portuguesa

O circo da Lusa

Sabemos há muito tempo que o futebol brasileiro é um circo fora de campo. Conhecemos alguns dos artistas, os leões, os vendedores de ingressos e quase sempre nos sentimos os palhaços.

Mas para a sorte de alguns, nosso país tem uma seqüela incurável de sua raiz como colônia e, até hoje, não aceita muito bem o vencedor.

Aqui, basta ser fraco ou estar morto pra ser exaltado. Enorme, vencedor e forte para ser pixado.

No caso da Lusa no Brasileirão, nada melhor do que ser Lusa.  Qualquer outro clube, fizesse metade do circo que a Portuguesa está fazendo, seria cobrado e não vitimizado.

Afinal, a Portuguesa pode ser qualquer coisa nessa história. Menos “coitadinha”. Pra quem duvidou no começo, o passar dos meses e as inúmeras mudanças de opinião do clube parecem não deixar muita dúvida que há um erro que ela não quer assumir pro seu torcedor.

Politica a parte, o que a Lusa está tentando fazer é fingir que não aceita e, quando nota que gritou alto demais, recua e diz que “entende”. Pra torcida, não para os fatos.  Diante deles, ela tem tirado o pé sempre que surge uma dividida.

Não tenho muita dúvida que a Portuguesa está pagando merecidamente por um erro interno grosseiro. Ou, conforme sugeriu o Ministério Público, uma possível corrupção dentro do clube.

Seja lá qual for a verdade, nenhuma delas isenta a Lusa. Só que ela dá margem pra manchetar polêmica sobre Fluminense e Flamengo, possíveis interessados em seu “erro”.  É muito mais negócio manter dois grandes sob suspeita do que matar o caso pisoteando um pequeno.

As atitudes da Portuguesa são tão incoerentes e sem critério que nos faz perder a linha do que era para ser apurado. Afinal, se alguém errou, é tão difícil assim o clube saber quem foi e afasta-lo?  Se sente-se lesada, porque foge da justiça depois de prometer as últimas conseqüências?

Porque a FIFA não quer? Medo da CBF? Então porque ameaça fazer? Pra enganar seu torcedor que acredita ser vítima de uma conspiração internacional que prejudica seu clube ?

Tá fácil ser Lusa. A mais incoerente da história toda e a menos cobrada. Afinal, vendemos muito mais com Fla e Flu sob suspeita do que uma crise interna numa Portuguesa.

abs,
RicaPerrone

O recomeço

Quando me disseram que o jogo da Portuguesa havia sido interrompido com uma liminar, estava numa festa. É claro que imediatamente repassei a informação aos demais convidados e a maioria reagiu com o natural “desgosto” de ver uma paixão em tal situação.

“É o fim”.  “O futebol brasileiro acabou!”.  “Imagina se isso acontece na Europa”, entre outras frases previsíveis eram o som ambiente após a notícia.

Pois eu não concordo. Pra mim, Lusa interrompendo jogo, Vasco sendo prejudicado aos 45, complos virtuais de torcidas contra esse ou aquele, é apenas o grande recomeço.

Não haverá mudança alguma no futebol brasileiro simplesmente porque quem pode muda-lo não está interessado. Já é interessante pra maioria deles como está.

Enquanto puderem levar adiante, levarão. E quem pode mudar alguma coisa não sabe como. Apenas um nó cego pode mudar isso.

Aquele que nenhum acordo desata. Aquele que independe de relações obscuras para se resolver. Aquele que envolve terceiros, torcedores, inocentes, gente de fora do “sistema”.

Sistema e “esquema” só é ruim pra quem tá fora dele. Quando dentro, ninguém reclama. E muita gente tá dentro. Não por serem ruins, mas por ser uma coisa viciada, viciante, sem alternativas para sobreviver sem seguir a cartilha.

Onde quero chegar?

A ação que recoloca a Lusa na série A só pode ser de um torcedor. E este, seja quem for, não sabe se o seu clube se vendeu ou apenas errou. Ele torce pra Lusa e portanto nenhum acordo o atingirá. Ele vai ter liminar a favor, contra, mas vai incentivar outros que não aceitem o que não está claro.

E uma hora, para poder seguir rolando a bola, vão ter que esclarecer.

Aí mora o novo futebol brasileiro.

Não vão profissionalizar os árbitros porque acham que é bom. Mas se o Vasco for prejudicado aos 45 e ver um título mudar de mãos, talvez a pressão do consumidor consiga fazer isso.

Não querem uma liga independente da CBF. Mas se as liminares não permitirem que o campeonato ande, terão de fazer uma.

Não conseguem pensar nem por um minuto numa solução pra um futebol melhor sem imediatamente tentar achar um modelo pra copiar. Brasileiro não pensa, pesquisa.  Ele vai atrás de uma solução existente criada por um terceiro pra poder copiar.

E então, nota que nem tudo que funciona na areia funciona em terra batida.

Portuguesa e Vasco, neste momento de revolta do torcedor, são duas esperanças de algo que pode determinar um novo futebol brasileiro. A profissionalização dos arbitros e a tal da Liga.

Aquela que fizeram em 87 e hoje renegam por uma tacinha ou mero clubismo. Aquela que Eurico assinou nas costas dos seus parceiros e deu a CBF o “poder” de jamais ter como reconhecer o campeão de fato.

Eu adorei saber que não teve jogo ontem. E vou adorar saber cada problema que impedir o Brasileirão de começar ou continuar. Até que chegue em Rede Globo e patrocinadores. Empresas que, de fato, podem ameaçar a brincadeira e força-los a mudar.

Não vai haver novidade partindo da boa fé de dirigentes que sequer sentam na mesma mesa. Mas se a torneira ameaçar fechar, vai.

Só um nó cego pára e repensa o futebol brasileiro. Talvez ontem tenha começado este nó.  E não, não é o fim.

É o recomeço.

abs,
RicaPerrone

O pênalti que não foi

Sabe aquele sonho de todo torcedor hipócrita de ver um pênalti que não foi sendo recuado pro goleiro?  Então. Nunca aconteceu.

Nem vai. Pelo menos não se o pênalti foi decisivo.

Entre a verdade e o que entendemos dela há uma mídia que conta os fatos pra você conforme lhe convém. E convém vender jornal e deixar a maioria feliz.

A maioria quer ver o pequeno defendido, o grande massacrado. Ainda mais sendo o clube que teve a péssima idéia de estourar uma champagne na tv quando viraram a mesa e ele foi UM DOS beneficiados.

Você só sabe o que sabe porque a imprensa te conta.  E então, muito relevante se torna “como” ela te conta.

Eu não queria que o Fluminense tivesse ficado na série A pelo tapetão. Mas não serei canalha de dizer que recuaria a bola pro goleiro.

O Flu, o seu time, você, qualquer um, aceitaria o erro do rival pra levar vantagem. E não, não é novidade, nem virada de mesa. A mesma regra foi aplicada em 10 casos iguais nos últimos anos, com a mesma punição.

Que audiência dá discutir o tamanho da merda que fez a Portuguesa?

E bater no Flu, insinuar coisas, transformá-lo no satanás do futebol brasileiro e ainda fazer uso disso para discursar sobre ética, o país, a corrupção e os valores da sociedade?

Dá um puta ibope.  É a interpretação fácil que todos querem ouvir pra não ter que pensar, só apontar o dedo e julgar.

Piada é piada. Tem que ter, tem que aturar. Mas notícia é notícia.

Repito, sem medo: Nenhum clube do mundo no lugar do Fluminense recuaria a bola pro goleiro. Não numa decisão.

E mais importante disso tudo:  O Fluminense não mudou nada, nenhuma virgula de regulamento algum. Portanto, não há virada de mesa.

Há sim uma tremenda cagada da Portuguesa que já está perdoada de véspera, afinal, é só a Portuguesa.

O Flamengo, que cometeu o mesmo erro e pagou igual, é muito mais contestado internamente do que massacrado fora pelo erro. Porque?

Porque também é grande.

Eu não queria ver o campeonato terminar no STJD. Mas senhores, sejamos menos hipocritas.  Qual dos últimos não teve relevantes decisões naquele mesmo “campo” de advogados e promotores?

– Você está, então, defendendo o Fluminense?!?

Porque diabos ponderar sobre um assunto onde existem 3 envolvidos é estar de um dos lados?

O Flamengo também é interessado no erro da Lusa.  Aliás, olhando a tabela como ficou, é até mais do que o Tricolor.

Mas não importa. Pois é claro que o Flamengo não tem culpa da Portuguesa ter sido tão amadora.  Só não é claro que o Fluminense também não tem.

Porque?

Porque pra qualquer novela é preciso um vilão, um herói e um coitadinho.

Só não acharam o herói ainda. Mas a novela está no ar rendendo uma puta audiência e você parece aquelas velhas que quando encontram a atriz na rua xingam pensando ser a personagem.

Montaram um circo.

Adivinha quem é o palhaço?

abs,
RicaPerrone

 

Pânico no Z4

Faltam 7 rodadas. Matemáticos tentarão explicar o inexplicável até a última, quando invariavelmente quebrarão a cara.  Não são culpados. A culpa é de quem pergunta, não deles que respondem.

Quantos % seu time tem de chance de cair?

Que importa? A real é que neste caso todos os envolvidos precisam fazer pontos além da expectativa. E o interessante é alertar onde e contra quem serão os 7 jogos finais. Assim, de fato, saberemos quem está ou não numa tremenda roubada.

Ou dois times com 32 pontos onde um encara Nautico, Ponte e Coxa em casa e outro pega Corinthians, Fla e SPFC fora tem a mesma chance de cair?

Vamos considerar “pontos fáceis” um time igual ou inferior dentro de casa. E só.

Vejamos.

Portuguesa –  39 pontos

SPFC (fora)
Coritiba (casa)
333Botafogo (fora)
Atlético MG (casa)
Bahia (fora)
Ponte Preta (fora)
Grêmio (casa)

Confrontos diretos: 3
Pontos fáceis: 0
Em casa: 3
Fora: 4

———————— ooo ————————–

Bahia – 37 pontos

Grêmio (fora)
Atlético MG (casa)
315Santos (fora)
Nautico (fora)
Portuguesa (casa)
Cruzeiro (fora)
Fluminense (casa)

Confrontos diretos: 2
Pontos fáceis: 6
Em casa: 3
Fora: 4

———————— ooo ————————–

Fluminense – 36 pontos

Flamengo (neutro)
Corinthians (fora)
323Nautico (casa)
Sao Paulo (casa)
Santos (fora)
Atlético MG (casa)
Bahia (fora)

 Confrontos diretos: 1
Pontos fáceis: 3
Em casa: 3
Fora: 3

———————— ooo ————————–

 Ponte Preta – 33 pontos

Criciúma (fora)
Vitória (casa)
332Goiás (fora)
Cruzeiro (fora)
Grêmio (casa)
Portuguesa (casa)
Inter (fora)

 Confrontos diretos: 2
Pontos fáceis: 3
Em casa: 3
Fora: 4

———————— ooo ————————–

 Vasco – 33 pontos

Coritiba (casa)
Santos (casa)
339Grêmio (fora)
Corinthians (fora)
Cruzeiro (casa)
Nautico (casa)
Atlético PR (fora)

 Confrontos diretos: 0
Pontos fáceis: 6
Em casa: 4
Fora: 3

———————— ooo ————————–

Criciúma – 32 pontos

Ponte Preta (casa)
Nautico (fora)
320Atlético PR (casa)
Coritiba (fora)
Vitoria (casa)
Sao Paulo (casa)
Botafogo (fora)

 Confrontos diretos: 1
Pontos fáceis: 3
Em casa: 4
Fora: 3

———————— ooo ————————–

Conclusões?

As tabelas mais “fáceis”, em tese, são as de Vasco e Bahia.  Com o time baiano mais perto de escapar, melhor ainda pra ele que pros cariocas.

As situações mais complicadas eu diria ser as de Criciuma e, pasmem, a Portuguesa.

O time do Canindé tá meio “folgado” na tabela, mas o que vem pela frente não deixa ninguém confortável.

Seja o que Deus quiser.

abs,
RicaPerrone

Sóbrios

tenorio_futurapress_dhavidnormandoO vascaíno quer o Vascão de sempre. Não tem. Sabe, por isso, foi lá pra empurrar, não pra cobrar.

Empurrou, e ele venceu.

Autuori sabe o que tem nas mãos e por isso escalou o time num 442 mais do que básico.  Ele não quer manchetes, nem os méritos por um “nó tático”.

Quer os pontos, o alívio, a torcida ao lado.

E conseguiu.

Com 45 minutos de bom futebol, um gol no começo do segundo tempo e outros 40 minutos morrendo de medo de tomar o gol de empate, o Vasco fez o “dever”.

Mais leve, vai em busca de surpreender, que é sempre mais fácil do que ser cobrado sendo apenas comum.

Não cabe ao Vasco, jamais, o rótulo de “comum”.  Por isso, sabendo disso, sua torcida foi pra ajudar a fazer a diferença.

Não cantaram pelo show, nem aplaudiram uma grande vitória.  O fizeram por alívio, orgulho e esperança.

Vascaíno nenhum sonha com o título. Mas tem o direito de sonhar em ser digno durante o campeonato, seja qual for a situação financeira do clube.

São 38 jogos. Agora 37.

Dignos, sóbrios.

Um Vasco que escreverá sua história através do suor, não dos toques de calcanhar.

Do seu grito de incentivo, não de cobrança.

De um time que não pode, mas quer. Num clube que deve querer, mas não pode.

abs,
RicaPerrone