r10

O final “feliz” de uma aposta infeliz

Passa da uma da manhã, Ronaldinho e Fluminense acabaram de “romper” o namoro.  Serei bastante direto pra não fazer firula em jogo encerrado.

Não gosto do Ronaldinho.  Acho um profissional frouxo, pipoqueiro em decisões, de uma personalidade fraquíssima e controlado feito marionete pelo irmão.

Não conheço o Ronaldinho.  O que pode fazer enorme diferença na minha avaliação sobre ele. O que acho, acho do jogador. O sujeito, só ouço coisas boas.

Acho que ele foi um tremendo canalha com o Grêmio e um cara covarde com o Flamengo.  Acho que ele não foi “o cara” na Libertadores do Galo, embora tenha tido seu valor.

Acho, no entanto, que na sua melhor fase jogou mais que o Messi. Um gênio, um absurdo de jogador. Raríssimo.

Ele foi uma aposta do Fluminense. Riscos são proporcionais aos índices de acerto. Era mais fácil não dar certo, por isso muito arriscado. E não deu.

Ronaldinho e Fluminense entendem que é melhor pra ambos acabar com isso e não gerar nenhuma dívida de parte alguma. Ponto. Melhor impossível.

Um acordo bem tramado que termina sem prejuízo. Ou, se você for otimista, com o lucro de 10 mil sócios torcedores.  Ou, se pessimista, com 2 salários jogados fora.

A manchete de que saiu bom pra todo mundo não vende, logo, veremos alguns absurdos nas próximas horas. Mas no planeta que eu imagino ideal, quando duas partes não estão se entendendo não há nenhuma solução melhor do que um fim em comum acordo.

Segue a vida.  Sem teorias mirabolantes.

abs,
RicaPerrone

Operação R10 – Capítulo final

90%

Eurico Miranda acorda e anuncia que Ronaldinho está 90% no Vasco. A notícia é uma bomba pra mídia, uma pauta gigantesca, assunto pra 3 dias em mesas redondas. Mas não é bem verdade e não assusta Mário que conduz a negociação há algum tempo.

Ao ouvi-la, Mário manda um whatsapp para Assis que nega. Diz que tudo que foi conversado está mantido e que o Fluminense segue sendo um interessante caminho para Ronaldo.

Assis viaja pra Turquia

Enquanto o irmão/empresário de R10 viaja pra Turquia, o Fluminense segue pontuando no Brasileirão. Assis nega ter ido até lá para “negociar” Ronaldo, enquanto a mídia faz de sua viagem quase um anuncio oficial de Ronaldo na Turquia.

Ainda via whatsapp, Assis diz ao Flu que gostou da proposta e que vão conversar mais uma vez quando ele voltar ao Brasil. A coisa já não parece mais uma “sondagem”, nem mesmo um namoro.

Semana decisiva

Imagem do SMS de Mário para Assis

Imagem do SMS de Mário para Assis

São Paulo x Fluminense no Morumbi. Na concentração alguns jogadores chave ficam sabendo que seria hora de decidir com Ronaldo e entram novamente no circuito. Fred e Pierre mandam mensagens para o craque reforçando que o grupo ficaria feliz em recebê-lo. Ronaldo começa a se envolver.

Na terça, dia 7 de julho pela manhã, após a volta de São Paulo, Mário envia um whatsap a Assis com uma imagem do Cristo Redentor segurando a bandeira do Fluminense e escreve: “Roberto, Bom dia….apenas pra dizer ao Ronaldo que o Rio de Janeiro e o Fluminense já esperam ele…..” .

Reunião e vitória

Mário e Simone vão a casa de Assis na quinta-feira, dia de Fluminense x Cruzeiro, para uma conversa importante. E uma das estratégias foi levar ao craque 4 camisas para ele escolher. Eram elas:
Número 95 – Referência ao gol de Barriga e a um novo “R. Gaucho” no clube
Numero 40 – Em homenagem a maquina Tricolor de 75
Numero 10 – Óbvio
Numero 11 – Camisa que ele usou na Copa de 2002 e ano do centenário do Fluminense onde outro “R” e craque do Barcelona, Romário, vestiu a camisa do Flu.

Eles chegam na reunião e colocam para Assis que tem alguma urgência, já que o clube está subindo na tabela, Wagner foi embora, e que precisam mesmo ter decisões sobre o elenco pro restante do campeonato. Mesmo de férias ainda, eles queriam uma resposta do Ronaldo.

Assis ouve tudo, diz que liga pro advogado deles e retorna. Assis pede 6 ingressos para o jogo contra o Cruzeiro de logo mais.

“Fodeu!”, pensam os dois. Se ele aparece lá a imprensa enlouquece !!!

Ele acha as camisas lindas e comenta sobre a beleza da camisa verde que estava com o 10. Neste momento, mesmo que de maneira velada, ele escolhe a 10.

Simone e Mário chegam na rua em frente a praia, antes de entrar no carro e se olham. Simone diz: “Caralho, acho que agora foi!”. E pela primeira vez eles acreditam estar realmente próximos de ter Ronaldinho no Flu.

Mário manda outra mensagem a Assis agradecendo a recepção e a ótima conversa e Assis Responde: “ Vamos fazer história !!!”

Fluminense x Cruzeiro

Sem alguns titulares, o Flu reage bem, vence e vira vice-líder do Brasileiro. Proposta na mesa, clube em segundo, imprensa em cima. O cenário é decisivo. Em algum momento o telefone vai tocar.

E toca! Assis manda uma mensagem para Mário empolgado com o jogo. Dizendo que viu o jogo e que Ronaldo também viu, elogia o time, a vontade e diz que amanhã a noite o advogado estará na casa dele.

No estádio a imprensa já sufoca a diretoria com perguntas. Eles não negam, nem confirmam. Muito menos dão percentual de possibilidades ao torcedor. Mário e Simone só trabalham contratações e negociações em sigilo. É muito chato tirar deles. E quando se tira, o negócio já está bem adiantado.

Sexta a noite

Casa de Assis. Lá estão Mário, Peter, Simone. O presidente se envolveu muito pouco na negociação. Há uma hierarquia muito respeitosa entre os 3. O Simone cuida do futebol e leva pro Mário o que é do Mário, que por sua vez, apesar de ser o vide de futebol, leva sempre ao presidente as situações já concretas para que ele possa dar seu aval e finalizar a operação.

Mas agora é com ele também. E lá está Peter na mesa com o advogado Sérgio e Assis. Mário se surpreende, pois quando chegam lá para uma “conversa”, talvez “mais uma”, Sérgio lhes apresenta uma minuta de contrato pronta e dentro de tudo aquilo que havia sido combinado, necessitando apenas de alguns ajustes negociais. Apesar de uma longa conversa, um longo “namoro”, Mário e Peter, advogados acostumados a participar de negociações no futebol se surpreendem novamente ao perceber a maneira simples e objetiva com que tudo acontece após o sim de Ronaldo.

Era oficial. Ronaldinho queria jogar no Fluminense. E ali mesmo, com os três advogados (Mário, Peter e Sérgio), eles ajeitam clausulas e chegam a um acordo. Mário envia pro clube, pede para providenciar aquilo formalmente e que pega no dia seguinte.

Peter

Imagine ser o presidente no momento em que o time perde o patrocinador que “bancava” o futebol há anos? Peter não deve ter vivido dias muito animadores em janeiro.  Mas o time brigando, pagando em dia, com nomes de peso e aquela contratação do R10 representariam muito mais do que um meia direita pra ele.

Nessa noite de sexta-feira, quando percebe que Ronaldinho está a uma canetada de ser jogador do Flu, ele se emociona. Revela aos amigos Mário e Simone que é uma conquista. E não está falando em título, mas em como se manter um clube em alta, forte no campo e no mercado, meses após ser rotulado como “morto” para uma parte estúpida da mídia esportiva.

 

Simone e o avião

É sábado. Mário e Peter tem a reunião final com Ronaldo as 16h. Mas o Flu precisa ir a Coritiba jogar contra o Atlético PR. O voo sai as 15h, chega as 17h. Simone portanto embarca desejando “boa sorte” e espera pisar em Curitiba com uma mensagem do Mário, que não chega.

Ansioso, ele envia: “E ai?!?!”. Mário responde: “Tudo bem”. Simone usa alguns palavrões para o amigo. Mas antes que precisasse ligar para tirar mais qualquer dúvida, Ronaldo vai ao seu twitter e anuncia pro mundo: É jogador do Fluminense.

O final feliz

Papeis assinados. Todos felizes. Mário é um sujeito que fala pra cacete, daqueles bem advogado mesmo sabe? Se você sentar do lado dele em 30 minutos ele te convence que o Pelé era ruim e o Magno Alves o novo Garrincha.

Naquele dia, após a assinatura do contrato, ele foi interrompido. Enquanto falava sobre alguma coisa do clube, do desenrolar da operação, etc, Ronaldinho o interrompe.
– Mário. Você já fez tudo que tinha que fazer. Agora é comigo. Vamos pra cima de geral !!!

Não havia frase no mundo que fizesse o vice de futebol do Flu mais feliz naquele momento.

Após a frase, sabendo que o grupo está concentrado para o Jogo contra o Atlético PR,

 

Mario pede a Ronaldo que grave um vídeo de incentivo ao grupo. Ronaldo imediatamente aceita e mando o mesmo recado que havia dado ao Vice Presidente.

Eles saem da reunião, staff, marketing, comunicação, diretoria… e não fazem uma festa, nem tomam um porre. Apenas se olham orgulhosos por terem dado mais um grande passo a provar, pra quem ainda é cego e duvida, que o Fluminense é enorme por si só.

Ah! O Flu venceu o Atlético no dia seguinte por 2×1, aos 47 do segundo tempo.

Fim

Casting:
Peter – Peter Siemsen, presidente
Mário – Mario Bittencourt, vice de futebol
Simone – Fernando Simone, diretor executivo de futebol
Assis – Roberto Assis, empresário de Ronaldo
Vitor – Vitor Leal – Amigo de Ronaldo e empresario de futebol
Ricardo – Ricardo Correa – Scout do Fluminense
Sergio – Sergio Queiroz – Advogado de Ronaldo

 

–  A série “Operação R10” tem 3 capítulos:

Capitulo 1
Capitulo 2
Capitulo 3

Operação R10 – Capítulo 2

O Fred vai te buscar

Na cozinha do clube, Simone e Mário resolvem abrir para o capitão do time a idéia.  A reação de Fred, embora não seja oficial, é muito relevante. Ninguém conhece o grupo como ele e, portanto, o termômetro Fred é fundamental num projeto desses.

O capitão ouve, estende a mão e pega o celular. Eles ligam pro Assis. Já jogou com R10 na seleção e não apenas aprova a idéia como também faz questão de participar do projeto. 

Pierre, seu companheiro no Galo, também fez questão de ajudar a convencer o craque de que seu lugar agora era no Fluminense.  

A dica

O Fluminense lança as obras do CT.  Mário e Peter vão ao evento, cheio de jornalistas, que termina na hora do almoço. Na saída, Mário e Peter vão almoçar para o presidente ouvir do seu vice de futebol que Ronaldinho é uma possibilidade real.  

A primeira reunião com Assis está marcada para aquele dia, a tarde, logo após o almoço. E então Mário deixa o “CT”, entra eu seu carro e dá um boa tarde aos jornalistas.  Um deles pergunta: “Vai pra onde?”.  E ele responde, rindo: “Contratar um grande jogador”. 

Ninguém leva a sério. Mas o maior “furo” do ano estava sendo anunciado em tom de brincadeira. E ninguém se tocou. 

O primeiro encontro

Na mesma tarde Mário vai a casa de Ronaldo. Sentam Assis, Mário e Victor, o amigo empresário que aproximou as partes.  Ronaldinho está na casa mas não na mesa.  Mário explica o porque do interesse, dá seus argumentos para traze-lo e Assis gosta do que ouve. 

A estratégia do Fluminense é muito clara desde a primeira reunião.  Não é uma competição por dinheiro, pois não dá pra competir com China, Europa, etc. É por projeto.  

Ronaldo vem à mesa.  Mário diz pra ele tudo que disse ao Assis. Ronaldo ouve e gosta, se mostra simples.  Mário coloca Fred e Enderson para falar com R10 ao telefone. Os dois fazem questão de mostrar pro jogador o quanto ele seria bem-vindo no grupo. 

Falam então em número de camisa.  Ronaldo diz não se importar. “Quero jogar bola”. 

Dá pra pagar?

Então temos um negócio em andamento. Ronaldo ouviu, gostou, é possível.  Mas e o dinheiro, dá? Enquanto Assis e Fluminense não falam em valores, é muito complicado para Mário e Simone saberem se estão negociando algo possível ou não.  Mas durante todo o tempo Assis lhes coloca que isso é “secundário”.  Marca-se uma segunda reunião. 

A proposta

Domingo a noite, Assis joga futvolei com R10 e amigos quando chegam lá.  Mário e Simone aguardam e ficam felizes em ver a forma física do jogador, até que Assis termina a partida e se senta com eles.  Pela primeira vez o Flu apresenta valores na mesa. 

É uma reunião muito relevante porque no momento em que o clube diz o quanto pode pagar, haverá uma reação natural. Ou a conversa esquenta ou se percebe ali que não estão na disputa.  

Mais uma vez Assis coloca que isso não é o mais importante neste momento. O que os deixa confusos, mas também esperançosos, já que o Brasil não tem condições de brigar com outras moedas maiores. 

Vazou

O Rio de Janeiro é um ovo. Aqui moram 5 mil pessoas e o resto é tudo figurante. É muito difícil que você faça algo no Rio e que isso seja segredo por muito tempo.  Mas até que durou! Agora está na mídia: Há uma conversa entre Flu e Ronaldo.

Mas o que vazou naquela noite não foi só isso. Uma das pessoas que estava na casa do Ronaldo, torcedor do Flu, viu o que estava acontecendo e entendeu que tratava-se de uma proposta.  Este se aproximou dos dirigentes do tricolor na saída e disse: “Boa sorte! Adoraria vê-lo no meu tricolor! Mas ó…. O Eurico esteve aqui ontem”. 

–  A série “Operação R10” tem 3 capítulos:

Capitulo 1
Capitulo 2
Capitulo 3

Operação R10 – Capítulo 1

A idéia

Há algum tempo Mário Bittencourt comentava que esse time do Flu precisava de mais um medalhão para blindar a garotada. Informalmente já pensou em muita gente, mas nada viável. Até que um dia, conversando com Victor, um empresário que por coincidência também é amigo do R10, surgiu a informação de que Ronaldinho poderia deixar o Queretano no meio do ano. 

Foi o suficiente para tirar o sono de Mário. Com seus botões passou parte da madrugada imaginando o que significaria ter, talvez, quem sabe, um dia, o Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. 

Seria a maior contratação da história do clube ao lado do Romário, Deco e Fred. Seria um tapa na cara a quem ousou dizer que sem Unimed o Flu estava fora do mercado.  Fred ficou, Ronaldinho chegando, a resposta era clara.  Em diversos fatores, pro bem e pro mal, seria “foda”. 

No outro dia Mário conversa com Simone, diretor de futebol. Ele reage com surpresa, mas obviamente gosta da idéia.  Conversam com Ricardo, do scout do clube, e é mais um que concorda que Ronaldinho ainda tem muito a acrescentar. 

A partir dali Mário cria uma missão pra si mesmo: viabilizar o projeto R10.  

O risco

Ronaldinho custa caro. É um para-raio de jornalista maldoso, uma notícia ambulante. Conforme o Fluminense começa a ganhar jogos, Ronaldinho passa de um arriscado negócio a uma possibilidade bem encaixada. 

O time já briga por G4, pensa alto, sobe muitos garotos e sente cada vez mais a necessidade de ter outra referência além do Fred.  A marca Fluminense precisa romper as fronteiras nacionais e ninguém daria mais cartaz ao Flu do que Ronaldinho.

É quando Mário e Simone começam a somatizar a importância do negócio.  É marketing, é técnico, é uma resposta ao flui “sem Unimed”, é uma possibilidade de título no primeiro ano sem o patrocinador, é a marca lá fora, passar o Vasco em títulos nacionais…  

Ronaldinho já não é mais um sonho. Agora é alvo. 

O primeiro contato

Victor, o empresário que é amigo de Ronaldinho e fez este processo começar, vai nas Laranjeiras e conversa pessoalmente com o Flu. Eles lhe entregam uma apresentação feita pelo marketing do clube tentando explicar para o Ronaldinho e seu staff o porque desse flerte. 

Na apresentação tem Libertadores, sócio torcedor, onde o clube quer chegar, o ambiente que ele teria e um trunfo bastante interessante: O Maracanã. 

Ronaldinho nunca jogou no Maracanã como “casa”. Quando no Flamengo era Engenhão, e portanto o craque não tem seu nome marcado no maior estádio do mundo. 

O Fred vai te buscar

Na cozinha do clube, Simone e Mário resolvem abrir para o capitão do time a idéia.  A reação de Fred, embora não seja oficial, é muito relevante. Ninguém conhece o grupo como ele e, portanto, o termômetro Fred é fundamental num projeto desses.

O capitão ouve, estende a mão e pega o celular. Eles ligam pro Assis. 

–  A série “Operação R10” tem 3 capítulos:

Capitulo 1
Capitulo 2
Capitulo 3

Não tem golaço sem goleiro

Não quero saber em março de 2016 o que alguém terá pra dizer sobre R10 no Fluminense. Lá será fácil avaliar o negócio, mas ele tem que ser avaliado hoje, com os riscos que envolve para as duas partes.

E numa boa, por mais que eu não confie no Ronaldinho e odeie a idéia dele ter alguém sempre respondendo por ele, é inegável que trata-se de um gênio.

Com 35, talvez sem interesse. Talvez seja caro. Talvez seja uma dívida anunciada.

Mas e o contexto?

O Flu sem Unimed não podia nada. Ele diz pro mercado que pode e tem hoje o time mais “estrelado” do Rio, talvez até do país.  São 4 de seleção sub 20, um ídolo mundial, um centroavante diferenciado, um volante de seleção, um goleirão.  Não deve nada a ninguém.

Estrelas resolvem? Nem sempre. Mas o futebol é feito de ídolos e isso que move o mundo atrás dos craques do Barça. Ninguém acompanha tudo aquilo pra ser campeão espanhol.  É pelos caras.

E Ronaldinho é inegavelmente o maior nome do futebol mundial ainda em atividade. Logo, traze-lo, significa mídia.  O Fluminense num patamar internacional que jamais esteve.

Farão bom proveito disso? Outros 500. Potencial, tem.

Como jogador? O meia armador?  Eu não espero nada dele. Mas não tem quase nada que o Wagner fizesse que ele, dormindo, não possa fazer.

No grupo? Gostam dele. Pros jovens, blinda. Pra mídia, dá notícia. Pro futebol brasileiro dá cartaz.

É caro? Aí sim, temos uma discussão. Ronaldinho por 400? Puta negócio. 500? Legal. 600? Arriscado. 700? Pode ser que funcione. 800? Um risco grande.  900? Um puta risco! Um milhão? Fodeu! Vai dar merda.

Mas porque condenar o risco?

Até porque, é de golaços que vive o futebol. E só faz um desses quem arrisca alto.

Não tem golaço sem goleiro.

abs,
RicaPerrone

O pacotão do Eurico

Vamos por etapas. Eu não gosto do estilo Eurico de comandar o clube porque eu sempre tenho a impressão que o importante é a imagem dele, não o futuro do Vasco.

Hoje cedo ele chamou a imprensa e anunciou Herrera, Leo Moura, Andrezinho, Celso Roth e disse que o Ronaldinho está bem perto.  É desespero, tentativa emergencial de tirar o time da situação que se encontra. E ok, é justo. Eu também faria.

O ponto é, de novo: O Vasco contrata um time sub 40, escapa da série B, faz mais dívidas do que já tem, não planta nada e em 2016…. sofre tudo de novo?

Eu não acho que vá cair. E sim, acho que vai dar certo o pacotão. Mas o Vasco precisa de amanhã.  O imediatismo com que se trata tudo em São Januário é muito assustador.

Busca o Eurico! É bom pro Vasco? Não, mas precisamos ganhar o Carioca.

Busca o Leo Moura! É bom pro Vasco? A médio prazo, não. Mas precisamos não cair.

E assim vai. Eu entendo, repito, a urgencia. Mas me preocupa o amanha.  Porque esse time não é base de 2016 nem a pau. E assim sendo, recomeça tudo de novo em dezembro de 2015.

E a grana sumindo, a estrutura precária, a busca pelo velho Vasco através de velhas soluções num mundo novo onde elas não funcionam mais.

O Vasco está contratando e elegendo presidentes não para crescer, mas para ficar no lugar. E quando um time como o Vasco acha que a meta é “ficar onde está”, está tudo errado.

abs,
RicaPerrone

Ronaldinho do Galo

Ronaldinho, sabe? Aquele.

Qualquer um lembra. O cara que fez no Barcelona muito próximo ao que faz Messi hoje e que mesmo assim nunca teve seu nome comparado a Pelé pela mídia nacional. Talvez por não ser o que chamamos de “carismático”, talvez por nunca ter sido na seleção o que foi naquele Barcelona, ou, talvez, por nunca ter sido em mais lugar algum aquele Ronaldinho.

Fato é que Ronaldinho virou uma marca do futebol brasileiro atrelada a clube nenhum.

E se tem algo que deve matar um jogador por dentro é ter que sair do seu país pra receber os aplausos que conquistou com trabalho.  Ronaldinho não quis ser do Grêmio, os traiu, na mais “moleque” e ingrata decisão de sua carreira.

Mas voltou ao Brasil para tentar cair nos braços da maior torcida do país. Quase conseguiu, não fosse uma saída conturbada e novamente com sintomas de não muita transparência.

E então surge no Galo.  Ronaldinho chegou ao Atlético Mineiro e fez do Galo o “time do Ronaldinho”.  Até que conquistaram a América pelos pés ( e mãos) de outros protagonistas e, enfim, passamos a ter o “Ronaldinho do Galo”.

O craque, a referência, mas em momento algum o único fator que determinou a conquista. E portanto, jogador que fez parte do clube, não o contrário.

De hoje em diante, quando nos referirmos a Ronaldinho, que já foi “gaúcho”, lembraremos dele de alvi-negro. E sim, usaremos o termo “Ronaldinho do Galo”, lembrando sempre aquele “Galo do Ronaldinho” que foi campeão da mais incrível Libertadores de todos os tempos.

A bola é uma mulher vaidosa que só se apaixona por homens bem vestidos. Faltava ao Ronaldinho uma camisa.

Faltava.

abs,
RicaPerrone