E a Tuiuti escolheu seu lado. Não é o mesmo que o meu. A respeito, embora ela não tenha respeitado quem pensa diferente dela. Mas … se cair….  sim, confesso, vou rir. Simplesmente porque é também meu direito reagir a “ofensa” deles.

E nos 3 casos, tanto da postura quanto na coragem e na reação, é preciso agir mais naturalmente do que as pessoas agem. As 3 coisas fazem parte da vida todo dia, em todo lugar.  Mas entendo que se postar, peitar uma posição e arcar com consequências pelo que pensa não são 3 hábitos brasileiros.

A Tuiuti será esquecida amanhã cedo. É uma escola pequena e seu momento de glória foi “atacar” alguém.  Ainda assim, agredido pela escola na condição de palhaço manipulado, eu prefiro um “vai tomar no cu” do que “tem gente que poderia tomar no cu hein”.

Então… foda-se a Tuiuti!

abs,
RicaPerrone

A “treta” da Rádio grenal

Semana passada houve uma polêmica sobre uma participação minha na Rádio Grenal.  Os ouvintes acharam que eu fui “cortado” ou “censurado”, e eu fiz questão de dizer no twitter que não. Que fui muito bem tratado e que ninguém me cortou do ar do nada.

Mas que a história de alguém pedir desculpas no ar pela minha participação, se fosse verdade, era um absurdo. Um desrespeito. Eu não pedi pra participar, repeti no ar o que escrevi e portanto quando me ligaram sabiam o que eu diria.

Eu não acho educado e nem necessário um radialista querer agradar os clubes do interior se desculpando pela opinião dos outros. Dá a sua, sustenta seus argumentos, se é que existem, e então tá feito o debate. Mas desmerecer uma que você convidou pra por no ar?

O resto foi barulho de torcedor. Fizeram disso uma puta polêmica quando na real o que me incomodou foi pedirem desculpas pela minha opinião, até porque ela é de milhões de torcedores.

Mas como notei no twitter, ninguém ouviu. Foi meio que disse me disse Então segue a entrevista para que vocês vejam que nao houve desrespeito enquanto estive no ar, muito pelo contrário. A babaquice foi apenas o Espinosa se desculpar pelo convidado dele, sendo que nao ofendi ninguem. E portanto não tem porque me desculpar. Ainda se tivesse, eu pediria, não ele por mim.

A tarde liguei na rádio pra ouvir o que diziam. Havia dois locutores mandando recado e debochando de mim no ar.  Eu não fico triste. Fico feliz. O espaço que conquistei é exatamente por ser o contraponto à mídia tradicional.  Continuem.

É só isso.

abs,
RicaPerrone

Youtubers: é melhor que querer ser paquita

Uma dose é mero recalque por ver “pivetes” com um celular virado pra eles ficando ricos, a outra é vontade de criticar. Algumas críticas são justas, algumas preocupações também. Mas na real, qual o problema em ser youtuber ou ver as crianças desejando ser como eles?

Qual a novidade, na verdade?

Eu não assisto nenhum quase. Entendo que o youtube é quase um Netflix Kids.  Feito 90% pra crianças e adolescentes e que os números atingidos por eles camuflam a real importância de alguns conteúdos. Exemplo: A sua referência é um video de baboseira de 10 milhões de views. Logo, qualquer vídeo de 200 mil views é um número baixo.

Não é. São 200 mil adultos, dependendo do que você anuncia ou busca, é um número relevante. Mas isso também não é culpa deles, nem chega a ser novidade.

O que minha geração queria aos 8 anos era ser Paquita. Dançar pra uma apresentadora de TV mostrando as pernas.  Os meninos, jogadores de futebol. E isso acho que mudou pouco.  Mas é realmente preocupante pra você que o tempo que você gastava vendo o Sérgio Malandro gritar na Porta dos desesperados seja gasto com um garoto de 20 ou 30 anos falando sobre… política, preconceito, etc?

Mesmo que você discorde dele. É quase impossível a gente não concordar que é mais interessante pra uma criança pensar no que diz um youtuber do que na disputa entre Mara, Angélica e Xuxa. Se é um absurdo pra você um cara de 30 anos ser o exemplo pro seu filho, era também pra nós quando as paquitas aos 19 eram o sonho das nossas irmãs.

É natural. Troca-se a mídia, trocam-se os protagonistas.

Eles não são eternos. Os mais inteligentes deles tem uma função e não um canal. A maioria talvez tenha um canal. Não sei, não acompanho o suficiente.  Mas a Kéfera, por exemplo, é atriz. Não “youtuber”.  O Whinderson é “humorista”, não youtuber.

O uso da ferramenta não pode estar a frente do que a pessoa está propondo. O “Mamãe Falei” é um canal de política. Talvez hoje ele influencie tanto quanto o colunista do Jornal da Joven Pan quando eramos jovens.

O rótulo “pagodeiro” usado com menosprezo também atinge o “Zeca Pagodinho”.  O que torna o rótulo uma idiotice.  E usar o “youtuber” para menospreza-los é tão tosco ou mais do que pular na banheira de nutella. Afinal, não é necessário um conteúdo inteligente para ser conteúdo.  Existe algo chamado “entretenimento”.

O papo “a tv não presta” é tão hipócrita quanto. Ouvimos por 20 anos que bom era a TV Cultura. A Globo uma bosta. E ela dava 60 pontos, a cultura 0.5.

Existe youtuber ruim, youtuber bom. O youtuber é que talvez não exista.  Atrás do meio que usam há atores, administadores, apresentadores, humoristas e muito mais. Uns com futuro, outros não. Tal qual toda música que dançamos quando jovens, milhares de celebridades que acompanhamos quando garotos e que hoje são representados por esses meninos de camera nas mãos.

Eu não assisto muito porque me acho velho demais para induzir minha linha de raciocinio por garotos mais novos direcionando a linguagem para adolescentes.  Mas eu não acho que minha irmã era menos fútil que hoje por ela querer ser paquita enquanto seu filho quer ser o Felipe Neto.

abs,
RicaPerrone

A Sandy não joga futebol

Eu adoro a Sandy. Sério, fui em uns 5 shows já quando ela era com o Junior, mais uns 3 dela sozinha. Ela é fofa, canta bem, não briga com ninguém, temos quase certeza que não vai ao banheiro e que se Jesus viesse pra Terra pediria benção pra ela e não o contrário.

Mas ela canta, não joga bola.

Sandy não compete.

O Neymar tem um objetivo simples indo pro PSG: fazer algo que ele leve os méritos quase que por completo. Se o PSG ganhar uma Champions por exemplo, foi Neymar.  E isso é parte do show do Messi, do Cristiano, do Romário, do Ronaldo e de qualquer notável que dispute o rótulo de melhor.

Números ajudam. E por isso Neymar vai tentar fazer gols e mais gols para ter argumentos para ser número 1.  Se esperam dele a “fofura” de um Kaká, esqueçam.  Ele é um moleque atrevido, folgado, abusado e cheio de marra. Ele é o que ele é, não sejam ridículos de esperar dele o que você quer que ele seja. Isso é ser arrogante, não ele ao não dar a bola pro Cavani.

Aliás, porque vocês não surtam quando o Messi não dá o pênalti pro Iniesta? Ou quando o Romário e o Edmundo brigavam no Vasco por uma tarja de capitão?

Porque é simples: jogadores competitivos vencem. E Neymar é competitivo. Graças a Deus!

Teve jogo beneficente o mes todo. Agora é pra valer. O sujeito faz 4 gols, dá passe pra 2, e tu quer discutir a porra de um pênalti se ele deu ou não pro colega?

Quer manchetar vaias de uma parte da torcida dos caras pra ele?

Pra ser o melhor você tem saber que onde passa só um, passo eu. E foda-se.

abs,
RicaPerrone

Cadê vocês?

Todo ano eu me pergunto em dezembro onde estavam nos útlimos anos e eleições os clubes que hoje se lamentam pelo calendário.

Todo ano eu tento entender como 10 clubes podem achar ruim a cota de TV e só 2 estarem felizes sendo que 10 podem fazer um campeonato e 2 não.

Todo ano eu tento entender porque o torcedor é tão facilmente manipulado pela mídia que odeia a CBF e não percebe que tudo que está lá é meramente a representação oficial autorizada do SEU clube.

Há meses a CBF não tem presidente que possa sair do país. Algum clube foi lá cobrar da entidade o afastamento dele? Que houvesse nova eleição? Que algo fosse feito pela representação dos clubes?

Não.

Houve algum movimento entre os clubes para que a eleição na CBF seja ANTECIPADA após a suspensão do presidente? Não. Ela será ADIADA para que ele esteja de volta ao cenário político.

Nos últimos anos qualquer analfabeto entendeu que o sistema de corrupção, má gestão e favores do governo só existe porque é sustentado de baixo pra cima.  Não notaram que o futebol brasileiro tem um sistema político muito parecido e, portanto,  tem muita gente muda porque está feliz.

Seu clube, seja ele qual for, é cúmplice e hoje um dos mais covardes pilares do futebol brasileiro. Se há 12 “grandes” que se quiserem mudam tudo, sabemos de quem são.  E eles não estão muito preocupados com nada disso, apenas com qual jogador vão tirar do rival via liminar, ou talvez como vão eleger alguem mais próximo desse ou daquele dirigente.  Ou também, “pra que se indispor com o presidente e amanhã ter um pênalti não marcado?”, como ouvi outro dia.

Não querem mudar. Não vão mudar.

A CBF passou pelo ano todo esperando uma atitude de fora pra dentro que pudesse intervir no absurdo que é ter um presidente que não pode exercer suas funções em sua totalidade e nem ter a dignidade de pedir pra sair enquanto nota ser um atraso pro futebol brasileiro.

Ninguém se mexeu. Nenhuma federação ou clube tentou mudar isso ou protestar contra o cenário.

E você realmente acha que seu clube é “vítima” de qualquer calendário, receita de TV, regras do jogo ou politicagem do futebol brasileiro?

Então tá.

abs,
RicaPerrone

Sobe pra ver

Eu sou jornalista, embora tenha vergonha de dizer e a exata noção de que não o pratico bem.  Não estou atrás da verdade, mas sim da paixão. Não busco furo, busco histórias fodas pra contar.  Torço, não sou isento, não quero fuder o entrevistado e nem mesmo aplaudir o adversário se ele for merecedor.

Não tenho amor pela profissão. Tenho amor pelo futebol. E se você ama jornalismo mais que futebol, você é meio bobo. Mas ser bobo não é crime. Então relaxa aí.

Quando eu não tiro minha carteirinha de imprensa para pagar ingressos e viajar com torcida é pela escolha simples de nunca deixar de ser um deles.  Pois quando deixo, meto um terno, ligo o ar e vou na TV dar aula do que já não sei mais o que é.

Eu vou pecar pelo exagero 300 vezes, outras 2 mil vezes pela paixão. Mas nunca vou cometer o absurdo que é tratar paixão com frieza ou tentar racionalizar futebol.  Não serei o porteiro da Disney avisando a criança que é um anão chinês dentro do Mickey. Deixa ele sonhar, caralho! Ele pagou pra isso.

Eu ouço todo dia que eu sou um fazedor de média com a torcida X ou Y.  São escolhas e a minha é simplesmente viver intensamente a paixão que tenho por futebol.  Então, se o Grêmio for a final da Libertadores, eu vou lá com eles e vou torcer junto. Talvez eu não esteja certo, mas com absoluta certeza eu volto de lá sabendo falar com o torcedor do Grêmio melhor do que quem ficou na cabine cagando regra.

Há quanto tempo você jornalista não paga ingresso pega fila e sobe lá? 10 anos? 20 anos? O que você ainda lembra de passar perrengue pelo seu time e tomar porrada sem saber de onde veio pra ver um jogo de futebol?  Tem “fortes emoções” no estúdio da TV?

Quantas viagens de onibus chegando num país diferente pela Libertadores você fez pra saber o que é? Quantas pedradas você levou?

É uma pica jogar fora do Brasil.  É pedrada, hostilidade, polícia jogando água, escolta mal feita pra deixar a gente apanhar, torcida encurralada, horas e horas presos no estádio.  E aqui, Arenas! Hoteis espetaculares em silêncio, translado 5 estrelas e nenhum perrengue.

Olha, meus caros. Existe uma diferença entre ser educado e o gordinho bobo “paga lanche” da escola.

Eduque o seu filho pra ser o “paga lanche”. Não tentem educar uma sociedade confundindo os bons modos com ser otário.  Talvez por serem otários vocês adorem tanto uma seleção que comprou uma Copa, nos dopou em outra e se neguem a torcer pra nossa por “isenção”.

Isso é ser otário.

Sem violência, mas com pressão e nenhuma simpatia. Porque é assim que somos tratados. Vocês, de terno, chegando de carro da emissora, não sabem o que é passar 1 hora tendo que se esconder nas cortinas pra não tomar uma pedra de 1 metro na cabeça.

Não desejo. Mas as vezes acho que vocês precisam.

O país das maravilhas que você vive não é o nosso, “Alice”.  Duvida? Então tira a credencial e sobe lá pra ver.

abs,
RicaPerrone